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Kooperatiflerde Katma Değer Vergisi İstisnası

I. BÖLÜM

2.2. Kooperatiflerin Türk Vergi Kanunları Karşısındaki Durumu

2.2.4. Kooperatiflerin Katma Değer Vergisi Karşısındaki Durumları

2.2.4.3. Kooperatiflerde Katma Değer Vergisi İstisnası

O conflito é o desajuste funcional entre os Poderes e ele se identifica não apenas com a indevida invasão de área de um Poder na do outro, mas, substancialmente, quando há sobreposição de um Poder sobre o outro. Passando o Poder subordinante a emendar ou ditar conduta ao subordinado.

Exemplo expressivo de conflito de Poder encontra-se em obra de Anna Cândida da Cunha Ferraz169, em que se aponta a inconstitucionalidade da atuação corretiva do Poder Legislativo, para emendar e tolher o excesso de poder de conduta do Poder Executivo, quando, não obstante em face do permissivo do artigo 49, inciso V, da Constituição, promove a supressão da rebarba do regulamento abusivo ou da delegação exorbitante perpetrada por este último, na medida em que

168FERRAZ, Anna Cândida da Cunha. Conflito entre Poderes. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994. p. 41.

esta autora sustenta que tal correção deva caber ao Poder Judiciário, por via do controle de constitucionalidade.

Assim houve na hipótese, sujeição evidente de um Poder a outro. Em verdade, não apenas usurpação do Poder Judiciário, principalmente, porém, redução do Poder Executivo à repreensão do Poder Legislativo, ultrapassando-se, na circunstância considerada, o limite em que pudesse haver reequilíbrio do sistema operacional de Poder, pelo ajuste que possibilitasse a compatibilização de ambos, no concerto de harmonia em que eles deveriam atuar, por combinação recíproca e espontânea.

É como se em uma orquestra em que os instrumentos de corda devessem ser uníssonos, o som da viola fosse sobrepujado pelo do violino, em situação na qual não a pudesse corrigir o maestro. Vindo, então, o próprio violeiro cortar as cordas do violino, para que o violinista não continuasse a distorção, destoando do conjunto, o que embora pudesse ser possível, significaria a extinção da orquestra, o que inviabilizaria a consumação da sinfonia, que é a finalidade do conjunto.

Por consequência, o concerto entre os Poderes é isto, esta harmonia fina entre as funções, a produção do som do conjunto pela sonorização congruente de todos os seus órgãos, em promoção da grande sinfonia do equilíbrio político e da harmonia social. Não obstante, em situação em que os órgãos do Poder existem distintamente uns dos outros, da mesma forma, como o violino existe independentemente da viola, mas em que pese esta distinção, todos atuem uníssonos no conjunto da orquestra.

Ruy Martins Alterfelder Silva170 escreve:

As Constituições brasileiras acolheram a tese montesquiana. A Harmonia e Independência dos Poderes estaria sendo obedecida no momento presente?

Vejamos: O Poder Executivo, com fundamento nos artigos 59-V e 62 da Constituição Federal editou centenas de Medidas Provisórias, a maioria delas sem os requisitos indispensáveis da Relevância e Urgência. O Congresso Nacional teve suas pautas travadas, congestionadas, paralisando os trabalhos, legislativos. E o que é mais grave: na tramitação de muitas das Medidas Provisórias foram acolhidas Emendas que nada tinham a ver com o cerne das mesmas, verdadeiras „emendas piratas‟ desnaturando a Medida Provisória que sucedeu o Decreto-Lei. É o

170SILVA, Ruy Martins Alterfelder. Princípios fundamentais e harmonia dos Poderes. Informativo

Executivo avançando na competência do Legislativo, editando Medidas Provisórias, sem os requisitos constitucionais da relevância e urgência. Felizmente, o deputado federal e jurista Michel Temer, em boa hora, interpretou corretamente a questão do travamento da pauta do Congresso e com apoio do Supremo Tribunal Federal, minorou os seus efeitos.

