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O policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública, eixos da atuação institucional da PM, estão a cargo dos Órgãos de Execução Programática. Por causa disso, vou me deter de forma um pouco mais detalhada em cada um deles. Eles também são chamados de Grandes Comandos, a saber:

I - Coordenadoria do Comando de Policiamento da Capital – CPC; II - Coordenadorias dos Comandos de Policiamento do Interior – CPI; III - Coordenadoria do Comando de Policiamento Metropolitano – CCPM; IV - Coordenadoria de Policiamento Especializado – CPESP;

V - Coordenadoria de Polícia Comunitária – CPCOM (CEARÁ, 2012).

O Comando de Policiamento da Capital (CPC) é o órgão responsável pela manutenção da ordem pública na região da capital. A Coordenadoria do Comando de Policiamento Metropolitano (CCPM), por sua vez, é a responsável pela manutenção da ordem pública na Região Metropolitana de Fortaleza. O interior do Ceará é coberto pelos Comandos de Policiamento do Interior (CPI), que se dividem em dois: Norte e Sul. Competem a todos os comandos a “[...] coordenação, comando, planejamento, fiscalização e controle operacional e administrativo das Unidades subordinadas” (CEARÁ, ano).

Integram o Policiamento Especializado: Regimento da Polícia Montada (PMont); Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque); Célula do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTUR); Célula do Batalhão de Segurança Patrimonial (BSP); Célula do Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA); Célula do Batalhão de Policiamento de Eventos (BPE); Célula do Batalhão de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (RAIO); e o Núcleo da Companhia de Policiamento de Guarda. A Célula de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE) é o órgão encarregado pelo policiamento ostensivo nas vias estaduais.

Cabe à Coordenadoria de Polícia Comunitária (CPCOM) o policiamento ostensivo de “caráter prioritariamente preventivo”, a partir da filosofia de polícia comunitária. De acordo com a LOB, a coordenadoria atua de forma direta na comunidade onde atua, “[...] objetivando a preservação da ordem pública, e a proteção da incolumidade de pessoas e do patrimônio” (CEARÁ, 2012).

A Coordenadoria de Inteligência Policial (CIP) é o órgão responsável pela atividade de Inteligência no âmbito da Polícia Militar do Ceará. Assim, a Lei de Organização Básica descreve suas funções:

Exerce permanente e sistematicamente ações especializadas para a identificação, acompanhamento e avaliação de ameaças reais ou potenciais na esfera de segurança pública, orientadas, basicamente, para produção e salvaguarda de conhecimentos necessários à decisão, ao planejamento e à execução de uma política de Segurança Pública voltada para ações preventivas e repressivas de atos criminosos de qualquer natureza ou atentatórios à ordem pública (CEARÁ, 2012).

As mudanças ocorridas no órgão de inteligência da PM ao longo de sua história, bem como as transformações no próprio conceito de inteligência, serão objeto de análise no capítulo seguinte. Por fim, temos a Coordenadoria de Feitos Judiciários Militares (CFJM), cujas funções são o “[...] controle, realização e arquivo dos procedimentos de polícia judiciária militar” (CEARÁ, 2012).

Há, ainda, uma unidade de patrulhamento tático96 presente nos batalhões e companhias que ocupa um papel bastante importante nesta pesquisa: a Força Tática de Apoio (FTA). Trata-se de um comando tático que presta apoio a viaturas do policiamento ostensivo e também às equipes do Serviço Reservado. Seus componentes dispõem de um treinamento mais rigoroso e têm à disposição armamentos com maior poder de fogo, como fuzis e metralhadoras, além de bombas de efeito moral. Alguns dos policiais que integravam a Força Tática agora atuam na inteligência da PM. Diversas polícias militares no Brasil possuem suas equipes de força tática.97 Um oficial da PM assim descreve a FTA:

96 O patrulhamento tático situa-se entre o policiamento realizado pelas equipes do Batalhão de Choque

e o policiamento ostensivo. A Diretriz nº PM3, de 7 de fevereiro de 2005, da PM de São Paulo, assim descreve a atuação da Força Tática: "Disciplina a tropa com um treinamento específico atuando de forma preventiva ou repressiva nas ocorrências consideradas mais graves como sequestros, roubos, crime organizado, greves, manifestações públicas, tumultos, onde a atuação do Policiamento Comunitário não seja suficiente, a Força Tática reforça o efetivo com armamento e treinamento tático especializado. É realizado com uma viatura de maior porte, sendo composto por um subtenente ou Sargento como encarregado, um cabo ou soldado como motorista e um cabo ou soldado como auxiliar apenas utilizando o quarto homem quando for empregado ações de ‘Choque’ em controle de tumultos". Disponível em:

<http://www.polmil.sp.gov.br/unidades/1bpmm/atividades.htm>. Acesso em: 02/03/16. A inspiração da força tática vem das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) da PM de São Paulo. Sobre a Rota, cf. BARCELLOS (2014).

