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Konutların DöĢenmesi ve Ev EĢyaları

IV. 10. 1. Müzik Aletleri

IV.12. Halk Mimarisi

IV.12.4. Konutların DöĢenmesi ve Ev EĢyaları

3.2.1 Estrutura e Replicação

Os Enterovírus (EV) pertencem à família Picornaviridae. São constituídos por uma cápside formada por 60 protómeros de simetria icosaédrica (Figura 11). Cada protómero é composto por quatro polipéptidos VP1 , VP2 , VP3 e VP4 (Yee & Poh, 2015). O genoma dos picornavírus consiste numa cadeia simples de ARN de polaridade positiva, sem invólucro, com um diâmetro de 28 a 30 nm (Faleye, Adewumi & Adeniji, 2016).

Atualmente existem 15 espécies dentro do género Enterovírus que podem infetar o Homem. Cada espécie possui vários genótipos diferentes (Barroso, et al., 2014).

A replicação inicia-se com a adsorção do vírus à membrana citoplasmática da célula hospedeira. Existe um recetor específico para cada vírus, e estes recetores são proteínas de superfície. Na primeira fase da replicação é produzida uma molécula de ARN de polaridade negativa, complementar ao ARN genómico, numa segunda fase esta molécula é utilizada como molde para a síntese de novas moléculas de polaridade positiva, que poderão ser utilizadas na síntese de proteínas virais que são posteriormente libertadas ou incorporadas em partículas virais (Figura 12). Nestas duas fases de replicação são utilizadas proteínas virais e proteínas celulares. As enzimas polimerases dos picornavírus só promovem o elongamento do ARN, necessitando assim de um iniciador, a VPg uridilada (van der Linden, Wolthers & van Kuppeveld, 2015).

Figura 10 – Estrutura básica dos picornavírus. Virião de forma icosaédrica regular. Cápside constituída por 4 proteínas: VP1, VP2, VP3, VP4. VPg- iniciador. Imagem retirada de Yee & Poh, 2015

3.2.2 Manifestações Clínicas

Doença das mãos, pés e boca (DMPB)

É uma doença infeciosa sistémica que tem como agentes etiológicos

Coxsackievirus A16 (CVA16) e Enterovírus 71 (EV71). Outras espécies tais como: Coxsackievirus A5 (CVA5), Coxsackievirus A8 (CV-A8) e Coxsackievirus B podem

também estar associadas a esta doença, apesar da menor frequência. A infeção por EV71 é particularmente preocupante, uma vez que pode causar sintomas graves em crianças, tais como encefalite cerebral e insuficiência cardiorrespiratória, sendo responsável por 80% a 85% dos casos letais. Possui um período de incubação de três a seis dias, sendo altamente contagiosa e de duração limitada (Yee & Poh, 2015).

As lesões orais apresentam-se como vesículas eritematosas ou ulcerativas com dois a três mm, e exantema papular ou vesicular nas mãos e nos pés. As vesículas podem estar presentes no palato, nas gengivas, nos lábios e na língua (Figuras 13 e 14). Localizam-se inicialmente na mucosa oral disseminando em seguida para os gânglios linfáticos, em 24h (Kumar, Kiran & Kumar, 2016).

As lesões são dolorosas, podendo interferir com a mastigação. Em 44% dos casos, é relatado o envolvimento da língua. Após sete a dez dias o número de anticorpos aumenta e as lesões desaparecem ao fim de uma a duas semanas. Como sintomas e sinais da infeção de menor gravidade, em crianças, pode ocorrer febre alta, vómitos, erupções cutâneas e úlceras na cavidade oral, ou até manifestações mais graves e morte (Yee & Poh, 2015).

Figura 12 – Lesão erosiva no palato mole causada pela infeção por Enterovírus 71 e CVA16.

Figura 13 – Lesão erosiva no dorso da língua causada pela infeção por Enterovírus 71 e CVA16. Imagem retirada de Kumar, et al., 2016.

