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4.   KALİTE KAVRAMI VE KENTSEL MEKÂNDA KALİTE PARAMETRELERİ89

4.2   Mimarlıkta Kalite Kavramı ve Mekânsal Kalite Teorileri 93

4.2.1   Mekânsal Kalite Teorileri 95

Cristina se casou aos 28 anos de idade, mas começou a namorar seu esposo quando ainda estava com 19 anos e formada no magistério. Seu casamento já dura 23 anos e julga ser vitoriosa, por esse motivo. Recorda das dificuldades que passaram juntos, no início do casamento, por causa do envolvimento de seu marido com drogas, ainda na época do namoro, mas que se intensificou após o casamento. Seu esposo sempre a respeitou, apesar de seu envolvimento com as drogas, sendo que ela adotou um posicionamento firme diante dos seus problemas e dos transtornos familiares que estes lhe acarretaram:

Hoje eu não gosto de lembrar as coisas ruins porque ficou pra trás... Foi muito difícil. Eu estava com dois filhos e ele parou de mexer com cocaína - ele chegou até no crack - parou e ficou na bebida, mas sempre se mantendo ao lado dos meninos e de mim... do lado assim: aquela coisa de cuidado...e também nunca me deu problema, prejuízos - porque quem se envolve em drogas dá muito prejuízo - ele nunca... Sempre preservou meu nome, porque eu falava assim: Você pode fazer o que você quiser, mas o meu nome você preserva... Acho que é por isso que eu suportei tanta coisa e por isso que a gente foi para a igreja.

Através de sua empregada doméstica, Cristina foi levada a conhecer a doutrina evangélica e acredita que isso foi fundamental para que conquistasse a tranquilidade que hoje tem experimentado em sua vida pessoal. Seu esposo atualmente trabalha gerenciando a área comercial de um grupo de empresas.

Nos períodos em que sua família passou por dificuldades, ela preferiu não pedir ajuda a seus pais, pois nunca deixou que interferissem em sua vida conjugal e, hoje, relata as dificuldades pelas quais passou, com orgulho de quem já as superou.

Quando se casaram, Cristina e seu esposo passaram a residir no mesmo bairro onde trabalha ainda hoje, mas era seu desejo se mudar para um bairro mais valorizado socialmente. A recente aquisição de uma nova moradia, em um local de sua preferência, é motivo de satisfação para essa professora. Morar em um bairro distante lhe dava a sensação de ainda estar vivendo no campo.

O seu lado religioso fica evidente sempre que menciona os bons momentos de sua vida pessoal bem com as passagens em que se sentiu mais exigida pela vida. Entretanto, adota um posicionamento ativo diante dos problemas. Procura não se entregar ao desânimo ou ao conformismo. Ao contrário, luta pela concretização de seus objetivos. Defende suas convicções e não gosta de deixar pendências para resolver depois. Apresenta-se como uma pessoa segura, comunicativa, lutando para vencer a timidez: “Prefiro fazer o jogo do contente, como diz a minha mãe... Em qualquer lugar que chego eu sou assim. Continuo muito tímida, introvertida, mas, no entanto... pareço não ser.”

Cristina tem três filhos com idade de 14, 12 e 9 anos. Tenta conciliar sua vida profissional com a maternidade. Mesmo sendo tão comprometida com seu trabalho, procura estar sempre próxima da família. Não abre mão de almoçar em casa todos os dias, pois tem necessidade de verificar se está tudo bem, sendo que só assim se sente tranquila. Por esse motivo, gosta de trabalhar perto de sua residência. Apesar do tempo reduzido para almoço tenta conciliar tantos afazeres – uma vez que trabalha pela manhã em uma escola e à tarde em outra – procurando não se entregar à ansiedade. Tudo indica que o fato de valorizar sua vida pessoal a ajuda na preservação de sua saúde mental. O trabalho é importante na vida dessa professora, mas ela também encontra satisfação fora dele. É capaz de conciliar a vida pessoal e profissional, reconhecendo que uma está entrelaçada com a outra.

Eu, na verdade, eu acho que consigo lidar com a situação porque eu não levo problema para casa não. Não levo. Então, quando eu saio daqui às onze e meia, eu só vou pensar aqui às sete horas da manhã do outro dia; porque se eu levar pra casa não tenho vida... Porque, além disso, aqui, eu tenho muita vida para viver.

O período que tem reservado para almoçar durante a semana é muito restrito. No prazo de uma hora e trinta minutos, em que perde uma hora no trajeto entre sua casa e as escolas onde leciona, resta-lhe pouco tempo para se alimentar e repousar entre uma jornada e outra. Apesar disso, prefere ir à sua casa nesse intervalo para conferir se está tudo bem com seus filhos. Segundo ela, já está tão acostumada com a correria diária que, quando está em período de férias, sente falta desse movimento.

Após tornar-se mãe, Cristina acha que seu trabalho como professora se desenvolveu: passou a ter mais paciência com os alunos e a se preocupar com eles, além de conseguir compreender as dificuldades das mães das crianças, embora considere que entre as duas funções existem diferenças, ou seja, ela sabe diferenciar muito bem seus papéis de mãe e professora. Também se preocupa em acompanhar o desenvolvimento escolar de seus filhos, ajudando-os com os deveres de casa. Seu marido a considera uma “santa”, por conseguir lidar com tantas crianças, já que não tem a mesma paciência.

Sua filha lhe disse que quer ser professora e mãe quando crescer. Cristina se sente orgulhosa com a escolha da menina porque acha que a sociedade e os meios de comunicação têm enfatizado apenas as dificuldades da carreira docente e, desse modo, fica difícil que alguém ainda queira ser professora. Tal escolha sugere, no entanto, que Cristina representa um modelo positivo para a filha, a despeito dessa ênfase negativa que vem sendo dada pela mídia.