ve XVII. Yüzyıllarda Diyarbakır Eyaletine tabi Sancakların idari Statüleri”, Ziya Gökalp
ESFEL (HEVSEL) BAHÇELERİ VEDAT GÜLDOĞAN *
Em Angola, em função da realidade do país, e mais especificamente do Projeto Capanda, a assistência à família do trabalhador é mais uma preocupação para o setor de Recursos Humanos. Em Capanda, o setor de Recursos Humanos tem uma área de serviço social que apoia os trabalhadores e suas famílias. Essa área atua como elo entre os trabalhadores em Capanda e suas famílias em Malange ou em Luanda. É também a área social que se responsabiliza pelas cestas básicas, distribuídas todos os meses aos trabalhadores e entregues às suas famílias. O apoio ao óbito de familiares dos trabalhadores também foi citado como fazendo parte das responsabilidades. Essa área, no entanto, é muito criticada pelos trabalhadores.
“... se tem algum problema com a família de algum funcionário, a assistente social não tem que chegar e dizer que não tem transporte. Se não tem transporte o problema é dela, vai a pé, vai confirmar se morreu a mãe do homem , vai confirmar se tem problema mesmo. Os coitados dos homens recebem cartas que nunca sabem se é verdade ou se é mentira e a assistente social não confirma ou assiste porque é longe, não tem carro, não tem como chegar lá. Então não existe assistente social! É só no papel” (técnico angolano).
“Esses três meses a trabalhar aqui, se não conseguir enviar o salário ou qualquer coisa, eles ficam de fome mesmo. Eu faço três meses e não tenho um fim de semana. A social não consegue pegar o dinheiro pra levar à família! Eu tenho que fazer os três meses aqui até quando amanhã conseguir poupar aquele dinheiro e enviar. A social já não se responsabiliza pelo menos em mandar pra família um pouco do vencimento de alguém ou pelo menos qualquer coisa que a pessoa pretende enviar. Você não consegue enviar. Se não ir um parente, ou amigo que conhece a sua casa... você sempre fica aqui. Não temos o fim de semana pra enviar o dinheiro, nada” (trabalhador de base).
A existência de um hospital da empresa em Luanda para atender só os trabalhadores e seus familiares é o retrato da realidade angolana, isto é, da carência da rede hospitalar. Como dito anteriormente, a situação do setor de saúde é marcada pela falta e degradação de hospitais e centros de saúde. Essa realidade angolana afeta a gestão da empresa, que passa a ter responsabilidades maiores, se comparadas à gestão em outras realidades.
No hospital da empresa em Luanda, entretanto, apenas são atendidos os dependentes dos trabalhadores de base Luanda. Os dependentes dos trabalhadores de base Malange não têm direito, mesmo aqueles que, por conseqüência da guerra, tiveram de abandonar Malange e se refugiaram em Luanda. Ou seja, apenas existe assistência médica para os dependentes de um reduzido número de trabalhadores. Para os dependentes da maior parte dos trabalhadores e, por sinal, mais carentes, não existe assistência médica.
Isso mais uma vez demonstra que o sacrifício que a direção da empresa diz estar exigindo de todos é bem maior para aqueles que já levam uma vida de sacrifício. Essa atitude da empresa contraria a própria filosofia da organização, que prega a preocupação com o ser humano como princípio fundamental. O que parece é que, por meio do discurso, a empresa cria uma ilusão de homogeneidade sobre um corpo social que, na verdade, é diferenciado. Assim, embora as políticas de gestão se apresentem como preocupadas com os trabalhadores, no dia-a-dia parecem não superar a prática organizacional racionalista, que busca a produtividade e o lucro.
“... já tentamos lutar para ter um hospital lá na base Malange. Tentamos conversar com a direção da empresa, no sentido de se instalar pelo menos um posto médico para socorrer as famílias do pessoal que trabalha aqui; mas infelizmente não conseguimos” (representante dos trabalhadores).
“O pessoal de Luanda tem hospital, mas nós não temos. A minha base é Malange, e estou a morar em Luanda; então não tenho direito a hospital; a minha família toda não tem direito a hospital. Os meus filhos, a minha esposa, estão registrados mas não têm direito. Chegam no hospital e têm que ir no posto médico. No primeiro Capanda todo mundo tinha hospital, agora não; em Malange não tem hospital. Eu estou em Luanda agora, vivo em Luanda, e Luanda onde vivo agora não tenho direito a hospital porque a minha base é em Malange, enquanto é a mesma empresa. Essa é a grande falha que nós temos na área de medicina. Como é possível continuar a trabalhar e ter que ir ao posto médico particular! Assim não dá” (trabalhador de base).
