• Sonuç bulunamadı

O cenário neoliberal firmou no país o alto custo do financiamento (com juros prioritariamente definidos para assegurar boa remuneração do capital), o assédio e a presença de CTNs no território nacional. Elas procuram mão-de-obra mais barata para instalarem suas fábricas, mas também para o cooptação de pequenas e médias empresas, no sentido de agregarem valor à cadeia de produção global das quais fazem parte. Trata-se de um quadro que dá sentido à ideia de desenvolvimento em meio à desregulamentação de mercados, privatizações e ênfase ao mercado, sendo este o fundamento, o meio e o fim da organização social.

Esta seção é dedicada à apresentação da concepção dominante de desenvolvimento local que, organizada a partir da lógica neoliberal, articula os principais elementos do espaço privado em benefício da soma de valor às redes globais nas quais estão inseridas. Nesse cenário, articulo as relações estabelecidas entre CTNs centrais e empresas de pequeno e médio porte de países periféricos, pois são estas últimas as que comumente marcam a paisagem das pequenas cidades do território nacional, como a investigada nesta tese. Por se tratar de uma aproximação extremamente seletiva, as empresas de pequeno porte acabam tendo seus processos produtivos condicionados pelos ganhos de produtividade e excedentes das CTNs. Como contraponto, a próxima seção trata da articulação de uma concepção de desenvolvimento local distinta a esta.

Tendo sido marcadamente consubstanciada pela ideologia neoliberal, a feição que torna evidente o pensamento desenvolvimentista a partir da década de 1990 tem duas

expressões que merecem destaque. A primeira, como aquela que reafirma o crescimento econômico e a segunda, pela abertura e desregulamentação do mercado e financeirização. No geral, a presunção do neoliberalismo em estimular a presença, na arena da construção da cidadania, de empresas e organismos multilaterais, moldados pela lógica da eficiência e eficácia, pelos indicadores de resultados e pelo planejamento estratégico, temas comumente circunscritos ao campo corporativo.

Dissemina-se, assim, a noção de que o desenvolvimento dos fragmentados territórios das nações periféricas viria de um processo que permitisse às potencialidades e capacidades locais se inserirem na acumulação internacional. Ou seja, um pensamento elaborado a partir da lógica neoliberal, que, ao se projetar sobre a ideia de desenvolvimento local, toma-o como mero espaço de ampliação da acumulação central, fazendo com que as frações territoriais sejam percebidas basicamente segundo suas capacidades em projetar lucros ao sistema de produção maior. Neste, a origem e a regência dos movimentos cabem a seus proeminentes participantes, as CTNs. Embora contra esse tipo de avanço fosse essencial a presença do Estado em resguardar os interesses de suas frações territoriais, o que temos visto é o esvaziamento da intervenção estatal em preservar a dinâmica local em meio à nacional. Considerando que a força neoliberal tem tido forte influência na organização sócio-econômica de vários países periféricos, onde é grande a presença e o interesse das CTNs, o que se pode dizer das relações formadas entre local e global? Como veremos, elas têm se mostrado mais favoráveis à fragmentação territorial, dando novo acento à heterogeneidade e dualidade marcantes na história nacional.

Organizadas segundo uma rede de relações hierárquicas, sua posição de destaque faz com que as CTNs disseminem novas tecnologias de produção e gestão que permitem escalas com alcance cada vez maior, o que levou à necessidade de novos espaços para sua atuação (SANTOS, 1993). Nota-se que está em jogo não a promoção planejada para o desenvolvimento de países e regiões do mundo, mas a ampliação de (oportunidades de) mercados e dos excedentes nos lugares em que forem possíveis, viabilizando a operação em larga escala das grandes empresas com atuação global. Diante de uma estrutura de poder governada por grandes grupos empresariais, proliferam políticas que invadem programas de

governo e agendas de políticas públicas de desenvolvimento43

Além disso, seus diretores e presidentes mantêm estreita relação

. Sem dúvida, são empresas mundiais, mas essencialmente na captação de recursos e na comercialização, e não no destino prioritário de seus lucros.

