A. KADINLARIN TUZAĞINDAN KURTULMA STRATEJİSİ
2. Halvet Mekânından Kurtulma
Questões relativas à cultura sempre estiveram presentes no ensino de línguas estrangeiras, embora sob formas, focos e interesses distintos, com abordagens específicas. Em meio a todas essas variáveis, reconhecemos que o conceito de cultura pode ser abordado pelo viés da Antropologia, Sociologia, Filosofia, Psicologia e muitas outras áreas.
Entretanto, optamos, neste trabalho, por apresentar compreensões sobre a noção de cultura que possam sustentar nosso estudo e nossos dados, fundamentando-nos, assim, principalmente nas concepções estudadas pela Antropologia e Sociologia.
Acerca da complexidade que envolve tal termo, já em 1959 Hall afirmava: “(…) cultura não é mais do que uma série complexa de atividades inter-relacionadas de muitas maneiras, atividades com origens profundamente enterradas em um passado em que não havia cultura, tampouco homens.”28 (p. 58)
O que se sobressai, na citação de Hall (1959), é a menção ao passado, o reconhecimento da historicidade de um povo como fator fundamental para a compreensão ampla do conceito de cultura. E ainda que possamos observar o conceito de cultura sob o viés de constante evolução de hábitos / costumes, é natural concebê-lo como reflexo dos valores tradicionais típicos, cultivados ao longo de séculos.
Hall (1959) referia-se à cultura e a tudo o que a circunda como dimensão
oculta. Segundo ele, para compreendê-la não é suficiente apenas o conhecimento de aspectos
lingüísticos ou características pessoais, pois essa dimensão está relacionada às realidades ocultas às quais não temos controle e que constituem a trama da existência humana.
Em 1978, Ribeiro ressalta a relevância do passado para a compreensão do conceito de cultura associando o mesmo à noção de herança.
A herança social de uma comunidade humana, representada pelo acervo co- participado de modos padronizados de adaptação à natureza para o provimento da subsistência, de normas e instituições reguladoras das relações sociais e de corpos de saber, de valores e de crenças com que seus membros explicam sua experiência, exprimem sua criatividade artística e a motivam para a ação. (RIBEIRO, 1978 apud BOLOGNINI, 1998, p. 10)
Consideramos válida a compreensão de Ribeiro (1978) sobre cultura e concordamos com o autor principalmente porque também a compreendemos como conceito intrínseco às relações sociais e às normas de valores e crenças, como o autor ressalta. Nesse ponto, vemos como pouco provável o conceito de cultura abordado sob um viés sincrônico, desconsiderando a historicidade que, em nosso ver, o sustenta.
28 (...) culture is not one thing but a complex series of activities interrelated in many ways, activities with origins deeply buried in a past when there was no cultures and no men.
Assim, compreendemos cultura como um construto diacrônico que, em sua abrangência histórica, social e artística, reflete – e / ou contribui para constituir – a identidade de um grupo. Nesse sentido, concordamos com Barbosa (2009) quando a autora afirma: “Cada grupo constrói sua cultura a partir de uma rede de interações estabelecidas no passado e no presente.” (p. 3)
Nessa mesma linha de raciocínio, Kramsch (1998) afirma:
Cultura consiste, precisamente, naquela dimensão histórica na identidade de um grupo. Essa visão diacrônica de cultura enfoca a maneira como um grupo social representa a si mesmo e outros por meio de suas produções materiais ao longo do tempo – seus alcances tecnológicos, seus monumentos, seus trabalhos de arte – que pontuam o desenvolvimento de sua identidade histórica29. (p. 7)
Assim como ocorre com estereótipos, cultura não deve ser limitada, generalizada, simplificada às características de um povo ou um país; pelo contrário: deve ser compreendida como realidade multifacetada, múltipla e plural que está intimamente vinculada a fatores como camada social, lugar geográfico, idade, sexo, e categorias sócio-profissionais30 (BARBOSA, 2009).
Para Da Matta (1994), cultura é “um estilo, um modo e um jeito de fazer coisas” (p. 17). Embora, a princípio, avaliemos essa percepção como relativamente sucinta, concordamos com Viana (2003) que essa definição nos permite inferir que cada sociedade possui, portanto, um estilo, um modo e um jeito inerente à sua própria estrutura social. Nesse sentido, a definição de Da Matta (1994) também nos auxilia a compreender cultura em sua amplitude diacrônica e social.
