Como mostra a Tabela 1, evidenciou-se uma boa equivalência entre os itens oriundos das retrotraduções e os do instrumento original especialmente quando se refere aos resultados referentes à díade T1 – R1.
Legenda T1: primeira tradução do inglês para o português; R1: primeira retrotradução; T2: segunda tradução do inglês para o português; R2: segunda retrotradução; R: resultado médio do significado referencial (equivalência idiomática) (01 = nenhum referencial denotativo; 02 = baixo referencial denotativo; 03 = nem baixo e nem alto referencial denotativo; 04 = alto referencial denotativo; 05 = total referencial denotativo); G: resultado médio do significado geral (equivalência cultural): IN: inalterado; PA: pouco alterado; MA: muito alterado. * (Asterisco) = Item unânime na avaliação inter-juízes.
Original T1R1 R G T2 R2 R G
1. Are you afraid of anyone in your family?
1. Are you afraid of anyone in your family? 05(*) IN(*) 1. Are you afraid of anyone in your family? 05(*) IN(*)
2. Has anyone close to you tried to hurt you or harm you recently?
2. Has anyone close to you tried to hurt you
or harm you recently? 05
(*) PA 2. Has anyone close tried to hurt or mistreat you
recently? 02 PA
3. Has anyone close to you called you names or put you down or made you feel bad recently?
3. Has anyone close to you called you names or put you down or made you feel bad recently?
05(*) IN
3. Has anyone close to you verbally offended you, put you down or made you feel bad recently?
03 PA
4. Do you have enough privacy at home?
4. Do you have enough privacy at home? 05(*) IN 4. Do you have enough privacy inside your
home? 05 PA
5. Do you trust most of the people in your family?
5. Do you trust most of the people in your
family? 05
(*) IN 5. Do you trust most of the people in your
family? 05 PA
6. Can you take your own medication and get around by yourself?
6. Can you take your own medication and
get around by yourself? 05
(*) PA(*) 6. Can you control your own medication and
take care of you on your own? 02
(*) PA
7. Are you sad or lonely often? 7. Are you sad or lonely often? 05(*) PA(*) 7. Do you often get sad or lonely? 04 PA(*) 8. Do you feel that nobody wants you
around?
8. Do you feel that nobody wants you
around? 05
(*) IN 8. Do you feel that no one wants you around? 04 IN
9. Do you feel uncomfortable with anyone in your family?
9. Do you feel uncomfortable with anyone in
your family? 05
(*) IN 9. Do you feel uncomfortable with anyone from
your family? 05 PA
10. Does someone in your family make you stay in bed or tell you you’re sick when you know you’re not?
10. Does someone in your family make you stay in bed or tell you you’re sick when you know you’re not?
05(*) IN
10. Does anyone in your family make you stay in bed or say that you’re sick when know you’re not?
05(*) PA 11. Has anyone forced you to do things
you didn’t want to do?
11. Has anyone forced you to do things you
didn’t want to do? 05(*) IN
11. Has anyone forced you to do things you
didn’t want to do? 05(*) PA
12. Has anyone taken things that belong to you without your OK?
12. Has anyone taken things that belong to
you without your OK? 05
(*) IN(*) 12. Has anyone taken things that belong to you
Grosso modo, na terceira etapa os juízes optaram mais pelo uso de itens oriundos de T1 (11 itens) para a elaboração da versão-síntese, seja incorporando-os de forma integral ou parcialmente após ligeiras modificações pontuais. Apenas um item foi aproveitado de T2 (Tabela 2). A ocorrência disso pode ser explicada pelo baixo resultado atribuído ao significado referencial e, em contrapartida, ao alto índice de alterações indicadas no resultado do significado geral. Por sua vez, esse fenômeno pode ser traduzido em razão de fragilidades e inconsistências decorrentes do processo de tradução e retrotradução da díade T2-R2 (Reichenheim & Moraes, 2007).
Tabela 2. Versão síntese da Vulnerability to Abuse Screening Scale (VASS).
