• Sonuç bulunamadı

Três (p. 69)

Com o tempo foi descobrindo os pecados maiores da amada, vícios próprios da burguesia, como diz Lião: soberba e ava- reza. A gula também entra, Li-

Le ragazze

Tre (p. 192)

Col passar del tempo cominciò a scoprire i peccati più gravi dell’amata, i vizi propri della borghesia, come dice Lião: su- perbia e avarizia. Entra pure la

Ragazze

Tre (p. 69-70)

Col tempo ha scoperto i peccati maggiori dell’amata, vizi della borghesia, come dice Lião: su- perbia e avarizia. Anche la gola c’entra, Lião ha già provato

146 Cf. notas referentes ao cotejo 1 e ao cotejo 2 (no segundo capítulo deste trabalho).

147 Um outro momento em que ambos tradutores fazem o mesmo tipo de escolha pode ser verificado na

tradução de “Família é mesmo um pé no saco” (TELLES, 1998, p. 132): eu opto por “Due palle la famiglia” (apêndice A, p. 226) e Pesante por “La famiglia è proprio una rottura” (TELLES, 2006, p. 136). Observa-se que aqui as escolhas são semelhantes por procurar manter o tom coloquial da fala.

ão já provou nas suas pesquisas que burguesa de país subdesen- volvido é gulosíssima: aos trin- ta anos estão todas com uma papada e um popô do tamanho do Jaraguá. Então meu amado foi se fechando com seu ca- chimbo e seu Proust, solidão de bicho-de-caramujo, pode bater que não abro. Mas abriu algu- mas vezes, não abriu? Cinco fi- lhos. Por que tanto filho, M.N.? É o que me deixa meio invoca- da, cinco filhos. “Um caso difí- cil” – disse Dona Guiomar logo na primeira rodada quando apareceu aquele Rei-de-Copas. Apontou a Dama-de-Espadas com seu dedo preferido e avi- sou que ele estava muito enro- lado na mulher: “Olha aqui a mulher.” Olhei e devo ter caído de quatro porque ela teve tanta pena que quis me descompri- mir. Previu milhares de ho- mens maravilhosos que vão me amar até o fim dos tempos, to- dos chegando de avião com u- ma pasta preta bossa James Bond. Homens maravilhosos, i- magine. Só pensava no meu rei proibido, He has a god in him,

though I do not know which god, oh, poeta, onde estiver

proteja este meu pobre amor. Sei que devia pedir proteção a Ogum e Iemanjá mas perdoa, Lião, só posso curtir com espí- ritos e duendes de outros bos- ques, tão linda a palavra bos- que! Temos bosques? Bosque aqui é mato. He has a god in

him. Mas é proibido, já enten-

di, é o verboten que às vezes se crava em mim como um estile- te. Em baiano a gente dava um jeito mas em alemão não tem esperança, verboten, verboten, oh língua definitiva. Se a mu- lher morresse de leucemia.

gola, Lião già constatò nei suoi sondaggi che la borghesia dei paesi sottosviluppati è golosissi- ma: ai trent’anni hanno tutte la pappagorgia e un culetto grande come il Jaraguá*. Allora il mio amato cominciò a chiudersi con la sua pipa e il suo Proust, so- litudine da riccio, bussa pure che non apro. Ma qualche volta avrà pure aperto, no? Cinque fi- gli. Perché tanti figli, M.N.? È questo che mi scoccia un po’, cinque figli. “Un caso difficile” – disse subito Dona Guiomar al primo giro quando spuntò quel re di coppe. Indicò la donna di spade con il suo dito preferito e mi avvertì che lui era molto le- gato alla moglie. “Guarda, ecco la moglie.” Guardai e devo esser rimasta di stucco perché lei eb- be tanta pietà che mi volle con- solare. Previde migliaia di uo- mini meravigliosi che mi avreb- bero amata fino alla fine, arrive- rebbero tutti in aereo con una valigetta nera tipo James Bond. Uomini meravigliosi, figuria- moci. Io pensavo solo al mio re proibito, He has a god in him,

though I do not know which god, oh, poeta, dovunque tu sia

proteggi questo mio povero a- more. Lo so che dovrei chiedere protezione a Ogum e Iemanjá ma perdonami, Lião, non posso farne a meno di pregare agli spi- riti e agli gnomi di altri boschi, è così bella la parola bosco! Li abbiamo i boschi? Bosco qui è foresta. He has a god in him. Però è proibito, l’ho già capito, è il verboten che a volte mi col- pisce come uno stiletto. In baia- no avremmo trovato un modo ma in tedesco non c’è speranza,

verboten, verboten, oh lingua

definitiva. Se la moglie morisse di leucemia.

