2.4. MEDYA VE İDEOLOJİ
2.4.1. Medyada Gerçekliğin Yeniden İnşası
A ciência contemporânea tem aproximado interesses na elaboração de trabalhos entre vários centros de estudos em distintos países, dentre eles destaca-se a adaptação transcultural, cross-cultural adaptation, no termo em inglês. Essa modalidade de trabalhos promove o intercâmbio cultural de instrumentos e/ou métodos de uma realidade cultural para outra, buscando seguir uma série de cuidados e severidades, garantindo que os aspectos de mensuração do instrumento sejam fidedignos e não distorcidos para a realidade a qual ele pretende ser adaptado (Almeida, 2005).
Atualmente, a adaptação transcultural de instrumento se apresenta como uma tendência cada vez mais presente nos estudos fomentados pela Psicologia, bem como em outras áreas de saber, como na Saúde Coletiva, Enfermagem, Fisioterapia, Gerontologia, por exemplo.
A adaptação transcultural consiste, em suma, de um procedimento metodológico no qual se busca adequar um determinado instrumento para uso em outro país e/ou cultura. Para tanto, são realizadas investigações para averiguar a equivalência do instrumento original com uma versão adaptada, a saber: a equivalência conceitual e de itens, a equivalência semântica, a equivalência operacional e a equivalência de mensuração (Gjersing, Caplehorn & Clausen, 2010; Reichenheim & Moraes, 2007; Beaton, Bombardier, Guillemin & Ferraz, 2000; Herdman, Fox-Rushby & Badia, 1998; Guillemin, Bombardier & Beaton, 1993).
A equivalência conceitual e de itens refere-se, basicamente, a uma exploração, a luz de uma revisão da literatura, da relevância e pertinência dos domínios abarcados pelo instrumento original para a apreensão do fenômeno no contexto em que se pretende adaptá-lo. Nesse ínterim, devem ser avaliadas as pertinências do instrumento de modo geral e de cada um dos itens para a mensuração do fenômeno (Reichenheim & Moraes, 2007; Herdman, Fox-Rushby & Badia, 1998). A discussão deve ser feita com auxílio de um grupo de especialistas na área de conhecimento do instrumento (Maia, Duarte, Secoli, Santos & Lebrão, 2012).
Já a segunda etapa, referente à equivalência semântica, diz respeito ao procedimento de manutenção do sentido dos conceitos essenciais provenientes do instrumento original para a versão adaptada, de modo a causar efeitos de resposta na nova cultura semelhante ao do respondente na cultura original. O procedimento se
exprime na necessidade de traduções e retro-traduções do instrumento, buscando obter essa equivalência (Beaton, Bombardier, Guillemin & Ferraz, 2000; Herdman, Fox- Rushby & Badia, 1998; Guillemin, Bombardier & Beaton, 1993).
Inicialmente, providencia-se a tradução do instrumento original para a língua da cultura-destino. Para essa etapa, sugerem-se que sejam elaboradas duas ou mais versões do instrumento traduzido, obtidas de modo independente e cego, com auxílio de profissionais tradutores fluentes na língua original do instrumento, para que se tenham opções variadas das sentenças quando diante da construção da primeira versão síntese. Obtidas as versões traduzidas, indica-se a retro-tradução, ou seja, a tradução da primeira versão adaptada para o idioma da cultura de origem do instrumento. Nesta etapa é sugerida também a elaboração de duas versões do instrumento, de forma paralela, independente e cega, para que se tenham opções variadas quando empreendida a análise semântica.
Nessa etapa de equivalência semântica, o grupo de especialistas será convidado a participar novamente para que seja avaliada a equivalência do instrumento original com a retro-tradução, sob a ótica de alguns aspectos: o referencial denotativo dos termos constituintes – o que indica uma análise de equivalência idiomática –, e o referencial conotativo de cada item do instrumento, indicando uma análise da equivalência cultural (Reichenheim & Moraes, 2007).
