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Michael Haneke Filmlerinin Biçemsel Özellikleri

1. BÖLÜM

3.3. Michael Haneke Filmlerinin Biçemsel Özellikleri

No fim da década de 9 0 e princípios de 9 0, o governo federal via a industrialização como um meio de vencer o subdesenvolvimento e, assim, incentivava - ora por desenvolvimento de uma indústria nacional, ora por importar produtos - permitir-se a instalação de indústrias estrangeiras, sendo a segunda opção a mais praticada. A maioria das indústrias preferia a importação ou a cópia de produtos estrangeiros, reflexo do modelo industrial adotado com a abertura de multinacionais e falta de incentivo à tecnologia própria.

Contudo, dentro da FAU/USP, a defesa de desenvolver uma indústria com projeto nacional era a mais corrente, apesar de não haver um consenso entre seus professores sobre como desenvolvê-lo, como aponta Juliano: mais precisamente na FAU/USP, em seu ensino de desenho industrial, a defesa será a realização de uma indústria nacional, para a qual a )nstituição teria uma contribuição específica, ainda que não fosse uni- ficada a visão entre professores sobre o caminho e as características dessa indústria nacional . PERE)RA, 009, p. 9 .

Outro exemplo de pensamentos divergentes foi, no final de 9 , a tentativa de retorno ao programa anterior a 9 e a extinção das disciplinas de Desenho )ndustrial e Comunicação Visual, o que não foi aceito pelos professores do Departamento de projeto, que solicitaram a criação de uma Congregação oficial.

Nessa época, o Brasil apresentava um nível de industrialização considerável e tinha como intuito incrementar sua produção de bens de consumo, o que foi alavancado pelas indústrias automobilísticas que aqui estavam instaladas. Apesar de alguns profissionais de outras áreas, como artes e arquitetura, já atuarem em algumas atividades relativas ao desenho industrial, apenas com o incentivo da indústria é que

começa um processo mais significativo para a constituição de um campo profissional, conforme destacado no trecho a seguir:

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Durante a década de 0, empresas não pertencentes às áreas tradicionais de contratação do designer de produto abriram alguns espaços: equipamentos urbanos, aparelhos eletrodomésticos, eletroeletrônicos e automóveis são alguns exemplos desta abertura, embora ela tenha ocorrido de forma mais ou menos restrita, conforme o setor, e por vezes em produções semi-industrializadas.

S)QUE)RA;BRAGA, 009, p. .

Assim, quando a ABD) foi criada - composta por profissionais do campo de atuação do desenho industrial, industriais e professores da ESD) e da FAU/USP -, seus integrantes encontravam uma indústria em crescimento no País, o que permitiria, em teoria, grande atividade dos profissionais. Sob esta perspectiva, o design seria uma das áreas de colaboração a viabilizar as novas pretensões nacionais. O campo contribuiria na busca pela racionalização da produção e expansão da abrangência de seu mercado consumidor, o que é verificado ao longo das décadas de 9 0 e

9 0 por certas ações dos precursores do design no campo profissional e acadêmico, professores e ex-alunos da ESD) e da FAU/USP.

Entre as décadas de 9 0 e 9 0, o Brasil vivia um processo de forte expansão urbana, o que provoca reflexos dentro do pensamento da FAU/ USP. A Escola passa a debater a contribuição da arquitetura nacional em defesa de um compromisso social dos arquitetos na constituição da industrialização brasileira e consequente produção de uma arquitetura de qualidade em larga escala.

Para os profissionais da arquitetura, o desenho industrial contribuiria ainda para a industrialização dos componentes da construção civil, o que se reflete em várias obras de arquitetos da FAU/USP e foi exemplificado por Pereira pelos trabalhos dos arquitetos Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha, da seguinte maneira:

No caso particular dos arquitetos professores do Departamento de Projeto da FAU/USP, para se entender o ideal de colaboração do desenho industrial para a industrialização da arquitetura, é necessário considerar dentro da Escola a possibilidade de desenvolvimento de dois caminhos. Um deles que previa a industrialização dos elementos de construção e, outro, a industrialização da estrutura.