* Il Pico do Jaraguá, con i suoi 1.135 metri di altezza, rappre- senta la massima elevazione della Serra da Cantareira, a San Paolo.

nelle sue ricerche che la bor- ghesia di un paese sottosvilup- pato è golosissima: a trent’anni si ritrovano tutte con un gozzo e un popò grande come una montagna, come il Jaraguá. E allora il mio amato si è andato chiudendo con la sua pipa e il suo Proust, solitudine da mol- lusco, puoi bussare che non a- pro. Ma qualche volta ha aper- to, no? Cinque figli. Perché tanti figli, M.N.? È questo che mi lascia un po’ arrabbiata, cinque figli. “Un caso diffici- le”, ha detto la signora Guio- mar subito al primo giro quan- do è comparso quel re di cop- pe. Ha indicato la donna di spa- de con il suo dito preferito e ha avvisato che lui era molto coin- volto con la moglie. “Guarda qua la moglie.” Ho guardato e devo aver fatto una faccia per- ché le ho fatto pena e lei ha vo- luto sollevarmi. Ha previsto migliaia di uomini che mi ame- ranno fino alla fine dei tempi, tutti che arrivano in aereo con una valigetta nera tipo James Bond. Uomini meravigliosi, immagina. Pensavo solo al mio re proibito, He has a god in

him, though I do not know which god, oh poeta, dovunque

tu sia proteggi questo mio po- vero amore. So che dovrei chiedere protezione a Ogum e Iemanjá ma, perdonami, Lião, io mi diverto solo con spiriti e gnomi di altri boschi, che bella parola boschi! Noi abbiamo boschi? Qui il bosco è foresta.

He has a god in him. Ma è

proibito, ho già capito, è il

verboten che a volte mi si con-

ficca come uno stiletto. In baia- no ci saremmo adattati ma in tedesco non c’è speranza,

verboten, verboten, oh lingua

definitiva. Se la moglie morisse di leucemia.

Nesse fragmento do romance, observamos o uso de um referente geográfico (o Pico do Jaraguá) como parâmetro de comparação; nota-se, também, que tal comparação é reforçada pelo termo popô que, como já dissemos148, é uma das expressões que caracterizam a voz de Lorena e o seu estilo de linguagem. Dessa maneira, traduzir a comparação “um popô do tamanho do Jaraguá” significava focar dois aspectos do texto simultaneamente: o lingüístico (para que a peculiaridade do estilo de Lorena fosse mantida) e o cultural (para que se preservasse o referente geográfico).

No que se refere ao primeiro aspecto mencionado, optei pelo termo culetto que também empreguei nos outros trechos149 do romance em que Lorena recorria à palavra, de forma a manter uma coerência interna. Pesante opta por popò que, embora já tenha adotado em solução precedente, não é repetido todas as vezes em que o termo é usado no texto em português150. Na caracterização da voz de Lorena, portanto, as duas traduções divergem quanto às alternativas escolhidas e o mesmo ocorre em relação ao referente geográfico.

Diante de um elemento que certamente não é familiar ao leitor italiano, havia algumas alternativas possíveis: (1) não manter a referência ao Pico do Jaraguá e adaptá- la ao contexto italiano trocando-a, por exemplo, por “Monte Bianco” ou “Monviso”; (2) manter a referência e explicitar a metáfora no próprio texto; (3) manter a referência e introduzir uma nota esclarecendo a metáfora. A primeira opção descaracterizaria o contexto cultural do romance, não sendo por acaso que não foi seguida por nenhuma das duas traduções. Pesante adotou a segunda opção, explicitando no corpo do próprio texto

