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3.   KENTSEL MEKÂN 33

3.4   Kentsel Mekânı Tipo-Morfolojik Olarak İnceleyen Çalışmalar 46

Tivemos a oportunidade de realizar observações do trabalho de duas professoras do 1º ciclo: Cristina e Marta28. Como já esperávamos, os alunos não ficaram indiferentes à nossa presença. Eles fizeram muitas perguntas, mas foram receptivos e carinhosos. Cristina preferiu acompanhar essa turma por dois anos. Iniciou o trabalho de alfabetização das crianças no ano de 2009, prosseguindo em 2010 com os mesmos alunos. As crianças estão na faixa etária que compreende as idades de 7 e 8 anos.

No início do ano, observou que a turma era muito heterogênea e, por isso, definiu que os alunos que tivessem mais facilidade para aprender ficariam sentados de um lado da sala de aula enquanto os alunos com dificuldades sentariam numa determinada fileira de carteiras. Esses alunos que precisavam de mais assistência também recebiam aula de reforço de outra professora que os acompanhava durante uma hora por dia. No decorrer do segundo ano, essa divisão em grupos de alunos foi dissolvida, pois aqueles que receberam as aulas de reforço já conseguiam acompanhar os mais avançados. As crianças mais evoluídas em relação ao aprendizado do conteúdo ajudavam os que apresentam dificuldades nas atividades em sala de aula, enquanto Cristina trabalha com um deles em sua própria mesa. As crianças pedem permissão à professora para ajudar os colegas que têm dúvidas e, enquanto trabalham, a professora costuma corrigir os exercícios daqueles que vão terminando primeiramente, pois prefere não deixar pendências para levar para casa.

Sua atividade exige que se movimente por toda sala. A professora tem que falar com as crianças o tempo todo e estar atenta à movimentação de todos. Alguns alunos são mais inquietos e se levantam da carteira com frequência. Cristina tem que estar preparada para mudar a estratégia de abordagem das crianças mediante qualquer imprevisto, sendo capaz de tomar decisões rapidamente. É preciso ser paciente e, ao mesmo tempo, conseguir impor sua autoridade como professora para estabelecer limites e regras de boa convivência entre os alunos.

As paredes da sala de aula são decoradas com recursos que auxiliam o trabalho da professora: cartazes com a sequência numérica de zero a cem, o alfabeto, as estações do ano, além de figuras decorativas que dizem respeito ao universo infantil.

A atividade em sala de aula, além de exigir investimento intelectual por parte do docente, parece ser também bastante desgastante fisicamente: são muitas crianças na sala de aula falando, se movimentando e solicitando sua intervenção o tempo todo. Os alunos são diferentes entre si – alguns mais extrovertidos, outros menos falantes; alguns mais indisciplinados outros mais afetuosos – como é de se esperar, mas, de um modo geral, demonstram gostar da professora e valorizar-lhe a presença em sala de aula.

Conhecemos também a turma de Marta que é composta por alunos do 3º ano do 1º ciclo e que estão com essa professora desde o 2º ano. São crianças que estão na faixa de 8 a 9 anos de idade. Como em todo grupo de alunos do último ano do 3º ciclo,

aqueles que não conseguissem atingir uma apreensão adequada dos conteúdos ensinados, estariam sujeitos à retenção.

Durante suas aulas, a professora procurou desenvolver atividades que despertassem o interesse e a curiosidade dos alunos e premiava aqueles que se sobressaíssem com presentes simples, mas que agradam às crianças. Os critérios adotados para escolher os alunos que ganhavam as lembrancinhas eram discutidos com todos os alunos em sala de aula. Os merecedores eram eleitos pelos próprios colegas. No momento da premiação, a professora aproveitava para discutir cada critério que estabelecido: fazer as atividades dentro do prazo, respeitar aos colegas e aos professores, manter o caderno organizado, não esquecer o material escolar com frequência e fazer os deveres de casa. Ela procurava envolver todos os alunos nessa atividade e conscientizá-los da importância de serem responsáveis e comprometidos. Prefere reforçar o bom comportamento do aluno por meio da premiação e de elogios do que de adotar a punição com o objetivo de suprimir comportamentos inadequados. Esforçava-se para que os alunos compreendessem os motivos pelos quais agia assim e, quando achava necessário, suspendia a exposição do conteúdo da disciplina para conversar com eles.