Ou seja, no primeiro aspecto, será analisada se há correspondência literal entre cada uma das palavras no original com a respectiva tradução. Por isso, idiomática, uma vez que é feita a comparação entre os termos e expressões dos itens da escala original com a escala adaptada, buscando manter a correspondência literal e de sentido do instrumento original naquele destinado à população-cultura-alvo.
Paulatinamente, também será analisado o significado geral de cada item, contrastando com o original. Transcendendo a literalidade da palavra – por isso equivalência cultural – a avaliação do referencial conotativo refere-se a aspectos mais sutis, como o impacto que determinado termo pode ter em um contexto cultural circunscrito a uma população e em outra não. Nesta etapa do procedimento, Reichenheim & Moraes (2007) indicam que sejam tomados como referencial analítico os aspectos socioculturais que tangenciam a população a que se destina o instrumento para melhor adequá-lo a este conglomerado social.
Intimamente associada com o procedimento supracitado, temos a equivalência operacional, que se trata, grosso modo, de testar a utilização do instrumento adaptado no mesmo formato, modo de aplicação e métodos de mensuração como os ministrados no instrumento original (Reichenheim & Moraes, 2007; Beaton, Bombardier, Guillemin & Ferraz , 2000; Herdman, Fox-Rushby & Badia, 1998; Guillemin, Bombardier & Beaton, 1993). Sendo assim, é valiosa para essa etapa a busca pela opinião de sujeitos da população-alvo, para que sejam analisadas sutilezas e/ou especificidades dos itens, de modo que possa ser confirmada uma versão-síntese final ou que esta venha a ser revista e, assim, se alcance a formatação final do instrumento adaptado. Esse passo pode ser alcançado, por exemplo, realizando-se entrevistas individuais e/ou grupos focais.
Por fim, para cumprir o procedimento de adaptação transcultural, prevê-se a etapa da equivalência de mensuração. Essa etapa consiste na verificação das medidas de confiabilidade e validade da versão adaptada do instrumento. Para tanto, o instrumento adaptado deve ser reaplicado em uma amostra da população-alvo com diferentes características sociais, culturais e econômicas, de modo que possam ser providenciadas as análises estatísticas referentes ao procedimento de verificação psicométrica e
comparação de dados psicométricos do instrumento original e de sua nova versão. Nessa etapa, sugere-se o uso de diversos métodos analíticos, como a avaliação da consistência interna, correlação com outras medidas investigadas, dentre outras.
Aqui também devem ser analisados, essencialmente, os valores das estimativas psicométricas comparando sistematicamente com os estudos pregressos do instrumento original (Gjersing, Caplehorn & Clausen, 2010; Reichenheim & Moraes, 2007; Beaton, Bombardier, Guillemin & Ferraz, 2000; Herdman, Fox-Rushby & Badia, 1998). Cumpridas todas essas etapas, alcança-se o objetivo da adaptação transcultural do instrumento.
Atualmente, esse tipo de estudo tem sido desenvolvido na realidade do contexto brasileiro, especialmente, no que concerne à adaptação transcultural de instrumentos destinados à população idosa. O aumento do número desses estudos reflete o contemporâneo crescimento da intenção de pesquisas e ações voltadas a essa população, uma vez que cresceu com ela a necessidade de compreender esse fenômeno em sua complexidade e os impactos sociais, econômicos, psicológicos, relacionais e intergeracionais sobre os indivíduos e coletividades (Chaimowicz, 2007).
Em um breve levantamento sobre os estudos que tratam da adaptação transcultural de instrumentos para idosos para uso no Brasil, percebeu-se que, apesar da perspectiva aqui delimitada se tratar de uma estratégia metodológica recentemente empreendida pelas comunidades científicas, especialmente com a divulgação científica dessa modalidade de procedimento a partir da década de 90 (Herdman, Fox-Rushby & Badia, 1998; Herdman, Fox-Rushby & Badia, 1997; Guillemin, Bombardier & Beaton, 1993), vê-se a existência de estudos anteriores a este período que já empreenderam a adaptação de instrumentais para o universo brasileiro e que investigavam temas
relacionados à pessoa idosa. Um estudo desenvolvido por Neri (1986) providenciou uma das primeiras adaptações transculturais de instrumentos voltados para a temática do envelhecimento, a saber, a adaptação com sucesso para uso no Brasil do Inventário Sheppard para medidas de atitude em relação à Velhice (Sheppard, 1980; Neri, 1986).