Na resposta a esta indagação, não há como negar a ruptura do concerto inerente ao sistema de Poder tripartido.

Há nesta dicção a abordagem de uma questão de evidente conflito de Poder. Traduzido na sobreposição do Poder Executivo sobre o Congresso Nacional, que trava as pautas de funcionamento das casas congressuais. Uma obstrução, em verdade e em suma, a disciplina de agenda que o primeiro impõe ao segundo. Sem dúvida, que por desmesurada edição de medidas provisórias destituídas de seus pressupostos de habilitação. Contudo, mais do que isto, pelo entrave que essa situação ocasiona na pauta do Congresso Nacional, em face da disposição do § 6º, do artigo 62, da Constituição da República Federativa do Brasil, que paralisa a atividade do Congresso Nacional, se a medida provisória não for votada por ele, em até 45 dias, subsequentemente em cada uma de suas casas.

Como já se noticiou no capítulo segundo deste trabalho, em que se procurou dissertar sobre a condição de validade da medida provisória na nota 60, o entendimento do Presidente da Câmara dos Deputados do Congresso Nacional, interpretando o artigo 62, § 6º, da Constituição da República. No sentido de que o travamento da pauta, em cumprimento do seu mandado, somente se pode dar em votações quanto às deliberações legislativas ordinárias, apenas naquelas relacionadas ao campo material das medidas provisórias.

Como se sabe, o assunto está sub judice nos termos do mandado de segurança nº 27.931-1, no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do Ministro José Celso de Mello.171

171Sobre o assunto escreveu o deputado Michel Temer:

“Essa interpretação está, no momento, submetida à análise do Supremo Tribunal Federal. Ressalto, porém, que estou fortemente convencido desse entendimento. Com essa resolução, pretendo „levantar a cabeça‟ do Poder Legislativo e mostrar que temos condições de dar uma interpretação constitucional conseqüente, que nos permita dar efetividade ao processo legislativo. Reconheço a ousadia dessa decisão, mas acredito que o Brasil e o Legislativo estão precisando dessa ousadia”. Igual ousadia espera-se que tenha o Supremo Tribunal Federal, neste momento crucial para a história da Liberdade, no Brasil. É preciso entender que o controle dos pressupostos de habilitação das medidas provisórias, encarado como competência não excludente do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, há de ser a chave para o restabelecimento do equilíbrio do Poder, no Brasil. Não basta

Constitui seu despacho inaugural exemplo didático de que seja conflito entre poderes. Veja-se dele o excerto abaixo:

A construção jurídica formulada pelo Senhor Presidente da Câmara dos

Deputados, além de propiciar o regular desenvolvimento dos trabalhos legislativos no Congresso Nacional, parece demonstrar reverência ao texto constitucional, pois – reconhecendo a subsistência do bloqueio da pauta daquela Casa legislativa quanto às proposições normativas que veiculem matéria passível de regulação por medidas provisórias (não

compreendidas, unicamente, aquelas abrangidas pela cláusula de pré- exclusão inscrita no art. 62, § 1º, da Constituição na redação dada pela EC

nº 32/2001) – preserva, íntegro, o poder ordinário de legislar atribuído ao Parlamento.

Mais do que isso, a decisão em causa teria a virtude de devolver à

Câmara dos Deputados, o poder de agenda, que representa perrogativa institucional das mais relevantes, capaz de permitir, a essa Casa do Parlamento brasileiro, o poder de selecionar e de apreciar, de modo

inteiramente autônomo, as matérias que considere revestidas de

importância política, social, cultural, econômica e jurídica para a vida do País, o que ensejará – na visão e na perspectiva do Poder Legislativo (e

não nas do Presidente da República) – a formulação e a concretização, pela instância parlamentar, de uma pauta temática própria, sem prejuízo da observância do bloqueio procedimental a que se refere o § 6º do art. 62 da Constituição, considerada, quanto a esta obstrução, a interpretação que lhe deu o Senhor Presidente da Câmara dos Deputados.