[...] Mas com relação a essas duas possibilidades em que se orientam os arquitetos professores da FAU/USP, é importante entender que industrializar os elementos da construção significa, em outras palavras, se aproximar da industrialização leve da construção civil, e industrializar a estrutura, concretizaria uma aproximação entre a arquitetura e a indústria pesada. Essas duas perspectivas de industrialização pelas quais a FAU/USP se decide, a partir da década de 9 0, estará presente no trabalho de vários arquitetos da Escola.

PERE)RA, 009, p. .

Neste contexto brasileiro de incentivo industrial, desenvolvimento econômico e definição do campo do desenho industrial, torna-se relevante apontar a presença dos arquitetos brasileiros. Quando o campo profissional do desenho industrial ainda se encontrava em fase

O Ens ino P auli stano d o D es ign FA U/U SP 71 de formação, tais profissionais foram protagonistas na história da

consolidação de um desenho industrial nacional, quando ainda não existia um corpo profissional com formação específica em design

S)QUE)RA;BRAGA, 009, p. .

Desde os anos 9 0 e os princípios da arquitetura moderna dos traba- lhos de profissionais que atuavam em São Paulo, como local específico deste estudo, o desenho industrial se propõe como uma atividade intrínseca aos trabalhos dos arquitetos pioneiros do período. Sob a visão de criar mobiliários condizentes com a arquitetura que propunham, juntamente com os preceitos de democratização da arquitetura, dos produtos industriais e da construção industrializada, alguns

profissionais da arquitetura desenvolvem atividades que os aproximam do design. Empresas de móveis - como a Móveis Pau Brasil, a Mobília Contemporânea e a loja Meia Pataca - são exemplos significativos da atuação de profissionais da arquitetura no desenho industrial. Analisando este momento da história e em decorrência dos fatos, a discussão em torno do desenho industrial era evidente entre os profissionais do mercado, da academia, políticos e empresariado. Tal contexto, aliados aos acontecimentos econômicos, políticos e sociais da época, aponta que esta reestruturação curricular da FAU/USP não se tratava de um fato isolado. Aquele período histórico era marcado pelo início da institucionalização do campo profissional do design brasileiro, o que aponta o quão importante foi a implantação das instituições de ensino superior para a formação do design brasileiro.

Assim, a FAU/USP apresenta uma estreita relação com a formação do campo profissional e acadêmico do design. Seus personagens, professores e alunos, muitos deles pioneiros das atividades do campo, contribuíram para o desenvolvimento e promulgação dos trabalhos dessa área em fase de reconhecimento, conforme apontado por Siqueira e Braga S)QUE)RA;BRAGA, 009, p. :

[...] Já que até este período o desenvolvimento do design moderno nacional esteve especialmente ligado aos arquitetos modernos, é compreensível que tanto a arquitetura quanto o design estivessem apoiados sobre as mesmas bases ideológicas modernistas.

[...] A FAU, de modo coerente com a história do campo arquitetônico moderno no Brasil e com a formação do arquiteto moderno, que na linha de ensino iniciada pela Bauhaus abrangia também as áreas do design, pretendia ampliar a noção de projeto do arquiteto.

A partir dessas bases conceituais, a FAU/USP apresenta a proposta de sua primeira reestruturação curricular no ano de 9 . Era a "Universidade de Projeto"90sendo colocada em prática pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

90 Termo utilizado pelo prof. Lúcio Grinover para expor a formação generalista pretendida para o profissional de arquitetura. Fonte: GR)NOVER, Lúcio. Desenho atende ao mercado em termos de produção. )n: Revista O Dirigente Industrial. São Paulo, agosto de 9 . Número , vol. .

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2.6

As Sequências de DESENHO INDUSTRIAL e