Atualmente, veem-se outros trabalhos bem sucedidos de adaptação transcultural de instrumentos para idosos, dentre os quais podemos destacar, por exemplo, a Escala de Independência em Atividades de Vida Diária (AVD) de Katz, recentemente adaptada por Lino, Pereira, Camacho, Ribeiro Filho & Buksman (2008), a qual vem sendo largamente utilizada em pesquisas e na prática clínica por todo o país (Brito, Fernandes, Coqueiro & Jesus, 2013; Lisboa & Chianca, 2012; Del Duca, Silva & Hallal, 2009; Moraes & Silva, 2009).
Dentre outros instrumentos voltados para investigações com pessoas idosas que vêm sendo submetidos ao procedimento de adaptação transcultural para a realidade brasileira verificam-se, por exemplo, publicações que apresentam aqueles que investigam aspectos da funcionalidade e avaliam o desempenho em atividades motoras e físicas, como o Southampton Assessment of Mobility (Pereira, Marra, Faria, Martins, Dias & Dias, 2006), o Perfil da Atividade Humana – PAH (Souza, Magalhães & Teixeira-Salmela, 2006), o Dynamic Gait Indez (Castro, Perracini & Ganança, 2006), a
Exercise Benefits/Barriers Scale – EBBS (Victor, Ximenes & Almeida, 2008), a Edmonton Frail Scale – EFS (Fabrício-Wehbe, Schiaveto, Vendrusculo, Haas, Dantas
& Rodrigues, 2009), a Falls Efficacy Scale – International (Camargos, Dias, Dias &
Freire, 2010), a Functional Activies Questionnaire – FAQ (Sanchez, Correa & Lourenço, 2011) e a Minnesota Leisure Time Activities Questionnaire (Lustosa, Pereira, Dias, Britto, Paretoni & Pereira, 2011).
Destaca-se também a adaptação de instrumentais que fazem avaliação de aspectos cognitivos, para rastreio de habilidades referente a funções cognitivas e executivas e ao diagnóstico de comprometimento cognitivo leve e demências, como por exemplo, o Cambridge Cognitive Examination – Revised (Paradela, Lopes & Lourenço,
2009), o Teste de aprendizagem auditivo-verbal de Rey (Malloy-Diniz, Lasmar, Gazinelli, Fuentes & Salgado, 2009), o Cambridge Examination for Mental Disorders
of the Elderly – Revised Version (Lima & Lourenço, 2010) e a prova cognitiva de
Leganés (Caldas, Zunzunegui, Freire & Guerra, 2012).
E por fim, há aqueles que propuseram esse procedimento para adaptar instrumentais que investigavam aspectos perceptuais, comportamentais, afetivo- emocionais e sociais do sujeito idoso, como o Caregiver Abuse Screen – CASE (Paixão
Júnior, Reichenheim, Moraes, Coutinho & Veras, 2007), o Hwalek-Sengstock Elder
Abuse Screening Test - H-S/EAST (Reichenheim, Paixão Júnior & Moraes, 2008), a
Escala de Lócus de Controle da Dor (Araújo, Lima, Sampaio & Pereira, 2010), a Escala ASKAS – Aging Sexual Knowledge and Attitudes Scale (Viana, Guirardello & Madruga, 2010) e o Inventário de Ansiedade Geriátrica (Martiny, Silva, Nardi & Pachana, 2011).
Destaca-se que os instrumentos supracitados investigam temas intrínsecos ao fenômeno do envelhecimento e pode-se perceber que a produção deste tipo de trabalho ainda engatinha visto o quão recente esse procedimento metodológico se apresenta (Herdman, Fox-Rushby, & Badia, 1997), quando comparado com a crescente quantidade de pesquisas na área do envelhecimento humano.