Segundo Figueiredo (1995), tanto no mundo capitalista quanto no socialista, o sucesso almejado pelos indivíduos se traduz com muita intensidade na posse de bens materiais e no consumo crescente dos recursos energéticos. Do ponto de vista histórico, o desenvolvimento das sociedades no período posterior à Revolução Industrial foi impulsionado por uma rápida intensificação do consumo energético, tanto nos processos
produtivos da época quanto nas populações. Mais do que isso, a intensificação energética caracterizou-se, predominantemente, pela utilização de recursos não renováveis.
O mesmo autor ressalta também que a intensificação energética em si contribui para o agravamento da crise ambiental do planeta, em função da liberação de elementos oriundos dos processos de “produção energética” e da própria utilização de energia. No que diz respeito ao estilo de desenvolvimento das sociedades atuais, centrado na utilização maciça de recursos energéticos não renováveis, não se sustenta do ponto de vista ambiental, delineando um cenário de escassez destes elementos às sociedades futuras.
No que se refere à sustentabilidade, Pasqual (1995) salienta “a Terra é um organismo vivo e dificilmente o homem adquirirá em sua totalidade, uma compreensão do conjunto dos fenômenos que ocorrem nesse sistema fechado que é o Planeta Terra. A natureza tem muitos advogados que a defendem e muitos promotores que a acusam, diante do dilema: modernizar ou sucumbir”.
Segundo Dias (1994) nas décadas de 50/60, impulsionado por avanços tecnológicos, o homem ampliou a sua capacidade de produzir alterações no ambiente natural, notadamente nos países mais desenvolvidos e na década seguinte os efeitos negativos sobre a qualidade de vida já eram evidentes.
No setor de serviços, a preocupação com esse cenário ambiental deverá ocupar bom espaço no início deste milênio. Cada vez mais tem aumentado o nível de discussão e percepção das pessoas quanto aos temas relacionados com o meio ambiente (RICCI, 2002).
Ricci (2002) ressalta que o segmento hoteleiro mundial tem atuado nesta área, já há alguns anos, porém com enfoque fortemente na redução de custos e desperdícios. Os hotéis europeus, desde os anos 80, têm empregado técnicas para minimizar o uso de recursos naturais, tais como energia e água. Gössling (2000) ressalta que há necessidade de integrar aspectos do uso de energia na discussão do desenvolvimento do turismo sustentável.
Para Abreu (2001), os hotéis utilizam os recursos naturais que são também utilizados por qualquer empresa e todo habitante do nosso planeta. A utilização dos recursos naturais como a água e a energia elétrica, por exemplo, provoca uma redução destes recursos, representando um impacto ambiental significativo. Isto sem mencionar os impactos ambientais decorrentes do lixo que é gerado nesses locais, dos equipamentos, dos produtos
de uso diário, dos efluentes líquidos que são lançados em rios e mares, misturados com detergentes e outros dejetos orgânicos, e tantos outros fatores. Todos eles são capazes de provocar impactos ambientais que estão associados com os empreendimentos hoteleiros.
A mesma autora enfatiza a necessidade de melhor gestão ambiental no segmento hoteleiro, como por exemplo:
x redução do consumo de energia elétrica: pois assim não haverá necessidade de construir
mais usinas geradoras de energia, que, ao serem construídas e operadas, causam impactos significativos ao meio ambiente. Algumas ações simples podem ser feitas, como por exemplo, desligar os aparelhos elétricos quando não estiverem sendo utilizados; o ideal é utilizar cartões que dão acesso tanto aos apartamentos quanto à rede elétrica. Durante o dia, apagar as lâmpadas das áreas externas ou utilizar sensores de luz solar; nos corredores e em outras áreas internas de circulação, utilizar sensores que funcionem com a proximidade de pessoas; assim as lâmpadas só serão acesas quando necessário;
x substituir, quando possível, a energia elétrica por energia solar. O ideal é construir
apartamentos sob a ótica da arquitetura ambiental, aproveitando melhor a luz e a brisa, pois qualquer hóspede prefere sentir a ventilação natural, ao invés de ficar confinado num ambiente de ar-condicionado.
Para Ricci (2002) o uso de lâmpadas fluorescentes de baixo consumo em um hotel pode gerar efeito significativo na economia de energia, além de apresentarem vida útil e uma capacidade de iluminação muito maior do que as tradicionais lâmpadas incandescentes. Suas principais vantagens são: redução no consumo de energia, maior durabilidade, garantindo redução de custos, a médio prazo e o aumento do conforto ao cliente.
O mesmo ressalta que há também a necessidade da instalação de bloqueadores de circuitos elétricos instalados em cada quarto, pois quando o hóspede deixa o apartamento, o sistema interrompe os circuitos de iluminação, TV, ar condicionado, rádio entre outros contribuindo para a redução no consumo de energia do hotel.
