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Dados84 da Caixa Econômica Federal do Rio Grande do Norte (CEF-RN) dão conta que no período de 1984 a 1994, foram firmados 68 contratos para a produção de empreendimentos habitacionais com recursos do FGTS no Estado do Rio Grande do Norte85. Do total destes contratos, 22 foram para cooperativas habitacionais, todas fazendo parte do sistema SFH/INOCOOP-RN, que permaneceu em atividade após a extinção do BNH. Estes contratos foram destinados apenas para dois municípios do estado. Natal com 14 empreendimentos e Parnamirim com oito, sendo que em 1991, ano em que a Caixa Econômica Federal encerrou a linha de contratos para o INOCOOP/RN e para a COHAB/RN, foram cinco empreendimentos, um para Natal e quatro para Parnamirim. No caso da COHAB/RN que no período teve sete contratos, dois foram em Natal e cinco em Mossoró, todos entre 1985 e 1988.

Pós BNH, foram elaborados novos programas norteadores dos projetos habitacionais com recursos do FGTS. De acordo com Ataíde (1999, 1997, p. 150), "[...] nesse novo contexto, a CEF-RN tem orientado sua ações e contratado financiamentos em todas as modalidades que orientam a ação do governo federal desde então". Os dados do Ofício 027/95 demonstram isto. No caso da produção cooperada de moradia, a CEF através de recursos do FGTS financiou projetos do INOCOOP/RN até 1991. Ano em que é encerrada essa linha de financiamento, o mesmo ocorrendo com a COHAB/RN. Nesse período, através do INOCOOP/RN e da COHAB/RN foram construídas 14 611 unidades em Natal. Ao se comparar com as 46 447 unidades do período em que houve financiamento público através do FGTS, que se inicia em 1970 e termina para estes dois agentes promotores em 1991, os dados demonstram que ocorreu refluxo na atuação dos mesmos.

Ao se comparar o quadro local com o nacional, Ataíde (1997, p. 150-151) coloca que esse refluxo ocorrido em Natal "[...] se diferencia daquele identificado por Arreche (1991, p. 290, que situou o início de refluxo da produção no Brasil já em 1982". A autora mostra, ainda, que em Natal a produção alcançou seu pico em 1982/1983 e o refluxo se acentua a partir de 1984, ano em que houve drástica redução da produção.

84 Dados contidos no Ofício N.º 027/95, de 29 de dezembro de 1994, da Gerência de Habitação - GERHA/RN,

em resposta à solicitação de Ruth Maria da Costa Ataíde.

85 No período considerado (1984-1994) apenas oito municípios do Rio Grande do Norte foram contemplados

com financiamento do FGTS: Acari, Açu, Ceará Mirim, Extremoz, Mossoró, Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.

No ano de 1990 é registrado um início de recuperação na produção de moradia através do financiamento público, mas que não se manteve por muito tempo. Essa recuperação nos contratos atinge também a produção cooperada, concentrando-se basicamente em Parnamirim com quatro empreendimentos, já que Natal registrou apenas um.

Essa recuperação, mesmo que tímida, na produção de moradia através das cooperativas habitacionais enquanto agentes promotoras, pode ser explicada pela emissão da Circular Normativa N.º 153/90, de 03 de dezembro86, com o objetivo de consolidar normativos, uniformizar e racionalizar procedimentos, estabelece parâmetros para nortear as aplicações do Programa de Cooperativas Habitacionais e assemelhados.

No entanto, essa recuperação ocorrida no início da década de 90, nos contratos financiados através do FGTS, foi maior em outros programas habitacionais: Programa de Ação Imediata para Habitação (PAIH), 21 contratos; Programa de Habitação Popular ( PROHAP) - setor privado, 12 contratos; Plano Empresarial Popular (PEP), 04 contratos; e PROHAP- setor público (COHAB), 05 contratos.

Veneranda Lopes (2003), funcionária da CEF-RN no período examinado (início dos anos 90) e, ainda em atividade, ao falar sobre o financiamento público através do FGTS, coloca que 1990 e 1991 foi momento de muitos financiamentos; época do PAIH. Na Zona Norte tem vários conjuntos desse programa: Parque das Dunas I, II, III, IV, V, VI, Vista Verde, Vila Verde I, II, Alto Extremoz, Icapuí ... em 1989 foi o Parque dos Coqueiros I, II, III, IV e V ... do PROHAP- setor privado e logo em seguida foi esse enxame de empreendimentos do PAIH. Era a Caixa com o INOCOOP-RN como órgão assessor e com as cooperativas implementando empreendimentos (LOPEZ, 2003). 87

Sobre esse momento de reaquecimento nos financiamentos através do FGTS, em Natal e estado do RN, Ataíde (1997, p.152) ao buscar estabelecer alguma relação com o padrão nacional de política para o setor habitacional coloca:

Se tentarmos estabelecer algum vínculo com o padrão de política habitacional implantado no país, vamos perceber que essa ligeira recuperação da produção nos dois primeiros anos da década de 90 coincidem com as tentativas de reorientação institucional do Governo Collor, com vistas à implantação do sistema nacional de Habitação. Embora o conjunto das ações não tenha logrado o êxito desejado, o movimento que envolveu as tentativas de implantação do Sistema estabeleceu as bases para a liberação dos financiamentos.

86 Essa Circular revogou a OC DIRHA N.º 028/87.

Indagada sobre a situação no ano de 1993, Lopes (2003) disse que não foi um ano de financiamento. "[...] Exatamente. Foi um enxame tão grande em 1990 que deu uma parada de financiamento muito grande. Construíram tanto. Foi a época do contingenciamento do FGTS. Faltou recursos. Passou um bom tempo sem ter financiamento".88

O apresentado acima caracteriza o cenário abrangendo o período que precedeu e em que surge, em Natal, a primeira cooperativa a atuar através do autofinanciamento: a CHAF-RN, fundada em 15 de agosto de 1993. Cenário marcado pelo recrudescimento do financiamento público para os segmentos de renda média e renda média-baixa e, em consequência da crise habitacional, detentora de um déficit habitacional que se constitui um dos maiores desafios a ser enfrentado pelas políticas públicas.

De acordo com o Censo de 2000 - IBGE, o déficit habitacional quantitativo na cidade de Natal é na ordem de 45 171. Ao se utilizar o critério da habitabilidade89, o déficit atinge 47 994 unidades (TABELA 2).

TABELA 2

DÉFICIT DE HABITAÇÃO E DE HABITABILIDADE DOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO