3. Muhtâr b Ebî Ubeyd es-Sekafî’nin Tarih Sahnesine Çıkışı
1.3. Muhtâr’ın Kûfe’ye Dönüşü ve Şehri Ele Geçirmesi
1.3.5. Muhtâr’ın İkinci Kez Hapse Atılması
Nascidos no seio de uma comunidade abastada, os heróis clássicos representam a nobreza de onde nasceram. Seu nascimento e vida espelham um ideal de honradez e ética intrínseco, perdido em algum episódio e, por fim, novamente restaurado. A origem elevada já caracteriza a escolha pelo indivíduo para servir de modelo à aristocracia. Sua construção remete à figura ideal do ser humano e, por isso mesmo, sua vida serve enquanto exemplo de manutenção de dado padrão social hierárquico. Sua luta envolve a manutenção do poder e a batalha vã pelo vazio que esse poder pode causar. São eles o herói trágico e o herói épico. 2.1.1.1 O herói épico
O herói épico nasce a partir do ponto de vista do narrador. É este quem constrói a imagem através das ações de um homem que pretende ter a vida em suas mãos. Como homem, procura distanciar-se da contribuição divina a fim de que, por meio de sua força e inteligência, consiga lograr êxito em seus intentos.
O herói épico está sujeito a falhas, pode cair. Ao fazê-lo, rebaixa-se, mas apenas para, em seguida, reerguer-se triunfante. Ao ruir, distingue sua imagem das dos deuses, eterna, todo-poderosa. Isso faz com que o leitor identifique-se, o que gera um movimento contrário, de ascendência de sua humanidade.
O herói da epopeia sabe que a única forma de adquirir a imortalidade é pelos seus feitos, que precisam estar registrados nas mentes dos homens e ser repassados pelas gerações futuras. Há possíveis intervenções divinas no trajeto trilhado pelo épico, mas, ao contrário do herói trágico, retoma o governo do destino em suas mãos, já que “o herói épico é o sonho de o homem fazer a sua própria história [...]” (KOTHE, 2000, p. 15).
O épico luta por glória e, ao fazê-lo, representa não só a si mesmo, mas também a sociedade a qual pertence: daí nasce a epopeia9. A recompensa que alcança é o instante de fundação. O herói épico é o gerador/mantenedor de uma ordem ora desequilibrada. Sua ação suscita uma ideia de totalidade, pois remete ao conceito de nação e sua importância. Espelha a identidade de um povo, luta e é reverenciado por esta. Ao contrário do herói trágico, no
9 Segundo Massaud Moisés (1995), a poesia épica deve girar em torno de assunto ilustre, sublime, solene,
especialmente vinculado a cometimentos bélicos; deve prender-se a acontecimentos históricos, ocorridos há muito, para que o lendário se forme ou/e permita que o poeta lhes acrescente com liberdade o produto da sua fantasia; o protagonista da ação há de ser um herói de superior força física e psíquica, embora de constituição simples, instintivo, natural [...] quando um poema épico alcança representar a totalidade do seu povo no instante supremo da sua vida histórica, torna-se epopeia. (MOISÉS, p. 184; 187).
entanto, é um projeto de vida sonhado por ele. Os deuses e as ações metafísicas aparecem com o intuito tão-somente de contribuir para que seu sonho se concretize.
2.1.1.2 O herói trágico
Entre 335 e 323 a.C., Aristóteles já falava acerca do herói trágico e de sua relação com o mito. Com base no seu estudo acerca do teatro grego, elenca dois tipos de mitos: o simples e o complexo. Para o filósofo, é a ação desenvolvida que classifica o mito e, consequentemente, estabelece o nível de complexidade do herói. Assim, uma ação simples é
[...] aquela que, sendo uma e coerente, [...] efetua a mutação de fortuna, sem Peripécia ou Reconhecimento; ação “complexa”, [...] aquela em que a mudança se faz pelo Reconhecimento ou pela Peripécia, ou por ambos conjuntamente. É porém necessário que a Peripécia e o Reconhecimento surjam da própria estrutura interna do Mito [...] (ARISTÓTELES, 1993, p. 59).
Para o filósofo, o mito é composto de três partes, a saber: Peripécia; Reconhecimento; e Catástrofe. A primeira é a transformação de atitudes positivas em fracassos, frustrando as expectativas; a segunda consiste na passagem da ignorância para o conhecimento; e a terceira é a ação danosa em cena, como feridas, sofrimentos e mortes. Para a construção de um mito completo e verossímil, faz-se necessário que as duas primeiras partes, bem articuladas, suscitem sentimentos no espectador como forma convincente de imitação da vida. Dessa forma, nasce o herói trágico.
Como o próprio nome remete, originalmente, tal tipificação de herói nasce na tragédia grega. Sua tragicidade se dá, pois, ao cometer um erro, quando lhe recai um infortúnio que sofre ao longo de sua vida e, por isso, a punição se abate. A resolução de tal problema dar-se- á pelo Reconhecimento da falta empreendida e finaliza com a penalidade cumprida, que pode ser o degredo ou até mesmo a morte, a Catástrofe. Tal epílogo, que remete à queda do herói, engrandece-o, já que reconhece a sua humanidade, mas assume, diante da plateia e dos deuses, os desacertos, cumpre seu destino, mesmo que, a todo tempo, lutando contra este. Sofre, portanto, por ações que poderiam ser cometidas por outro mortal. Expurga o erro dos espectadores, livrando-os de tal fim, atividade denominada de catarse. Daí a necessidade,
segundo Aristóteles, de o mito não possuir nenhuma contribuição de um deus ex-machina10, mas resolver, com suas próprias forças, o pagamento por um instante de fraqueza cometido.
Conforme Nietzsche: “O que é que torna heróico? Ir ao mesmo tempo para além da sua maior dor e da sua maior esperança.” (2005, p. 145). O herói trágico luta incessantemente para resolver o problema gerado. Mesmo combalido, ao compreender que não lhe restam saídas para um final feliz, deixa sua experiência enquanto lição a quem o assiste.
É certo que há tragicidade na épica. Um herói épico passa por instantes trágicos durante a sua jornada. Mas a sua vida, contada em múltiplas aventuras, destaca o processo de gênese desse homem, como fora crescendo ética e moralmente. O herói trágico possui apenas um episódio revelado e, a partir deste, a sua luta contra o destino. A epopeia do herói trágico é perceptível em tal luta. O épico vence o destino, reescrevendo-o. O trágico sucumbe a este, mas cai lutando até o fim.