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Muhatabın Haiz Olduğu Özellikleri Kendi Lehine Kullanma

D. KARDEŞLERİNİ TEVBEYE HAZIRLAMA STRATEJİSİ

6. Muhatabın Haiz Olduğu Özellikleri Kendi Lehine Kullanma

Levando em consideração que neste trabalho temos por objetivo investigar estereótipos culturais expressos por aprendizes da língua inglesa em nível avançado de aprendizado da língua, julgamos relevante discorrer sobre conceitos acerca de proficiência linguística (comumente tida como principal objetivo do ensino de línguas estrangeiras, embora não o único) e apresentar nossa compreensão sobre esse termo.

No ensino de línguas estrangeiras, diversos fatores que sustentam a prática docente são determinados com base no público-alvo. A partir das características dos alunos, bem como suas necessidades, importantes etapas do processo de ensino-aprendizagem são definidas: os objetivos do curso / aula, possivelmente fundamentados em uma análise de necessidades dos alunos; procedimentos avaliativos (que devem ser condizentes com os objetivos inicialmente estabelecidos); habilidades que serão desenvolvidas; seleção e/ou elaboração de material didático.

Um elemento determinante para decisões e escolhas em todos esses passos é o estágio de aprendizado no qual os alunos se encontram, e consequentemente, o nível de

desenvolvimento (linguístico ou não) almejado. Nesse sentido, não é raro encontrar materiais didáticos e escolas de idiomas que estabelecem níveis, geralmente três, nos quais os alunos são classificados: básico, intermediário e avançado.

A classificação de um aluno como estudante de LE em nível básico, intermediário ou avançado é invariavelmente pautada no nível de proficiência linguística, que por sua vez, é o fio condutor para a escolha / elaboração de material didático.

A concepção de proficiência linguística é bastante divergente entre profissionais envolvidos com o ensino-aprendizagem de línguas e indivíduos leigos. De acordo com Scaramucci (2000), existe um uso técnico e não-técnico do conceito de proficiência. Para a autora, o primeiro é comumente utilizado em contextos de avaliação em LE, ao passo que o segundo é característico de pais de alunos e dos próprios alunos.

Segundo Costa (2008), o uso não-técnico do conceito de proficiência pode ser tido como “impressionista, sem a explicitação dos critérios usados nesse tipo de avaliação.” (p. 38). Nesse caso, tecem-se afirmações acerca do quão proficiente determinada pessoa é em uma LE, “sendo todos os níveis inferiores considerados como não-proficientes, demonstrando ser esse um conceito absoluto, de tudo ou nada.” (p. 38)

No contexto acadêmico, o uso técnico de proficiência é discrepante entre os próprios autores que expõem considerações sobre esse tema. Scaramucci (2000) salienta que as concepções desse conceito perpassam outros que, não raramente, são pouco específicos e imprecisos: “Ser proficiente em uma determinada língua poderia pressupor, portanto, conhecimento, domínio, controle, capacidade, habilidade, independentemente do significado que possamos dar a cada um desses termos.” (p.13)

Entendemos, por meio das considerações da autora, que é possível existir não apenas um, mas vários conceitos de proficiência, bem como diversos níveis de proficiência, ao contrário do imaginário social comum segundo o qual “proficiente” é apenas aquele que domina uma LE e exerce sua prática com fluência. Em nossa compreensão, o aprendiz que não domina estruturas ou não apresenta controle de um vasto cenário linguístico não é necessariamente classificado como “não-proficiente”.

Assim como Costa (2008), entendemos o conceito de proficiência linguística diretamente relacionado aos objetivos do aluno em atingir uma proficiência específica, seja ela na habilidade oral, escrita, leitura de textos acadêmicos ou prática auditiva, por exemplo. Portanto, concordamos com Costa (2008) na compreensão de proficiência

(...) como um conceito relativo, que implica a existência de diferentes proficiências dependendo das especificidades das situações de uso da língua, ao invés de considerarmos uma proficiência única, absoluta e monolítica baseada na do falante nativo ideal. Nesse sentido, ao invés de dizer que uma pessoa é proficiente em inglês, seria mais adequado dizer que uma pessoa é proficiente em inglês em um determinado nível (...). (p. 38)

Se, por um lado, adotamos a concepção de proficiência linguística como um conceito relativo, assumindo o mesmo posicionamento de Costa (2008), por outro, entendemos que a noção desse termo está usualmente associada, até mesmo por editoras e elaboradores de material didático, ao domínio de estruturas linguísticas avançadas.

Assim, a classificação de um aluno como “avançado” é geralmente justificada com base em sua proficiência, o que evidencia uma relação entre “níveis avançados” e “proficiência linguística” a qual consideramos, porém com ressalvas: a qual proficiência estamos nos referindo ao associá-la ao conceito de “avançado”? Pensamos que essa classificação deveria caracterizar alunos com bom desempenho da competência comunicativa de forma abrangente, e não enfocar somente o domínio da competência gramatical.

Em nossa compreensão, a competência sociolinguística é igualmente fundamental para a classificação de um aluno como pertencente a nível avançado. Salientamos que aprendizes nesse nível não são completamente proficientes se não estiverem cientes de diferentes instâncias sociais e situações discursivas nas quais um ou outro aspecto linguístico é mais apropriado.

Pensamos que alunos proficientes, ou em busca de proficiência linguística, devem ser exigidos em atividades que demandem sensibilidade por meio de situações significativas, que os conduzam à formulação de hipóteses sobre a língua ao mesmo tempo em que lhes permitam refletir sobre situações de uso de certos aspectos linguísticos.

Levando-se em consideração que alunos em níveis avançados dispõem de diversos recursos linguísticos para refletir sobre a língua, esses recursos devem ser exercitados visando desenvolver alunos capazes de manipular estruturas linguísticas não de maneira descontextualizada, mas a fim de subsidiar discussões e reflexões sobre assuntos variados, especialmente questões culturais.

Posto que a competência sociolinguística é parte essencial para o conceito de “proficiência linguística”, podemos dizer que a competência (inter)cultural deveria ser considerada, também, nas investigações envolvendo alunos, materiais e aulas pertinentes a nível avançado.

Isso exposto, nos deparamos com uma dicotomia envolvendo a relação entre proficiência linguística e níveis avançados: ao passo que uma posição sustenta a visão de proficiência intimamente associada à competência gramatical, outra (a nossa) está calcada na combinação do domínio da “competência gramatical” e “competência (inter)cultural” para o alcance da proficiência.

Em meio a essa relação dicotômica, reconhecemos, neste trabalho, a nomenclatura “avançado” e sua relação com “proficiência”, recorrente nos cursos cujas aulas observamos e cujos alunos entrevistamos. Ressaltamos que consideramos essa concepção, embora sustentemos, em um contexto ideal, a integração de conhecimento sobre aspectos culturais à compreensão sobre aspectos linguísticos.

Feitas as exposições teóricas que norteiam esta investigação, passamos para o capítulo de metodologia de pesquisa.