2.2. Tükenmişlik İle İlişkili Kavramlar
2.2.1. Mobbing Ve Tükenmişlik
O gerenciamento dos resíduos sólidos industriais é hoje um dos principais problemas ambientais vivenciados pelas empresas. Segundo levantamento realizado pela Cetesb no final da década passada, somente no estado de São Paulo são gerados anualmente 535 mil toneladas de resíduos Classe I, perigosos, e 25 milhões de toneladas de resíduos Classe II, que são menos problemáticos em termos de potencial poluidor (Alves, 1998; Furtado, 2000a).
A grande pergunta que se faz hoje, é: para onde estão indo esses resíduos? Pela legislação, eles teriam que ser dispostos, tratados ou temporariamente estocados. Porém, os especialistas do setor acreditam que boa parte desses resíduos está sendo depositada de forma inadequada. Nestes casos, os geradores de resíduos contratam empresas de conduta duvidosa, a preços normalmente bem abaixo dos praticados no mercado, que encontram um jeito de dar uma destinação para o resíduo. Só não se sabe como nem onde.
Esta prática, no entanto, representa um grande perigo para o gerador, porque afinal ele é sempre responsável pelo resíduo, esteja onde estiver, o que significa que o barato pode ficar caro. Ainda segundo os números da Cetesb, das 535 mil toneladas de resíduo Classe I, 53% são tratadas, 31% são estocadas e 16% são dispostas no solo. Quanto aos de Classe II, 35% vão para tratamento, 2% são estocadas e 63% são dispostas.
A Lei de Crimes Ambientais estabelece pesadas sanções para os responsáveis pela disposição inadequada de resíduos. Os órgãos de controle ambiental estão cada vez mais exercendo ação fiscalizadora sobre as empresas industriais. O uso de incineradores, o co-processamento em fornos de cimento e a queima em fornos metalúrgicos têm sido cada vez mais usados no tratamento de resíduos Classe I. A implantação da ISO 14000 pelas empresas leva a um gerenciamento adequado de seus resíduos (Furtado, 2000b).
A ABNT possui a seguinte classificação para os resíduos sólidos (NBR-10.004):
• Resíduo Classe I - Perigoso
Resíduo sólido ou mistura de resíduos sólidos que, em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidade e patogenicidade, podem apresentar risco à saúde pública, provocando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou incidência de doenças, e/ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente.
• Resíduo Classe III - Inerte
Resíduo sólido ou mistura de resíduos sólidos que, submetidos ao teste de solubilidade, não apresentem nenhum de seus contribuintes solubilizados, em concentrações superiores aos padrões definidos.
• Resíduo Classe II - Não Inerte
Resíduo sólido ou mistura de resíduos sólidos que não se enquadrem nas Classes I ou III
3.5.1.Resíduos de materiais refratários
A Indústria Brasileira de Refratários tem produzido anualmente cerca de 450.000 toneladas de refratários e estima-se que após uso, 32% desta quantidade, ou seja, 144.000 toneladas, são transformadas em sucata refratária. Parte desta sucata é processada e reciclada e parte se transforma em resíduo, inclusive da Classe I (Duarte et al., 1999). Quando o refratário usado não pode ser reciclado, a sua disposição como resíduo industrial deve levar em conta os seguintes fatores:
• A legislação ambiental existente • A classe de resíduo
Classificação de Resíduos Sólidos - Norma ABNT NB 10004 Classe 1 - perigosos
Classe 2 - não inertes Classe 3 - inertes
Armazenamento de resíduos sólidos perigosos - Norma ABNT NB 1183 Armazenamento de resíduos sólidos classes II e III - Norma ABNT 1264 • Transporte de resíduos
Transporte de resíduos - Norma ABNT NBR 13221 • Aterros industriais
Aterros de resíduos perigosos - critérios para projeto, construção e operação - Norma ABNT NBR 10157
Apresentação de projetos de aterros de resíduos industriais perigosos - Norma ABNT NB 842
• A necessidade de o material ter que ser processado antes da sua disposição como resíduo
materiais cromo-magnesianos e magnesianos-cromíticos tratamento térmico em atmosfera redutora
lixiviação, seguida de redução do cromo hexavalente materiais contendo carbono, piche, resina, óleos
incineração / co-processamento
Norma ABNT 1265 - Incineração de resíduos sólidos perigosos
Aspectos jurídicos devem ser levados em consideração em relação aos refugos de materiais refratários:
• Questão da posse:
É puramente contratual, não podendo o cliente, juridicamente, obrigar o fabricante a assumir o refratário após uso;
Representa um custo de oportunidade.
• Esferas de responsabilidade jurídica a serem consideradas:
Administrativa: para o órgão ambiental fiscalizador do usuário, este é quem deverá ser responsabilizado pela destinação/tratamento inadequado dos resíduos, mesmo que o fabricante seja o agente executor desta ação.
Penal: o fabricante e seus prepostos poderão vir a responder por uma ação inadequada, mesmo que isto ocorra por determinação do usuário.