A professora também estava preparando uma atividade para ser realizada fora da sala de aula. Desse modo, ela fotografou alguns locais dentro da própria escola para que os alunos, em grupo de quatro, pudessem sair à procura do que se apresentava na foto. As crianças estavam muito curiosas sobre como e quando seria a atividade que estava preparando. Mas ela teve cuidado de preservar a surpresa, pois sabia que isso mobilizava a atenção dos alunos para a atividade. Teve cuidado de não colocar no mesmo grupo duas crianças que apresentassem um comportamento de liderança, para que não houvesse desentendimentos. E a partir dessa atividade trabalhou com os alunos o desenvolvimento do vocabulário.

Marta também aproveitava tudo que acontecia no dia a dia da escola para auxiliar no seu trabalho. Logo que havia terminado de ensinar o processo da metamorfose dos insetos, os alunos encontraram um casulo de borboleta entre as cortinas da sala de aula e essa coincidência foi aproveitada para exemplificar aquilo que havia ensinado. Segundo ela, quando consegue fazer uma ligação entre o que está ensinando e os fatos que ocorrem no dia a dia, os alunos têm mais chances de memorizar e “levam o que aprenderam por toda vida”.

Ela se sente livre para tomar decisões a respeito de como conduzir as atividades e partilha com seus colegas de trabalho as atividades que desenvolve em sala de aula. Afirma que, na EMBRA, sempre teve liberdade para trabalhar de acordo com aquilo que sua experiência cotidiana ia lhe apresentando. Sempre procurava seguir o que estava proposto no currículo conforme as diretrizes da educação, mas a forma como expunha os conteúdos era apenas sua. Sobre o seu trabalho na EMBRA, ela comenta que

A escola que te deixa livre... eu acho que o trabalho rende mais, sabe por quê? Não tem competição de mostrar para a coordenadora. Você não tem que provar nada para ninguém. [...] Porque é a turma que me mostra como tem que ser. A temperatura é da turma. (MARTA).

Juntamente com os professores das quatro turmas de alfabetização da EMBRA, ela desenvolveu um projeto de referência para trabalhar com os alunos. Poderia não ter seguido essa direção, mas considerou que seria uma proposta interessante e que agradaria aos alunos, facilitando o seu trabalho. Apesar de esse projeto ter sido planejado em grupo, ela teve autonomia própria para desenvolver os conteúdos em sala de aula como preferia e conforme percebia o desenvolvimento dos alunos.

Eu gosto de ter um projeto que eu chamo de carro chefe. É um projeto que eu tenho que desenvolver o ano inteiro. Eu trabalho todos os conteúdos, mas vira e mexe eu vou naquele projeto porque daquilo eu puxo muita coisa. (...) Nós, professores das quatro turmas de alfabetização, fizemos a proposta de trabalhar esse projeto. Então, cada um trazia uma sugestão. No primeiro ano, foi a turma do Maurício de Souza: Cebolinha, Cascão... e tinha uma mascote de cada turma. No ano seguinte, uma professora falou: “Gente, vamos fazer um projeto de alguma coisa diferente?” Mais madura, com um tema mais de acordo com a idade. Aí, foi a turma do Sítio do Pica Pau Amarelo e todo mundo concordou. Não era obrigatório seguir, mas ficava chato todo mundo ter uma mascote e uma turma não ter. Aí, nós escolhemos as mascotes, teve um sorteio, teve o dia da apresentação da turma do Sítio e as atividades foram surgindo (MARTA).