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Diğer Vergi ve Harçlar İle Kooperatif Özel Kanunlarına İlişkin Vergisel

I. BÖLÜM

3.3. Diğer Vergi ve Harçlar İle Kooperatif Özel Kanunlarına İlişkin Vergisel

Os limites para compreensão de um sistema jurídico não existem. O raciocínio jurídico propende ao infinito e é tão difuso quanto são as complexidades de alma do ser humano.

Vale para seu entendimento o brocardo de que nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai e nem tudo que parece é.

O analista jurídico é um pescador de águas turvas204, que o que não vê hoje pode enxergar e entender amanhã, como se a compreensão do fenômeno jurídico fosse impossível ontem e se tornasse pela reflexão compreensível hoje. É absolutamente mutável no futuro, marcando-se por um dinamismo que se haure na dinâmica da factualidade com quem tem de guardar correspondência para ser efetivo e concreto, dentro de um complexo de princípios parametrais, em que se insculpem os transcendentais valores da civilização e da sociabilidade.

Sem que sejam impostos limites ao pensamento, para efeitos de consideração de um sistema jurídico205, o raciocínio deste trabalho será parametrizado por dois conceitos de compreensão e entendimento de um sistema jurídico.

Sob o primeiro prisma, os sistemas jurídicos seriam completos. Neles não haveria lacunas reais, apenas fictícias, e os fenômenos do mundo seriam regrados por disposições explícitas proibitivas ou autorizantes de comportamentos ou implicitamente impeditivas de fazer ou não fazer certas coisas.

Sob o axioma de que tudo que não está proibido é permitido, esta compreensão de um sistema jurídico, assim posta em termos pragmáticos, ancora- se no entendimento de Hans Kelsen. Dessa concepção resulta a conclusão da

204Este é um pensamento do professor Guido Soares da Silva, em preleções da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em que o aluno se bacharelou.

205A função social da dogmática jurídica está no dever de limitar as possibilidades de variação na aplicação do direito e de controlar a consistência das decisões, tendo por base outras decisões. Só a partir de um estudo científico-jurídico é que se pode dizer o que é juridicamente possível. O ideal dos juristas é descobrir o que está implícito no ordenamento jurídico, reformulando-o, apresentando-o como um todo coerente e adequando-o às valorações sociais vigentes (DINIZ, Maria Helena. Lei de introdução ao Código Civil brasileiro interpretada com referências ao

completude do sistema jurídico, capaz de conter tudo o que seja necessário para imprimir as regras da vida.

Admitindo lacunas fictícias ou simplifique-se, vácuos de legislação206, esse conceito de sistema jurídico as entende como limites impostos ao aplicador do Direito de maneira a lhe possibilitar a identificação do linde para a sua ação.

Sob o outro prisma, o sistema jurídico seria um plexo complexo de múltiplos subsistemas que se integrariam em um caroço enredado de princípios postos e pressupostos, de que dimanam as regras, primeiramente as normas, todos eles nortes efetivos de conduta e comportamento, que emanam do contexto do Direito, promanando para a contextualidade do social. 207

Sob essa ótica as lacunas seriam reais e não exclusivamente normativas, enfeixando-se estas com outras de natureza ontológica e axiológica. Haveria nessa hipótese a necessidade, por exemplo, de uma operacionalização do direito, pelos parâmetros, de norma, fato e valor e a urdição da Justiça, combinaria em síntese a interação desses fenômenos, para ser suficientemente humana, razoável e justa.208

Nesse diapasão, o Direito é conjunto, sendo a ideia de conjunto fundamental para a compreensão de qualquer norma e, nesse sentido, conjunto é harmonia de fatores produtivos e da Justiça, reitere-se fato, norma e valor. É ausência de incongruências, de conflitos, e a melhor interpretação é a que ajusta a norma ao sistema e evita os confrontos, postos nos momentos de incongruência do sistema,

206É histórico que os interpretadores medievos dos textos de direito romano qualificaram lacunas efetivamente as rupturas dos tecidos dos papéis que analisavam no exercício de suas interpretações jurídicas e em face delas, passavam a intuir por processo interpretativo sistêmico o senso das disposições que interpretavam.

