A. Muhakemenin Yenilenmesinde Lehe ve Aleyhe Neden Ayrımı
2. Aleyhe Muhakemenin Yenilenmesini Kabul Eden Görüşler
Sem negar que o processo de normalização que caracteriza os trabalhos científicos tem implicações sobre a criatividade e liberdade do produtor, é preciso reconhecer que esse processo facilita a atividade de comunicação científica e interação entre pesquisadores e profissionais da ciência. Apesar das críticas que possamos fazer ao rigor formal requerido pelos padrões impostos pelo processo de normalização assegurado por manuais de metodologia científica e por normas como da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), não podemos negar que ele é necessário para garantir uma “linguagem comum” entre os parceiros da troca comunicativa da esfera acadêmico-científica. Dentre os elementos que, inevitavelmente, passam por normalização, na comunicação científica, se encontram as citações.
Na maioria dos manuais de metodologia científica e em documentos como ABNT/NBR 10520: 2002, Manual de Publicação da American Psychological Association (2012) e Manual de Estilo Vancouver (PATRIAS, 2007)73, muito correntes aqui no Brasil, há um certo consenso sobre como se define citações e sobre seus tipos, dentre outros aspectos. Em geral, a citação é compreendida como uma forma de fazer menção, no texto, a
73 Este manual é elaborado pelo Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas e é usado para a
informações obtidas de outras fontes. A ABNT/NBR 10520: 2002, por exemplo, define assim: “citação: menção de uma informação extraída de outra fonte.” (p. 1). Manuais de metodologia como os de Medeiros (2006) e Andrade (2009), entre tantos outros, seguem também essa linha de compreensão. Por exemplo, o manual de Medeiros (2006, p. 180) cita, inclusive, inicialmente, a definição da ABNT/NBR 10520:2002, para somente, em seguida, apresentar sua própria definição: “é a menção em uma obra de informação colhida de outra fonte para esclarecer, comentar, ou dar como prova uma autoridade no assunto.”.
Nessa definição e nas descrições do item citação presentes nesses e em outros manuais, merece ressalva o aspecto das finalidades do uso da citação. Se Medeiros (2006) diz que se cita para esclarecer, comentar ou dar prova de uma autoridade no assunto, outros autores de manuais ressaltam, além dessas, outras finalidades que se complementam, como reforçar argumentos, ilustrar, exemplificar, confirmar domínio teórico, sustentar um dizer, fundamentar ideias e análises, dar maior consistência ao assunto, conforme podemos comprovar nos trechos que seguem:
[...] esclarecer o assunto que está sendo exposto ou reforçar argumento quando se defende determinado ponto de vista ou simplesmente para ilustrar o que se afirma ou se coloca. (SALOMON, 2010, p. 397).
[...] as finalidades das citações são: exemplificar, esclarecer, confirmar ou documentar a interpretação de ideias contidas no texto; por isso, são também denominadas “testemunho de autoridade” (ANDRADE, 2009, p. 91, grifos da autora).
[...] as citações são elementos de suma importância em um trabalho científico porquanto elas revelam o domínio teórico do autor em relação ao assunto abordado, bem como conferem sustentação ao que ele diz. (LUDWING, 2009, p. 87).
[...] as citações são os elementos retirados das obras (livros, revistas, artigos e outras fontes bibliográficas), muito importantes para fundamentar as ideias desenvolvidas pelo autor ao longo de sua monografia. As citações bem escolhidas ancoram conceitualmente o trabalho, razão pela qual sua utilização é recomendada. (TACHIZAWA e MENDES, 1999, p. 83, grifos dos autores).
[...] corroborar as ideias desenvolvidas pelo autor no decorrer do seu raciocínio. (SEVERINO, 2007, p. 174).
As citações são [...] utilizadas para dar fundamentação à análise desenvolvida pelos autores do trabalho. [...] Não substituem a análise, mas reforçam ou dão maior consistência à discussão do assunto. Seu emprego deve ser equilibrado, mantendo-se coerência entre o que é citado e a ideia desenvolvida. (CHAROUX, 2004, p. 78).
O olhar de Vieira (2008), que focaliza a citação no contexto mais direcionado das ciências da saúde (mas que, com as devidas ressalvas, também pode ser estendido a outras áreas), é bem pertinente e não pode ser ignorado aqui, tendo em vista que a autora destaca as finalidades da citação observando o uso delas por seções do artigo:
Você resume e comenta trabalhos relacionados à sua tese no capítulo “Revisão de literatura”. Você retorna a esses trabalhos na “Discussão”, para sustentar o que afirma, para mostrar concordância ou discordância de resultados, para valorizar suas interpretações, para explicar hipóteses lançadas. Além disso, você faz, eventualmente, referências a alguns trabalhos em “Materiais e Métodos” e em “Resultados”, para que sirvam como esclarecimentos. Você também relata trabalhos na “Introdução”, para historiar seu tema ou para sustentar suas afirmativas. A identificação de cada trabalho é feita através da citação do (s) autor (es). (VIEIRA, 2008, p. 78-79, grifos da autora).