Item Escolhido Origem
1) Você tem medo de alguém em sua família? T01(*)
2) Alguém próximo a você tentou lhe machucar ou prejudicar ? T01 3) Alguém próximo a você lhe ofendeu, colocou para baixo ou o(a) fez sentir-se mal
recentemente? T01
(*)
4) Você tem privacidade suficiente em casa? T01(*)
5) Você confia na maioria das pessoas de sua família? T01(*)
6) Você consegue tomar suas próprias medicações e locomover-se sozinho(a)? T01(*)
7) Você fica triste ou solitário(a) com frequência? T01(*)
8) Você sente que ninguém o(a) quer por perto? T01
9) Você se sente desconfortável com alguém de sua família? T01(*)
10) Alguém de sua família faz você ficar na cama ou lhe diz que você está doente, quando
você sabe que não está? T01
11) Alguém forçou você a fazer coisas que não queria fazer? T01 12) Alguém tem pego coisas que lhe pertencem sem sua permissão? T02
Legenda T1: primeira tradução do inglês para o português; T2: segunda tradução do inglês para o português; * (Asterisco) = Item unânime na avaliação inter-juízes.
A Tabela 3 mostra a versão-síntese, a partir da qual se verificam as modificações realizadas durante a etapa quatro, especialmente referente à equivalência operacional.
Sendo assim, percebe-se que a maioria das alterações pretendeu tornar a versão em português (BR) mais coloquial e aceitável para a população-destino, o que parece refletir as discrepâncias de acesso à educação existente nas diferentes regiões do país e parecem buscar dirimir os problemas oriundos das altas taxas de baixa escolaridade dessa população, uma vez que, especialmente nas décadas de 30 a 50, a educação foi historicamente restrita a pequenos grupos da sociedade brasileira (Ferreira, Mata, Santos, Maia & Maia, 2010; Silva & Gunther, 2000).
Tabela 3. Versão-síntese submetida ao pré-teste da Vulnerability to Abuse Screening
Scale (VASS).
Vulnerability to Abuse Screening Scale (VASS)
Objetivo: Identificar idosos com risco de maus-tratos através de um instrumento de autorrelato.
1) Você tem medo de alguém em sua família?
2) Alguém próximo a você tentou lhe machucar ou maltratar? (#)
3) Alguém próximo a você lhe ofendeu, colocou para baixo ou o(a) fez sentir-se mal recentemente? 4) Você tem privacidade suficiente em casa?
5) Você confia na maioria das pessoas de sua família?
6) Você consegue tomar suas próprias medicações e andar sozinho(a)? (#)(*)
7) Você fica triste ou sozinho(a) com frequência? (#)(*)
8) Você sente que ninguém o(a) quer por perto?
9) Você se sente incomodado com alguém de sua família? (#)
10) Alguém de sua família faz você ficar na cama ou lhe diz que você está doente, quando você sabe que não está?
11) Alguém forçou você a fazer coisas que não queria fazer? 12) Alguém tem pego coisas que lhe pertencem sem sua permissão?
Legenda # (Cardinal) = Item alterado na avaliação inter-juízes; * (Asterisco) = Item unânime na avaliação inter-juízes.
É possível verificar na tabela as modificações realizadas durante a etapa em questão, que contemplaram os itens 02, 06, 07 e 09. No item 02, dois dos três juízes
sugeriram substituir o termo “prejudicar” por “maltratar”. Já nas questões 06 e 07, houve unanimidade nas solicitações da modificação do termo “locomover-se” por “andar sozinho(a)” e da troca do termo “solitário(a)”por “sozinho(a)”, respectivamente. Na questão 09, por sua vez, a avaliação inter-juízes indicou a substituição do termo “desconfortável” por “incomodado”. Na discussão entre juízes pontuou-se sobre a possibilidade de substituir-se o pronome “você” pela opção alternativa de “o(a) senhor/senhor(a)”, para atender a uma possível diferença de faixa etária entre o entrevistador e o(a) respondente, mas sugeriu-se avaliar isso durante o pré-teste com a população-destino.
