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3.   KENTSEL MEKÂN 33

3.6   Kentsel Mekân Olarak Meydanlar 59

3.6.2 Kentsel Mekân Olarak Meydanların Şekli

3.6.2.3   Kentsel Mekân Olarak Meydanlarda Bağlantılılık 74

Cristina comenta que gosta de seu trabalho. Entretanto, considera que em uma determinada época de sua trajetória profissional não conseguiu realizar bem suas atividades, fracassando na alfabetização de seus alunos. Ainda hoje ela se lembra do nome das crianças dessa turma porque se sentiu responsável pelo fato de não terem conseguido bons resultados.

Isso ocorreu na época da implementação das idéias construtivistas29 nas escolas municipais, quando Cristina tentou seguir essas tendências e utilizar a metodologia sugerida para realizar o seu trabalho de alfabetizar as crianças. Durante o primeiro ano da implantação da Escola Plural, tentou seguir as prescrições dessa nova proposta, mas como percebeu que não estava conseguindo os resultados esperados, preferiu retomar o estilo tradicional de ensinar, passando a se guiar pela sua experiência e fazer aquilo em que acreditava. Ainda hoje se arrepende de não ter confiado mais na sua experiência durante esse período, julgando ter prejudicado a turma da qual era regente.

Como se recusou a obedecer às novas diretrizes, foi rotulada de conteudista e tradicionalista por alguns colegas, mas optou por utilizar o modelo que julgava mais eficiente e que já dominava. Sua própria experiência e percepção lhe mostraram que aqueles inovadores modelos pedagógicos vinham prontos para ser executados sem levar em conta o dia a dia do professor e da clientela. Procurou, então, seguir as novas tendências, mas sem abandonar por completo as formas tradicionais de ensinar. A sua disposição para enfrentar críticas e apostar no seu próprio conhecimento foi resultante do seu comprometimento com o trabalho. Preferiu não cumprir cegamente todas as prescrições do novo modelo pedagógico que estava sendo proposto e percebeu que,

29 O Construtivismo é uma corrente teórica que considera o desenvolvimento intelectual humano a partir das ações

mútuas entre indivíduo e meio. Como corrente pedagógica contemporânea, concebe que a educação deve ser um processo de construção do conhecimento baseado na complementaridade dos saberes de professores e alunos, levando em conta o contexto social atual e todo o acervo cultural já construído pelo homem. Conforme a proposta da Escola Plural, a educação deve ser construída a partir dos saberes e da participação dos sujeitos que a exercitam, seja como educando ou como educador. Considera também a escola como espaço de vivência cultural e de experiência de produção coletiva. Veja mais em Becker F.(1992), F. O que é construtivismo. Revista de Educação AEC. Brasília. Vol.21. nº 83.( abr-jun) pp. 7-15.

assim, estava obtendo melhores resultados com o seu trabalho: “Pensei: Não vá pela cabeça de ninguém, não. Faça o que é certo para você. E meu trabalho foi dando certo. E fui acreditando cada vez mais no meu trabalho e foi dando certo.”

Cristina ressalta que as prescrições externas muitas vezes não facilitam o trabalho do professor, especialmente quando não levam em consideração o dia a dia da escola, o tipo de clientela e a situação socioeconômica das famílias. Ela se queixa ainda que não tenha podido contar com o apoio das famílias dos alunos, pois, em sua maioria, não são aliadas do professor. O papel de orientar as crianças nas condutas básicas e regras de boa convivência em sociedade está sendo negligenciado pelas famílias, em sua opinião. Por esse motivo, o professor fica sobrecarregado. Cabe a ele, além do papel de alfabetizar, tentar passar para o aluno as regras de comportamento e de convivência social. Segundo ela, o projeto da Escola Plural veio por imposição da Prefeitura e os professores começaram a agir sem critérios bem definidos, ao sabor da influência externa. Considera que os resultados não foram bons e que os professores foram responsabilizados pelo fracasso dos alunos: “Nós temos uma leva de semianalfabetos aí fora, no mercado de trabalho... E a culpa caindo sobre nós professores. E eu acho que, na verdade, é do sistema que impôs isso pra gente.”

Dessa forma, Cristina reforça que a adoção das diretrizes elaboradas sem se considerar a experiência do professor em sala de aula não foram benéficas para o desenvolvimento de seu trabalho como professora. Para ela, a proposta da Escola Plural não foi compreendida nem mesmo pelos responsáveis por sua implantação.

Considera que, o trabalho docente foi desqualificado: o professor não passava de um animador de programa infantil. Cada professor agia da maneira que considerava correto, pois ninguém foi preparado adequadamente para trabalhar com a nova proposta de ensino. A direção das escolas também tinha dificuldade em gerir o processo de mudança, pois muitos docentes ainda preferiam trabalhar do modo tradicional e, em muitos casos, conseguiam mais êxito do que os que estavam tentando adotar as técnicas novas. Para ela, a Escola Plural estava baseada em um modelo de escola ideal, que não correspondia à realidade da clientela. “Aí, mostravam aqueles vídeos, era um grupo pequeno de alunos com a orientadora ali do lado, a professora ali do lado. Não tinha como fazer isso com uma turma de 25, 30 alunos... Impossível... Assim... de uma hora pra outra?”

A saída encontrada por Cristina para conseguir trabalhar foi a de continuar seguindo o modelo tradicional, adaptando-o, conforme sua experiência, com os alunos. Confiante em sua capacidade, preferiu apostar em seu saber e criar novas normas de realização de seu trabalho. Ela não ficou restrita às diretrizes que, particularmente, percebeu como imposições da Secretaria Municipal de Educação. À medida que trabalhava com as crianças, foi observando que não bastava aplicar as regras, mas era preciso criar um estilo próprio de trabalho que favorecesse a obtenção dos resultados esperados. Pouco a pouco, conseguiu integrar os aspectos das novas diretrizes ao seu modo de trabalhar. “Algumas coisas são interessantes, os projetos são interessantes... mas têm outras que você vê que não dá, não vai dar resultado. Você pega o fio da questão lá, o que é mais interessante e adapta à sua turma e a seu jeito de trabalhar.”

Além disso, para essa professora, os resultados não estavam vinculados apenas aos objetivos a serem alcançados de acordo com as regras, mas tratava-se de uma meta pessoal, pois se sentia responsável pelo futuro das crianças. Percebemos que em sua trajetória profissional ela sempre foi comprometida, sendo a sua maior preocupação os resultados obtidos com seus alunos.