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Muhakemenin Yenilenmesinin Diğer Olağanüstü Kanun Yollarından

A. Muhakemenin Yenilenmesinin Diğer Kanun Yollarından Farkı

2. Muhakemenin Yenilenmesinin Diğer Olağanüstü Kanun Yollarından

Como os artigos científicos que compõem o corpus desta pesquisa foram coletados em um dos congressos da ABRALIN, compreendemos ser fundamental apresentar, inicialmente, neste tópico, algumas considerações sobre a referida associação, sem pretensão alguma,

contudo, de traçar um panorama amplo e exaustivo de sua constituição e seu papel no contexto da investigação linguística brasileira. Para os propósitos de nosso trabalho, contentamo-nos, portanto, em reportarmo-nos a alguns marcos e iniciativas dessa associação, concentrando nossa atenção especialmente no contexto e nas condições que envolveram a produção dos artigos científicos do corpus da pesquisa.

A ABRALIN foi gerada em Recife, em julho de 1968, no Seminário Brasileiro de

Linguística e nasceu em janeiro de 1969 (MATOS, 2010). Criada por um grupo de 65

pessoas, reconhecidas como seus sócios fundadores, e nascida marcada pela relação com o ensino de inglês no Brasil (ORLANDI, 2014), a ABRALIN se expandiu consideravelmente como espaço gerador de reflexão sobre a linguagem ao longo de seu percurso histórico, tanto pelo expressivo número de associados que congrega hoje em suas reuniões científicas, como pelo aspecto das linhas de investigação que contempla e da produção científica sobre o saber linguístico que delas deriva, fatores esses que têm culminado, conforme acredita Da Hora (2009)35, em “uma multiplicação das perspectivas que envolvem a Linguística” no Brasil. Em

Notas sobre o livro ABRALIN: 40 anos em cena¸ lançado em 2009, em comemoração aos 40

anos da entidade, Matos (2010) nos apresenta alguns elementos para dimensionarmos em alguma medida a relevância da criação dessa entidade, ao ressaltar desde a pluralidade de perspectivas que a constituem aos desafios que ela tem assumido ao longo desses anos:

A leitura dos títulos das contribuições dá uma idéia da diversidade de áreas e questões de que se ocupam os que fazem a ciência da linguagem entre nós. Fosse escrever uma resenha deste volume, destacaria as percepções de lingua(gem) explicitadas nos textos, as caracterizações de linguística, as interações desta com outras áreas, momentos marcantes na História da Linguística entre nós, iniciativas inovadoras, o notável desenvolvimento de uma Bibliografia Linguística em Português, referências à Língua Portuguesa, menções à Linguística aplicada, projetos de pesquisa de alcance nacional, regional ou local, revistas e boletins mencionados, instituições citadas, frases memoráveis e muito mais. Um destaque especial seria dado ao apoio de organismos oficiais ao trabalho de linguistas brasileiros. Mas isso o(a) leitor(a) poderá fazer, ao navegar nessas páginas de textos inspirados e inspiradores (as Referências bibliográficas propiciam outro "retrato" de nossa Linguística).

Com mais de 1.000 associados, uma homepage informativa

(www.abralin.org) e uma Tradição consolidada, a Associação Brasileira de Linguística tem muito a oferecer a quem está se iniciando nos Estudos Linguísticos ou da Linguagem. Alicerçada no pioneirismo de linguistas exemplares como J.Mattoso Camara Jr. e Aryon Dall´Igna Rodrigues, a

35 Trecho recortado do texto de apresentação do ABRALIN em Cena Espírito Santo, realizado em Vitória, no

período de 28 a 29 de maio de 2009. Disponível em: http://www.abralin.org/congresso/. Acesso em 20 dez. 2014.

missão ABRALIN continuará, cheia de desafios fascinantes, tanto teóricos quanto aplicativos. (p. 218)

Aproximando-se de quase meio século de existência, essa entidade se apresenta como uma associação sem fins lucrativos formada por sócios efetivos e colaboradores, entre os quais se encontram professores de Instituições de Ensino Superior (IES), pesquisadores e estudantes de pós-graduação36, e assume o objetivo de “congregar os profissionais da Linguística a promover, desenvolver e divulgar entre os interessados os estudos de Linguística teórica e aplicada no Brasil”, conforme atesta o seu estatuto37.

