4 1204 Sonrası Karadeniz Ticaretinde Selçuklu Etkisi :
5. Moğolların Karadeniz Coğrafyasındaki Varlıkları ve İktisadi Etkileri :
Acessibilidade é um conceito muito importante para compreender a relação das pessoas com deficiência com a sociedade. Acesso, para muitas pessoas que não têm deficiências, é uma questão que passa despercebida, uma vez que não existem dificuldades para acessar locais, documentos, informações ou entretenimento. Para quem encontra obstáculos para realizar ações bastante simples, como usar transporte público ou usar um computador, acessibilidade é um fator imprescindível para a independência e integração. Uma forma de reforçar esse argumento é pensar na situação ao contrário, um mundo no qual as pessoas com deficiência seriam maioria: “uma pessoa sem cadeiras de rodas encontraria dificuldades para entrar e sair de prédios, passar por portas muito estreitas, teria que alcançar objetos colocados em uma altura inconvenientemente alta” (BOWMAN e JAEGER, 2005, p 6)36.
Acessibilidade, portanto, é um conceito delimitado pela capacidade de diminuir barreiras para pessoas com deficiência. A lei brasileira nº 10.098 estabelece acessibilidade como: “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida” (BRASIL, 2000). O foco da acessibilidade da lei de 2000 era mais voltado à arquitetura e à criação de estruturas que permitissem o acesso de pessoas com dificuldades de locomoçãos aos seguintes locais: edifícios públicos e de uso coletivo; edifícios de uso privado; transporte público e aos sistemas de comunicação e sinalização. A lei dispõe de normas sobre a reserva de vagas em
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estacionamentos, prevê a adaptação de saídas sem obstáculos e a necessidade de opção de elevadores adaptados.
Em 2004, o decreto lei 5296 regulamentou as leis nº 10.098 e 10.048 e incluiu a necessidade de atendimento prioritário para pessoas com deficiência e normas e condições sobre a implantação da acessibilidade, regulamentando também as condições de acesso ao transporte aéreo, rodoviário, metroviário, metroferroviário e ferroviário. No decreto de 2004 aparece a menção a acessibilidade web no Brasil através do artigo 47, que prevê como “obrigatória a acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet), para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual, garantindo-lhes o pleno acesso informações disponíveis” (BRASIL, 2004). A menção à acessibilidade web aparece no direito à comunicação e informação também na primeira versão da lei:
Eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir- lhes o direito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer (BRASIL, 2000).
Bowman e Jaeger (2005) apresentam duas categorias de acessibilidade: física e intelectual. A acessibilidade física está relacionada à possibilidade de acesso a prédios, transportes e locomoção. Mais do que promover opções de acesso como rampas, elevadores e opções em Braille, a acessibilidade física deve levar em consideração a criação de caminhos mais simples e integrados aos prédios, uma vez que as rotas acessíveis geralmente separam as pessoas com deficiência ou proporcionam caminhos mais longos. A acessibilidade normalmente é considerada em termos absolutos, ou seja, apenas se existe ou não, sem considerar se a forma como está representada de fato é a melhor para as pessoas: “essa abordagem absolutista da acessibilidade física frequentemente leva a situações nas quais a rota acessível é desnecessariamente mais longa, passa por mais obstáculos e é simplesmente mais difícil de atravessar” (BOWMAN e JAEGER, 2005, p. 66)37.
Apesar da dificuldade que a implantação de estruturas de acessibilidade física ainda encontra, esse conceito já é bastante discutido, presente de forma clara em legislações e normas de construção. A acessibilidade intelectual, por sua vez, parece menos explorada e discutida, o que pode ocorrer pelo fato de ser um conceito menos tangível, que não envolve obras ou
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estruturas visíveis. A acessibilidade intelectual está relacionada ao acesso à informação, aos caminhos que são necessários para chegar a ela e compreendê-la, independentemente das diversidades e particularidades motoras e mentais dos indivíduos.
Por considerar como a informação é “organizada, categorizada, disponibilizada e representada” (BOWMAN e JAEGER, 2005, p. 67)38, o estudo da acessibilidade intelectual faz uma intersecção com os estudos sobre as tecnologias de informação e comunicação, o que inclui software, websites e toda a comunicação mediada pelo computador. Considerando que a sociedade encontra-se em uma era da informação (CASTELLS, 1996), na qual a digitalização e o uso de computadores passam a ser centrais para as atividades econômicas, acadêmicas e sociais, a discussão sobre acessibilidade intelectual é essencial para que seja possível evitar a marginalização das pessoas com deficiência. Pensar a acessibilidade intelectual envolve considerar as diferentes formas como as pessoas, independente das suas imparidades ou características, percebem e processam as informações e como se comunicam. É necessário, para tanto, superar a dificuldade em lidar com a diferença na sociedade.
