3. AraĢtırmanın Hipotezleri
1.5. KiĢilerarası ÇatıĢma Çözme YaklaĢımları
“Hoje a coisa está tão atropelada que não estou tendo mais tempo para ter essa relação com o paciente. Então, eu não sou mais liberal com o paciente, eu sou simplesmente alguém que está ali dentro de uma máquina que faz esse procedimento. Então, nem se conversa mais com o paciente. Estou sem tempo de fazer isso aí, de conversar, de explicar para o paciente o que eu vou fazer com ele, de criar aquela relação médico-paciente”. (E4)
“Na medida em que se distancia essa relação médico-paciente, que não tem esse estreitamento, mais favorece aos processos médicos legais. Tu não podes utilizar muitos exames. Então, tu precisa ter bom senso; mas, para ter bom senso, tu precisas muitas vezes dispor de bastante tempo, ouvir bastante o paciente, e às vezes o que se recebe é pouco, tu tens que fazer um atendimento bastante rápido. O médico fica nesse aperto, nesse impasse.” (E28)
“O vínculo direto com o paciente, você já notou, nós realmente estamos cada vez mais distantes, nós temos uma interface difícil de transpor. [...] O paciente conveniado não é fiel, não é fiel; por cinco reais ele muda de médico. Infelizmente, eu tenho isso aí para dizer, claro que existe um elo que a gente cria. Eu acho que eu consigo bastante consultas da Unimed através do meu modo de atender, mas, se entrar dinheiro por alguma razão, eu aqui não me refiro à diferença porque eu nunca cobrei um tostão de diferença cirúrgica e nem vou fazer isso, aí eu prefiro abandonar o atendimento pela Unimed”. (E26) “A paciente de convênio não tem fidelidade”. (E7)
3.6.2 O médico cooperativado
O profissional liberal
“Liberal porque é ele que vai escolher o procedimento que ele vai fazer naquele paciente. É o paciente que faz a escolha do profissional que quer consultar e aí se estabelece uma boa relação entre o paciente e o médico, boa no sentido de alguém que confia no outro para fazer aquele procedimento”. (E4)
“Nas reuniões sempre se falava isso, que o médico é um profissional liberal! Mas o que é liberal? É liberdade de quê? Do poder de cima para baixo? É essa a liberdade? A minha liberdade vai até onde começa a do outro. Então... sempre se falava em liberal, mas o que é
ser um liberal? Eu posso fazer tudo? Não é bem assim. Foi com o passar dos anos que a gente foi aprendendo”. (E6)
Limitado pelo plano de saúde
“Ele cria uma relação com o seu paciente a seu modo, trata o seu paciente à sua maneira, ele tem liberalidade de fazer tudo isso. Isso é uma coisa muito boa na relação médico-paciente, porque não tem nada que atrapalhe essa relação. Mas aí tu pegas um plano, até o plano de saúde da própria Unimed. Aí eu não tenho a liberalidade de propor ao meu paciente tal coisa. O paciente solicita alguma coisa e aí a gente diz: ‘Mas isso aí a Unimed não dá’. Aí já restringiu essa liberalidade, quer dizer, já não é tão liberal assim. ‘Eu gostaria de oferecer isso para você, mas o teu plano de saúde não oferece isso’. Se estiver dentro de um plano, não é mais tão liberal assim. Mas nós nos obrigamos a chegar nisso aí. De certa maneira a coisa está fechando que hoje não se tem tanta liberdade”. (E4)
Limitando o número de consultas
“Existem médicos que estabelecem um número de atendimentos de pacientes Unimed, tem pessoas que fazem isso. Aí eu acho que, do ponto de vista do cooperativismo, não é correto”. (E3)
“Muitos médicos cooperativados, quando o paciente o procura para uma consulta, ele marca esta consulta para dali três ou quatro meses para forçar transformar o cliente, mesmo conveniado na Unimed, num paciente particular. É um mecanismo. Existe uma discrepância de postura neste médico entre seu consultório particular e, ao mesmo tempo, ser sócio da cooperativa. Se o paciente pagou a Unimed, eu devo satisfazer o cliente na hora que ele me procura, para que eu tenha mais rendimento e a cooperativa possa vender mais planos de saúde. O médico não vê essa parte, pois eles se vêem como credenciados. Mas, se eu sou dono da cooperativa e forço-o a pagar a consulta particular, aquele cliente que hoje me pagou a consulta vai falar mal do plano da minha firma: ‘Então, não vale a pena um plano que na hora que eu mais preciso ele não me atende’. O médico não vende a imagem da Unimed como um negócio dele”. (E1)
