TARIM VE UYGARLIĞIN BAŞLANGIC
19. Yüzyıl salnamelerinde hububat durumumuz şu şekilde anlatılır:
A oportunidade de atuar em Angola surgiu em Moscou, em reuniões entre dirigentes da Odebrecht e da Technopromexport, empresa russa que, assim como a Odebrecht, tinha interesses no Peru. A empresa russa precisava de um parceiro para executar a hidroelétrica de Capanda, em Angola.
Para a Odebrecht, atuar na África negra era uma grande conquista. Peru e Chile, de certa forma, poderiam ser considerados como uma extensão territorial. Angola não. Atuar em Angola significava atravessar um oceano, e isso era muito importante para a Organização.
Além disso, dentro da estratégia de internacionalização da Organização para países em que era considerado fácil neles atuar, Angola ganha destaque, por vários motivos. Primeiro, pela afinidade cultural entre Angola e o Brasil, especialmente entre Angola e a Bahia, região de origem da Odebrecht. Segundo, pelo fato de os dois países serem originados da mesma matriz colonial e terem o português como idioma. Terceiro, pelas boas relações entre o Brasil e Angola, principalmente por ter sido o Brasil o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. E, por último, pelo fato de ser uma operação conjunta com um parceiro da ex-União Soviética, que era competente para viabilizar o empreendimento e exercia influência política sobre o governo angolano.
A Odebrecht visualizou estrategicamente Angola e o que este país representaria a longo prazo. O governo brasileiro também percebeu isso e se sensibilizou. Era estratégico para o Brasil, pelo
potencial petrolífero angolano. Era a oportunidade de abrir outras alternativas de fornecimento de petróleo fora do conflito do Golfo.
A Organização conseguiu financiamento do governo brasileiro, contra a garantia de fornecimento de petróleo do governo angolano. Ou seja, o Brasil, via Odebrecht, constrói a hidroelétrica de Capanda, e Angola paga com petróleo.
Fica claro que a distância cultural não esteve alheia à decisão de inserção em Angola, embora não se possam ignorar alguns fatores mais racionais, como a perspectiva de crescimento do mercado angolano e o seu potencial petrolífero. Estes, aliás, foram os principais critérios externos considerados pela Odebrecht. Os riscos decorrentes da guerra, os problemas econômicos, sociais e de infra-estrutura, bem como o regime político vigente na época foram levados em consideração, mas não retiraram o interesse por aquele mercado.
As várias empresas de construção, que na época atuavam em Angola, não estavam muito interessadas no Projeto Capanda, mas, sim, na manutenção de uma barragem já existente, a barragem de Cambambe. Além disso, não tinham a tecnologia nem a experiência da Odebrecht em construção de hidroelétricas. Esses diferenciais, aliados aos objetivos e à capacidade da Odebrecht em gerir grandes obras de forma descentralizada, constituíram os principais critérios internos considerados pelos dirigentes.
Politicamente, a Odebrecht procurou convencer o governo angolano de que era melhor contar com uma empresa de um país que sempre o apoiou, do que com empresas, por exemplo, de Portugal, país que tivera uma postura dúbia em relação à UNITA e ao MPLA. Um dos diretores entrevistados disse ter se envolvido pessoalmente nessas questões:
“Eu me envolvi pessoalmente nestas questões políticas porque eu via as sacanagens que eram feitas com Angola por causa do lobby que o Savimbi tinha em Portugal e nos Estados Unidos” (diretor).
Culturalmente, a Odebrecht procurou realçar a afinidade entre a região de origem da empresa e Angola. Para tanto, foram promovidas atividades culturais em Angola e no Brasil. Foram
realizados festivais de cinema brasileiro e shows de um grupo de carnaval baiano em Angola. A Organização levou membros do governo de Angola para conhecerem a Bahia e suas festas populares, que muito se assemelham às festas populares angolanas. E foi numa dessas festas, mais precisamente no carnaval, que um grupo baiano homenageou Angola.
“Aí foi um negócio de arrebentar, na hora que o Ileaiê saiu em homenagem à Angola, com as cores de Angola, com toda uma coreografia angolana. Ficou mais do que provado o seguinte: olha, vocês estão num país africano, e muitas dessas pessoas com origem angolana. E aí não tinha mais o que estar conversando fiado nem dizendo besteira; está aqui, somos irmãos” (diretor).
A Odebrecht também levou escritores brasileiros para darem conferências em Angola e trouxe para o Brasil escritores da elite literária angolana, que também são membros do MPLA e, com os quais, os dirigentes da empresa criaram laços de amizade que persistem até os dias atuais. Livros desses escritores e discos de cantores angolanos foram produzidos no Brasil com o patrocínio da Odebrecht.
Segundo os dirigentes entrevistados, a ida para Angola não exigiu muito da empresa em termos de preparação do pessoal brasileiro, uma vez que foram todos fazer algo que já conheciam bem: hidroelétrica. Ao contrário da hidroelétrica de Charcani, no Peru, construída ao lado de um vulcão, com material geológico muito perigoso, Capanda era o tipo de obra cujo material geológico era idêntico ao do Brasil. Esse elemento, aliado à afinidade cultural e à comunicação em português em todos os níveis da organização, constituíram importantes facilitadores da fase inicial da Organização em Angola.
Entre as principais dificuldades, sem dúvida, a guerra se destacava. Acrescia-se a isso o fato de o Brasil ser considerado aliado do MPLA. Recorda-se que, ao reconhecer o governo marxista do MPLA, antes mesmo da formalização da independência de Angola, o Brasil provocou o descontentamento e a inimizade de Savimbi e da UNITA. A esse respeito, o depoimento de um técnico brasileiro demonstra a preocupação da empresa:
“Para a UNITA, matar um general do governo ou um brasileiro é a mesma coisa” (técnico brasileiro).
A Odebrecht teve de enfrentar também alguns problemas relacionados à imagem do Brasil. Na época, muitas empresas brasileiras iam para África vender “sonhos e aventuras”. Muitas dessas empresas exportavam produtos de má qualidade para aquele continente.
Outra dificuldade prendia-se ao elevado número de brasileiros expatriados. No início, eram aproximadamente dois mil brasileiros, entre engenheiros, pedreiros, soldadores, serralheiros, motoristas entre outros. Houve dificuldades em mobilizar tal número de brasileiros para um país que não oferece infra-estrutura adequada, tem carências e um padrão de vida inferior ao desfrutado no Brasil.