A concordância das avaliações empreendidas durante a etapa da equivalência semântica, verificada com o auxilio do kappa de Fleiss foi de 0,625, o que indica concordância substancial entre os juízes (Landis & Koch, 1997). No entanto, o que, por sua vez, não é conclusivo para indicar evidências de validade de conteúdo do instrumento, em razão de se adotar, arbitrariamente, um nível de concordância entre juízes de, pelo menos, 80% para ser possível atender a tal prerrogativa (Pasquali, 1999). Ainda assim, procedeu-se a submissão do instrumento ao pré-teste objetivando verificar o comportamento do instrumento entre os respondentes não especialistas.
5.2.1)Equivalência operacional:
Na etapa do pré-teste (equivalência operacional), realizada para verificar a compreensão e adequabilidade do instrumento e seus itens, objetivando elaborar a versão síntese final a ser testada em população maior, convidamos um total de 30 idosos, com idade entre 60 e 81 anos (68,07, DP: 5,687), pareados no que concerne ao nível de escolaridade (Baixo: nível fundamental incompleto e/ou completo; Médio: ensino médio incompleto e/ou completo; Alto: nível superior e/ou pós-graduação
incompleto e/ou completo) e com diferentes níveis socioeconômicos. De modo geral, os idosos avaliaram o instrumento como adequado e compreensível à população a que se destina, observado no acordo um valor bruto de 92,5%. A concordância, verificada com auxílio do kappa de Fleiss, foi de 0,585, o que indica concordância moderada (Landis & Koch, 1997).
Entre os idosos de nível de escolaridade alto, percebeu-se que eles não se identificavam como sujeitos passíveis a viverem as situações elencadas no instrumento. Por outro lado, indicavam que ele se aplicaria aos idosos de outros substratos sociais. Entretanto, reforçando que o propósito era verificar se o item era claro, compreensível e pertinente para a população a que se destina e solicitar alteração caso o mesmo necessitasse, os mesmos indicaram a adequabilidade do instrumento.
No que diz respeito às inadequações, elas podem ser verificadas na Tabela 4. Entre os idosos entrevistados com nível de escolaridade alto e médio, averiguou-se que foram indicadas inadequações nos itens nº 2, nº 3, nº 11 e nº 12. A inadequação indicada por todos se deu em razão dos itens em questão não referirem-se ao familiar ou a família, uma vez que na reflexão dos mesmos, o instrumento parece investigar violência intrafamiliar.
Evidenciou-se ainda que os itens nº 6 e nº 10 poderiam ser incompreendidos pela população alvo do instrumento, pois contemplavam duas perguntas em uma, o que poderia atrapalhar o entendimento dos participantes. Os idosos que indicaram a inadequação sugeriram que cada um desses itens fosse transformado em dois. Sendo assim, a sugestão foi de que o item nº 6 se torne: “Você consegue tomar suas próprias medicações?”, e que fosse criado um novo item com a sentença: “Você consegue andar sozinho(a)?”. Já na sugestão ao item nº 10, indicou-se que o item se tornasse: “Alguém
de sua família faz você ficar na cama, quando você sabe que não precisa estar?”, e que fosse criado um novo item com a assertiva: “Alguém de sua família lhe diz que você está doente, quando você sabe que não está?”.
Já entre a população de idosos com nível de escolaridade baixo verificou-se dificuldades em compreender alguns itens, precisando de esclarecimento por parte do entrevistador, a saber, nos itens nº 03 e nº 10. Respectivamente, acerca do sentido atribuído ao “colocar para baixo” e/ou ao de “fazer mal” do item nº 03 e o sentido do termo “ficar de cama” no item nº 10, o qual foi atribuído por um dos entrevistados como algo bom, como uma postura de cuidado por parte dos familiares.