“Tem gente que atende uma Unimed por semana. Então, quando o paciente procura porque precisa, não tem consulta para ele. Ainda ontem eu encaminhei um paciente para um médico (colega), e o médico disse que no convênio não poderia atender e que poderia atender
só se fosse particular”. (E5) “Eu, pessoalmente, não acredito em nenhuma resposta de secretária, não acredito em nenhuma resposta que me diz que não tem vaga”. (E26)
“Tu podes atender quatro pacientes por dia, cinco, e viver melhor e ganhar bem menos, é uma escolha tua. [...] Eu limito, eu atendo três convênios de manhã e quatro convênios à tarde, e o resto é um Deus nos acuda [...]. O resto é para paciente privada ou para eu pegar e descansar [...] E hoje, na minha área, eu acho que sou o que mais tem atendimento pela Unimed, só que está começando a ficar difícil assim, arrumar horário, porque eu limitei em sete pacientes por dia”.(E7)
O dono que atende o paciente
“A pessoa é atendida pelo seu próprio dono. Isso é uma coisa importante. Tu vais numa empresa, tu és atendido por seus colaboradores, funcionários, mas a Unimed sabe que cada médico é dono da empresa. Até pode existir muitos que não se fazem assim, que às vezes podem trabalhar contra a empresa, mas você é o dono, a pessoa sabe”. (E15)
Não tem limites de consultas
“A cooperativa tem enviado correspondência para a gente qualificar o atendimento e cuidar dos limites de consultas. [...] Na Unimed não tem esse limite para consultas. Inclusive a gente poderia atender até muito mais”. (E5) “Não existe um número limite de pacientes que você pode ou deve atender pelo plano de saúde”. (E1) “Você atende quantas consultas quiser”. (E3)
“Isso varia muito da maneira como cada colega organiza seu consultório. Para mim não faz diferença; o que vale é a agenda, quem liga, marca. Não há espera, na minha especialidade as coisas não são marcadas com tanta antecedência; nós preenchemos os horários ao longo da semana e eles vão sendo preenchidos, sabe. Não faria diferença para mim, por exemplo, atender uma filantropia como a gente atende aqui, uma Unimed, um particular, em termos de dias de atendimento. Está marcado, cada um vai ter a sua vez, e assim funciona para todo mundo, independente de ter convênio, de ser Unimed particular ou filantropia. Então, isso é muito particular de como os colegas organizam as agendas de seus consultórios, para mim não faz diferença”. (E10)
“Eu atendo a Unimed, exatamente como eu atendo o particular. Eu não faço distinção de horário, eu não faço distinção de exame, eu não faço distinção de tempo: ele vem, ele se anuncia, ele é atendido. Então, dificilmente, aqui na clínica, acontece aquele problema que
acontece em muitos lugares: se é pela Unimed só daqui a dois meses, mas se é particular tem vaga amanhã. Isso não acontece, é até interessante, você olhar lá na frente, à medida que a pessoa telefona, ela é encaixada dentro das vagas dadas”. (E26)
Paciente da Unimed versus o paciente particular
“Unimed acabou, por assim dizer, sendo a intermediária entre o paciente particular que estávamos falando e o previdenciário. Por isso, como falei no começo, temos que considerar como particular o paciente da Unimed. [...] Para mim, é um paciente particular que eu tenho na Unimed. Eu tenho que tratar bem esses pacientes, aliás, eu trato bem todos os pacientes”. (E4)
“Paciente ruim da cooperativa é a paciente que teria condições de ser tua paciente particular. A gente sabe muito bem disso porque a gente conhece as pessoas da cidade e tu tens que dar um atendimento padrão, porque tu não vai te queimar ali”. (E7)