207Os princípios gerais do direito, entendemos, não são preceitos de ordem ética, política, sociológica ou técnica, mas elementos componentes do direito. São normas de valor genérico que orientam a compreensão do sistema jurídico, em sua aplicação e integração, estejam ou não positivadas (DINIZ, Maria Helena. Lei de introdução ao Código Civil brasileiro interpretada com

referências ao Novo Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 131).

208É necessário que se esclareça, a esta altura, que tomo a interpretação como atividade que se presta a transformar disposições (textos, enunciados) em normas; „a interpretação‟ é meio de expressão dos „conteúdos normativos‟ das disposições, meio através do qual o juiz desvenda as normas contidas nas disposições (Zagrebelsky 1990/68 e ss. e Grau 1995/5-7, 1997ª/55 e ss. e 1998/65 e ss.). Por isso, as normas resultam da interpretação e podemos dizer que elas, „enquanto disposições‟, não dizem nada – elas dizem o que os intérpretes dizem que elas dizem. O intérprete dotado de poder suficiente para „criar‟ as normas, a partir delas construindo, em cada caso, a „norma de decisão‟, é o „intérprete autêntico‟. No sentido conferido a essa expressão por Kelsen (1979/469 e ss.) – isto é, fundamentadamente o juiz (GRAU, Eros Roberto. O Direito posto e o

vindo a insegurança do intérprete ser eliminada por critérios valorativos de ponderação entre o elemento sistêmico ou sistemático e o teleológico ou finalístico, em amplitude normativa, antológica e axiológica.

Não haveria por consequência, trabalhando-se sob essa inspiração hipótese de lacuna que não fosse preenchível pelo intérprete em face do apontado vácuo da medida provisória.209

Ante essa evidência seria mesmo confrontável o raciocínio de que se fariam necessárias as balizas e injunções dos §§ 11 e 12, do artigo 62, da Constituição da República Federativa do Brasil, que atribuem à medida provisória que perdeu a eficácia ultratividade, ainda que seja para ressalva de relações jurídicas surgidas em sua vigência. Porque a multiplicidade de elementos dotados de juridicidade haurida no plexo complexo de um sistema aberto para compreensão do Direito permitiria a eleição da norma justa e razoável para assegurar a efetividade dos direitos daqueles afetados pelas medidas provisórias.210

O sistema jurídico brasileiro, em face fundamentalmente das disposições dos artigos 4º e 5º, da Lei de Introdução ao Código Civil, Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, que se arremata pela disposição do artigo 126, do Código de Processo Civil, está suficientemente aparelhado para solucionar questões relativas sob ótica de juridicidade sistêmica, que possam decorrer do apontado vácuo legislativo de fato ocorrente no período compreendido entre a perda de eficácia da medida provisória e a edição do decreto legislativo que disponha sobre as relações jurídicas surgidas em sua vigência.211

209Conforme MACHADO, Hugo de Brito. Regulamentação das relações jurídicas decorrentes de medidas provisórias. A questão da não-conversão em lei e a perda da eficácia. A derrogação de leis anteriores. Boletim de Direito Administrativo, São Paulo, p. 403-412, jun. 1997.

210Técnica interpretativa teleológica e integração das lacunas ontológica e axiológica. O art. 5º,

„sub examine‟, indica ao magistrado o critério do fim social e o do bem comum como idôneos à adaptação da lei às novas exigências sociais e aos valores nela positivados, tanto na interpretação como na integração da lacuna ontológica ou axiológica. O bem comum e a finalidade social são fórmulas gerais ou valorativas que uniformizam a interpretação, constituindo pontos referenciais para que se aprecie a lei a aplicar sob o prisma do momento de sua aplicação. O art. 5º está a consagrar a equidade como elemento de adaptação e integração da norma ao caso concreto (DINIZ, Maria Helena. Código Civil anotado. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 7).

211Art. 4º. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.

Art. 5º. Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.

8.3 Da Disciplina das Relações Jurídicas Originárias das Medidas