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4.   KALİTE KAVRAMI VE KENTSEL MEKÂNDA KALİTE PARAMETRELERİ89

4.4   Kentsel Mekânda Kalite ve Parametreleri 117

4.4.1   Kentsel Mekânlarda Meydanlarda ve Sokaklarda Kalite 150

Cristina procura conversar e orientar os pais de seus alunos a respeito do desenvolvimento escolar de seus filhos. Considera que os problemas de indisciplina das crianças, muitas vezes, estão relacionados aos conflitos familiares e à negligência da família. Sabe até onde pode e deve transitar no seu papel de professora, mas sempre que possível convoca os pais a participarem mais da educação de seus filhos. Por isso, seu trabalho é reconhecido pelas famílias. Considera importante ouvir o que as mães têm a dizer sobre suas dificuldades na educação dos filhos. Procura conversar com elas levando sempre em consideração que também é mãe e, com isso, percebe que o respeito que tem merecido das famílias de seus alunos é decorrente do fato de que também as respeita.

Assim, ela valoriza o bom relacionamento com as famílias de seus alunos. Gosta de mandar recados carinhosos para conquistar a confiança das mães. Considera que a família tem que ser bem tratada pela escola porque, quando esta é aliada do professor, o seu trabalho com o aluno tem maiores chances de ser bem-sucedido. Nas situações em que alguma mãe de aluno a procura nervosa ou irritada, tenta tranquilizá-la. Entretanto, não se sente constrangida se tiver de ser franca e enérgica em tais situações.

Cristina reconhece que o trabalho de orientação dos pais realizado na EMBRA é fundamental para ajudá-los a compreender seu papel na educação das crianças.

Essa escola havia realizado um trabalho de orientação da comunidade escolar em parceria com um psicólogo e já tem um projeto para contratar um profissional especialista em orientação sexual para trabalhar com os adolescentes.

Que bom que essa escola também tem psicólogo trabalhando com os pais. Na outra escola que eu trabalhava também tinha esse trabalho com os pais, porque, às vezes, as mães não fazem porque elas não sabem também... Muitas vezes, na reunião, eu explico: “Eu quero assim, assim, e assim.” E falo para elas: “A sua obrigação não é ensinar, não. A minha obrigação é ensinar, a sua é estar orientando, ajudando, cobrando.

Ela prefere lecionar para os alunos do primeiro ciclo. Não gosta de trabalhar com adolescentes por se considerar ansiosa e exigente em relação à obtenção de bons resultados. Com eles, tem a sensação de estar “perdendo tempo” e com os alunos mais novos consegue que sigam o seu ritmo

Eu gosto até 10 anos no máximo; de seis até 10 anos. [...] Até o 4º ano, antiga 3ª série... Quando vão chegando na 5ª série, começam a ficar chatos... passam perto da gente e parece que nem enxergam... Eu gosto dos pequenos...você põe do seu jeito.

Sua preferência pelas crianças em fase de alfabetização é devida ao fato de se sentir mais satisfeita, pois percebe os resultados de seu trabalho de modo mais objetivo e este lhe parece mais palpável. Orgulha-se de ver como as crianças se desenvolveram a partir de sua orientação. Sente-se recompensada com os resultados de seu trabalho, mas, comenta que é necessário ter muita disposição física quando se trata de alfabetizar as crianças. Reconhecer-se nos bons resultados de seu trabalho é fator que a incentiva a dar continuidade nessa carreira, não desistindo diante dos problemas que se apresentam no cotidiano.

Cristina elogia a proposta da Escola Plural de dividir as turmas por ciclos de idade. Desse modo, pode ficar com a mesma turma por dois anos seguidos e dar continuidade ao trabalho de alfabetização.

Quando você trabalha no ciclo, você tem oportunidade de continuar com sua turma por dois anos, três anos... Eu fico dois anos com a mesma turma. Eu acho ótimo, mas eu gosto dos pequenos; na 3ª série, eu não gosto de continuar não. Eu gosto de continuar o primeiro ciclo, acho que é um ganho muito grande. [...] Eu pego essa turma no início do ano – como eles estão hoje – se eu continuar com eles no ano que vem – se eu continuar na escola, eu vou continuar com eles – você entrega no fim do ano e eles estão anos-luz na frente.

A turma que acompanhou no período que compreende os anos de 2008 e 2009 obteve 95% de aproveitamento como alunos avançados na Provinha Brasil. Essa é um instrumento de avaliação diagnóstica, elaborada pelo INEP, que verifica o nível da alfabetização das crianças que estão no segundo ano de alfabetização das escolas

públicas brasileiras. Esse resultado é motivo de orgulho para ela, percebendo-o como fruto de seus esforços como professora.

Entretanto, Cristina queixa-se do pouco comprometimento das famílias com a educação das crianças, pois acredita que essa é uma tarefa que depende da parceria entre pais e professores. Também faz severas críticas à postura assistencialista, em sua opinião, adotada pelos órgãos do governo responsáveis pela educação, pois considera que essa atitude reforça o desinteresse das famílias pela educação das crianças. Observa que, muitas vezes, os pais fazem com que a criança frequente a escola por causa das bolsas recebidas do Estado, por causa da merenda escolar e não pelo real desejo de garantir um “futuro melhor” para seus filhos. Ela reage com indignação ao comparar o desinteresse de algumas famílias carentes aos esforços que viu seus próprios pais empreenderem para que ela conseguisse estudar.

Para ela, alguns pais não valorizam o trabalho do professor porque não compreendem a importância da educação na vida das crianças. Julgam que a escola é um local aonde seus filhos vão para se alimentar e para que não fiquem ociosos pelas ruas da cidade. Acham que o governo tem obrigação de suprir as carências das crianças menos favorecidas, eximindo as famílias de quaisquer responsabilidades. Em sua opinião, essas medidas do Estado reforçam o pequeno comprometimento das famílias quando investe em pessoas que não valorizam a educação de suas crianças.

Tem pais que têm muita perspectiva que o filho vá para uma faculdade e agora têm outros que acham que o que a escola está fazendo está bom... E os meninos estão ganhando coisas demais: é livro, caderno... Você não pode pedir um real para uma excursão porque é a escola que tem que dar... Um lápis? A escola pode dar o lápis, pode dar tudo. Hoje, os meninos ganham um kit de cadernos e daqui a pouco está tudo rasgado. É muito assistencialismo. [...] E não está sendo valorizado. Os pais acham que eles não são obrigados a dar. Estão esperando que deem tudo para eles. Não é responsabilidade deles mais...

Em sua opinião, a escola perdeu sua posição como espaço de educação formal em nossa sociedade a partir da implantação das políticas do governo que se preocupam mais em suprir as necessidades materiais imediatas da criança do que em garantir os meios para que ela aprenda a conquistar seu próprio lugar no mercado de trabalho.