3. Nişancızâde’nin Tercihleri
3.2. Nakil Tercihleri
• Os serviços de abastecimento de água nos países sul-americanos se organizam de forma bastante diversa, existindo sistemas operados pelo poder público, por empresas privadas e arranjos mistos.
• A responsabilidade pelo controle da qualidade da água para consumo huma no em todos os países sul-americanos estudados é do prestador de serviço de abastecimento. Com relação à vigilância, com exceção do Brasil e Colômbia, em todos os demais países sul- americanos identifica-se uma forte presença de órgãos reguladores e, em contrapartida, uma frágil atuação do setor saúde.
• A vigilância só é contemplada pelas legislações relativas à potabilidade da água, de forma a constituir-se em um marco legal sobre o tema, nas legislações brasileira e colombiana. • Os marcos legais que comandam o exercício do controle e da vigilância da qualidade da
água nos países sul-americanos estudados nem sempre se encontram bem delimitados. Contudo, com exceção do Paraguai, Uruguai e Venezuela, identificaram-se processos em curso ou a recente revisão das legislações.
• A integração entre os órgãos responsáveis pelo controle e a vigilância da qualidade da água para consumo humano é precária na maioria dos países sul-americanos.
• Todas as legislações dos países sul-americanos estudados parecem receber, em alguma medida, influência dos Guias da OMS; porém, com raras exceções, não se percebe nitidamente a incorporação de recomendações importantes dos guias contemporâneos às respectivas legislações.
Abrangência do controle da qualidade da água nas legislações
• Apenas na legislação brasileira percebe-se a perspectiva mais ampla do controle da qualidade da água, para além do simples controle laboratorial, incorporando a promoção das boas práticas e avaliação/gerenciamento de risco em todas as etapas de produção/distribuição de água. Esta abordagem ampla ganha espaço nas propostas de revisão das normas colombiana e peruana.
• Poucas legislações exigem a prestação de informações periódicas aos órgãos de vigilância. Nenhuma legislação, além da brasileira, exige prestação de informações sistemáticas ao público.
Planos de amostragem e critérios de verificação da potabilidade da água
• Apenas as legislações da província de Santa Fé (Argentina), Brasil e Paraguai exigem monitoramento da qualidade da água dos mananciais de abastecimento.
• A explicitação da necessidade de monitoramento da qualidade da água na saída do tratamento/entrada do sistema de distribuição somente é observada nas legislações da província de Santa Fé (Argentina), Bolívia, Brasil, Paraguai e Peru.
• À exceção da legislação brasileira, nas demais legislações sul-americanas estudadas não são explicitamente adotados critérios de turbidez da água filtrada e a turbidez não é assumida como um indicador de natureza sanitária.
• Os parâmetros de controle da desinfecção não são abordados pela maioria das legislações sul-americanas estudadas.
• A atenção ao monitoramento da qualidade da água é centrado no sistema de distribuição, porém os planos de amostragem são bastante variados. Os parâmetros a serem monitorados, via de regra, incluem bactérias do grupo coliforme, cor, turbidez, pH e cloro residual.
• As legislações argentina, brasileira, colombiana, equatoriana, uruguaia e venezuelana recorrem à contagem de bactérias heterotróficas, porém este recurso é utilizado apenas como um controle de qualidade analítico para o teste de coliformes, desprezando-se sua função como indicador auxiliar da qualidade da água.
• Paraguai e Uruguai ainda admitem explicitamente a distribuição de água sem tratamento. • No que diz respeito ao monitoramento de organismos patogênicos, exceto a legislação da
Província de Santa Fé e a boliviana, as demais legislações limitam-se à recomendações de caráter genérico.
• A maioria das legislações determina valores máximos permitidos para os diversos parâmetros químicos semelhantes às edições dos Guias da OMS de que são contemporâneas.