44

Consequência dessa investida, em que pese o território, é a “liquidação impiedosa dos mercados locais e sub-regionais dentro de países e uma tentativa de integração de mercados internacionais dentro dos espaços regionais delimitados por acordos entre Estados” (SANTOS, 1993, p. 42). Essa integração também estimula a cooperação científico- tecnológica entre empresas, mas por um viés seletivo suficiente para satisfazer aos interesses e manter o poder decisório das CTNs. Além disso, se o desenvolvimento industrial e econômico de cada país se faz mediante suas condições singulares, é espera-se que sejam com os governos de seus países de origem, tornando-os fortes aliados. É difícil afirmar que mesmo o crescimento econômico neoliberal tenha sido capaz de gerar como corolário um processo de integração em benefício da maioria. O que vimos foi uma civilização planetária organizada seletivamente, com ações visando à geração e agregação de valor em termos globais, e não mais locais ou nacionais. Sobre alguns dos elementos dessa moção, recorro a Santos (1993, p. 33), para quem “as empresas multinacionais articulam um sistema complexo de produção a partir de diferentes pontos do globo, realizam um gigantesco movimento de capital a nível internacional, expandem drasticamente os serviços e mercados de capital e financeiro”.

43

Que concretizam uma concentração de poder de tal forma que, ainda na passagem do último século para este, fez com que 200 corporações tivessem um volume de vendas superior ao PIB de todos os países do mundo, exceto os maiores, ou seja, 182 nações. Contra os que defendem este tipo de organização industrial como grande geradora de empregos, basta assinalar que geram postos para menos de um terço de um por cento da população mundial (LANDER, 1999). Além disso, 96% delas têm sua matriz em apenas oito países, por isso deve-se atentar para o argumento que insiste em desvinculá-las de qualquer base nacional, como se fossem multinacionais.

44

Por seu poder econômico e interesses, não é difícil imaginar o apoio que oferecem aos que aspiram por cargos públicos nos diversos plebiscitos. Pois é “a competição oligopolística e a interação estratégica entre firmas e governos, e não a mão invisível das forças do mercado, que condicionam as atuais vantagens competitivas e a divisão internacional do trabalho nas indústrias de alta tecnologia” (OCDE, apud CHOMSKY, 2002, p. 124). Neste sentido, Milanez et al (2008) identificam que apenas dez empresas (CTNs) controlam 90% do segundo maior mercado mundial de agroquímicos (eufemismo para agrotóxico), o brasileiro. Agentes importantes na cadeia produtiva da agricultura monocultivada (que trata a biodiversidade como praga), eles ocupam papéis decisivos em instituições de grande peso político na regulação do setor. Apesar de várias dessas empresas fazerem parte do Instituto Ethos (cujos integrantes devem pautar sua gestão pela relação ética e transparente com todos os públicos com os quais a empresa trabalha) e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CBDS, que busca conciliar as necessidades econômicas, socais e ambientais sem comprometer o futuro de quaisquer dessas demandas), em outra instituição, na qual também são ativas, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), elas parecem manter distância do que pregam as duas primeiras. Pelo Sindag, têm conseguido adiar ou interromper avaliações de toxidez de seus produtos, mantendo-os com venda regular. Além de vários destes serem proibidos nos países de origem dessas CTNs, no Brasil os agrotóxicos de uso agrícola e doméstico são os responsáveis pela segunda e terceira causa de intoxicação humana.

múltiplas as racionalidades nos usos dos recursos e na constituição de modelos para a promoção de fatores que melhorem as condições de vida de sua população.

No entanto, a sociedade capitalista tem apresentado uma trajetória de homogeneização na forma de se pensar o uso de forças produtivas e meios de produção. Para Cabral (2004), trata-se de uma prática de poucas empresas de grande porte (de países desenvolvidos), centralizando a produção da cultura de massa, e difundindo padrões culturais, hierarquias e comportamentos homogeneizados. Uma explicação para esse fenômeno é que a continuidade do desenvolvimento e expansão do sistema capitalista reduz os modelos de utilização de recursos, tornando estreita a margem de escolha e reforçando o poder determinante da estrutura frente às opções de seus agentes (SANTOS, 2000). Furtado (1998) afirma que é na engrenagem do capitalismo atual que as empresas se tornaram um elo fundamental e matriz do sistema de poder mundial, exigindo atenção em se identificar o formato e o papel das mesmas no recorte político-econômico-social.