Quanto aos tipos de citação e definição desses tipos, a tendência é de manutenção de um padrão comum entre os documentos, havendo, pois, poucas divergências entre eles. ABNT/NBR 10520:2002, Manual de Publicação da American Psychological Association (APA) e Manual de Estilo de Vancouver concebem três tipos de citação: citação direta, citação indireta e citação de citação. Embora com acréscimo de uma ou outra expressão e/ou variação lexical, a ideia geral que perpassa a definição de cada um desses tipos de citação, nos referidos documentos, é como consta no texto da ABNT/NBR 10520:2002, a saber:
citação de citação: Citação direta ou indireta de um texto em que não se
teve acesso ao original.
citação direta: Transcrição textual de parte da obra do autor consultado. citação indireta: Texto baseado na obra do autor consultado. (p. 1-2, grifos
nossos)
Entre os manuais, por sua vez, há aqueles que mencionam dois tipos apenas, citação
textual ou literal e conceitual ou indireta (ANDRADE, 2009), transcrição literal e transcrição livre (SEVERINO, 2007) e literal e paráfrase (CHAROUX, 2004), como aqueles
que mencionam três tipos, citação direta, citação indireta e citação de citação (MEDEIROS, 2006; VIEIRA, 2008) citação direta, citação indireta e citação mista (CERVO e BERVIAN, 1996) e citação direta, citação indireta e citação dependente (AZEVEDO, 2008). Tais classificações deixam evidente que os tipos de citação, nesses manuais, são praticamente os mesmos, ainda que, por vezes, alguns deles deixem de mencionar a citação de citação e que os termos empregados sejam, por vezes, diferentes.
Como era de se esperar, as definições de cada tipo de citação, apresentadas nesses manuais, não divergem de maneira acentuada de um em relação ao outro, tampouco em relação às normas da ABNT/NBR 10520:2002. A título de ilustração, tomemos como a citação direta, também concebida como citação literal, é definida nesses manuais. Neles, a redação da definição sugere que a citação direta é o tipo de citação que o pesquisador utiliza para reproduzir/copiar literalmente a informação da fonte citada em seu texto. Tal definição não difere da ideia de transcrição textual que perpassa a definição de citação direta como concebida pela ABNT/NBR 10520:2002, tendência essa que se confirma para os outros tipos de citação, o que parece indicar que as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas exercem uma certa influência sobre os manuais de metodologia científica.
Em manuais como os elencados acima, o pesquisador encontra ainda uma descrição detalhada de uma variedade de outros aspectos técnicos que as citações recobrem, os quais estão, mais comumente, ligados às formas gerais de sua apresentação, incluindo desde o sistema de chamadas (se autor-data ou se numérico) a elementos como supressões, acréscimos, comentários, ordem de autores, referência a ano da citação, entre outros.
Em materiais mais específicos, como o livro Como se faz uma tese, de Eco (2001), temos uma contribuição relevante para a discussão sobre citações vistas dessa perspectiva mais técnica, quando o autor aborda paráfrases e plágio no contexto de uso de citações. O autor procura problematizar quando o uso de citações sob a forma de paráfrase (em que o pesquisador reproduz com suas próprias palavras as ideias de um “texto original”) não é uma verdadeira cópia sem aspas. Nesse sentido, ele propõe uma classificação de três casos distintos de paráfrase relacionados ao uso das citações, quais sejam: paráfrase honesta, falsa
paráfrase e paráfrase quase-textual que evita o plágio.
Na concepção do autor, a paráfrase honesta corresponde à forma de citação indireta, em que o pesquisador efetivamente reformula as palavras dos autores que cita; a falsa
paráfrase corresponde ao caso em que o autor usa a configuração de uma citação indireta,
mas reproduz, na íntegra, as “próprias” palavras do autor citado, sem utilizar-se das aspas, caracterizando um plágio; e a paráfrase quase-textual que evita o plágio compreende o caso em que o pesquisador usa uma configuração de citação indireta, mas, ao invés de elaborar uma paráfrase, transcreve como citação direta o trecho completo de um texto que ele cita.
Esse enfoque dado por Eco (2001) tem sido cada vez mais recorrente na literatura sobre práticas de plágio no universo acadêmico. Tal enfoque encontra ressonância, por exemplo, na preocupação expressa por Pecorari (2013) em relação ao aprendizado apropriado
de paráfrase e das fontes citadas nas práticas de escrita acadêmico-científica, principalmente de pesquisadores iniciantes, como condição de evitar a ocorrência de plágio.
Feitas essas considerações, uma última observação que cumpre assinalar é que, nesses manuais especialmente, as citações costumam ser caracterizadas como “técnicas” ou como “aspectos técnicos” e aparecem, geralmente, descritas em tópicos como “normas de apresentação de trabalhos técnicos”, “apresentação gráfica do trabalho” ou “aspectos gráficos do texto”, o que indica a perspectiva técnica e, ao mesmo tempo prescritiva74, do tratamento
que esses manuais conferem às citações. Por isso, mesmo considerando a forte presença e influência desses manuais na escrita acadêmico-científica e seu importante papel de garantir uma “linguagem comum” entre os parceiros da troca comunicativa da esfera acadêmico- científica, é preciso assumirmos uma postura de crítica em relação à perspectiva estritamente técnica e normativa do tratamento das citações, como têm feito pesquisadores como Boch e Grosssman (2002) e Pollet e Piette (2002) em relação aos manuais franceses e belgas, respectivamente, e, aqui no Brasil, dentre outros pesquisadores, Bernardino (2015), explicitando a necessidade de elaboração de manuais que incorporem um trabalho que dê conta também de abordar as características enunciativas que atravessam o uso das citações.