Em relação a redução do consumo de água, segundo Abreu (2001) deve-se diminuir a lavagem diária de roupa de cama e banho, pois os detergentes e sabões usados para a lavagem são levadas para os rios e mares e podem causar danos a esses
ecossistemas. Utilizando produtos com características biodegradáveis, capazes de ser degradados por microorganismos presentes na natureza.
Abreu (2001) ressalta a necessidade de implantação das Estações de Tratamento de Efluentes – ETE, que tem por objetivo garantir o tratamento adequado para os agentes químicos e biológicos contidos no efluente gerado. Geralmente este tratamento é realizado em três fases: primária, secundária e terciária. Na fase primária, os materiais sólidos em suspensão são retidos e substâncias graxas são retiradas da superfície do efluente sendo depositadas em um tanque de lodo. A fase secundária consiste em enviar o efluente remanescente para tanques de filtragem (à base de pedras) e de tratamento (à base de cloro). Partículas químicas ou sólidas que ainda permaneçam em suspensão poderão ser eliminadas na fase terciária, que consiste no uso de filtros à base de carvão ativado, osmose ou coagulação. A água gerada após esta fase pode ser considerada até 99% pura.
Como principais vantagens na instalação de uma ETE em um estabelecimento hoteleiro, destacam-se:
x garantia de que os efluentes gerados estão sendo adequadamente tratados; x fortalecimento da imagem do hotel perante a comunidade local;
x reaproveitamento, muitas vezes, da água residual do próprio tratamento;
x atendimento a legislações aplicáveis, evitando multas e processos junto aos órgãos ambientais responsáveis.
A necessidade de um sistema de compostagem de resíduos orgânicos nos hotéis é de extrema importância, pois dependendo das dimensões de área verde do hotel, um tratamento por compostagem pode ser uma alternativa. Como vantagens desta prática destaca-se: redução do lixo enviado para a coleta local , o aproveitamento do material decomposto como adubo natural, e a facilidade de implementação (Abreu, 2001).
Para Figueiredo (1995), do ponto de vista ambiental, a compostagem representa a forma de processamento de resíduos mais consistente e que se adequa com rigor à dinâmica cíclica do planeta com os elementos naturais retornando ao meio ambiente natural após o uso, permitindo assim uma reprodução da vida do sistema em uma escala perene.
Gonçalves (2004) ressalta a experiência do Grande Hotel Águas de São Pedro -SP que implementou o sistema de gestão ambiental ISO 14.000, em 2000. O objetivo era proporcionar condições ambientais e de qualidade de vida adequada a todos os
colaboradores, parceiros, clientes, comunidade e fornecedores em geral, mantendo um compromisso de garantir a melhor utilização dos recursos naturais e de prevenção das mais diversas formas de poluição, através de um programa gerencial de melhoria contínua e gestão ambiental.
O mesmo autor ressalta que dentre os indicadores ambientais utilizados no monitoramento ambiental do hotel, destacam-se o consumo total de água por hóspedes, o consumo total de água na lavanderia por material processado, o consumo total de energia, total de lixo gerado por hóspede entre outros.
Burgos-Jiménez et al. (2002) abordaram a questão sobre o desempenho ambiental de hotéis. Foram descritos vários indicadores para monitorar o quanto estes hotéis trabalham para minimizar seus impactos ambientais, sendo alguns descritos abaixo:
x impacto do hotel no meio ambiente;
x o peso ou volume da poluição e a contaminação da água gerados pelo hotel; x as iniciativas de proteção ambiental adotadas;
x o consumo de recursos- água, energia elétrica etc;
x alguma medida agregada para cobrir toda a complexidade do desempenho ambiental; x a satisfação dos parceiros com a situação ou soluções para as questões ambientais.
Os mesmos autores sugerem que os principais indicadores do desempenho ambiental dos hotéis podem ser divididos em:
x unidades de medidas de consumo de recursos: energia elétrica, água e geração de lixo; x unidades de habitação: número de quartos, camas disponíveis, área construída etc;
x unidades por produtos específicos: quilogramas de roupas lavadas, no de refeições
servidas etc. As medidas de desempenho ambiental dos hotéis tem a capacidade de influenciar duas causas para obter vantagem competitiva sustentável e diferenciação do “produto” oferecido pelo hotel.
O grande desafio é incorporar a gestão ambiental no segmento hoteleiro como sendo uma responsabilidade social e não simplesmente como um cumprimento de normas ou marketing, exercendo, assim, papel fundamental para o turismo,
podendo atuar efetivamente, como um agente multiplicador de ações ambientais no município e na região.