Dentre os diversos gêneros discursivos próprios da esfera acadêmico-científica, o artigo científico pode ser considerado, seja qual for a área disciplinar, o gênero por excelência da atividade de produção e divulgação do conhecimento. Sua finalidade principal é reportar, para um público especializado (pesquisadores, professores e estudantes de pós-graduação e de graduação, entre outros profissionais), os resultados novos de uma pesquisa/estudo sobre um
63
Sem pretensão alguma de conduzir a qualquer conclusão, mas apenas de apontar uma possibilidade de compreensão sobre a questão, citamos o caso do artigo científico intitulado “O desenvolvimento da Lingüística Textual no Brasil”, de autoria de Ingedore Villaça Koch – que figura como um dos principais nomes da Linguística do Texto no Brasil –, publicado na revista DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística
Teórica e Aplicada. Este artigo é, segundo dados da coleção de publicação de periódicos SciELO Brasil, o
segundo artigo mais visualizado daquele periódico na referida coleção, porém ele não é citado em nenhum outro artigo do mesmo periódico, ainda que tenha sido publicado em 1999 e que a coleção disponibilize, em acesso aberto, todos os volumes do periódico após a sua (do texto) publicação. Mas é evidente que temos que considerar que o fato de não ser sido citado seja necessariamente um medidor preciso do “impacto” (no sentido aqui também de relevância) de um artigo, até porque os estudos mais recentes no campo da comunicação científica têm defendido a necessidade de se considerar aspectos como downloads e visualizações, além de compartilhamentos e comentários, no caso dos periódicos que se utilizam da divulgação por meio de mídias sociais. Na crítica que faz ao viés quantitativo da avaliação dos periódicos científicos brasileiros, Silva (2009a) nos traz algumas provocações quanto ao real impacto de um artigo científico, que, via de regra, acaba escapando ao qualimômetro (SILVA, 2009b) da CAPES, que nos parece fundamental destacar, para entender a complexidade das questões que atravessam o impacto dos artigos científicos: “Como escritor é muito mais importante para mim saber que este texto foi lido e que contribuiu de alguma forma com os leitores do que a classificação ‘Qualis’ do mesmo. Como autor, é muito mais recompensador saber que o que escrevo foi adotado por algum colega e discutido com seus alunos. Como autor, me realizo muito mais com o ato de escrever e de, assim, estabelecer ‘pontes’ com os leitores. É-me muito mais importante saber que o meu aluno leu o que escrevo do que a informação de que o veículo em que público tem ‘Qualis’ ‘x’ ou ‘y’.” (p. 3).
tema específico visando a contribuir com a construção do conhecimento em dada área do saber.
Nessa mesma linha de raciocínio, podemos acrescentar ainda que, na cultura acadêmica contemporânea, que reflete uma “ditadura do periódico” (VILAÇA, PEDERNEIRA, 2013) em progressiva expansão, sobretudo depois das políticas de acesso aberto, o artigo científico ocupa um lugar de prestígio, de tal modo a se constituir como “uma prática comunicativa prototípica da atividade de pesquisa”64 (BOCH, 2013, p. 553), tornando-
se, além do mais, o tipo de publicação com mais peso na avaliação da produção científica do pesquisador e dos programas de pós-graduação. O domínio dessa prática comunicativa representa para o pesquisador, de modo especial aqui no Brasil, não só a possibilidade de se “apoderar” de uma forma de engajamento e de participação ativa e efetiva na esfera acadêmico-científica da qual ele faz parte, como também de evitar que nela não pereça, já que, de acordo com as “leis” dessa cultura, não publicar artigos científicos pode ser uma “espécie de suicídio acadêmico e a condenação à exclusão” (SILVA, 2009a), logo o imperativo é publicar ou morrer (EVANGELISTA, 2012).
Com frequência, escutamos e mencionamos o termo artigo científico, como se fosse um termo que desse conta de designar a multiplicidade de formas que configura essa prática comunicativa a que nos referimos no parágrafo anterior. É preciso, porém, esclarecer que há flutuação e, por vezes, confusão terminológica, quando nos referimos a essa prática comunicativa, o que parece estar associado ao fato de existirem diferentes tipos de artigos. Nesse sentido, são correntes termos como artigo científico, artigo de pesquisa, artigo
acadêmico, artigo de revisão, artigos originais ou simplesmente artigo, entre outros, usados,
muitas vezes, sem critérios claramente bem definidos. Day (2001) afirma, porém, que é importante uma definição cuidadosa dos diferentes tipos de artigos.