148 Cf. nota referente ao cotejo 1 (no segundo capítulo deste trabalho).

149 Logo no primeiro capítulo do romance, Lorena já faz uso da palavra: “mas por que essa saia hoje?

Apesar do popô de baiana exorbitar, acho que ainda fica melhor de jeans” (TELLES, 1998, p. 23). O emprego de popô também se repete no quinto capítulo: “[Preciso] de umas carnes aqui, não existe um popô menor, existe?” (Id., p. 107). Mais adiante, é Ana Clara quem reforça o estilo de linguagem da amiga: “A nhem-nhem tem um álbum de retratos na arca. Capa de veludo. Fecho de prata. Toda a parentela antiga posando em sépia. Finge que não liga mas não pensa noutra coisa. Não sossegou enquanto não me mostrou todos. Mas vieram os carunchos atacando tão sutis que atravessaram os tafetás das saias, as flanelas inglesas das calças e chegaram às respectivas bundas. Em sépia. Então começaram a roer bem devagarinho os popôs, a nhem-nhem fala popô abotoando a boquinha. Está certo. Os sacanas roeram os popôs e chegaram aos ossos, o apetite desses carunchos, pomba” (Id., p. 173). Nos três fragmentos traduzi popô como culetto, assim, no primeiro capítulo optei por “ma come mai questa gonna oggi? Benché il culetto da baiana sia esorbitante, penso che comunque stia meglio con i jeans” (apêndice A, p. 168); no segundo caso, “[ho bisogno di] un po’ di ciccia qua, non esiste un culetto più piccolo, vero?” (Id., p. 212); e quanto à fala de Ana Clara, “[…] arrivarono ai rispettivi culi. In seppia. Allora cominciarono a rodere lentamente i culetti, la ngné-ngné dice culetto abbottonando la boccuccia. Va bene. Gli stronzi roderono i culetti e arrivarono alle ossa, un appetito queste tarme, caspita” (Id., p. 248).

150 O tradutor italiano optou por popò no primeiro caso citado na nota acima: “ma perché questa gonna

oggi? Anche se il popò da baiana è eccessivo, penso che stia meglio coi jeans” (TELLES, 2006, p. 23), mantendo a opção também no discurso de Ana Clara: “[…] sono arrivati ai rispettivi sederi. In seppia. Allora cominciano a rosicchiare piano piano i popò, la gnem-gnem dice popò abbottonando la boccuccia. Va bene. I maledetti hanno rosicchiato i popò e sono arrivati alle ossa, l’appetito di questi tarli, cavolo” (Id., p. 178-179). Já no segundo caso, o tradutor italiano optou por sedere: “[ho bisogno di] un po’ di ciccia qui, non esiste un sedere più piccolo di questo, no?” (Id., p. 109).

o fato de o Pico do Jaraguá ser uma montanha. Eu optei pela última alternativa que impõe uma quebra do ritmo de leitura mas não interfere diretamente no texto.

Encontram-se outras divergências entre os dois textos em italiano, como na tradução de bicho-de-caramujo: enquanto o tradutor italiano optou por mollusco, um termo mais genérico, eu optei por riccio, em consideração também a um dizer italiano (chiudersi come un riccio) que, de certa forma, condiz com o contexto no qual se insere a palavra. Diante da expressão meio invocada, as duas traduções também assumem alternativas distintas; na falta de um equivalente exato em italiano, preferi um termo (scocciarsi) mais próximo do sentimento de aborrecimento, enquanto Pesante escolheu um que remetesse ao sentimento de raiva (arrabbiarsi). Por outro lado, em relação à expressão idiomática cair de quatro, observa-se que ambas traduções se posicionaram da mesma forma, ou seja, embora tenham aderido a alternativas diferentes, procuraram encontrar uma expressão equivalente em italiano (“rimanere di stucco” e “fare una faccia”). Entretanto, diante de uma outra frase (“em baiano a gente dava um jeito”) que também não encontra equivalente exato em língua italiana, os tradutores adotam soluções bem distintas. Tentando recuperar o sentido de dar um jeito no contexto utilizado por Lorena (isto é, encontrar uma forma de resolver o problema), optei por “in baiano avremmo trovato un modo”; o tradutor italiano, diferentemente, optou pelo sentido de adaptação com “in baiano ci saremmo adattati”. Já no que diz respeito à frase “previu milhares de homens maravilhosos que vão me amar até o fim dos tempos”, observa-se que a tradução de Pesante suprime o adjetivo (“ha previsto migliaia di uomini che mi ameranno fino alla fine dei tempi”), o que se deve mais provavelmente a uma inadvertência do que a uma escolha consciente.