Com essa configuração e esses propósitos, a entidade vem se consolidando a cada dia como um importante lugar no cenário da pesquisa sobre o fenômeno linguístico no Brasil. Embora o estatuto da entidade assuma que, no leque de ações dessa associação, se encontre promover reuniões científicas, cursos e publicações, conceder bolsas e emprestar sua colaboração a entidades públicas ou particulares em programas de educação que envolvam problemas de natureza linguística, a ABRALIN tem se notabilizado sobretudo pela ampliação, relevância e alcance das reuniões científicas e das publicações científicas que promove.

Se a publicação da Revista da ABRALIN (cujo primeiro volume saiu em 2002, se encontra, no momento, em seu volume 14, n. 02, gozando de prestígio na comunidade acadêmica da área e avaliada atualmente (em fevereiro de 2016) como Qualis B1 no sistema

webqualis da CAPES) pode ser considerado um exemplo de iniciativa bem consolidada da

ABRALIN, podemos afirmar seguramente que o crescimento da entidade nos últimos anos se deveu em grande medida à iniciativa de ampliação das reuniões científicas que ela promove, sem deixar, evidentemente, de levar em conta também o determinante incentivo e ampliação progressiva da pós-graduação no Brasil.

Além dos já consolidados Congresso Internacional da ABRALIN e Instituto da

ABRALIN, a entidade passou a organizar, desde 2008, também um evento itinerante, o ABRALIN em Cena. Com este tipo de iniciativa, a entidade tem objetivado: 1) “difundir os

estudos linguísticos naquelas regiões que contavam com um número reduzido de associados vinculados à ABRALIN”38; 2) “incentivar o intercâmbio entre pesquisadores de diversas

regiões brasileiras, priorizando as linhas de pesquisa existentes nos Programas de Pós-

36 Estudantes de graduação podem participar dos eventos da entidade, mas eles são inseridos na condição de não

sócios.

37

Disponível em: http://abralin.org/site/institucional/quem-somos/. Acesso em: 19 dez. 2014.

38 Trecho recortado do texto de apresentação do ABRALIN em Cena Espírito Santo, realizado em Vitória, no

período de 28 a 29 de maio de 2009. Disponível em: http://www.abralin.org/congresso/. Acesso em: 20 dez. 2014.

Graduação da instituição que sedia o evento”39; 3) “promover o permanente diálogo entre

pesquisadores da área, com vistas a contribuir para o desenvolvimento das pesquisas que se realizam nos diferentes programas de pós-graduação no país e para a divulgação dos resultados de pesquisa alcançados.”40.

Nessa direção e em consonância com a política de expansão e interiorização da educação superior no Brasil, a entidade propôs a realização do ABRALIN em Cena em estados que normalmente se caracterizam pela deficiência na formação e na manutenção de recursos humanos altamente qualificados. Nesse caso, ainda que tenha realizado o ABRALIN

em Cena no Espírito Santo, em 2009, a prioridade tem sido dada para os estados das regiões

norte e nordeste, como Piauí, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Sergipe e Amazonas, que, nessa ordem, sediaram o evento uma vez cada um, desde sua criação.

O crescimento da entidade se vê refletido também na multiplicação das perspectivas que envolvem a Linguística brasileira. Podemos comprovar isso observando o amplo espectro das linhas de investigação estabelecidas pela entidade e sobretudo os eixos temáticos/grupos de trabalhos dos congressos que ela realiza. No quadro que segue, apresentamos um levantamento das perspectivas de investigação que comportam a Linguística brasileira nesses últimos anos, para o qual tomamos por base informações constantes na página da própria ABRALIN.

Formulário de filiação à ABRALIN

Livro de resumos do VIII

Congresso Internacional da ABRALIN (Natal 2013) Primeira Circular do IX Congresso Internacional da ABRALIN (Belém 2015) 41 Alfabetização e letramento Letramentos Letramentos

Análise do Texto e do discurso

Linguística do Texto Linguística de Texto Análise do Discurso Análise do Discurso Análise da Conversação Análise da Conversação

Semiótica Semiótica

Ensino de Línguas - Ensino e aprendizagem de

línguas

Fonética e Fonologia Fonética/Fonologia Fonética e Fonologia Linguística de Corpus e

Computacional

- Linguística Computacional

- Linguística de Corpus

39 Trecho recortado do texto de apresentação do ABRALIN em Cena Sergipe, realizado em Aracaju, no período

de 30 de outubro a 01 de novembro de 2012. Disponível em: http://www.ufs.br/conteudo/abralin-cena-sergipe- iv-encontro-p-s-gradua-letras-7816.html. Acesso em: 20 dez. 2014.