Os diferentes tipos de artigos e essa profusão terminológica estão, por sua vez, relacionados muito mais às especificidades de cada área do conhecimento. Em áreas do conhecimento como saúde, que tomaremos, ao longo dessa exposição, como contraponto relacional da cultura disciplinar da grande área de Letras e Linguística, é mais comum o uso de termos como artigo de revisão e artigo original, ficando explicitados já no uso dos qualificativos “revisão” e “original” de qual tipo de artigo se trata e a que finalidade se presta. Na grande área de Letras e Linguística, é mais comum o uso de termos como artigo científico ou simplesmente artigo, como podemos atestar em uma rápida consulta no item Políticas de
64Tradução sob nossa responsabilidade do original em francês: “une pratique communicative prototypique de
seção de periódicos especializados nacionais bastante expressivos da área, tais como Revista da ABRALIN, Alfa: Revista de Linguística, Revista de Estudos da Linguagem, Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, Revista do GEL, entre tantas outras, embora nos deparemos
também com menção ao termo artigo original, como ilustra o caso da Revista Letras.
Isso nos faz pensar que, nessa área, parece haver um certo consenso, compartilhado pelos pesquisadores que dela fazem parte, que, quando se lê, em chamadas de periódicos ou de eventos, o termo artigo, estar se falando de um tipo particular de prática comunicativa que pode ser tanto o artigo original, como o artigo científico, que, na verdade, são tipos diferentes e que apresentam finalidades específicas, conforme consta na proposta de classificação de artigos da ABNT:
artigo científico: Parte de uma publicação com autoria declarada, que
apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento.
artigo de revisão: Parte de uma publicação que resume, analisa e discute
informações já publicadas.
artigo original: Parte de uma publicação que apresenta temas ou
abordagens originais. (ABNT NBR 6022:2002, p. 2)
Manuais de escrita acadêmico-científica como de Motta-Roth e Hendgs (2010) e trabalhos no domínio dos estudos da linguagem tais como os de Macedo e Pagano (2011) e Bernardino (2006, 2007, 2012) utilizam o artigo acadêmico e apresentam classificações diferentes daquela apresentada pela ABNT NBR 6022: 2002. O trabalho de Motta-Roth e Hendgs (2010), que se apresenta como uma boa referência para nossa área, pauta-se em uma classificação que divide os artigos acadêmicos em três tipos: artigo de revisão teórica, artigo
experimental e artigo empírico, assim definidos:
Artigo de revisão teórica: relata uma pesquisa que consiste em um
levantamento de toda a literatura publicada sobre um tema (o conceito de identidade na sociologia ou o mal de Alzheimer, por exemplo) em determinado período de tempo (nos últimos vinte anos, de 2000 -2010 etc.).
Artigo experimental: relata um experimento montado para fins e testagem
de determinadas hipóteses (testagem dos efeitos de impulsos elétricos no tratamento de depressão por meio de levantamento estatísticos em um grupo de pacientes).
Artigo científicos empíricos: reporta a observação direta dos fenômenos
conforme percebidos pela experiência (análise das representações sociais sobre a mulher conforme observadas nos textos que circulam na mídia e nas entrevistas com os jornalistas autores dos textos). (MOTTA-ROTH e HENDGS, 2010, p. 66-67, grifos das autoras)
Aproximando-se da proposta seguida por Motta-Roth e Hendgs (2010), Macedo e Pagano (2011) e Bernardino (2007) propõem, por sua vez, uma classificação dos artigos em três tipos também: artigo de revisão, artigo teórico e artigo experimental. Por fim, Bernadino (2006) considera a distinção entre artigo experimental e artigo teórico. O aspecto diferencial das classificações desses três trabalhos em relação à proposta de Motta-Roth e Hendgs (2010) reflete, na verdade, tanto a especificidade da problemática e dos objetivos do trabalho que essas pesquisadoras realizaram quanto a especificidade da cultura disciplinar dos artigos por elas examinados, aspectos que não podem ser perdidos de vista sempre que formos tentar caracterizar determinado artigo.
