• Sonuç bulunamadı

Cumhuriyet Yıllarına Gönderme, Laiklik ve Kemalizm Vurgusu

3.2. ARAŞTIRMA BULGULARI

3.2.1. Cumhuriyet Gazetesi

3.2.1.1. Cumhuriyet Yıllarına Gönderme, Laiklik ve Kemalizm Vurgusu

Segundo Capowski (1992), o empreendedorismo surge como uma interessante opção no processo de geração de renda e trabalho para as mulheres, que elas ainda não puderam contar com a adaptação das organizações a sua necessidade de estabilidade e flexibilidade no trabalho. Além disso, a atividade empreendedora surge como oportunidade para as mulheres que buscam o sustento de si mesmas e também de suas famílias, o desenvolvimento de uma carreira e a independência financeira (GEM, 2010).

No entanto, de acordo com Buttner e Moore (1997), mesmo no caso de mulheres que optam pelo empreendedorismo por necessidade e não por oportunidade, uma das principais razões que as levam ao autoemprego a busca por flexibilização na carga horária despendida para as atividades profissionais.

Em estudo realizado com mulheres empreendedoras do Rio de Janeiro, Lindo et al. (2004) apontou a flexibilidade de horários como a questão mais mencionada pelas mulheres entre as vantagens de ser uma empreendedora. A flexibilidade emergiu mesmo no caso de mulheres que ingressaram no mundo empreendedor, em razão de umaoportunidade e, não por necessidade. As autoras mostram, ainda, que todas as mulheres que participaram do estudo compreendem que a flexibilização dos horários não implica na redução das horas de dedicação ao trabalho, representando exatamente o contrário, elas afirmam que trabalham bem mais no próprio empreendimento do que em um emprego formal. Nesse mesmo estudo, Lindo et al. (2004) mostram a importância da flexibilidade no trabalho atribuída pelas mulheres é consequência da liberdade em administrar o próprio tempo que o empreendimento proporciona. O valor de poder suprir necessidades familiares, participar de reuniões de pais na escola dos filhos e/ou levá-los ao médico é fundamental, mesmo se depois elas tiverem que trabalhar mais em horários não convencionais.

Além disso, de acordo com Lindo et al. (2004), as mulheres que optaram pelo empreendimento prezam por uma boa qualidade de vida em que consigam conciliar de forma sadia a vida pessoal e profissional. Elas almejam passar mais tempo com a família, especialmente com os filhos e maridos, preferindo, portanto, manter seus negócios pequenos sem grandes pretensões de ampliações como, por exemplo, pela abertura de filiais. O aumento

dos negócios poderia comprometer as horas de lazer com a família e o tempo dedicado para si mesma, além de aumentar o conflito trabalho-família enfrentado pelas mulheres. Segundo as autoras, essa preocupação é percebida também pelas mulheres que não possuem filhos, mas que também anseiam por mais tempo para dedicar a si e aos familiares. Outro ponto interessante percebido por esse estudo foi que as mulheres participantes afirmaram sentir prazer no trabalho demonstrando a realização pessoal de estarem à frente de um empreendimento.

Após um estudo que buscou medir a qualidade de vida das mulheres empreendedoras do Rio de Janeiro, por meio do Instrumento “Quality of Life Inventory” (QOLI), Jonathan (2005) constatou que elas partilhavam de uma boa qualidade de vida, baseada, principalmente, na satisfação que elas sentiam com o trabalho, os filhos e o auto- respeito. Para a autora (p. 380-381), “o espaço profissional, o familiar e o pessoal influenciam positivamente o bem estar psicológico das empreendedoras”. Porém, assim como apresentado no trabalho, para o aprofundamento dessa questãotornam-se necessários outros estudos que possam atender e analisar as dimensões envolvidas na qualidade de vida dessas mulheres. Segundo um estudo realizado com mulheres empreendedoras na Malásia, as próprias entrevistadas definiram a pessoa empreendedora como aquela que detém uma grande energia, características filantrópicas de natureza, capacidade de autodesenvolvimento, além de estar disposta a investir recursos na sua criação (FAROUK, 2011).

Empiricamente, Kepler e Shane (2007) constataram que o desempenho dos novos empreendimentos não é afetado pelo gênero. Segundo os autores, o que difere os empresários femininos e masculinos são as razões para se começar um empreendimento, as perspectivas de crescimento e sucesso, e as oportunidades recebidas. Os homens costumam investir e arriscar mais nos empreendimentos do que as mulheres que preferem um negócio de menor risco e retorno, priorizando a sua qualidade de vida frente aos negócios.

Além das questões econômicas, como a necessidade de complementação da renda familiar e a busca por uma melhor qualidade de vida (PARASURAMAN; GREENHAUS, 1997; POSSATTI; DIAS, 2002; LINDO et al., 2004; DEMARTINO et al., 2006; JONATHAN, 2005; JONATHAN; SILVA, 2007), a importância do empreendedorismo feminino também é de caráter social e político (GOMES; SANTANA, 2004).

No entanto, a realidade de ingressar no mundo empreendedor apresenta uma complexidade não só em termos de administração do próprio negócio e, sim do próprio tempo. Conciliar os papéis gerenciando a dupla jornada de trabalho acarreta para essas

mulheres empreendedoras uma sobrecarga de tarefas, as quais, muitas vezes, inerentes ao papel da mulher na estrutura familiar (STROBINO; TEIXEIRA, 2010).

O fato de possuírem a inteira responsabilidade da empresa acaba ocasionando no aumento de estresse dessas mulheres, pois, muitas vezes, além da preocupação com os negócios e com a família e, em detrimento de trabalharem muito, elas acabam abrindo mão de suas férias, lazer e também do convívio social pelo empreendimento (LINDO et. al, 2004). Dessa forma, embora as mulheres empreendedoras adquiram uma maior liberdade de administração de seu tempo a partir do empreendimento, elas acabam trabalhando bem mais (CAPOWSKI, 1992). Segundo Lindo et al. (2004), a carga horária que já é excessiva, chega a ser bem maior no início do empreendimento.

Em síntese, a relação familiar aparece bastante atrelada ao fato dessas mulheres optarem pelo empreendedorismo em busca da flexibilidade de horário. No anseio de ter horários flexíveis para estar mais presente no cotidiano da família e, principalmente, nos cuidados com os filhos, essas mulheres acabam levando a questão familiar muito a sério ao optarem pelo empreendedorismo, mesmo que isso represente trabalhar mais. As discussões acerca da relação trabalho e família de mulheres empreendedoras encontram-se no próximo capítulo.