3.2.3 Patogénese e Imunidade

Estes vírus estão associados a várias doenças que podem ser resultado da destruição das células específicas do epitélio, ou a partir da resposta imune do hospedeiro à infeção. No entanto os mecanismos de patogénese induzidos por estes vírus não estão ainda bem caracterizados. Sabe-se que a transmissão de EVs é predominantemente por via fecal-oral embora possa ocorrer por via respiratória e ainda via transplacentária (de Crom, Rossen, van Furth & Obihara, 2016). Estes vírus resistem à temperatura corporal e ao meio ácido encontrado no aparelho gastrintestinal. O vírus, em seguida, atravessa a barreira intestinal e atinge o sangue resultando em virémia primária - permitindo que o vírus alcance múltiplos tecidos. A infeção pode chegar ao fim nesta fase, não desenvolvendo qualquer doença (Tapparel, Siegrist, Petty & Kaiser, 2013). A infeção secundária do sistema nervoso central resulta em meningite ou encefalite. Outras infeções de tecidos específicos pode resultar em miocardite. A infeção disseminada pode levar a exantemas ou mialgias inespecíficas. Após a infeção primária por EV, existe ainda a possibilidade de eliminar as partículas virais nas fezes e sistema respiratório durante várias semanas (de Crom, et al., 2016).

3.2.4 Epidemiologia

Infeções por EV podem afetar todos os grupos etários, mas geralmente ocorrem em crianças com menos de um ano de idade, apesar de 70% das infeções por EV reportados à OMS (Organização Mundial de Saúde) ocorrerem em crianças com idade inferior aos 10 anos (de Crom, et al., 2016).

Na Noruega, a infeção por EV ocorre em 40% das crianças com idade inferior a 12 meses e 90% das crianças com idade inferior a dois anos já esteve infetado. Nos EUA, a incidência em recém-nascidos varia de 3,2% no mês de janeiro até 50% no mês de agosto e outubro. Estas infeções formam assim um padrão sazonal sendo a incidência mais alta no Verão e no Outono (de Crom, et al., 2016).

Em Portugal, entre 2010 e 2013 foram identificados 143 (143/625; 22,9%) casos de infeção por Enterovirus: 46 casos em 2010; 47 em 2011; 24 em 2012 e 26

3.2.5 Diagnóstico Laboratorial

Atualmente, encontram-se disponíveis diversas técnicas para a deteção de

Enterovírus como as técnicas de cultura celular, deteção de antigénios, deteção de

ácidos nucleicos, serologia e técnicas de suscetibilidade a antivirais. O diagnóstico laboratorial considerado como referência é o isolamento viral, apesar da obtenção do resultado ser moroso (três a dez dias), e a sensibilidade de 65% a 75%. Já a técnica de PCR em tempo real trata-se de uma técnica rápida, sensível e específica, otimizando assim o diagnóstico em pacientes com complicações (Faleye, et al., 2016).

3.2.6 Tratamento, Prevenção e Controlo

Ainda não existe tratamento para esta infeção oral, as lesões regridem espontaneamente. A medicação prescrita é geralmente sintomática, como administração de analgésicos e antipiréticos. A infeção em crianças mais velhas, adolescentes e adultos é caracterizada por sintomatologia leve e dura cerca de uma semana. Uma minoria de indivíduos com esta infeção pode necessitar de hospitalização por complicações neurológicas incomuns, tais como encefalite ou meningite (Kumar, et al., 2016).

Atualmente, não existe vacina ou antivirais específicos contra estes vírus, no entanto estão a ser estudadas e desenvolvidas. As medidas de prevenção incluem evitar contato direto com indivíduos infetados, manter as crianças infetadas em casa, assim como medidas de higiene gerais, nomeadamente a lavagem frequente das mãos. Tem sido comprovado que estas medidas são eficazes na diminuição da transmissão dos vírus (Kumar, et al., 2016).

A falta de vacinas e medicamentos antivirais destaca a urgência de desenvolver agentes de prevenção e tratamento contra este vírus para evitar casos letais. Existem vacinas experimentais, tais como:

 a vacina com o vírus inativo;

 a vacina com uma proteína recombinante (VP1);  vacinas vivas atenuadas;

 vacina de peptídeos;  vacina de ADN;

Cada tipo de vacina tem as suas próprias vantagens e desvantagens (Yee & Poh, 2015).

A vacina VP1 é considerada como a vacina mais segura uma vez que não reproduz nenhuma reversão para a estirpe selvagem infeciosa (Yee & Poh, 2015).

As vacinas VPL bivalente contra EVA71 e CVA16 estão a ser estudadas intensivamente, mas permanece questionável se CVA16 é o principal Coxsackievírus causando a doença das mãos, pés e boca (Yee & Poh, 2015).