O conflito está demonstrado e posto no fato do comando impróprio que o Poder Executivo passa a ter nas circunstâncias relatadas sobre a agenda do Congresso Nacional. O Presidente da República passa a compor e determinar a agenda do Poder Legislativo travando com medidas provisórias abusivas o seu funcionamento e impede o Parlamento de legislar sobre matérias do mais relevante interesse nacional, reduzindo-o a um poder ancilar.

De seu bordo, no discurso de abertura do Ano Judiciário de 2010, declarou no Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Senado, José Sarney:

Não podemos deixar a sociedade sob um mar de leis desconexas, incompreensíveis. É um trabalho lento, que estamos começando e vamos acelerar embora com esse instrumento monstruoso colocado em nosso caminho, que são as medidas provisórias, mutilem o Congresso.172

reconhecer que o condicionamento da agenda é cabal evidência do absurdo a que chega o desvio de Poder que contamina o Executivo, em seu divórcio do sistema da Constituição. Este é o ponto essencial. A decisão da questão Temer, agora, abordada, pode ser o começo mais do que da ousadia, com certeza, da coragem do Supremo Tribunal Federal. E que o faça logo nos termos do inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal. TEMER, Michel. Deixem o Legislativo legislar.

Senatus, Brasília, v. 7, n. 1, p. 12-13, jul. 2009.

172SARNEY, José. Discurso do Presidente Sarney na abertura do ano judiciário. Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado Federal. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/comunica/imprensa/detalha_noticia.asp?data=02/02/2010&codigo=717 63>. Acesso em: 23 fev. 2010.

Entretanto, não é o instrumento que é monstruoso. É o uso distorcido que dele se faz e que o torna motivo de trancamento não apenas da pauta do Congresso Nacional, mas em trave mesmo do funcionamento harmônico dos Poderes.173

A causa primeira para todo este desvio de Poder está, sim, no desequilíbrio do Executivo, que edita medidas provisórias aos borbotões, deturpando o senso de relevância e urgência e transformando a medida provisória em via ordinária de legislação, usurpando o Poder Legislativo, com o qual, assim, entra em conflito evidente.

Entretanto, volta-se, neste ponto, à questão levantada pelo saudoso professor Miguel Reale, como abordada na nota 155 deste trabalho, no sentido de que a Constituição de 1988, tenha uma estrutura parlamentarista, à qual se impingiu um sistema presidencialista.

Cumpre repassar a história:

O fato é que vivemos um dilema que opõe, de um lado, a necessidade de reformas emergentes do Estado brasileiro, sob a responsabilidade do Executivo, de outro, a plenitude da deliberação a ser realizada no interior da Casa de representantes do povo, própria de um regime verdadeiramente democrático.

Alguns autores apontam, nesse ponto, uma contradição na própria Constituição de 1988 – o que dá vida ao dilema antes referido – pois, se por um lado a Carta Cidadã devolveu certas prerrogativas ao Congresso Nacional, ausentes no interstício entre 64 e 88, manteve outras tantas com o Poder Executivo, permitindo-o tornar-se, com o auxílio de normas infraconstitucionais, mesmo em época de democratização, “o legislador de fato e de direito”, como parece constituir verdadeiro lugar comum na história brasileira.

Aqueles que de algum modo tomaram parte da Assembléia Constituinte reunida para redigir o texto constitucional hoje vigorante, argumentam que era sua intenção fazer com que o Congresso Nacional, após o ostracismo impingido pela ditadura, voltasse a contribuir de forma efetiva na formulação de políticas públicas, como, “verbi gratia”, participando do processo orçamentário e tomando para si o poder de fiscalizar a gestão das finanças públicas.