Como se vê, essa questão terminológica é bastante complexa e não pode ser ignorada do ponto de vista do entendimento de como funcionam as práticas acadêmicas e as culturas disciplinares. A questão é de vital interesse para pesquisadores de outras áreas, como da área da saúde, principalmente de medicina, mas também da psicologia, em cujos domínios é preciso, via de regra, explicitar claramente se o artigo é de revisão ou original, se é teórico ou se é de pesquisa. Contrastando, ela parece ser pouco considerada na grande área de Letras e Linguística, a julgar que o tipo artigo original dificilmente deixará de ser rotulado e concebido, por pesquisadores dessa área, como artigo científico, mesmo que para outras áreas e para a ABNT NBR 6022:2002 sejam considerados dois tipos diferentes e que atendem a finalidades específicas e, por conseguinte, apresentem funcionamento e formas de organização textual também diferentes.
Consideradas essas questões de variação terminológica, optamos pelo termo artigo
científico, procurando recobrir os diferentes tipos de artigos conforme propostos pela ABNT
NBR 6022:2002 e por Motta-Roth e Hendgs (2010), Macedo e Pagano (2011) e Bernardino (2006, 2007, 2012), e observando que a tendência da grande área de Letras e Linguística seja praticar o tipo de artigo que a ABNT NBR 6022:2002 define como artigo científico, ainda, claro, que sejamos conscientes de que a área pratique também a escrita de artigos de revisão e
artigos originais, por exemplo.
Na esteira do pensamento bakhtiniano, estamos entendendo o artigo científico como um gênero discursivo, de natureza complexa, que reflete, em seu conteúdo temático, no seu estilo e em sua construção composicional, as condições e finalidades comunicativas da esfera da atividade humana na qual é produzido e circula, qual seja: a esfera acadêmico-científica. Considerando suas condições e finalidades, o artigo científico pode ser caracterizado, seguindo definição de Garcia Negroni (2008), como um espaço de dialogismo enunciativo, no qual o autor se posiciona em relação à comunidade científica para a qual se dirige e na qual
objetiva ser inserido mediante a apresentação dos resultados obtidos em sua investigação em determinado domínio do saber.
Como a esfera acadêmico-científica corresponde ao espaço da atividade de construção e divulgação do conhecimento que apresenta convenções próprias bem estabelecidas, fundadas numa certa necessidade de normatização rígida dos textos que dela emanam, o artigo científico é um tipo relativamente estável de enunciado, que revela uma forte tendência de padronização e de menos liberdade para quem o produz. Poderíamos dizer, em termos bakhtinianos, que esse gênero não se presta tão facilmente a uma reformulação livre e criadora. Isso, porém, não inviabiliza a manifestação do estilo individual do produtor, já que, como diz Coracini (2007), ainda que os “grilhões do formalismo” apontem para a ausência de liberdade formal do pesquisador no momento de elaboração de seu artigo, existem “brechas” que ele pode cavar na busca de uma certa liberdade de expressão. Essa liberdade de que fala Coracini (2007) está, evidentemente, condicionada ao domínio do gênero. Mais que apenas dominá-los, é preciso dominá-los bem, como sustenta Bakhtin (2003). Quanto mais dominamos o gênero, mais o empregamos livremente e, por conseguinte, realizamos de modo mais acabado o nosso livre projeto de discurso/dizer (BAKHTIN, 2003), de modo a possibilitar ao pesquisador escapar com mais facilidade, inclusive, dos “grilhões do formalismo”.
É certo, porém, que o grau de liberdade de expressão do pesquisador, ao produzir um artigo, varia de cultura disciplinar para cultura disciplinar e mesmo no interior de uma dada cultura disciplinar, a depender das condições de produção, circulação e recepção. Sendo assim, é possível dizer, seguramente, que, no domínio das humanidades, essa liberdade tende a ser maior que em outras áreas, com níveis que variam de uma área para outra. Comprova isso o fato de que em áreas como medicina, química e psicologia, mas não apenas nelas, o artigo assume até hoje ainda, com significativa representatividade e poucas variações, a estrutura que lhe deu origem, conhecida mundialmente como IMRAD (Introduction, Methods, Results, and Discussion – Introdução, Métodos, Resultados e Discussão), e que, de acordo com Day (2001, p.7), se traduz nos seguintes termos:
A lógica do IMRAD pode ser definida na interrogativa: Que questão (problema) foi estudada? A resposta é a Introdução. Como o problema foi estudado? A resposta são os Métodos. Quais foram as descobertas? A resposta são os Resultados. O que estas descobertas significam? A resposta é a Discussão.
