ve XVII. Yüzyıllarda Diyarbakır Eyaletine tabi Sancakların idari Statüleri”, Ziya Gökalp
MUKATAALAR VE TARIM-HAYVANCILIK
De acordo com os dirigentes da organização entrevistados, Angola é especial para a Odebrecht. É um país que tem importância estratégica para a Organização. Em África, a Odebrecht já atuou em Moçambique, Botswana, África do Sul, mas Angola constituiu o foco da Organização. Hoje, foram encerradas todas as operações pontuais naqueles países, e o interesse centrou-se em Angola. A Odebrecht percebeu a carência do mercado de construção angolano, viu que o país passava por um período de reconstrução e enxergou nisso uma oportunidade. Percebeu que podia expandir-se naquele país, não só pela tecnologia que usa e pela experiência na área, mas também pela similaridade cultural, pela facilidade de comunicação e relacionamento e, diga-se de passagem, pelo relacionamento com o governo de Angola.
Este último aspecto não aparece explícito no discurso dos dirigentes da Organização, mas, sim, nas ações, tanto em Angola quanto no Brasil, haja vista os favores prestados pela Organização aos membros do MPLA e do governo desde os primeiros momentos da Odebrecht em Angola e que continuam até os dias de hoje. Pode se citar, como exemplo, os serviços de transporte, hospedagem, alimentação, saúde entre outros que são prestados aos membros do governo de Angola e seus familiares que se deslocam ao Brasil.
Essa atitude dos dirigentes da Odebrecht parece refletir o personalismo que, segundo Freitas (1997) e Barros e Prates (1996), é uma característica da cultura brasileira. A sociedade é baseada
em relações pessoais e busca-se proximidade e afeto nas relações. A rede de conhecimentos torna-se o caminho natural pelo qual trafegam pessoas para resolver seus problemas e obter privilégios. Assiste-se a um misto de personalismo e de profissionalismo, tendendo, em muitos casos, para o primeiro aspecto.
Essa característica parece adaptar-se bem em Angola, país em que as instituições políticas, enquanto sistemas estáveis, foram substituídas por círculos de lealdades pessoais. O Estado se transformou em um meio informal, e as redes de poder foram personalizadas.
Dessa forma, a Odebrecht resolveu se fixar em Angola de forma definitiva. Em 1996, decidiu estabelecer a Odebrecht Angola Ltda., empresa de direito angolano, com legitimidade para atuar naquele mercado.
De acordo com os diretores entrevistados, cada projeto ou contrato da Organização é visto como uma empresa independente da macroempresa que é a Odebrecht. A empresa, tanto em Angola, quanto no Brasil ou em outro país, opera e toma decisões próprias, de acordo com as exigências do mercado, mas seguindo sempre os princípios filosóficos da matriz.
Para tanto, nomeia-se alguém para atuar como diretor de projeto ou de contrato e responder pelas operações daquele projeto. A ele são delegados poderes para representar a Odebrecht e tomar as decisões que mais convenham aos interesses da organização. Todos os diretores de contrato são engenheiros. Os que não são engenheiros têm oportunidade de crescimento apenas nas áreas consideradas de apoio.
Assim, seguindo o princípio de descentralizam e delegação planejadas da organização, o Diretor Superintendente (DS) atua como presidente da empresa em Angola (vide ANEXO D). Existe uma estrutura de apóio que tem no diretor administrativo-financeiro (R - PAF) o seu pilar central. Ele é o responsável por toda relação administrativa naquele país. Ou seja, ele dá o norte da relação no país. A estrutura de apoio é que faz a consolidação das informações de todos os projetos no país.
Cada projeto tem um diretor de contrato, que também conta com uma estrutura de apoio, tendo à frente, o gerente administrativo-financeiro. O projeto funciona como uma empresa e o diretor de contrato tem autoridade para gerir completamente o contrato como se fosse uma empresa.
Essa forma de atuação, que segue os princípios da Tecnologia Empresarial Odebrecht, parece inserir-se bem em Angola, facilitando, inclusive, a atuação da direção do projeto, dando mais agilidade ao processo de gestão e facilitando o relacionamento com os trabalhadores, com os clientes e com o governo. A situação atual de Angola exige que a todo momento sejam tomadas decisões complexas, de forma que requer autonomia daqueles que as tomam. O processo tornar- se-ia moroso, caso se aguardassem constantemente decisões da matriz.
Na época da pesquisa, a Odebrecht contava com um total de 8.145 trabalhadores, dos quais, 601 eram brasileiros. O faturamento no ano de 2001 foi de USD 278.218.000, sendo USD 208.812.000 da área de engenharia e USD 69.406.000 da mineração.
A Odebrecht não tem um concorrente específico, tudo depende da obra a executar. Ela pode concorrer com uma pequena empresa, como com grandes empresas estrangeiras, das quais se destacam as empresas portuguesas.
Além da construção da hidroelétrica de Capanda, na província de Malange, a Odebrecht está reabilitando o canal da Matala e de Biópio, está atuando no Projeto Águas de Luanda, que beneficiará cerca de 600 mil pessoas, tem negócios na área de mineração, em parceria com outras empresas e no Projeto Luanda Sul, criado pelo governo de Angola para gerar moradia aos mais desfavorecidos, tendo sido já entregues mais de 2.500 casas construídas pela Odebrecht.
A seguir, será apresentado o capítulo referente à atuação da Odebrecht no Projeto Capanda, com destaque para as implicações da realidade e da cultura angolanas no modo de gestão da empresa. Vale ressaltar que, até o momento, a empresa não disponibilizou alguns dados que se consideram importantes para a pesquisa, como, por exemplo, o organograma da empresa no projeto, o número de trabalhadoras e os índices de rotatividade e de absenteísmo.