Apesar das contribuições serem pertinentes, pois visam tornar o instrumento mais claro, acessível, compreensível e aplicável à população destino, constata-se apurado que o valor de inadequações em termos descritivos foi de 7,5%, não atingindo o previsto (20%) para que o instrumento fosse revisto pelo painel de especialistas do estudo aqui proposto. Sendo assim, objetivou-se manter os itens conforme redação inicial. Os resultados das subetapas apresentadas, até então, da adaptação transcultural da VASS mostraram-se satisfatórios, indicando validade aparente do instrumento (Pasquali, 2007).
Tabela 4. Itens avaliados inadequados e a justificativa, seguida da sugestão de alteração.
Item inadequado Justificativa
2) Alguém próximo a você tentou lhe machucar ou prejudicar? Inadequação única: Em razão dos itens em questão não referirem-se ao familiar ou a família, uma vez que na reflexão dos mesmos, o instrumento parece investigar violência intrafamiliar. Sugeriu-se substituir “Alguém próximo a você” por “Algum familiar seu”. 3) Alguém próximo a você lhe ofendeu, colocou para baixo ou o(a)
fez sentir-se mal recentemente?
1ª Inadequação: Mesma inadequação sugerida ao item nº 02.
2ª Inadequação: Sobre a falta de clareza do sentido atribuído ao “colocar para baixo” e/ou ao de “fazer mal”.
6) Você consegue tomar suas próprias medicações e locomover-se sozinho(a)?
Inadequação única: O item contemplar duas perguntas em uma, podendo comprometer a compreensão dos respondentes. Sugeriu-se o desmembramento em dois itens: “Você consegue tomar suas próprias medicações?” e “Você consegue andar sozinho(a)?”.
10) Alguém de sua família faz você ficar na cama ou lhe diz que você está doente, quando você sabe que não está?
1ª Inadequação: Semelhante a do item nº 06, sugerindo a criação de duas questões: “Alguém de sua família faz você ficar na cama, quando você sabe que não precisa estar?” e “Alguém de sua família lhe diz que você está doente, quando você sabe que não está?”.
2ª Inadequação: Sobre o sentido atribuído ao termo “ficar de cama”, o qual pode ser atribuído pelo respondente como uma postura de cuidado por parte dos familiares.
11) Alguém forçou você a fazer coisas que não queria fazer? Inadequação única: Mesma inadequação sugerida ao item nº 02. Sugeriu-se substituir “Alguém forçou” por “Alguém de sua família já forçou”. 12) Alguém tem pego coisas que lhe pertencem sem sua permissão? Inadequação única: Mesma inadequação sugerida ao item nº 02. Sugeriu-se substituir “Alguém tem pego” por “Alguém de sua família tem pego”. Legenda Item inadequado: Item avaliado como inadequado pelos idosos participantes da etapa de equivalência operacional;; Justificativa: justificativa da inadequação, seguida da sugestão, quando couber
5.3)Equivalência de mensuração:
Para a etapa de equivalência de mensuração, que visa verificar a consistência interna do instrumento e evidências de validades preliminares baseadas na estrutura interna e na diferenciação, correlação e relação entre itens do instrumento e outras variáveis externas do mesmo, foram convidados a participar uma população de 81 idosos. Contudo, somente 66 destes estavam aptos a serem incluídos na amostra, representando 81,5% dos participantes.
Os idosos considerados não aptos (n = 15, 18,5%) foram excluídos em razão de não atingirem o ponto de corte do Mini Exame do Estado Mental (MEEM); e/ou por estarem, no momento de realização da pesquisa, com sua capacidade de verbalização oral comprometida e/ou estar apresentando comprometimento relacionado à orientação temporo-espacial.
Verificou-se que a idade dos participantes variou entre 60 a 84 anos (média = 70,86; Desvio-Padrão: 7,377), prevalecendo respondentes idosas (n = 38), representando 57,6% da população estudada nesta etapa da presente pesquisa. Esse perfil pode ser encontrado corriqueiramente entre as pesquisa sobre envelhecimento, uma vez que tem predominado respondentes idosas na faixa etária em questão. Para alguns autores isso parece ocorrer devido à maior longevidade destas em relação aos homens, bem como por essa população ser mais prevalente em serviços de saúde e convivência para idosos (Coelho Filho & Ramos, 1999; Ferreira, Mata, Santos, Maia & Maia, 2010; Ferreira, Santos & Maia, 2012).