173Veja-se o caso das medidas provisórias editadas anteriormente à publicação da Emenda Constitucional nº 32/2001, desde que nos trinta dias anteriores à sua promulgação, elas não precisam ser reeditadas para permanecer em vigor e assim ficarão até que o Congresso Nacional se manifeste – rejeitando-as ou editando lei em sentido colidente com suas normas ou até que o Presidente da República edite outra medida provisória que as altere (conforme MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito

Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 940). Não pode haver maior acinte ao princípio da

legalidade, que é deixar viger como lei, o que era para ser norma provisória, de eficácia temporária e excepcional. Neste sentido, de fato o instrumento é monstruoso. Nelas está o plexo de leis desconexas e incompreensíveis que tolhe, mas, não exclusivamente, a efetividade do princípio da segurança jurídica no Brasil.

E assim se fez, adicionando-se aos poderes acima referidos, entre outros, o de iniciativa de legislar privativamente sobre determinadas matérias, o de sustar ato normativo do Executivo que exceder o poder regulamentar (leia- se, decreto incompatível com a lei objeto da regulamentação) e, mais, dotando-se as denominadas Comissões Permanentes da prerrogativa de aprovar projetos de lei em caráter definitivo, o que dispensa a manifestação do plenário. Esperava-se, quanto a esse item, tornar o Congresso mais eficiente e produtivo.

Se é verdade, todavia, que se procedeu à redação de normas reveladoras desse intento, qual seja, o de recuperar a autonomia e a efetividade da atuação do Congresso Nacional, mantiveram-se outras tantas atribuições com o Poder Executivo, o que tornou possível, notadamente nos anos de governo Fernando Henrique Cardoso, o controle quase absoluto, por parte daquele último, da agenda de votações do Congresso.

Dados estatísticos que resultaram de pesquisa independente e imparcial realizada em anos recentes, nos dão conta que na vigência da Constituição de 1946, as leis de iniciativa do Executivo constituíram 43 por cento do total votado pelo Congresso Nacional, contra 85 por cento no interstício entre 1988 e 1994, o que, portanto, não leva em consideração os dois mandatos do Presidente Fernando Henrique Cardoso (um ora incompleto), período em que a mera leitura dos jornais nos leva a crer que a situação é ainda mais crítica.

A proporção de leis de iniciativa do Presidente da República, que assuma o indesejável controle da agenda do Legislativo pelo Poder Executivo, é ainda mais impressionante se comparada ao percentual do período de ditadura militar, quando as leis incoadas pelos generais constituíam um número apenas um pouco maior (90% do total) que nos dias atuais, já sob auspícios de uma Constituição democratizante.174

A inviabilização operacional do Poder Legislativo, congestionado por projetos legislativos de iniciativa do Poder Executivo, isoladamente, sempre foi um problema que tolheu a independência do Congresso Nacional, pelo simples fato do congestionamento de sua agenda.

Pior que isto, é o travamento da pauta, por força da medida provisória sem os pressupostos formais de habilitação, que se não votada em quarenta e cinco dias de sua edição, põe o Legislativo a reboque do Executivo.

Porque este obstáculo à regular atividade do Congresso Nacional pode protelar a validade de medidas provisórias por até mais de 120 dias. Desde que a sua pauta congestionada não possa processar pelo atulhamento com medidas provisórias impróprias, votação delas em período adequado.

Ainda de má-fé, o Presidente da República pode impedir até como consequência de seu abuso, na edição propositada de medidas provisórias, sua

174SPIELMANN, Carlos André. O controle de constitucionalidade das medidas provisórias praticado pelo Supremo Tribunal Federal. Revista da Faculdade da Universidade Católica de Petrópolis, v.1, p. 11-20, 1999.

fiscalização pelo Poder Legislativo, propiciando, sob todos os pontos de enfoque do problema, a ineficácia da própria Constituição, impedindo o Congresso Nacional de trabalhar que não seja exclusivamente em cima de medidas provisórias abusivas.

De qualquer maneira a consequência disso tudo é que o Poder Executivo passa a ditar a agenda do Poder Legislativo e isto infringe a cláusula pétrea do artigo 60, § 4º, inciso IV, da Constituição da República Federativa do Brasil.

Consubstancia-se e corporifica-se destarte o conflito de Poderes que se julga demonstrado.

7.10 O Controle de Constitucionalidade como Instrumento de Conciliação do