“... parte difícil é o vencimento muito pouco e hospital. Isso é que é difícil pra nós, porque a pessoa sem hospital não vive devidamente. Se estou a trabalhar, a família em casa tem que estar tudo tranqüilo. Se eu não estiver bem, não vou trabalhar. Eu sou pai de oito filhos, e esses oito
filhos são registrados, mas a minha esposa já voltou por três vezes do hospital; vai lá e não é atendido não” (trabalhador de base).
“Base Malange não tem direito a hospital, quem tem direito a hospital é a base de Luanda e enquanto eu vivo em Luanda e enquanto eu sou funcionário da empresa. Isso é a grande falha mesmo que está a existir perante o funcionário. A pessoa fica frustrada porque o filho doente não é atendido no hospital da empresa” (trabalhador de base).
“A assistência médica do pessoal com base Malange é uma falha, porque ele é funcionário igual a mim. Então, que ele tenha o direito que eu tenho. Eu tenho um hospital em que eu posso fazer uma consulta, eu e minha família, ele em Malange não tem. Se o homem conseguir transportar a família de Malange pra Luanda, chega lá, não tem acesso à consulta” (técnico angolano).
Percebe-se que o setor de Recursos Humanos da Odebrecht, em Capanda, lida com situações complexas e assume um grande envolvimento com a vida dos trabalhadores. É um cenário marcado por diferenças culturais e por isolamento considerável, na medida em que se tem pessoas que permanecem no local por longos períodos, agravados pela impossibilidade de deslocamentos além do canteiro de obra. Existe um confinamento e uma rotina capazes de gerar sofrimento e adoecimento mental. A forte ligação do angolano à família o torna ainda mais propenso a tal sofrimento.
Não obstante tais evidências, as atividades dos profissionais do setor de Recursos Humanos resumem-se ao cumprimento de exigências legais e ao pagamento de salários e benefícios. O setor é pouco valorizado pela direção da empresa e representa bem o modelo de setor de Administração de Pessoal. Constata-se ausência de articulação com a política global da empresa.
“A nossa área de Recursos Humanos, num projeto como este, tem um peso muito grande. Mas eu não entendo por que não é uma área tão valorizada pela direção. Talvez por sermos considerados apoio” (responsável pelo setor de RH).
Existe um descaso para com o setor, descaso este que se torna mais preocupante por tal setor ser voltado para os trabalhadores nacionais. Isso leva a aventar a hipótese de a empresa conceber o trabalhador nacional apenas como “homem econômico”.
Este trabalho não tem o objetivo de reivindicar a preocupação com a felicidade dos trabalhadores angolanos, pois é de conhecimento da maioria que, na vida organizacional, a única felicidade que importa é a da empresa. Não obstante, sendo a empresa a principal responsável pela criação das condições sob as quais os trabalhadores desenvolvem suas atividades, acredita-se que cabe a ela a construção de um ambiente favorável à colaboração do trabalhador, mas sem prejuízo de suas necessidades psicológicas e emocionais.
O descompasso entre as políticas e as práticas de gestão da empresa colocam a Gestão de Recursos Humanos em uma situação delicada. No entanto, colocar no setor de Recursos Humanos toda a responsabilidade pelos rumos da situação dos trabalhadores da empresa em Capanda parece exagero, uma vez que as políticas setoriais encontram-se subordinadas a estratégias mais amplas.
“... as decisões têm de ser tomadas para o bem da organização; só que há decisões que eu vejo que poderiam ser tomadas de outra maneira, pensando um pouco mais na questão do trabalhador; mas isso não acontece” (técnico brasileiro).
“A questão do hospital para os trabalhadores de base Malange é preocupante. Eu, inclusive, já tentei resolver, mas não depende de mim. Sinto que eles (trabalhadores de Malange) precisam, mas não posso fazer nada. É muito complicado pra mim; fico numa situação difícil” (responsável pelo RH).
Verifica-se que tais profissionais têm o seu trabalho dotado de tensões. Eles podem ser vistos não só como agentes responsáveis pelo exercício da disciplina e dos interesses da empresa, mas também como vivenciadores de conflitos e contradições.
Diante desses depoimentos, percebe-se bem o que foi proposto por Reed (1997) sobre a gestão como prática social. O trabalho do gerente é dotado de tensões inerentes ao modo de gestão da organização, que, por sua vez, é influenciado pelo meio no qual a organização está inserida. Percebe-se uma forte influência do contexto angolano e de suas peculiaridades na configuração do modo de gestão da empresa. Não obstante, atribuir somente ao contexto angolano as
responsabilidades pela caracterização da gestão pode ser um equívoco. Pode ser observado, na configuração da gestão da Odebrecht, uma interação entre a própria dinâmica da organização, suas políticas, o contexto angolano e valores da cultura brasileira.