Civil: ambos (fabricante e usuário) podem vir a responder pelos danos causados ao ambiente, independentemente de culpa (a responsabilidade civil é objetiva).
As informações ao usuário devem ser claras e objetivas: o produto refratário é "final de linha" e, como tal, é regido pelo Código de Defesa do Consumidor.
3.5.2. O encapsulamento cerâmico de resíduos
Depois de esgotadas todas as possibilidades, técnica e econômica, de reciclagem de refugos gerados pela indústria, o resíduo final se torna a grande preocupação para os ambientalistas, tanto os perigosos como os não perigosos, inertes ou não. Neste caso, a técnica de encapsulamento cerâmico pode ser a solução ideal para se evitar que estes resíduos sejam dispostos em aterros e ou em locais inadequados. Nesta técnica, o resíduo é incorporado em uma mistura cerâmica, sendo conformada e tratada de forma a adquirir propriedades físico-químicas que a torne útil à sociedade (Valverde, 2001).
Existem vários processos de encapsulamento cerâmico: a técnica da fusão, que processa uma mistura de resíduos em fornos especiais, a uma temperatura suficientemente alta para liquefazê-la, sendo resfriada rapidamente, de forma a vitrificar o produto final (Furtado, 2000a); a técnica de sinterização, que trata a mistura de resíduos, após sofrer algum tipo de conformação, em temperaturas suficientemente altas para desenvolver um corpo cerâmico com propriedades mecânicas de interesse, sendo também intensiva em energia e cara quando usado em grande escala, e além disto, o material obtido apresenta propriedades físicas piores do que as do processo de fusão; e, finalmente, a técnica das cerâmicas quimicamente ligadas.
As duas primeiras técnicas são adequadas ao tratamento de resíduos perigosos que apresentam uma certa solubilidade em teste de lixiviação, sendo de custo mais elevado, com investimento de capital maior e que apresentam a desvantagem adicional de exigir transporte do resíduo para o local de processamento. A terceira alternativa é a de menor custo, mas não aplicável até pouco tempo a resíduos perigosos, não inertes.
A alternativa para os processos acima é a das cerâmicas quimicamente ligadas. O cimento portland é um bom exemplo desta alternativa, sendo um produto relativamente barato e que pode ser usado em grandes volumes. Existe um grande vazio em propriedades entre as cerâmicas sinterizadas ou fundidas e as bases de cimento portland. Embora mais caras do que o cimento, as cerâmicas sinterizadas (ou vítreas) possuem propriedades mecânicas superiores e são muito mais estáveis em ambientes ácidos e ambientes de altas temperaturas.
O encapsulamento cerâmico baseado em cimentos hidráulicos tem potencial para ser usado para resíduos não perigosos, inertes (Classe 3) ou não inertes (Classe 2). Neste tipo de resíduo, o material encapsulado não necessita atender às rigorosas normas dos testes de lixiviação para resíduos perigosos adotadas pelos órgãos ambientais de cada país. Neste caso, os sistemas a base de cimentos hidráulicos apresentam uma certa solubilidade em testes de lixiviação, sem inviabilizar o seu uso (Bier et al, 2000).
O encapsulamento cerâmico baseado em sistemas ligantes a base de fosfatos convencionais tem sido estudado no tratamento de resíduos, apresentando menor custo do que as cerâmicas sinterizadas, maior facilidade de processamento, produzindo materiais com boas propriedades químicas e mecânicas. Entretanto, são mais caros do que as cerâmicas baseadas em cimentos hidráulicos e não podiam ser usados em tratamentos de resíduos perigosos, até então.
Fosfatos especiais à base de potássio e magnésio como ligantes foram recentemente desenvolvidos e aplicados no encapsulamento cerâmico de resíduos radioativos (Wagh & Dileep, 1997). Neste caso, o encapsulamento cerâmico, envolve as fases de estabilização e solidificação, em que os constituintes perigosos de um resíduo são transformados e mantidos em suas formas menos solúveis ou tóxicas. Tais transformações ocorrem via reações químicas que fixam elementos, ou compostos tóxicos, em polímeros impermeáveis ou cristais estáveis, chamados adsorventes ou encapsulantes. Assim estabilizados, ficam menos agressivos ao meio ambiente e podem ser confinados em aterros industriais ou serem usados como materiais estruturais.
Estes fosfatos especiais geram produtos com baixa solubilidade em teste de lixiviação. Diversos estudos demonstram que os principais fatores que afetam a lixiviabilidade são a alcalinidade do produto estabilizado, a proporção entre a superfície e o volume do resíduo e as rotas de difusão.
A EPA (Environmental Protection Agency), entidade ambiental dos Estados Unidos, considera que os resíduos perigosos produzidos em grandes quantidades são os mais adequados para tratamento pela tecnologia de encapsulamento cerâmico. Alguns tipos de resíduos legalmente não perigosos também são viáveis de encapsulamento, em busca de manuseio mais adequado ou menor probabilidade de perda e vazamento de constituintes indesejáveis, capazes de contaminar o lençol freático.