Apesar das discrepâncias, encontram-se também posicionamentos semelhantes dos tradutores diante da presença de determinados elementos, como na menção ao personagem James Bond e na citação dos versos de Ezra Pound: aqui as duas traduções optam pelo mesmo caminho. O personagem James Bond, largamente divulgado pelo cinema americano, é familiar ao leitor brasileiro tanto quanto ao leitor italiano, não sendo causa de estranhamento nem no texto em português nem nas traduções para o italiano. Nesse caso, portanto, a presença de um referente cultural estrangeiro não trouxe qualquer impasse à tradução, justamente por não se tratar de um referente vinculado apenas ao contexto brasileiro. Cabe destacar ainda que nessa menção ao personagem de Ian Fleming verifica-se que ambas traduções concordam também na

tradução de bossa – utilizada pelas três protagonistas em algumas analogias151 – optando por tipo. Os versos de Pound, evidentemente, também são “estrangeiros” para um leitor brasileiro tanto quanto para um leitor italiano, não havendo motivos para explicitar uma informação que já se encontra implícita em As meninas. Aqui, mais uma vez, os dois tradutores adotam a mesma solução, deixando os versos em inglês sem traduzi-los e sem incluir qualquer informação a respeito da autoria.

De modo geral, no que se refere à presença de expressões em língua estrangeira (espanhol, inglês, francês, latim e alemão), as duas traduções convergem para a mesma solução, pois em ambas as citações em língua estrangeira permanecem inalteradas – é o que se observa, por exemplo, com verboten, palavra utilizada com certa ênfase por Lia ou Lorena em alguns trechos do romance, como mostra o cotejo. Cabe lembrar que o emprego de expressões estrangeiras permeia várias narrativas de Lygia Fagundes Telles, podendo-se dizer que esse recurso marca a estilística de sua escrita, assim, não interferir na presença dessas expressões significa tentar manter reconhecível, na medida do possível, um dos elementos do estilo literário da autora. Tal opção vai também de acordo com a afirmação de Rega, segundo a qual “per quanto riguarda il problema delle parole straniere nel testo originale, si tende a mantenerle inalterate anche nella lingua di arrivo partendo dall’assunto che esse irradiano così lo stesso effetto in entrambe le lingue”152 (2001, p. 169).

Embora as duas traduções concordem sobre a solução diante das expressões em língua estrangeira, tal concordância não se estende às referências a Ogum e a Iemanjá, que remetem à diversidade religiosa do Brasil. No primeiro capítulo do romance, Lia já havia mencionado os orixás153 e, naquele trecho do romance, a tradução de Pesante

151 Não é apenas nesse trecho do romance em que as três jovens usam o termo para estabelecer

comparações. De fato, já no início da narrativa, Lorena se utiliza da expressão: “[Mudei] pra pior? – perguntou ela abrindo o lenço e se assoando. Bossa escapamento aberto” (TELLES, 1998, p. 18). Lia também recorre à expressão: “Você acha que nessa altura uma análise vai funcionar? Teria que ser um analista bossa São Sebastião, aquele das flechas, bonito e bom” (Id., p. 27); e o mesmo se pode dizer de Ana Clara, que a utiliza em duas ocasiões: “Você está trocando tudo, comunista é a gorda bossa retirante. Essa é a magrinha, aquela meio cabeçuda. Sobre o inseto.” (Id., p. 49); e “Vou de cara lavada em dez minutos fico pronta. E então. Ele acha lindo cara lavada. Bossa natureza” (Id., p. 100). Não havendo um equivalente exato em italiano, isto é, uma expressão que tivesse o mesmo significado e que se caracterizasse ao mesmo tempo como gíria, a solução mais adequada parecia ser a escolha de um termo que desse o mesmo sentido às falas, caracterizando-as como comparações, e que se encaixasse no contexto cada vez que a expressão fosse repetida. Dentre algumas alternativas, como a guisa di (talvez excessivamente literário) ou come (que daria ênfase demais às analogias, explicitando-as), a escolha de

tipo se mostrava mais adequada e o fato de que ambas traduções tenham optado por ela é uma prova

disso.