O número de pessoas que compartilham a residência com o idoso variou de uma a sete pessoas (Média: 4.32; Desvio-padrão: 1,511). Os domicílios que os idosos
residem têm, em média, de quatro a nove cômodos (Média: 5,80; Desvio-Padrão: 0,980).
O dado acima indica um fenômeno contemporâneo intitulado multigeracionalidade do lar, que pode caracterizar-se enquanto um fator interveniente sobre a violência, seja no sentido de proteção do idoso ao risco de ser vítima ou o inverso (Moraes, Apratto Júnior & Reichenheim, 2008; Neri, 2006; Pinto et al., 2006; Santos & Dias, 2008; Souza, Freitas & Queiroz, 2007).
Observou-se uma variância mínima de zero e máxima de dez pontos (média = 3,71; DP = 2,404) no valor do escore total da Vulnerability to Abuse Screening Scale (VASS). Se tomarmos como referência os valores do escore conforme os estudos internacionais, verifica-se uma prevalência de 13,6% de idosos com escores que podem indicar risco a violência. A prevalência aqui encontrada é baixa se comparada aos estudos internacionais citados, que variam de 15% a 35% (Dong & Simon, 2008; 2010a; 2010b; Dong, Beck & Simon, 2010; Schofield, Powers & Loxton, 2013).
Essa prevalência está na média encontrada em estudos nacionais, que variam de 10% a 21% (Duque, Leal, Marques, Eskinazi & Duque, 2012; Apratto Júnior, 2010; Moraes, Apratto Júnior & Reichenheim, 2008; Melo, Cunha & Falbo Neto, 2006). Demais informações sobre a caracterização da amostra podem ser visualizadas na tabela 5.
Tabela 5. Dados sociodemográficos da população de idosos pesquisados.
Variáveis N P
Sexo Masculino Feminino 28 38 57,6% 42,4%
Faixa Etária 60 a 64 18 27,3% 65 a 69 14 21,2% 70 a 74 8 12,1% 75 a 79 15 22,7% 80 ≥ 11 16,7% Distrito Norte 15 22,7% Leste 19 28,8% Oeste 9 13,6% Sul 9 13,6% Interior 14 21,2%
Estado Civil Solteiro Casado 45 1 68,2% 1,5%
Viúvo 18 27,3%
Divorciado 2 3,0%
Nível de Escolarização Fundamental (Completo ou não) Nunca Estudou 13 33 19,7% 50,0% Médio (Completo ou não) 14 21,2% Superior (Completo ou não) 6 9,1% Fica sozinho(a) a maior parte do
dia? Não Sim 14 52 21,2% 78,8%
Recebe aposentadoria, benefício
e/ou pensão? Não Sim 54 12 81,8% 18,2%
Renda Familiar Mais de 1 salário mínimo até 6 Até 1 salário mínimo 39 3 59,1% 4,5% Mais de 6 salários mínimos 24 36,4%
Legenda Variáveis: aspectos sociodemográficos investigados; N: frequência absoluta; P: porcentagem.
Na tabela 6 pode-se observar que na população idosa estudada há um predomínio de idosos que não estiveram internados ou não sofreram quedas nos últimos 12 meses. Também se verifica que há um baixo quantitativo de idosos que tenham ficado acamados ou incapacitados de realizar alguma atividade habitual em razão de problemas com a saúde nos últimos 15 dias anteriores a participação na pesquisa.
Contudo, dentre os motivos da internação nos últimos doze meses, a incapacidade para executar atividades habituais e/ou ter ficado acamado nos últimos 15 dias destacam-se: problemas e/ou doenças do sistema respiratório, como gripes e viroses e quadros pneumônicos, doenças osteomusculares, como gota e/ou problemas de coluna, ou cardiovasculares, como sopro cardíaco, e quedas (tabela 6).
Tabela 6. Aspectos relacionados à internação, quedas e incapacidades da população de idosos estudada.