Um bom exemplo dessa estrutura se verifica na Revista Brasileira de Medicina de
Família e Comunidade (RBMFC) que publica artigos originais e instrui que “Quanto a formatação, devem seguir a estrutura convencional” composta de Introdução, Métodos, Resultados, Discussão, e assim definida:
Introdução: deve ser sucinta, definindo o problema estudado, sintetizando
sua importância e destacando as lacunas do conhecimento que serão abordadas no artigo.
Métodos: devem descrever de forma clara e sem prolixidade as fontes de
dados, a população estudada, a amostragem, os critérios de seleção, procedimentos analíticos e questões relacionadas à aprovação do estudo por comitê de ética em pesquisa (CEP).
Resultados: devem se limitar a descrever os resultados encontrados, sem
incluir interpretações e/ou comparações. O texto deve complementar e não repetir o que está descrito nas figuras.
Discussão: deve incluir a interpretação dos autores sobre os resultados
obtidos e sobre suas principais implicações, a comparação dos achados com a literatura, as limitações do estudo e eventuais indicações de caminhos para novas pesquisas.
Referências: máximo de 40, devem incluir apenas aquelas estritamente
relevantes ao tema abordado.65
Isso indica que, para a área de medicina, e particularmente no contexto desse periódico, o artigo original configura aquilo que, nos termos de Day (2001, p. 11, grifos nossos), melhor definiria essa forma comunicativa: “um tipo particular de documento que contém certos tipos de informação específica, numa ordem (IMRAD) prescrita.”.
Em periódicos de outras áreas do conhecimento, principalmente do núcleo da saúde e de exatas e naturais, esta “estrutura convencional” costuma ser seguida mais religiosamente, mas, por vezes, sofre alteração, passando a incluir, por exemplo, uma seção de Conclusão, que deve vir separada da Discussão, como comprovam os casos do Brazilian Archives of
Biology and Technology, periódico da área de Biologia, e do Journal of the Brazilian Chemical Society, revista da área de química. Volpato (2010a, p. 169) alerta, contudo, que,
nessas áreas, “o formato da revista, incluindo Conclusões como um item separado da Discussão não é o mais frequente.” E acrescenta: “[...] é necessário entender que as conclusões devem aparecer na Discussão (não há como evitar isso). Quando há o tópico Conclusões, significa que elas já apareceram na Discussão e serão listadas nessa seção.” (p. 169, grifos nossos).
65 Disponível em: <http://www.rbmfc.org.br/rbmfc/about/editorialPolicies#sectionPolicies> Acesso em: 18 fev.
Como se pode notar, o papel da seção de Conclusão parece não ser tão relevante, mesmo que, na definiçao do Journal of the Brazilian Chemical Society, esteja descrito que sua função é “sumarizar brevemente as principais conclusões do trabalho”66, aspecto que para a
área de humanas costuma ser sumamente importante. Para pesquisadores da grande área de Letras e Linguística, não é comum a exigência de que o resumo das principais conclusões seja breve, cabendo, pois, ao produtor a liberdade de definir a extensão dessa seção, tanto é que há, em artigos científicos de pesquisadores dessa área, Conclusões com menos de 1 página (até mesmo com um parágrafo apenas) e delas com 3 ou mais páginas.