No entanto, a maioria dos estudos desta natureza nas escolas de negócios nasce, fortalece e difunde a partir do estreito relacionamento entre a academia e as grandes corporações, levando a um perfil de reclamação utilitarista que acaba envolvendo a geração de conhecimento científico da área, estimulando uma produção que privilegia os interesses particulares das empresas, em especial as de grande porte, e pouco os impactos de suas práticas. Tornam-se, assim, “recursos de legitimação para a mobilização de interesses e ideologias particulares de oligarquias não somente dentro das economias nacionais, mas também dentro e através de escolas de negócios” (FARIA e WENSLEY, 2000, p. 12).

Assim, problematizar pequenas organizações produtivas (ou empresas de pequeno porte), a partir das capacidades e potencialidades locais, torna-se um processo árduo, enquanto não há um desvio frente aos condicionantes globais. Isso porque estes exercem forte influência no nível de competição das empresas, na disponibilidade e nos custos de capital necessário à promoção industrial e nas expressões culturais e políticas que dão forma à estrutura de poder global. Ao mesmo tempo, forma-se um ambiente que exige das empresas de pequeno porte atenção às estratégias praticadas no mercado internacional, pois a estrutura é de nível global e promove ações dominadas pelo investimento internacional, onde os fluxos inter-corporativos crescem em importância. Como descreveu Chesnais (1986, p. 27):

As empresas recorreram a novas combinações entre os investimentos internacionais, o comércio e a cooperação inter-empresas coligadas, para assegurar sua expansão internacional e racionalizar suas operações. As estratégias internacionais do passado, baseadas nas exportações, ou as estratégias multidomésticas, assentadas na produção e venda no exterior, dão lugar a novas estratégias, que combinam uma série de atividades transnacionais: exportações e suprimentos externos, investimentos estrangeiros e alianças internacionais. As empresas que adotam essas estratégias podem tirar proveito de um alto grau de coordenação, da diversificação de operações e de sua implantação local.

Apesar da força que tende a sufocar iniciativas distintas das que são provenientes dos interesses das grandes empresas, não podemos desconsiderar que na economia de mercado a industrialização é força subordinada às exigências dos homens; o que exige esforço de compreensão constante para que seja possível posicionar seus elementos. Do mesmo modo, é difícil imaginar uma concepção de mundo fora das diretrizes estruturadas e estruturantes da reprodução capitalista, pois não estamos diante de uma ideia em si mesma. Trata-se de um produto da mente humana, assim como seus resultados e indicações de sucesso, que adquirem sentido como partes da realidade feita pelo homem. E se coube aos homens organizá-la, está em suas mãos a mudança de rumos45

Dentre os passos iniciais, está o compromisso em assumir que, antes de mudá-lo, é preciso melhor conhecê-lo. Assim, vivemos, mais que antes, sob forte concentração de capital e predomínio de monopólios e oligopólios que se movimentam sobre uma economia de expressiva proporção de capital financeiro (especulações) e onde prevalece o estímulo à liberdade de movimento de grandes empresas rumo à formação de um mercado mundial. Considerando ainda as ações dos organismos multilaterais internacionais, vejo sendo formadas ideias e políticas de desenvolvimento local que o entendem apenas como lócus da ação produtiva dos grandes agentes produtivos globais.

.

É neste sentido que os governos de países periféricos agenciam a integração de empresas de pequeno porte locais com CTNs. Esse seria o caminho entendido como viável para se considerar o local, ou seja, um espaço com oferta potencial à acumulação capitalista mundializada. Assim, essas empresas inserem-se na problemática do desenvolvimento, amparadas por uma parceria (Estado-CTNs-Empresas de Pequeno Porte) capaz de promover novos padrões tecnológicos, nos quais as empresas nacionais tornam-se aptas a operar, contribuindo para o aumento da produtividade geral do sistema, pela queda nos custos e maior competitividade dos produtos e empresas locais no mercado mundial.