152 [No que se refere ao problema das palavras estrangeiras no texto original, tende-se a mantê-las

inalteradas também na língua de chegada partindo do pressuposto que elas, assim, irradiam o mesmo efeito em ambas as línguas.]

153 “Brandamente Lia sacudiu o pequeno sino de bronze. Sorriu para a amiga enquanto procurava tirar do

explicava a referência numa nota154, nessa nova menção, porém, Ragazze não traz qualquer elucidação aos nomes dos orixás. Tanto na primeira quanto na segunda ocasião optei por outro modo de acrescentar a informação: a designação genérica orixá, bem como os nomes de Iemanjá e de Ogum foram destacados em itálico e inseridos no glossário final da tradução.

Pouco mais adiante, quando Lorena fala sobre bosques, deparamo-nos com uma problemática que envolve ao mesmo tempo os aspectos geográfico e cultural: as concepções de floresta, selva, bosque, mato etc. variam de país a país. No Brasil, naturalmente, esses conceitos são condicionados pela rica biodiversidade do país, sendo compreensível, portanto, que não coincidam com a concepção italiana dos mesmos termos. Um exemplo concreto disso nos é dado por Lorena quando questiona a existência de bosques – mais populares na Europa – na imensidão verde do Brasil; a resposta provém da própria personagem: “Bosque aqui é mato”. No que diz respeito à tradução de referentes desse tipo, Lorenza Rega lembra que “la distanza spaziale deve ovviamente rimanere tale, in quanto è espressa da elementi costitutivi dell’opera: al livello più banale una giungla non può trasformarsi in un bosco, né una savana in una semplice distesa erbosa”155 (2001, p. 62). Apesar de consciente de tal problema, não encontrei nenhuma alternativa satisfatória para a tradução de mato, optando – meio a contragosto, pois tal tradução se afasta do sentido do texto em português – por

foresta156, que se aproxima do imaginário italiano acerca do Brasil. Pesante parece ter

passado pela mesma dificuldade, tendo aderido à mesma alternativa.

A dificuldade de encontrar uma tradução para mato deve-se, em parte, à falta de uma correspondência exata entre os vocábulos do português e do italiano, decorrente da própria diversidade da natureza dos dois países e do modo de vivenciá-la. Segundo Ortega y Gasset,

è […] un’utopia credere che due vocaboli appartenenti a due lingue, e che il dizionario ci indica come traduzione l’uno dell’altro, facciano riferimento esattamente agli stessi oggetti. È naturale che le lingue, formatesi in paesaggi

(TELLES, 1998, p. 29).

154 “Orixá: divinità brasiliana, di importazione africana. [N.d.E]” (TELLES, 2006, p. 29).

155 [A distância espacial deve obviamente permanecer tal, enquanto que é expressa por elementos

constitutivos da obra: no nível mais banal uma floresta não pode transformar-se num bosque, nem uma savana numa simples extensão verde.]

156 Embora tenha adotado foresta, também tinha levado em consideração outra possibilidade (bem

diferente, senão contrária): prato. Nesse caso, o problema residia no fato de o mato se constituir numa área verde recoberta de vegetação não cultivada, enquanto um prato não é necessariamente recoberto por algum tipo de vegetação.

differenti e in base ad esperienze diverse, siano incongruenti.157 (2002, p.

185)

Tal incongruência, verificada em alguns aspectos vinculados à natureza, também pode manifestar-se em certas expressões intrínsecas ao contexto cultural em que surgiram: é o caso, por exemplo, de elementos vinculados aos sabores locais ou ao folclore. No primeiro caso, é freqüente encontrar um sabor brasileiro que, por estar ligado a um determinado elemento disponível na nossa natureza, não encontra correspondente em italiano. É o que se nota no fragmento abaixo:

Cotejo 15: Garapa