1970-2000 YILLARI ARASINDA YAZILMIŞ KIBRIS TÜRK PİYESLERİNİN TEMATİK AÇIDAN İNCELENMESİ
2.1. Tarihî Gerçeklere ve Ulusal Düşünceye Dayanan Piyesler
2.1.3. Çağdaş Kıbrıs Türk Tarihini Yansıtan Piyesler
2.1.3.1. EOKA’nın Kurulmasıyla Başlayan Olayları Yansıtan Piyes: Özgürlüğe Doğru Kuzeyden Gelen Ses-
2.1.3.2.9. Onlar İçimizde Yaşadıkça
Os textos de Edgar Alan Poe e Arthur Conan Doyle mobilizam a atenção dos leitores desde o século XIX, quando ambos começaram a produzir suas histórias de detetives. Apesar de serem acusados de seguirem uma fórmula mágica, seus textos indiscutivelmente atingem um universo muito amplo de leitores.
Embora, segundo NARCEJAC (1991), o romance policial seja um gênero que evolui e renova-se de acordo com as mudanças da sociedade, a essência da sua estrutura não se modifica: compõe-se de problema, cria mistério, provoca medo e suspense, buscando sempre resolver o problema, solucionar o mistério, de uma forma original.
Além disso, o romance policial deve ser reconhecido, acima de tudo, como um romance psicológico, já que trabalha com os sentimentos do homem em contraste: o amor e o ódio, a bondade e a maldade, a coragem e o medo, por exemplo. Ora, o criminal deve ser totalmente explicado, o porquê do crime é tão importante quanto o como... na medida em que se conhecerá o porquê e será possível saber quem é o culpado (NARCEJAC,1991, p.16). O crime, o problema, o porquê e o como, estão em consonância com o psicológico do assassino. Desse modo, conhecendo-se os motivos, ou melhor, a mente do assassino, mas não sua face, descobre-se o mistério em si.
Esse tom já aparece na produção de Edgar Alan Poe, o americano que ainda no século XIX produziu as primeiras histórias policiais e, por isso, é considerado o criador do gênero. Um pouco depois, na Inglaterra, o escritor Arthur Conan Doyle começou a escrever suas histórias de detetives. Depois deles, muitos outros surgiram.
Poe inspirou-se para escrever as suas histórias no contexto oferecido pela formação dos centros urbanos, conseqüência do desenvolvimento industrial da época e do aumento da população. Surge, assim, a separação de classes sociais e, como conseqüência, o aumento da criminalidade, decorrente, na maioria das vezes, do conflito entre a situação de pobreza do povo e a extrema riqueza da elite.
Nessa época, a polícia tornou-se necessária para ajudar na segurança das cidades. Primeiramente atendia às classes políticas, servindo a elite como espiões; depois passou a operar frente aos criminosos da sociedade, tentando restabelecer a ordem.
A produção de Poe, influenciada pelos acontecimentos e mudanças da sociedade, vale-se dos componentes desse contexto para atrair o leitor: Começa a guerra de astúcia, o duelo entre o Bem e o Mal, que vai apaixonar um vasto público (NARCEJAC, 1991, p.15). A partir daí a literatura se apodera destas imagens, figuras, e, através do jornal, lança as famosas narrativas de detetives, que agem a partir de métodos científicos.
O desenvolvimento da tecnologia e da ciência, ambiente em que se insere a filosofia positivista, traz um novo olhar para a realidade, que se traduz também pela literatura
procuram-se descobrir as leis, que regem os fenômenos. Tudo isto significa que o próprio homem não escapará às suas influências, que ela dará conta não só dos processos físico-químicos que se passam em seu corpo, mas também dos mecanismos de seu pensamento (NARCEJAC, 1991, p.16).
O romance policial parece incorporar essa perspectiva que prioriza o raciocínio, o cálculo, a reflexão, o intuitivo, como perspectiva analítica, em detrimento do emocional, da visão romântica. Também é, portanto, a narrativa policial, uma manifestação cultural que traduz o seu tempo.
TODOROV (1969) esclarece que
o romance policial tem suas normas; fazer melhor do que elas pedem é ao mesmo tempo fazer pior: quem quer embelezar o romance policial faz
literatura. Não romance policial. O romance policial por excelência não é
aquele que transgride as regras do gênero, mas o que a elas se adapta (...) o melhor romance será aquele do qual não se tem nada a dizer (...) não se pode medir com as mesmas medidas a grande arte e a arte popular (p.25).
Mesmo sofrendo alterações desde o seu surgimento com Poe, a literatura policial ganhou admiradores e representantes de peso fora do eixo Estados Unidos- Inglaterra. Sua fama de subgênero foi, de certo modo, redimida, pois, e, ainda hoje, desempenha um importante papel na tarefa de conquistar novos adeptos ao hábito da leitura.
Apesar do rótulo de literatura inferior, ou melhor, da catalogação de subliteratura, não é pelo óbvio que o romance policial consegue atrair tantos leitores, mas, justamente, pelo fato de fazer com que o leitor consiga interagir, descobrir e se envolver, através das ações das personagens, principalmente, do detetive, que sempre busca a solução do mistério. Portanto, apresenta uma existência autônoma já que seu público é extenso, fiel e diferenciado.
Das primeiras aparições em revistas, a literatura policial cresceu e se firmou como um dos mais populares gêneros dos dias atuais. Pelo que parece, permanecerá, ainda, encarando a crítica de intelectuais que insistem em tratá-la como produto de segunda mão e, portanto, inferior, da cultura, que está à margem, fora do centro, do glamour dos livros considerados tradicionais, canônicos.
Segundo DOUGLAS COMETTI (2003), o gênero policial era considerado pela elite intelectual, desde o seu surgimento, como lixo cultural ou literatura barata. Sendo concebido para o consumo rápido e distração de pessoas incultas, não possui elementos que levem o indivíduo à reflexão,
Descreve LINS (1953) que a literatura não costuma aceitar o romance policial em decorrência de apresentar uma origem considerada inferior. Na verdade, as academias, ou o gosto dominante entre as elites, consideram que esse tipo de texto não apresenta certas características literárias aparentes, ou seja, as marcas pelas quais uma determinada época da sociedade identifica um livro como uma grande obra de arte ou como um verdadeiro trabalho literário.
Com certeza autores como Kafka, Camões ou Shakespeare são grandes clássicos, pois escreveram obras que o tempo e os leitores imortalizaram. Entretanto, cabe questionar por que escritores como Edgar Allan Poe e Sir Arthur Conan Doyle também não podem desfrutar desse título, afinal, suas obras também resistiram ao tempo.
Talvez seja por isso que, de acordo com Lins, criou-se um consenso de que se deve compreender e interpretar um crime como um espectador frente à obra de arte: com muita concentração, observação; evidenciando curiosidade, levantando hipóteses e deduzindo.