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MALÝ BÜNYEYE ÝLÝÞKÝN ÇALIÞMALAR

Belgede TASARRUF MEVDUATI SÝGORTA FONU (sayfa 43-48)

A atuação da inteligência da Polícia Militar se insere atualmente em um contexto mais amplo, o da Inteligência de Segurança Pública. Para que se possa compreender melhor esse conceito, é preciso inseri-lo em um processo histórico de profissionalização da inteligência que remonta ao início da década de 1990, com a

extinção do Serviço Nacional de Informações (SNI) e as estruturas que lhe eram subordinados (BRANDÃO, 2010, p.139). Em seu lugar, foi criada a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), que ficou sob o comando de um civil. Tais alterações certamente não ocorreram sem resistências internas. A consolidação de um sistema civil de inteligência teve de passar por diversos percalços até que fosse finalmente implementado.70 No mesmo período, os serviços de inteligência das Forças Armadas passaram por mudanças institucionais sutis, mas significativas. Como marca distintiva dessa reorganização, os órgãos substituíram o termo “informações” de sua nomenclatura por “inteligência”. O Centro de Informações da Marinha (CIM) passou a ser denominado de Centro de Inteligência da Marinha (CIM), o mesmo ocorrendo com os órgãos de inteligência do Exército e da Aeronáutica. A criação do Ministério da Defesa, em 1999, subordinou todos esses órgãos em torno de si. De acordo com Brandão (2010, p. 143), o ministério se tornou, desde então, “[...] o responsável pela elaboração da inteligência estratégica e operacional no interesse da defesa, e pela formulação de uma doutrina comum de inteligência operacional”. Ainda conforme a autora, a integração das inteligências das Forças Armadas não eliminou a autonomia dos órgãos. A identificação de um inimigo “interno” ainda faz parte das prioridades de tais agências. Embora a busca e apreensão de elementos subversivos tenha cessado, “[...] a busca de informações e a vigilância de organismos de oposição legalmente instituídos ainda é evidente” (p. 143).

Entre idas e vindas do primeiro projeto de lei criando uma agência central que regulamentaria tais ações, ainda em 1993, até a instituição do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) se passaram seis anos. A proposta passou por diversas reformulações até que chegasse à sua versão final, que foi consolidada sob a forma da Lei n° 9.883/99 . Segundo a referida lei (artigo 1, § 1º), a meta do Sisbin é "[...] a preservação da soberania nacional, a defesa do Estado Democrático de Direito e a dignidade da pessoa humana" (BRASIL, 1999). A lei traz ainda uma definição acerca de inteligência (BRASIL,1999) como:

A atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação

70 Para uma exposição mais detalhada sobre esse processo, cf. Brandão (2010), em especial o capítulo

terceiro. Figueiredo (2005) traça uma verdadeira biografia dos serviços secretos no Brasil em “O Ministério do Silêncio”.

governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado.

Para Cepik (2003, p. 207), a definição de inteligência descrita pela Lei nº 9.883/99 é "[...] excessivamente vaga, mesmo quando comparada à generalidade costumeira com que o tema é tratado na legislação de outros países". Como não se restringe a uma área específica, mas faz menção à "[...] análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência" (Idem, ibidem), o Sisbin funcionaria como uma espécie de olhos e ouvidos sobre praticamente todos os fatos capazes de influenciar as decisões governamentais, o que, na prática, tornaria tal atividade “absurda” e irrealizável.

Do ponto de vista organizacional, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi criado para ocupar o lugar da Secretaria de Assuntos Estratégicos. O GSI assumiu todas as funções relacionadas à inteligência de Estado. Apesar do nítido avanço em relação aos governos anteriores, a legislação deixou em aberto diversas questões relativas ao funcionamento operacional do Sisbin.

O conceito de Inteligência de Segurança Pública começou a ganhar forma em 1999, com a implementação da Lei nº 9883/99, que criou o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). O impulso para a sua formalização, contudo, deveu-se à comoção nacional gerada pela morte da professora cearense Geísa Gonçalves, morta durante intervenção policial em um assalto ao ônibus da linha 174 (Central-Gávea), no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2000. Naquele mesmo ano, o governo federal anunciou uma série de medidas de combate à violência, por meio do Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP); dentre elas, estava a criação de um órgão central voltado para a inteligência na área da segurança pública.

O Subsistema de Inteligência de Segurança Pública (Sisp) foi, então, criado pelo Decreto nº 3695/2000. O subsistema é formado pelos Ministérios da Justiça, da Fazenda, da Defesa e da Integração Nacional, assim como pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, sendo coordenado pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Secretaria Pública (Senasp). Assim como o subsistema de inteligência, o Sisp enfrentou diversos obstáculos para que pudesse cumprir seu objetivo principal, ou seja, "[...] coordenar e integrar as atividades de inteligência de segurança pública em todo o País, bem como suprir os

governos federal e estaduais de informações que subsidiem a tomada de decisões neste campo" (BRASIL, 2000).

O major Silveira cita a identificação e mapeamento bocas de fumo como exemplos de assessoramento prestado pela inteligência. “É diferente de investigação. Não pode infiltrar, não pode fazer grampo e não pode peticionar por mandado”, ressalta (informação verbal)71. Para o militar, a relação com a Polícia Civil ainda se ancora nas relações pessoais. Vai depender do bom relacionamento entre o comando e o delegado. Precisaria haver uma polícia de ciclo único para que isso pudesse ser alterado.

“A expressão Reservado dói no meu ouvido”, comenta (informação verbal)72. Tem de seguir a doutrina. Trabalha para o governo, e não para o comandante ou superior. É útil na tomada de decisões. A deturpação ocorre em cima das fragilidades do policiamento. “Qualquer um do povo pode prender, o policial deve”, enfatiza (informação verbal)73, rechaçando, de forma sutil, a crítica que se faz às prisões realizadas pelos agentes de inteligência.

Belgede TASARRUF MEVDUATI SÝGORTA FONU (sayfa 43-48)