• Percebe-se certa omissão das legislações com relação a determinação de VMP para substâncias orgânicas, agrotóxicos, desinfetantes e produtos secundários da desinfecção, sendo que as maiores discrepâncias entre os VMP determinados pelas legislações e guias
residem nas substâncias orgânicas. Em relação às substâncias inorgânicas e ao padrão de aceitação para consumo humano, as legislações são mais abrangentes.
• Ao utilizar-se o processo de clusterização Fuzzy-C-Means para identificar grupos de legislações cujos padrões de potabilidade de substâncias químicas fossem semelhantes, identificaram-se agrupamentos diferenciados conforme a categoria de substâncias analisadas:
• São legislações mais semelhantes quanto ao padrão de aceitação para consumo humano: a versão da Norma Equatoriana em relação à legislação venezuelana e as legislações uruguaias nacional e estabelecida pela OSE em relação à primeira edição do GDWQ.
• Podem ser consideradas mais semelhant es em relação ao padrão para substâncias inorgânicas: (i) a legislação argentina, a uruguaia nacional e a estabelecida pela OSE em relação a primeira edição dos Guias da OMS; (ii) as legislações boliviana, brasileira, canadense e a propostas de revisão da legislação peruana em relação à segunda e terceira edições do Guias da OMS.
• Para substâncias orgânicas destacam-se como legislações mais semelhantes: (i) a argentina e a canadense; (ii) a versão da Norma Equatoriana e a segunda e terceira edição do Guias da OMS; (iii) o padrão dos EUA e a Norma Boliviana; (iv) a legislação paraguaia para concessionários e a primeira edição dos Guias da OMS. • As legislações mais semelhantes com relação aos parâmetros determinados para
agrotóxicos são: (i) as legislações argentina e chilena, a paraguaia para concessionários, a uruguaia estabelecida pela OSE, a venezuelana e a primeira edição dos Guias da OMS; (ii) a versão da Norma Equatoriana e a segunda edição dos Guias da OMS.
• As legislações mais semelhantes em relação à determinação de parâmetros para desinfetantes e produtos secundários da desinfecção são: (i) as legislações argentina, boliviana, chilena, colombiana, uruguaia estabelecida pela OSE, as propostas de revisão da norma colombiana e peruana e a primeira edição dos Guias da OMS; (ii) a versão da Norma Equatoriana em relação à segunda e terceira edições dos Guias da OMS.
• De maneira geral, os agrupamentos obtidos pelo processo de clusterização Fuzzy-C- Means foram muito influenciados pelos parâmetros determinados pelas legislações e
pouco pelos respectivos VMP. Logo o método de clusterização FCM teria sido mais adequado à comparação de VMP se não houvesse dados faltantes, uma vez que uma divisão em grupos exclusivamente baseada na semelhança dos VMP levaria ao reagrupamento de várias legislações.
Considerações finais
Identifica-se a inexistência de uma mínima uniformização de critérios entre as legislações dos diversos países estudados, bem como nítidas distâncias de abordagem, que se expressam no nível dos fundamentos que dão suporte aos textos e seus próprios conteúdos.
Isto poderia, em tese, ser creditado a certa desatualização das legislações de vários países, justificado pela acomodação dos instrumentos legais às particularidades de cada país, ou ambos.
Seria, portanto, de se perguntar em fóruns adequados (acadêmico-científicos e político- institucionais) se cabe algum esforço de uniformização em âmbito tão vasto e diverso quanto é o continente sul-americano. Por outro lado, há que se reconhecer que instrumentos normativos devem acompanhar o avanço do conhecimento técnico-científico e que, por definição, potabilidade da água é um conceito universal e absoluto. Que a tal uniformização não se dê no padrão numérico de potabilidade, isso é não só compreensível, como justificável, dada a diversidade e as particularidades não só nacionais, como regionais nos países. Entretanto, recomenda-se que se a busque ao menos nas modernas abordagens, conceitos e ferramentas de boas práticas, múltiplas barreiras e de avaliação e gerenciamento de risco, uma mínima padronização.