40

Trecho recortado da II circular do ABRALIN em Cena Amazonas, realizado em Manaus, no período de 07 a 09 de maio de 2014. Disponível em: http://www.pos.uea.edu.br/data/noticia/download/11200-2.pdf. Acesso em: 20 dez. 2014.

Linguística Histórica Linguística Histórica Filologia e Linguística Histórica

Historiografia Linguística Historiografia Linguística

Linguas indígenas Línguas indígenas -

Morfologia e sintaxe Sintaxe Sintaxe

Morfologia Morfologia

Neurolinguística Neurolinguística Neurolinguística e

Neurociências Aplicadas à linguagem Práticas sociais da linguagem - - Psicolinguística e aquisição da linguagem Psicolinguística Psicolinguística Aquisição e Ensino de Língua Materna Aquisição da linguagem Aquisição e Ensino de Línguas Adicionais -

Semântica e Pragmática Semântica Semântica e Pragmática

Pragmática - Sociolinguística e Dialetologia Sociolinguística - Dialetologia Dialetologia e Sociolinguística Terminologia Lexicologia, Lexicografia e

Terminologia

Ciências do léxico

Tradução Estudos da Tradução -

- Linguística da Enunciação Linguística da Enunciação

- Linguística centrada no uso -

- Linguística Aplicada Linguística Aplicada - Linguística e Cognição Linguística e Cognição

- Gêneros

Textuais/Discursivos

Gêneros Textuais e Discursivos

- Línguas de Sinais Linguagem e surdez

- Linguagem e Tecnologia -

- Epistemologia(s) da

Linguística

- - Políticas Linguísticas Política Linguística

- - Tipologia Linguística

Quadro 1: Levantamento das perspectivas de investigação da linguística na ABRALIN

Na coluna 1, apresentamos o que a entidade concebe como as áreas de atuação (definidas para filiação de sócios), que, como podemos notar, assumem uma configuração bem mais restrita (tanto pelo agrupamento de áreas de atuação, como pela redução do número de especialidades) das perspectivas atuais da Linguística brasileira, sobretudo se o parâmetro a ser tomado forem os grupos de trabalhos/eixos temáticos das duas últimas edições do

os grupos de trabalho da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e

Linguística (ANPOLL)42, reproduzidos no quadro abaixo:

Lista de Grupos de Trabalho do domínio da Linguística na página ANPOLL

Linguística do Texto e Análise da Conversação Análise do Discurso Estudos Bakhtinianos Semiótica Fonética e Fonologia Línguas Indígenas Psicolinguística Sociolinguística

Lexicologia, Lexicografia e Terminologia Estudos da Tradução

Linguística e Cognição

Gêneros Textuais (Discursivos) Linguagem e Surdez

Linguagem e Tecnologias Estudos Saussurianos

Linguagem, Enunciação e Trabalho Crítica Textual

Crítica Genética

Ensino e Aprendizagem na Perspectiva da Linguística Aplicada Teoria da Gramática – GTTG

Descrição do Português

Formação de Educadores na Linguística Aplicada Práticas Identitárias na Linguística Aplicada Transculturalidade, Linguagem e Educação Estudos Medievais

Letras Clássicas

Quadro 2: Levantamento das perspectivas de investigação da linguística na ANPOLL

Sem querer entrar no mérito de problematizar em que medida a linguística praticada no Brasil hoje se vê, de fato, refletida, quer seja nesses eixos temáticos/grupos de trabalho ou nessas linhas de atuação da ABRALIN, quer seja nos grupos de trabalho da ANPOLL, importa-nos ressaltar, com base nesse levantamento, o papel essencial desempenhado pela

42

É importante ressaltar que, diferentemente da ABRALIN, a ANPOLL se caracteriza por seu papel político, considerando que sua finalidade é representar politicamente os Programas de Pós-Graduação em Letras e Linguística. Criada no ano de 1984 e com mais de 30 anos de atuação, essa entidade congrega hoje 121 programas de pós-graduação a ela filiados e conta com 44 grupos temáticos. Como entidade representativa dos programas de pós-graduação da área, organiza debates com os coordenadores dos programas de pós-graduação que giram em torno da política de Pós-Graduação brasileira. Nota elaborada com base em informações disponíveis na página da referida associação na internet no seguinte endereço: http://anpoll.org.br/portal/. Acesso em: 21 dez. 2014.