Viana delineia compreensão cultural com foco na dimensão interacional, de interesse (e pertinente) ao seu estudo de 200331. Para esse autor:
29 Culture consists of precisely that historical dimension in a group‟s identity. This diachronic view of culture focuses on the way in which a social group represents itself and others through its material productions over time – its technological achievements, its monuments, its works of art, its popular culture – that punctuate the development of its historical identity.
30Essa compreensão de Barbosa (2009) nos foi apresentada em aula do curso “Dimensões culturais no ensino- aprendizagem de línguas”, no Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos.
31 Ressaltamos o rico resgate de conceitos de cultura apresentado por Viana em 2003. Por meio de diversas concepções – antropológica, semiótica, clássica, descritiva, simbólica, estrutural – o autor tece considerações acerca desse conceito fundamentando-se em diversos autores e, finalmente, apresentando sua compreensão. Para os objetivos deste trabalho, optamos por delimitar nossa fundamentação teórica aos autores e concepções apresentados neste tópico. Recomendamos, todavia, a leitura de Viana (2003) para aprofundamento sobre o conceito de cultura.
O caráter, a índole e o temperamento se mostram nas relações sociais, e, portanto, o desenvolvimento, aperfeiçoamento e refinamento dessas qualidades fazem parte de um processo (implícito ou explícito) de aquisição de conhecimento (muitas vezes tácito) do conjunto de práticas, técnicas, símbolos e valores de um agrupamento social, para a interação, sendo importante ressaltar o fato de que o desenvolvimento dessa aquisição ocorre através da própria interação (...). (VIANA, 2003, p. 40)
A associação entre cultura e interação corrobora nossa compreensão de cultura como socialmente constituída na medida em que, como menciona Viana (2003), a interação representa um processo de encontros sociais e, derivado deles, o desenvolvimento (consciente ou não) de conhecimentos em diversos âmbitos. É, portanto, por meio da interação (também) que a cultura pode ser constituída, revelada e compreendida em sua totalidade.
Tomamos, ainda, a compreensão de cultura de Thompson (1995), que define cultura como formas simbólicas em contextos sociais estruturados. As decorrências dessa definição apresentam-se fortemente compatíveis com as necessidades de compreensão do conceito para lidar com diferenças culturais, e, consequentemente, para a área de ensino- aprendizagem de línguas, possibilitando apontar o que Viana (2003) sugere como sotaque
cultural na competência comunicativa32 em LE, para o qual os aprendizes devem ser sensibilizados.
Em seu estudo sobre diversas concepções de cultura, Sarangi (2009) menciona autores que consideram as definições de cultura como necessariamente reducionistas, pois cultura, na visão desses acadêmicos, é um conceito ativo e que é constantemente “feito e refeito”. Nesse sentido, o questionamento “o que é cultura?” perde sua validade, cedendo espaço para indagações mais significativas, como: “O que a cultura faz?” e “Como / Onde / Por que fazemos cultura?”.
Kramsch (2009) reconhece que a palavra cultura pode ser definida por duas maneiras:
a) Fundamentada nas Ciências Humanas
(...) representação que um grupo social atribui a si mesmo e a outros por meio de produções materiais, quais sejam: suas obras de arte, sua literatura, suas instituições sociais ou, ainda, objetos de sua vida cotidiana e os mecanismos utilizados para garantir a perenidade e a transmissão desses bens. (p. 116)
b) Fundamentada nas Ciências Sociais
(...) refere-se àquilo que Howard Nostrand chamou de “a base de toda a significação”, ou seja, um conjunto de atitudes e crenças, as visões de mundo, os comportamentos, as lembranças comuns aos membros dessa comunidade. (p. 116)
A crítica da autora refere-se à opacidade do aspecto diacrônico em ambas as definições. Ainda que possamos inferir que a historicidade fundamenta as duas concepções, a autora questiona a ausência de razões que justifiquem porque determinados valores, nas duas definições, são aceitos, reconhecidos e legitimados, ao passo que outros não o são (KRAMSCH, 2009).
É produtivo notar a distinção que a autora propõe ao apontar duas maneiras de compreender cultura. A essas diferentes formas de concebê-la, Hinkel (1999) chamou de cultura visível e cultura invisível.