45

Reflexão que reacende, de imediato, a afirmação de Marx, em Contribuição à crítica da economia política, de que “o homem só se coloca os problemas que pode resolver”.

Esses movimentos que conjugam empresas de pequeno porte e CTNs têm importância direta no desenho do desenvolvimento nacional, uma vez que as organizações produtivas do país são agentes decisivos na geração de renda e dinamização da economia. Nesse curso, vasta é a literatura dedicada ao entendimento do processo de ampliação das fontes de competitividade e participação em novos mercados por meio da formação de links, geralmente voltados para o melhor desempenho de produtos, processos, produção, circulação ou gestão das empresas ou de suas partes.

Na visão de Lastres e Cassiolato (1999), a busca por progresso na capacidade de competição das empresas estaria condicionada à amplitude das redes que viessem participar. Sobre esta temática, tornaram-se comuns estudos sobre relações de proximidades entre as empresas locais e destas, de forma isolada ou coletiva, com CTNs, com destaque para aqueles voltados para arranjos produtivos (ou cluster46

Dessa forma, as contribuições condensadas na Nota 46, mostram-se úteis a este trabalho em dois pontos, respectivamente. Para corroborar com a afirmação da existência de uma intensa relação entre empresas de pequeno porte e CTNs e ressaltar que essa relação modifica as condições de competição nas escalas locais e internacionais dessas empresas.

).

Do primeiro ponto, o que me interessa são as consequências dessa relação para a realidade do desenvolvimento local, e não necessariamente sobre a existência de aglomerados ou arranjos produtivos, ou, ainda, de sistemas de inovação, principalmente porque essas relações são mais seletivas do que compartilhadas. Sobre o segundo ponto, é apenas “pano de fundo”, que porventura possa vir a complementar a análise pretendida, pois estas pesquisas

46

As pesquisas sobre cluster têm base em duas perspectivas principais. Uma voltada para a formação de arranjos produtivos dada por Michael Porter e outra por Piore e Sabel, embora o trabalho inicial sobre o tema seja atribuído a Marshall (1920). Apesar de similares, se diferenciam pelas unidades de análise, uma vez que Porter (1998) volta sua perspectiva para a realidade de clusters formados por empresas de grande porte, Piore e Sabel (1994) direcionam seu estudo ao papel dos pequenos empreendimentos. Caspari (2003) estuda a relação de empresas de cadeias de valor global (geralmente de países desenvolvidos) com pequenas empresas (de países de desenvolvimento tardio), sobre as quais Gereffi (1999) aponta diversos benefícios para estas últimas. Visão diferente de Rosa (2005), quando observou que o arranjo de biotecnologia de Belo Horizonte (MG), por ter baixo capital social (no sentido de PUTNAM, 2000) entre seus membros, teve fraca dinâmica de inovação. Humphrey e Schmitz (2003, 2000) corroboram com essa formação, destacando que nos países em desenvolvimento ações de incremento (upgrading) são menores e menos intensas que nos países desenvolvidos. A ênfase na força da ação articulada local foi estudada por Freeman (2003, 1995), quando destaca a importância de se formar um sistema de inovação (SI) para promover redes de relações entre os atores para a geração de inovação, baseadas na força conjunta que se estabelece entre conhecimento, aprendizado e interatividade. Sendo que sua correspondência local tem em Cassiolato e Lastres (2005, 2003) e Lastres (2005), importante contribuição, quando trabalham com o conceito de sistema de inovação local, baseados na premissa de que o caráter localizado e específico continuam tendo um papel primordial para o sucesso inovativo e permanecem difíceis de serem transferidos. O SI local abrange os aspectos da estrutura econômica e social local, e não só organizações e instituições envolvidas diretamente na busca e exploração de inovações (departamentos de P&D, universidades e institutos de pesquisa), como em Lundval (1992).

têm focado na dinâmica de desenvolvimento tecnológico no nível da empresa (sua mensuração), com pouca contribuição para se compreender esses movimentos em relação às alterações nas condições de vida das populações locais.