ABRALIN enquanto entidade responsável por criar condições para o desenvolvimento e a ampliação das perspectivas de investigação da Linguística no Brasil.

Feitas essas considerações mais gerais sobre os objetivos, ações e papel da ABRALIN no cenário da investigação linguística brasileira, concentremos nossa atenção, daqui em diante, em apresentar uma descrição das condições de participação no VII Congresso

Internacional da ABRALIN e de publicação dos artigos científicos nos anais do referido

Congresso43.

Comecemos, pois, situando o evento em um espaço-tempo. Nesse sentido, é necessário que tenhamos em vista que, conforme define o estatuto da entidade, o congresso ocorre a cada dois anos e tem caráter rotativo, sendo sediado sempre na universidade em que atuam os membros da diretoria que preside a associação. No ano de 2011, a diretoria da entidade era presidida por professores pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), logo, o VII Congresso Internacional da ABRALIN ocorreu em Curitiba, PR, na UFPR, no mês de fevereiro daquele ano.

Para participar dos congressos internacionais da ABRALIN, a primeira condição é se filiar como sócio e pagar a anuidade, podendo o interessado, no caso professores universitários, pesquisadores e alunos de pós-graduação, optar por participar como sócio efetivo ou colaborador. Os estudantes de graduação também podem participar do evento, porém sem a necessidade de se tornarem sócios da entidade, ainda que tenham que pagar uma taxa de inscrição no evento.

Se na configuração das duas últimas edições do Congresso Internacional da

ABRALIN, professores universitários, pesquisadores e alunos de pós-graduação apresentavam

trabalhos sob a forma de comunicação oral em grupos temáticos (VIII Congresso

Internacional da ABRALIN) ou em simpósios temáticos (IX Congresso Internacional da ABRALIN), no formato do VII Congresso Internacional da ABRALIN, eles deveriam escolher

apresentar seus trabalhos em comunicação individual ou em pôster.

Isso implica considerar que, enquanto nas duas últimas edições, o pesquisador ou estudante de pós-graduação poderia escolher para qual grupo ou simpósio temático submeter o resumo de seu trabalho, considerando previamente a afinidade com a temática do grupo ou simpósio e o favorecimento de interação com pesquisadores de sua linha de pesquisa ou perspectiva teórica, na VII edição, os trabalhos eram agrupados em sessões, geralmente de até

43

Convém lembrarmos que, paralelamente ao Congresso Internacional da ABRALIN, a entidade organiza o

Instituto da ABRALIN, que se configura como um evento à parte e cuja proposta se volta basicamente para a

oferta de cursos e minicursos ministrados, em geral, por renomados linguistas, nacionais e internacionais, convidados pela organização do evento.

04 participantes, pela própria organização do evento ou pelos próprios proponentes por ocasião da submissão dos resumos dos trabalhos.

Parece-nos importante ressaltar isso, porque entendemos que, do ponto de vista do aprofundamento das reflexões e do aprimoramento do trabalho, o formato da VII edição parece-nos ser menos proveitoso, já que se limitava a congregar um pequeno grupo de pesquisadores, geralmente com trabalhos já conhecidos, naqueles casos em que o grupo propunha uma sessão de comunicação individual; ou a reunir, em sessões de comunicação individual, trabalhos que, muitas vezes, se distanciavam em relação a objetos de estudo e/ou perspectivas teóricas adotadas.

Evidentemente, não reunimos aqui condições de assegurar que o formato das duas últimas edições seja garantia do favorecimento de uma interação mais efetiva com pesquisadores de outras instituições e com os quais se possa ter afinidades teórico- metodológicas, mas nos parece que, pelo menos em sua concepção, esse formato resguarda uma proposta mais coerente com uma dinâmica de produção e socialização do conhecimento que favoreça a troca de experiências, a interação e o debate.

Na VII edição do Congresso Internacional da ABRALIN, o pesquisador ou estudante de pós-graduação poderia também escolher submeter o resumo do seu trabalho para a apresentação na sessão de pôster, sessão essa que, nas duas últimas edições, tem sido destinada somente para a submissão de trabalhos de alunos de graduação.

