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MESLEĞİMİZDE GÜNCEL GELİŞMELER – ETKİNLİKLER

3. ÇALIŞMA RAPORU

3.4. MESLEĞİMİZDE GÜNCEL GELİŞMELER – ETKİNLİKLER

O espaço vivo inclui todo o espaço do teatro e não só ao que chamamos cenário. Creio que existem relações entre o corpo e os espaços através dos quais se move o corpo. Grande parte do trabalho do espetáculo e dos ensaios se dedicam a descobrir estas relações, que são sutis e sempre se modificam.39

Richard Schechner El teatro Ambientalista

Em concordância a ele, penso que a escolha de um espaço específico para cada tipo de processo criativo está diretamente ligada: à necessidade de ação que poderá ser realizada nele, ao estilo de processo proposto, às reações que o diretor deseja causar nos/nas atores/atrizes a partir daquele espaço, ou até às atividades que serão imple- mentadas ao processo artístico, de acordo com as características e possibilidades técnicas existentes nesse dado espaço.

38 Sobre o ato criador, Fayga Ostrower (1989, p. 9) nos aponta que: “criar, é basicamente, formar. É poder dar forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, de ‘novo’, de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e com- preendidos em termos novos. O ato criador (grifo nosso) abrange portanto, a capacidade de compre- ender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar”. [...] “O ato criador não nos parece existir antes ou fora do ato intencional, nem haveria condições, fora da intencionalidade, de se avaliar situações novas ou buscar novas coerências. Em toda criação humana, no entanto, revelam-se certos critérios que foram elaborados pelo indivíduo através de escolhas e alternativas” (idem, p. 11). 39 Tradução nossa. Texto original em: Schecner, Richard. O Teatro Ambientalista, 1988, p. 30.

Por vezes, o diretor e seu grupo de trabalho podem ser reféns do espaço a ser utili- zado, principalmente quando se está vinculado a uma escola ou instituição com espa- ços limitados e/ou disputados pelos discentes/docentes. Em geral, estes espaços são precários de recursos e/ou infraestrutura adequada, e mantém um mesmo formato de construção: uma sala ampla com chão de madeira, iluminação comum e um aparelho de som.

Mesmo com estas possibilidades mínimas de utilização, o diretor deve saber articular todos os recursos existentes em um espaço de ensaio de acordo com as necessida- des de seu processo40.

Joguei estes trechos de textos compilados em papéis, espalhados pela sala, jogados no espaço entre os atores / Tudo que é colocado no espaço de cena vira espaço de cena e os atores começam a se apropriar dos papeis de modo automático. Tá no espaço de ensaio é espaço de cena! (Sarto, Du. Diário de Bordo, Relatório 27, Habemus

Corpus, UFOP, data: 23/06/2015).

Faz-se, portanto, necessária a apropriação de variadas características deste espaço, como por exemplo: suas qualidades de iluminação, as sonoridades não propositais que provém do exterior – como vozes, barulhos, ruídos do entorno – e, principalmente, de suas possibilidades expressivas enquanto espaço cênico41 de fato.

Além de uma pesquisa visual inicial para perceber antecipadamente estes recursos disponíveis no espaço, o diretor pode propor atividades de exploração, realizando ex- perimentações físicas cotidianamente com os/as atores/atrizes em busca de perceber características expressivas possíveis e adequar seu processo criativo cada vez mais a este espaço, dando-lhe novas significações.

Neste dia demos continuidade a nossos trabalhos corpo-vocais-ex- pressivos de maneira energética e consciente. Só que desta vez co- mecei a focar mais no trabalho a partir das experimentações já reali- zadas, e em como já posso ir induzindo, ou provocando os atores a experienciarem durante as técnicas/criações propostas pelo espaço, certas marcas e ações re-vivenciadas (partituradas) de modo também mais consciente, já no pensamento de guiar tais ações/reações e re- lações processuais para o desenvolvimento do espetáculo. (Sarto, Du.

40 Para Santos (2002, p. 43): “o valor de um dado elemento no espaço, seja ele o objeto técnico mais concreto ou mais performante, é dado pelo conjunto da sociedade, e se exprime através da realidade do espaço em que se encaixou”.

41 Para Pavis (1996, p. 133), uma das descrições de espaço cênico seria: O “termo de uso contempo- râneo para palco ou área de atuação. Considerando-se a explosão das formas cenográficas e a expe- rimentação sobre novas relações palco-plateia, espaço cênico vem a ser um termo cômodo, porque neutro, para descrever os dispositivos polimorfos da área de atuação”.

Diário de Bordo. Relatório 38. Habemus Corpus, UFOP,data: 08/08/2015).

Aos poucos pude perceber que todos os elementos que estão no espaço de ensaio são potenciais espaços para a criação da cena. Portanto, todos eles me servem como instrumento de condução e/ou estabelecimento de atmosfera para ação cênica e ou trabalho com os/as atores/atrizes. Araújo me traz uma elucidação das sensações que tenho em relação ao espaço de ensaio.

Confesso que como diretor, sinto a necessidade de realizar um estudo prévio do local, sem a presença dos atores e outros colaboradores, É fundamental, para mim, ficar em silêncio dentro do lugar, como que percebendo sua atmosfera e sua respiração [...] E somente após isso, que começo um processo mais analítico de estudo do espaço. Primei- ramente, identifico aspectos bem concretos, tais como formas e volu- mes, as linhas arquitetônicas, as cores, as texturas, os cheiros carac- terísticos, as fontes de luz (naturais e artificiais), a quantidade e o tipo

de objetos ali presentes – além da maneira como estão distribuídos –

e, finalmente, como se dá a presença ou o contraste de uma figura humana em seu interior (ARAÚJO, 2002, p. 137).

De fato, investigar as potencialidades do espaço de ensaio e se apropriar destas po- tencialidades no intuito de entender às necessidades espaciais para o trabalho cênico que será proposto faz parte do exercício do diretor. Esta investigação se faz funda- mental na equalização das sensações, comportamentos e provocações que o diretor pretende causar no grupo de atores/atrizes.