3. ÇALIŞMA RAPORU
3.8. BASIN AÇIKLAMALARI
Percebo atualmente em nossas práticas, a relação de liberdade com que os atores praticam nossas dinâmicas técnicas-criativas. A partir
53 “A partir da exploração teórica desses dois conceitos vem-se realizando, junto a um grupo de traba- lho, uma pratica teatral que deverá se retroalimentar, durante o processo de ensaio, das bases concei- tuais que constituem o próprio trabalho. O link estabelecido entre esses dois conceitos possibilita, não só a adequação do indivíduo dentro da estrutura existencial na qual ele está imerso, como também uma revisão sobre as estruturas organizacionais do próprio ato de construção de um espetáculo teatral, a partir do conceito de lugar teatral e daquilo que chamamos de improvisação criativa em teatro: a junção de todos os elementos que participam de uma criação teatral, e suas inter-relações a partir das articulações criativas concebidas no lugar teatral”. A grupo de pesquisa é coordenado por Rogério San- tos de Oliveira. Para mais informações acesse: http://www.ppgac.ufop.br/index.php/producao-acade- mica/pesquisa/16-producao-academica/pesquisa/22-pesquisa.
54 “A Cia. Calor de Laura foi fundada no ano de 2010 na cidade de Ouro Preto/MG, onde iniciou sua pesquisa acerca dos processos de criação vinculados a presença, a memória, e a preparação técnica- criativa a partir do trabalho do ator para a concepção da cena. Interessam-nos neste processo de pes- quisa: as relações entre a direção cênica e a atuação/performatividade em suas poéticas de ação; a investigação da presença e da ação como elemento potencializador da cena; a relação fluida existente entre: o indivíduo-ator-performer; e a construção de uma autonomia técnica criativa de investigação; a direção cênica e a construção do processo criativo desde sua origem até seus desdobramentos ex- pressivos na cena”. Para mais informações acesse: http://ciacalordelaura.com.br/.
dos princípios propostos por cada exercício os atores conseguem improvisar e se relacionar com as criações de maneira bastante autônoma e se comunicando coletivamente. Liberdade do ator a partir dos princípios derivados da direção através dos exercícios (princípios ativos) – Disseminação de ações e afetação do grupo todo em ação/reação coletivas. Percebo o controle dos atores enquanto agem em estar /IN/ ou /ON/ - energia administrada!
Du Sarto Relatório 13 do Diário de Bordo do espetáculo Habemus Corpus
Foco agora para um entendimento mais claro das atividades práticas que utilizamos em nosso trabalho técnico-criativo e também sobre as escolhas realizadas por mim no decorrer deste processo. Para tanto, antes uma explicitação se faz necessária: descreverei as definições de bases técnicas, criativas e técnicas-criativas que foram utilizadas por mim/nós para a construção do espetáculo Habemus Corpus:
Defino como bases técnicas: exercícios que abordem somente atividades pré-expres- sivas55, ou que foram abordadas de maneira corporal instrumental para a apreensão dos/das atores/atrizes, não abrindo espaço para motivações pessoais extras ou cria- ções individuais a partir de sua execução. Geralmente eram praticados de modo co- letivo e em função de um treinamento para o desenvolvimento de alguma prática es- pecífica. Um exemplo disto: a prática da Saudação ao sol, exercício realizado pela equipe cotidianamente ao chegar ao espaço de ensaio e em que era necessária uma realização pré-expressiva de formalização anterior a sua execução.
Defino como bases criativas: exercícios que abordem/se utilizem de imagens, ques- tões, apreensões individuais e improvisações no trabalho dos/das atores/atrizes, abrindo espaço para uma expressão e ressignificação de toda a técnica proposta no decorrer de sua prática. Um exemplo disto: a prática de improvisações praticadas co- tidianamente em diversos momentos de ensaio e em relação direta com nossa espa- cialidade criativa.
55 Penso o pré-expressivo a partir de Barba (2012, p. 226-227): “o conceito de pré-expressividade pode parecer absurdo ou paradoxal, já que não leva em consideração as intenções do ator, seus sentimen- tos, sua identificação ou falta de identificação com o personagem, suas emoções, ou seja, toda a psi- cotécnica”.
Ainda para ele: “esse substrato pré-expressivo faz parte do nível da expressão, da totalidade percebida pelo espectador. No entanto, ao mantê-los separados no processo de trabalho o ator pode intervir no nível pré-expressivo, como se, nessa fase, o objetivo principal fosse a energia, a presença, o bios de suas ações, e não seu significado.
Então, concebido dessa maneira, o nível pré-expressivo é um nível operacional: não é um nível que pode ser separado da expressão, mas uma categoria pragmática, uma práxis que, no decorrer do pro- cesso de trabalho, visa fortalecer o bios cênico do ator”. (idem, p. 228).
E, por fim, defino como bases técnicas – criativas ou técnico-criativas: exercícios que perpassem os dois pontos citados acima. Ou seja, um exercício pré-expressivo que levado a uma prática e ou condução/direcionamento tal, que se torne parte/provoca- ção do trabalho criativo de maneira essencial durante nossos processos. Um exemplo disto: a prática de um exercício chamado Corrida do vento, praticado cotidianamente em diversos momentos de trabalho, onde sua execução inicial era técnica, e aos pou- cos foi sendo transformada em uma ação criativa, contribuindo para a fundação de nossa espacialidade.
Ressalto que, objetivamente, não excluo a possibilidade de que um exercício pré- expressivo possa ter/desenvolver características criativas nos/nas atores/atrizes durante sua execução ou que um exercício criativo como as improvisações possa se eximir da técnica utilizada e trabalhada arduamente para o seu desenvolver pleno, mesmo que esta não esteja aparente em sua realização.
Para fins de encadeamento, condução e clareza de nosso processo criativo, prefiro definir os exercícios praticados por nosso grupo de trabalho desta forma descrita. E, aponto também que não ignoro o fato de que, em meio à hibridez da prática cênica atual realizada de modo global, seriam possíveis muitas refutações e/ou formas de abordagens relacionadas a esta metodologia para pensar a estruturação de uma prá- tica cênica. Porém, as definições metodológicas escolhidas por mim como diretor neste processo criativo foram estas a fim de objetivar meu entendimento processual desta criação de modo coerente.
3.4. O diretor e as proposições Técnicas-Criativas para o processo de Criação