No entanto, em um simples esforço comparativo, a afirmação de poder e força de decisão das CTNs envolvidas basta para entender o que afirma Santos (1993, p. 43), de que se trata de um tipo de proposta governamental voltada para empresas nacionais, mas que são “na verdade, uma tentativa de aumentar a cooperação entre as corporações multinacionais”. São estas que, por fim, e pelo poder que dispõe para lidar com possíveis novos concorrentes, como nas fusões e, principalmente, nas aquisições, para onde os maiores ganhos enfim terminam sua jornada.

Incorporando a dimensão espacial citada anteriormente, podemos perceber que “as relações entre as sociedades e seu espaço-suporte não têm mais caráter privilegiado, mas acabam, em diferentes medidas, por depender de determinações externas que dominam este espaço, que orientam sua produção e o destino de seus habitantes” (SANTOS, 2000, p.138). Talvez por isso as pessoas adotem padrões, pensamentos e técnicas que não criaram e busquem emancipações e estímulos à autodeterminação, caminho que tende a dar maior espaço à prática política a quem, no decurso do tempo, deixou de fazer.

Estando o local fortemente subordinado à estrutura de acumulação empresarial que se desenrola no capitalismo global, espera-se que predomine, em qualquer concepção de desenvolvimento local, convicções que posicionem como ponto de partida o vínculo do território a algo externo, seja este uma grande empresa estatal, privada, ou mesmo um fragmento da grande burocracia do Estado. À grande extensão de pequenos municípios ficariam extremamente restritas as possibilidades de desenvolvimento, caso não haja no local algo que possa ser de interesse externo.

Se considerarmos apenas as localidades com menos de vinte mil habitantes, que não estão inseridas em grandes áreas metropolitanas e que não tenham recursos naturais a serem explorados, é como se condenássemos, pela lógica neoliberal, estes locais à própria sorte. Assim, por esta, seriam limitadas suas chances de desenvolvimento. Os recursos naturais não só apresentam capacidade de consumo irrisória para pretensões industriais de médio e grande porte, como, estando distantes de grandes centros de consumo, só representariam custos adicionais indesejáveis ao sistema de valor de uma CTN.

Considerando que o pensamento neoliberal sobre desenvolvimento se afirma por uma perspectiva exógena, os territórios acabam impelidos à concorrência, especialmente por

investimentos externos. Essa crença estende-se ao pensamento cotidiano do cidadão, onde as esperanças de desenvolvimento costumam recair em figurações externas ao local, solidificando uma estratégia “de cima para baixo”, com pouco ou nenhum incentivo às iniciativas locais de seus habitantes, que têm mais disputas que cooperações em sua dinâmica.

A afirmação dominante sobre o desenvolvimento local torna-se, assim, uma expressão de subordinação, pois enseja não uma forma de se pensar o avanço coerente com cada fração territorial e suas características peculiares, mas o sugere como instrumento de adaptação do local ao global, ou do polo interno ao externo.

Considerando organizações produtivas ensejadas a partir das necessidades e capacidades do próprio local, e com forte presença estatal na coordenação do desenvolvimento das localidades, acredito que menos imposição se manifestaria a partir do modelo neoliberal-exógeno. Neste, é intensa a aglomeração cumulativa, a especialização e a aceleração da concorrência entre as regiões e a polarização descontínua do desenvolvimento territorial, que tendem a se expressar nas zonas densamente povoadas, gerando novas desigualdades. Ainda, por esta perspectiva, os recursos locais acabam mobilizados em proveito do desenvolvimento exógeno geral, reforçando a discutida tendência de dependência e vulnerabilidade que a periferia afirma na dinâmica do mercado global e das CTNs.

A marca do desenvolvimento local de ótica neoliberal não se restringe à perspectiva de territórios com baixo índice de industrialização ou condições de vida, basta que tenham potenciais a serem explorados pela dinâmica produtiva capitalista. Ou seja, também se tornam alvos aquelas frações territoriais de sucesso, de economias já consolidadas, mesmo que edificadas diante de desigualdades na renda e nas condições de vida. Segundo Oliveira (2000), o desenvolvimento local surge também da possibilidade, no mundo globalizado, de