Aspectos N P
Esteve internado(a) nos últimos 12
meses? Sim Não 60 6 90,9% 9,1%
Sofreu quedas nos últimos 12 meses? Sim 10 15,2%
Não 56 84,8%
Deixou de realizar atividades habituais nos últimos 15 dias por motivo de
saúde? Sim Não 57 9 13,6% 86,4%
Permaneceu acamado(a) nos últimos 15
dias? Sim Não 57 9 13,6% 86,4%
Motivo da internação, de ter ficado acamado e/ou deixado de realizar alguma atividade por motivo de saúde.
Não se aplica 50 75,8%
Problemas Respiratórios 11 16,7% Doenças e/ou problemas osteomusculares,
cardiovasculares e/ou causas externas 5 7,6% Legenda Aspectos: aspectos relacionados à saúde inquerido; N: frequência absoluta; P: porcentagem.
Os resultados acima parecem indicar que a população estudada pode ter um estado de saúde e qualidade de vida satisfatórios, uma vez que entre idosos é comum o acometimento por multimorbidades e quedas, o que pode gerar incapacidade e dependência entre essa população. Por sua vez, a não ocorrência de internações ou incapacidade para desenvolver atividades diárias parece sustentar a assertiva acima
(Ribeiro, Souza, Atie, Souza & Schilithz, 2008; Vecchia, Ruiz, Bocchi & Corrente, 2005).
Já a Tabela 7 traz as informações concernentes às questões do questionário sociodemográfico sobre a percepção do idoso sobre o seu relacionamento com diferentes pessoas de seu entorno. É possível averiguar que houve avaliações ruins nos relacionamentos com os filhos e com demais pessoas que residem no domicílio com o(a) idoso(a), sendo estes, comumente, cônjuges, companheiros(as) e/ou namorados(as) de filhos(as) e/ou netos(as), cuidadores, empregados(as) domésticos(as) e outros tipos de auxiliares domiciliares.
Tabela 7. Avaliação da percepção do relacionamento com diferentes pessoas do seu entorno social.
Avaliação da percepção N P
Relacionamento com Companheiro Não tem Ruim 21 8 31,8% 12,1%
Regular 21 31,8%
Bom 16 24,2%
Relacionamento com Filhos Não tem Ruim 27 1 40,9% 1,5%
Regular 29 43,9%
Bom 9 13,6%
Relacionamento com Netos Não tem Ruim 13 3 19,7% 4,5%
Regular 32 48,5%
Bom 18 27,3%
Relacionamento com demais pessoas que residem
no domicílio Não tem Ruim 28 26 42,4% 39,4%
Regular 10 15,2%
Bom 2 3,0%
Legenda Avaliação da percepção: avaliação do relacionamento com diferentes pessoas do entorno social; N: frequência absoluta; P: porcentagem.
As percepções dos idosos sobre as suas relações interpessoais podem estar diretamente relacionadas a uma boa saúde, qualidade de vida e desenvolvimento bem sucedido (Carneiro, Falcone, Clark, Del Prette & Del Prette, 2007). Cabe ressaltar que o maior receio de idosos tem sido o medo de permanecer sozinho, em especial na presença de alguma doença, apesar desse fenômeno ser relativamente comum nessa população (Hawkley, Massi, Barry & Cacioppo, 2006; Miranda & Farias, 2009). Contudo, isso não ocorre entre os idosos do presente estudo, uma vez que prevaleceu que mais de 78% dos participantes não permanecia sozinho ao longo do dia.
O valor do KR-20 para o escore geral do instrumento foi de 0,688 (IC95%: 0,670). A Tabela 8 sintetiza os resultados de consistência interna do instrumento total e por subescala, respectivamente Vulnerabilidade, Dependência, Desanimo e Coerção, consolidadas conforme o perfil do estudo original (Schofield, Reynolds, Mishra, Powers & Dobson, 2002; Schofield & Mishra, 2003). Destacam-se também os valores da consistência interna com a retirada dos itens, tanto referente ao valor total quanto ao