• Sonuç bulunamadı

Kişilerarası İlişki Ve İlişki Tarzları

O perfil médio do bolsista de iniciação científica não se diferencia significativamente do perfil médio do aluno do curso. São, em sua maioria, jovens, brancos, solteiros, pertencentes às camadas médias de Belo Horizonte e região, com pais altamente escolarizados e uma trajetória escolar pouco errática. Apesar de perfil semelhante, alguns fatores aumentam as chances de um aluno tornar-se bolsista de IC durante a graduação. Contudo, esses fatores variam entre os cursos analisados.

O Instituto de Ciências Biológicas está entre as unidades que mais recebem bolsas de iniciação científica na UFMG. Além disso, há uma forte cultura do voluntariado em seus laboratórios, de tal forma que vivenciar o cotidiano de uma pesquisa se torna “regra” entre os alunos desse curso. Essa cultura científica parece reduzir o efeito do capital cultural no acesso à bolsa de iniciação científica, mesmo em sua dimensão escolar. Apesar dos fatores ter sido

treineiro, não ter realizado curso-pré-vestibular e obter pontuação no exame do vestibular superior à média do curso aumentarem as chances de o estudante se tornar bolsista, essas

vantagens são pouco significativas. Além disso, outras variáveis relacionadas ao capital cultural – como escolaridade dos pais e domínio de duas ou mais línguas estrangeiras – possuem efeito negativo sobre as chances de receber à bolsa.

De maneira geral, poucas variáveis do modelo apresentaram efeito superior a 50% no curso de Ciências Biológicas, entre essas, encontram-se aquelas relacionadas à condição econômica da família do estudante. Ter estudado a maior parte do ensino médio em escola privada, pertencer aos estratos A e B, e possuir residência própria aumentam significativamente as chances de um estudante se tornar bolsista de iniciação científica. Uma hipótese para esse efeito é que a prática dos professores-orientadores (citada nas entrevistas) em aceitar o aluno primeiro como voluntário, para depois requisitar a bolsa, favorece alunos que podem contar com o suporte financeiro dos pais.

O curso de Engenharia Elétrica apresenta situação oposta a do curso de Ciências Biológicas. A unidade de Engenharia está entre as que recebem menos bolsas na UFMG. Todavia, a pouca oferta não acirra a concorrência54. Uma das variáveis mais significativas do modelo para este curso é o ensino profissionalizante. Um aluno que cursou ensino médio

54 Durante as entrevistas, os professores-orientadores disseram encontrar dificuldades em captar alunos para

técnico possui três vezes mais chances de se tornar bolsista que um estudante que cursou o ensino não profissionalizante. Essa informação condiz com as entrevistas com os orientadores, em que foi ressaltada a preferência por alunos do curso técnico, principalmente os oriundos do COLTEC e CEFET (escolas da rede federal de educação), devido ao conhecimento que já possuem, por exemplo, de programação.

Variáveis relacionadas ao capital cultural, principalmente em sua dimensão escolar – como ser treineiro, não ter realizado curso pré-vestibular, apresentar desempenho no exame de ingresso na universidade superior à média do curso, e possuir o domínio de duas ou mais línguas estrangeiras – possuem um forte efeito sobre as chances de se tornar bolsista. Ao contrário, variáveis socioeconômicas apresentam efeito pouco significativo, como nível socioeconômica, ou negativo, como residência própria, nas chances de receber a bolsa.

Durante as entrevistas com orientadores foi relatado que as atividades de iniciação científica na Engenharia pressupõem, geralmente, a mobilização de conhecimentos técnicos que os alunos adquirem, sobretudo, após o quarto período do curso. No entanto, a convocação dos alunos nesses períodos é comprometida, primeiro, pelo intercâmbio55, depois, pelo estágio. Os alunos de Engenharia podem realizar intercâmbio a partir do quinto período do curso (os editais exigem geralmente 50% do curso concluído até o início do intercâmbio), esse período coincide justamente com o apontado pelos orientadores.

De acordo com RAMOS (2009), a área de Engenharia é a que apresenta o maior crescimento no número de intercambistas na UFMG nos últimos anos, o quantitativo triplicou entre 2007 e 2009. Esse crescimento é associado pela autora a três fatores: (1) o aumento no número de vagas ofertadas para a área de Engenharia nos editais de seleção; (2) um acordo formalizado em 2008 entre a UFMG e o grupo Acelor Mittal, que oferece 15 bolsas de intercâmbio para alunos do curso; e (3) a significativa demanda dos alunos do curso pelo intercâmbio, uma vez que “se não houvesse alunos interessados, as vagas ficariam ociosas” (RAMOS, 2009, p.50). Nas entrevistas que a autora realizou com os intercambistas, os depoimentos indicavam que “o intercâmbio poderia [...] representar uma vantagem no momento da candidatura a postos de uma dessas empresas [que possuem sede no local de realização do intercâmbio]” (RAMOS, 2009, p.50). Ou seja, na percepção dos alunos, a experiência do intercâmbio poderia ser reconvertida em benefícios no mercado de trabalho.

55

Chama-se, nesta dissertação, intercâmbio o Programa de Mobilidade Discente Internacional para a

Graduação da UFMG. Neste programa, os alunos “graduandos têm a oportunidade de cursar um semestre letivo

Outra informação trazida pela autora é sobre o perfil desses intercambistas: são geralmente provenientes das camadas médias altamente escolarizadas.

Assim, o que esses dados apontam é que alunos que costumam ser selecionados nos primeiros períodos do curso para ocupar uma bolsa são aqueles que já possuem alguns conhecimentos técnicos – leia-se: cursou ensino técnico. Os outros alunos – com o perfil descrito acima – têm que escolher, ao longo do curso, se realizam a iniciação científica ou fazem intercâmbio ou estágio. Aqueles que possuem uma situação econômica menos favorável podem encontrar dificuldades para realizar o intercâmbio sem bolsa, restando a iniciação científica, ou podem utilizar esta experiência para acumular pontos e ter uma classificação que garanta a bolsa no intercâmbio, protelando a conclusão do curso (como será tratado nas entrevistas com bolsistas). Mas este é um assunto para o próximo capítulo.

Por fim, no curso de História, percebem-se, com maior visibilidade, os efeitos do capital econômico e cultural no acesso à bolsa. Todas as variáveis socioeconômicas apresentaram efeito positivo nas chances de se tornar bolsista. Ambos os pais terem ensino superior, dominar duas ou mais línguas estrangeiras, ter cursado ensino não profissionalizante, ter realizado o vestibular como treineiro, não ter frequentado cursinho pré- vestibular, ter até 18 anos no ingresso no curso e pontuação no processo seletivo acima da média, aumentam significativamente as chances de receber uma bolsa de IC. Assim como pertencer aos estratos A e B, e possuir residência própria.

De acordo com os orientadores, um bolsista de IC da História precisa possuir certas competências como: capacidade crítica, reflexiva e argumentativa, facilidade em escrever e sintetizar ideias, e autonomia. Essas são características que não se desenvolvem plenamente durante um curso de graduação, mas que pressupõe uma bagagem cultural anterior.

4 OS PERCURSOS, MOTIVAÇÕES E ESTRATÉGIAS DOS BOLSISTAS DE