97 Seguem algumas notícias relacionadas às forças táticas no Brasil: “Polícia Militar recebe novas

viaturas e ‘armamento de guerra” (http://www.jornaloimparcial.com.br/v2/?tpconteudo= artigo& id=6124&idc=9), em São Paulo; "Serviço de inteligência e Força Tática do 10º BPM apreendem 10 armas de fogo" (http://www.pm.ms.gov.br/forca-tatica-10o-bpm-e-gecam-apreendem-dez-armas-de- fogo-e-prendem-autor-por-posse-irregular/), em Mato Grosso do Sul; "Força Tática do 3º BPM

É uma equipe de policiais treinada pelo Batalhão de Choque. São policiais de confiança dos comandantes e que têm horários diferenciados de trabalho. É uma pequena tropa especial das companhias. Associaram seu trabalho a policiais mais ‘operacionais’, que faziam mais abordagens que os outros (informação verbal)98.

Do ponto de vista simbólico, a FTA se vale de um imaginário similar ao do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da PM do Rio de Janeiro, que se tornou bastante conhecido graças ao filme Tropa de Elite. O símbolo dessa unidade é uma caveira atravessada por dois rifles com duas granadas nas laterais.

Figura 1 - Brasão da FTA durante uma ação conjunta de apreensão de drogas com a Polícia Rodoviária Federal (PRF)

Fonte: <http://blogdovigilanteestevam.blogspot.com.br/2015_11_01_archive.html>

apreende menor com duas armas de fogo em Arapiraca", em Alagoas; "OPERAÇÃO CARNAVAL: Força Tática apreende arma de fogo no Alecrim", no Rio Grande do Norte (http://www.pm.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=104272&ACT=null&PAGE=null&PARM =null&LBL=NOT%C3%8DCIA). O modus operandi das unidades, bem como o armamento utilizado, são bastante similares em todos os relatos, indicando a existência de um padrão no que diz respeito a essa força policial. Um material formativo sobre o assunto da PM do Mato Grosso afirma que o patrulhamento tático é uma "[...] ação de caráter mais enérgico e especializado, com efetivo com treinamento específico, onde o policiamento comunitário não for suficiente" (http://docslide.com.br/documents/doutrina-forca-tatica.html).

Um dado que chama atenção, no entanto, é que a FTA não aparece no organograma da PM do Ceará. Não há registros oficiais sobre sua existência disponíveis no site da corporação. Questiono esse fato ao mesmo oficial da PM, e ele me responde da seguinte maneira:

Não existe nada escrito sobre ele. Aliás, como em quase todos os serviços da polícia. Já teve curiosidade em ler o projeto "Em defesa da vida"? Pois perca essa curiosidade. Você não encontrará mais do que duas folhas escritas sem dizer coisa nenhuma. Isso é coisa criada em gabinetes. Ninguém escreve mais do que uma nota para boletim e pronto, está criado. Isso vem diminuído com os novos oficiais que querem criar uma doutrina policial, mas infelizmente ainda não têm voz altiva para implementar essas mudanças (informação verbal)99.

Pergunto se isso seria resultante de uma cultura “oralizada” no interior da corporação, mas meu interlocutor prefere denominar de “modismo policial”:

Não se trata de cultura porque só dura enquanto o comandante tal estiver no comando. Depois tudo muda, até uma nova farda é criada. Eu chamaria de ‘modismo policial’, uma espécie de costume hierarquizado sem nenhum embasamento técnico (informação verbal).100

Como exemplos desse “modismo”, o oficial cita outras unidades operacionais de caráter tático criadas na Polícia Militar do Ceará e que depois foram extintas, como o Comando de Operações Especiais (COE) e o Fator.

Em 2015, a estrutura organizacional da PM foi alterada mais uma vez, com a criação do Batalhão de Divisas, uma unidade operacional criada para atuar contra roubo a bancos, a cargas e o tráfico de drogas nas fronteiras do estado. O grupamento integra o Batalhão de Policiamento Rodoviário Estadual (BPRE), que se transformou em uma Coordenadoria de Policiamento de Trânsito Rodoviário, Urbano e de Divisas.101 A medida foi uma resposta do governo do estado à onda inédita de assaltos a bancos que assolou o Ceará a partir de 2012 quando. Segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários, a quantidade de ocorrências salta de 50, em 2011, para 117, no ano seguinte. O pico de assaltos a banco ocorreu em 2013, com 139 casos.

99 Entrevista realizada com um oficial da PM em 3 de fevereiro de 2016. 100 Entrevista realizada com um oficial da PM em 3 de fevereiro de 2016

101 Disponível em: <http://www.ceara.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/13001-governo-do-estado-

Belgede TASARRUF MEVDUATI SÝGORTA FONU (sayfa 90-93)