As formas de organização dos artigos científicos produzidos na grande área de Letras e Linguística não deixam de sofrer, em alguma medida, a influência dessa “estrutura convencional”. Entretanto, a estrutura dos artigos científicos dessa área não assume a prescrição da estrutura IMRAD nos termos como ocorre nas áreas que a adotam. Tais formas tendem a seguir a estrutura que caracteriza a “apresentação de trabalhos científicos”, do tipo monografia, dissertação e tese, e de “relatórios de pesquisa”, conforme descritas na maioria dos manuais de metodologia e em normas específicas elaboradas por universidades e editoras. Em geral, os manuais apontam que, além das partes pré-textuais e pós-textuais, o trabalho científico se compõe, genericamente, de uma introdução, do desenvolvimento e da conclusão, que corresponde ao que se denomina de modelo IDC (cf. ARAGÃO, 2011), que é o modelo predominante em Ciências humanas67, mas não exclusivo. Os manuais de Lakatos e Marconi
(2003) e Köche (2011) seguem essa perspectiva, embora utilizem termos diferentes para designar cada parte do artigo. Lakatos e Marconi (2003) propõem que o artigo se divide em
introdução, texto e comentários e conclusões, enquanto Köche (2011) concebe uma estrutura
composta de introdução, desenvolvimento e demonstração dos resultados e conclusões. A ABNT NBR 6022:2002, por sua vez, prescreve que o artigo científico é constituído de três partes mais gerais denominadas de elementos pré-textuais, elementos textuais e
elementos pós-textuais. Conforme o documento, os elementos que constituem cada uma das
partes são os seguintes:
66 Disponível em: <http://jbcs.sbq.org.br/conteudo.asp?page=14>Acesso em 18 fev. 2015.
67 Em pesquisa baseada na análise de 197 instruções aos autores de periódicos da Scientific Electronic Library
Online do Brasil (SciELO Brasil), Aragão (2011) constatou que o modelo IDC é o modelo de estruturação de artigos científicos predominante nas área de Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas. O autor constatou também que o modelo IMRD possui, no corpus examinado, alcance significativamente maior, revelando, segundo ele, incidência em diferentes proporções nas Ciências Sociais Aplicadas, nas Ciências Humanas, nas Ciências Exatas e da Terra, nas Ciências da Saúde, nas Ciências Biológicas e nas Ciências Agrárias. Embora possamos argumentar que o foco da pesquisa esteve centrado nas instruções ao autores de periódicos do SciELO Brasil, não podemos negar, todavia, que o trabalho de Aragão (2011) pode sinalizar plenamente uma tendência desses modelos nessas áreas.
a) elementos pré-textuais: título, e subtítulo (se houver); nome(s) do(s) autor(es); resumo na língua do texto; palavras-chave na língua do texto;
b) elementos textuais: introdução; desenvolvimento e conclusão;
c) elementos pós-textuais: título, e subtítulo (se houver) em língua estrangeira; resumo em língua estrangeira; palavras-chave em língua estrangeira; nota(s) explicativa(s); referências; glossário; apêndice(s) e anexo(s).
Indo além dos manuais prescritivos e das normas da ABNT NBR 6022:2002 e sem negar a existência de elementos pré-textuais e pós-textuais, o trabalho de Motta-Roth e Hendges (2010), que se encontra ancorado em princípios teóricos da análise de gêneros discursivos acadêmicos e ensino de línguas para fins específicos propostos por Swales, adota a seguinte organização textual para os artigos: introdução, revisão de literatura, metodologia,
análise e discussão dos resultados e conclusão.
Essa forma de organização dos artigos adotada por Motta-Roth e Hendges (2010) está centrada, como podemos depreender, em seções textuais que compõem o que a ABNT NBR 6022:2002 denomina de elementos textuais. Na proposta das autoras, o que a ABNT NBR 6022:2002 denomina de Desenvolvimento68 se divide em seções como revisão de literatura,
metodologia, análise e discussão dos resultados. Na prática, porém, é comum observamos,
diferentemente do que expressa a ABNT NBR 6022:2002 e da forma de estruturação assumida por Motta-Roth e Hendges (2010), o uso de termos como Fundamentação Teórica, para designar Revisão de Literatura, e simplesmente Análise dos dados ou Análise do corpus, para designar a seção de Análise e discussão dos resultados.
É relativamente frequente também em artigos científicos da grande área de Letras e Linguística, seja publicados em anais de eventos, seja em periódicos, o produtor nomear a seção de Análise e discussão dos resultados com expressões que remetem à temática do trabalho, tais como “Análise da intertextualidade em uma crônica jornalístico-literária” ou “Das misturas de gêneros constitutivas do Scrap”, como atestam artigos científicos que compõem o corpus da presente pesquisa. A própria seção de Fundamentação Teórica pode