Observadas essas exigências de viés mais técnico, embora não menos importantes, o passo final e decisivo para o pesquisador ou estudante apresentar um trabalho no VII

Congresso Internacional da ABRALIN compreendia a submissão de um resumo que

observasse rigorosamente as instruções da comissão organizadora do evento e que passasse pelo crivo da avaliação de pareceristas de um Comitê Científico do evento. A submissão e aprovação do resumo estavam condicionadas ao cumprimento de instruções que incluem, dentre outros, aspectos de conteúdo, composição textual e estilo, tais como: ser redigido em português ou inglês; conter um mínimo de 400 e máximo de 500 palavras, incluídas as referências bibliográficas; obedecer às normas da ABNT; conter, necessariamente, objetivos, abordagem teórica e metodologia; constar 05 referências bibliográficas; e não utilizar no título e no corpo do resumo fonte fonética de qualquer origem.

Uma vez aprovado o resumo, as condições de publicação do artigo científico nos anais do evento se fechavam como o ciclo da submissão do texto completo, que deveria, assim como o resumo, observar religiosamente as instruções estabelecidas pela organização do evento. Deduz-se, de um dos trechos dessas instruções, que o pesquisador poderia publicar o

trabalho completo, mesmo sem ter participado do evento e sem ter apresentado o trabalho, o que aponta, portanto, a aprovação do resumo pelo comitê científico como condição determinante para publicação. É importante que mencionemos que o texto completo é publicado, nos anais daquela edição do congresso, sem que tenha passado pelo crivo de uma avaliação do comitê científico.

Para produzir o artigo científico dentro dos padrões de publicação dos anais do evento, o pesquisador ou estudante teria que seguir um template (ANEXO A), em cujo documento estavam também descritas todas as instruções. Em linhas gerais, as instruções constantes nesse template contemplavam normas de padronização relativas a aspectos tais como forma geral de apresentação do trabalho (título, filiação institucional do(s) autor(es), resumo, palavras-chaves, seções, espaçamento, margens, tipo e tamanho da fonte, paragrafação, formas de destaque), extensão do texto e uso de citações, notas, referências bibliográficas (ABNT - NBR 6023), figuras e imagens.

Sem deixar de reconhecer a importância dos demais aspectos como parte das condições de publicação do texto completo nos anais daquela edição do evento, é importante darmos ênfase, dados os objetivos da nossa pesquisa, aos aspectos da extensão do trabalho e de sua composição/estruturação textual, por acreditarmos que eles podem ter uma determinação maior sobre o “projeto de dizer” do produtor do texto.

Quanto à extensão, as instruções prescreviam que o pesquisador deveria submeter o artigo com no mínimo 8 e no máximo 15 páginas, sem que necessitasse numerá-las. Se, à primeira vista, um texto de 8 páginas, quando produzido por um pesquisador da área de humanidades, possa causar a impressão de um artigo de tamanho reduzido, com prejuízo do nível e profundidade da reflexão, é preciso, nesse caso, ponderar e considerar, por exemplo, os aspectos do tamanho da fonte e do espaçamento estabelecidos nas instruções: “O tamanho da fonte é de 10 pontos para o texto corrente e de 22 pontos para o título do artigo. [...] O espaçamento entre linhas no corpo do texto deve ser de múltiplos em 1,15 e o espaçamento entre parágrafos, de 4 pontos antes.”44.

No que concerne à composição/estruturação textual, as instruções estabeleciam que o artigo deveria conter, nessa ordem, os seguintes itens: título, identificação do autor e da instituição, resumo em português (de 8 a 10 linhas) e palavras-chaves (até 5 palavras) nessa mesma língua, seções e subseções (sem especificar quais e como nomeá-las), referências bibliográficas e anexos.

44 Trecho recortado do documento Instruções para artigos a serem apresentados no VII Congresso Internacional da Abralin. (ANEXO A)

Cremos que o fato de as instruções não especificarem que seções o texto deveria conter implica pensar e considerar, de um lado, que há um acordo previamente estabelecido e compartilhado pelos membros mais experientes dessa esfera, e daquele domínio disciplinar em específico, acerca da composição/estruturação textual que um artigo científico deve apresentar. De outro lado, que o pesquisador menos experiente deva ter conhecimento ou alguma noção, caso não tenha clareza ou compartilhe do acordo estabelecido entre os mais experientes, sobre a estrutura padrão (geralmente composta de Introdução, Revisão teórica,