No caso da acessibilidade às tecnologias de informação e comunicação, deve existir uma combinação tanto de acessibilidade física quanto intelectual (Bowman e Jaeger, 2005), pois é necessário que haja condições de manusear os dispositivos fisicamente, e também de interagir, compreender e criar valor com as informações disponíveis. É possível pensar nessas duas camadas de acessibilidade como a de hardware e software:
É importante destacar que a acessibilidade se proporciona mediante uma combinação de hardware e software: o primeiro proporciona os mecanismos físicos que permitem salvar certas incapacidades e o segundo proporciona a maneira eficaz de acessar as funcionalidades e informações para estes dispositivos e outros programas (por exemplo, um navegador web) (GRANOLLERS, 2004, p. 134)39.
Assim como no caso da acessibilidade física, o desenvolvimento de inovações tecnológicas é pensado inicialmente para um público que não envolve as pessoas com deficiência: “a maioria dos avanços em tecnologia é inacessível no começo. Ao invés de ser uma parte integral de lançamento, a acessibilidade só vem depois, geralmente como uma reação à demanda e não por intenção proativa” (ELLIS e KENT, 2011, p. 15)40. É uma lógica de adaptação semelhante à feita em prédios nos quais o caminho acessível é mais longo ou mais
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complexo: isso pode ser percebido no caso de sistemas que são adaptados posteriormente para incluir princípios de acessibilidade.
Em contrapartida a essa lógica, surge o conceito de Design Universal, o qual é bastante importante para o desenvolvimento da acessibilidade digital. O conceito surgiu em 1997 através de um grupo de arquitetos, engenheiros e designers de produtos do Centro de Design Universal da Universidade da Carolina do Norte. O grupo desenvolveu uma série de princípios que podem ser aplicados a projetos de design de diversas áreas, tanto nas fases iniciais quanto em projetos em desenvolvimento. O Design Universal tem como objetivo tentar ser o mais compreensivo possível para agradar a um público bastante amplo, com habilidades, idades, estilos e aptidões diferentes: “a localização do botão de ligar na frente do computador, por exemplo, beneficia não apenas pessoas com deficiências, mas também é conveniente para a população em geral” (ELLIS e KENT, 2011, p. 4)41. Os princípios são:
1. Uso equitativo, que prevê oferecer condições iguais e o mesmo apelo para todos os usuários, independente das habilidades deles;
2. Flexível no uso, que deve oferecer diversas opções de uso para usuários, sejam eles destros, canhotos ou utilizados por pessoas em diferentes capacidades motoras;
3. Simples e intuitivo, o design deve ser fácil de compreender independente da habilidade ou conhecimento dos usuários e seu nível de concentração;
4. Informação perceptível, o design deve oferecer informação eficiente para o usuário, em mais de uma forma, para que seja possível compreendê-la em diversos suportes, mesmo que sejam utilizados aparelhos de adaptação de conteúdo;
5. Tolerância para erros, o design deve evitar erros e minimizar os riscos;
6. Baixo esforço físico, permitir que o uso possa ser feito com o mínimo de cansaço físico possível, minimizando esforços repetitivos;
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7. Tamanho e espaço para aproximação e uso, o design deve ter dimensões que permitam seu uso de forma confortável independente do seu tipo físico e mobilidade.
Os princípios de Design Universal aproximam-se bastante dos conceitos de usabilidade propostos por Nielsen (1993), ambos abordam princípios como prevenção de erros, simplicidade e criação de interfaces intuitivas. De modo geral, Design Universal e usabilidade têm ideais semelhantes, de facilitar o uso e permitir que as pessoas realizem tarefas sem dificuldades ou desgaste. Os princípios de usabilidade, porém, são utilizados como o padrão no desenvolvimento de sistemas antes dos conceitos de Design Universal e, como não contam com princípios de acessibilidade, acabam contribuindo para a exclusão dessa população.
Usabilidade e acessibilidade podem ser considerados conceitos conflitantes. Alexander (2006) aponta duas causas principais para essa percepção: o objetivo e o público alvo. Para o autor, o objetivo da usabilidade está na eficiência e satisfação dos usuários, enquanto a acessibilidade está focada na eliminação de barreiras para pessoas com deficiências. O público considerado nas pesquisas de usabilidade é muito variado, pois depende do tipo de projeto, enquanto para acessibilidade o público é sempre o mesmo, no caso pessoas com deficiência. Ainda como diferença entre as duas filosofias, Alexander (2006) expõe a metodologia de pesquisas, que em casos de usabilidade envolve mais possibilidades de avaliação, entre elas prototipação e avaliação heurística, enquanto acessibilidade está limitada à checagem de páginas e avalação da conformidade com padrões de acessibilidade. A ideia de que acessibilidade e usabilidade estão em lados opostos traduz uma série de concepções equivocadas sobre o papel das pessoas com deficiência, tratando-as como um grupo homogêneo e colocando a eliminação de barreiras como algo que difere da eficiência e satisfação do usuário. Esse argumento demonstra o quanto a segregação existe de forma estrutural e o quanto é necessário mudar esse pensamento para uma concepção que considere as diferenças como características e não sentenças de incapacidade.