D. ULUSLARARASI İLİŞKİLER KURAMINDA KİMLİK Uluslararası ilişkiler kuramı kimlik ve ötekinin gizi karşısında
17. Keohane, iki tür feminizm ile “neoliberal kurumsalcılık” arasındaki “ittifak"! iş
A muitos já deve estar acometendo a dúvida: como falar em “certeza” na atribuição das competências administrativas se é corrente a outorga, pelo legislador, de uma margem de apreciação subjetiva à Administração Pública?
120 Princípios gerais de Direito Administrativo, p. 59.
121 ALESSI, Renato. Principi di Diritto Amministrativo, v.1, pp. 9 e 10.
122 Julgamos que a liberdade de conformação da função legislativa constitui uma competência
discricionária, a qual se diferencia da discricionariedade administrativa apenas em termos quantitativos. A discricionariedade legislativa é tão-somente mais lata que a discricionariedade
administrativa. Para um exame aprofundado desta problemática, consultar: CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Constituição dirigente e vinculação do legislador: contributo para a compreensão
Para que respondamos satisfatoriamente a esta questão – o que pretendemos fazer ao tratarmos da segurança jurídica no Direito Administrativo sob a perspectiva da certeza –, além de outras que se colocarão, é preciso que elucidemos, mesmo que resumidamente, o que vem a ser esta “margem de apreciação subjetiva” conferida pela lei à Administração, à qual dá-se o nome de “discricionariedade administrativa”.
A doutrina costuma referir-se a “atos vinculados” e “atos discricionários” e já nesta divisão destacam-se problemas teóricos123. Isto porque a discricionariedade e a vinculação, sobre não residirem no ato administrativo, tampouco se estremam de modo absoluto, como faz crer esta categorização. Em verdade, a discricionariedade e a vinculação coabitam a competência administrativa, de modo
que o agente público, diante do caso concreto, terá aspectos da competência vinculados, os quais são resolvidos ao nível da lei, sem que neles possa intervir, a par de aspectos discricionários, dos quais decorre um campo de apreciação subjetiva para melhor atendimento da finalidade legal.
Ademais, com fulcro nas lições do mestre Celso Antônio Bandeira de Mello, impõe-se observar que a discricionariedade se funda em duas razões, a saber: a possibilidade de adoção, diante do caso concreto, da solução que satisfaça perfeitamente a finalidade legal; e uma contingência lógica da linguagem, a qual invariavelmente é portadora de conceitos indeterminados.124
Acerca do primeiro fundamento, é de reconhecer-se que é de todo impossível, no plano abstrato, por meio de uma classificação rígida, contemplar a ilimitada complexidade do mundo fenomênico, de modo a ser recomendável, perante certas situações, a autorização legislativa para que o agente
123 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo, pp. 367 e 368. 124 Op. cit., pp. 951 e 952.
administrativo, em atenção às singularidades do caso concreto, dê a solução que mais julga conveniente e oportuna para atendimento da finalidade legal.
Quanto ao segundo fundamento, sobre o qual muito se dissente125, limitar-
nos-emos a dizer que inúmeros conceitos, por se referirem a objetos que se apresentam como um continuum e não como quanta126, ou seja, por existirem em graus e medidas variáveis, poderão ser concretamente reconhecidos em alguns casos, mas não em todos127. Assim, por exemplo, um conceito como “urgência”,
largamente utilizado na linguagem das normas, pode, em certa situação, ser induvidosamente empregado (zona de certeza positiva), bem como, de outro lado, ter seu emprego induvidosamente rechaçado (zona de certeza negativa). Entretanto, entre os dois extremos há uma infinidade de situações que se duvidaria qualificar como urgente e perante as quais não há como fazer um juízo objetivo e conclusivo (zona de incerteza)128. Poderiam existir duas opiniões antagônicas, sem que nenhuma delas pudesse arrogar-se o predicado da verdade. Eis onde reside a discricionariedade nos conceitos indeterminados.
Contudo, é bom que se sublinhe, só se pode atestar a existência da discricionariedade frente ao caso concreto. No plano abstrato da norma jurídica é possível afirmar a possibilidade de um juízo discricionário, no entanto é o contexto fático que, ao estreitar as interpretações legítimas da norma, indicará a
125 Há uma corrente doutrinária que nega a existência de discricionariedade em relação aos conceitos jurídicos indeterminados, e outra, à qual nos filiamos, ao lado do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, que a admite. Eminente porta-voz daquela corrente é o Professor García de Enterría.
126 SAINZ MORENO, Fernando. Conceptos jurídicos, interpretación y discrecionalidad
administrativa, p. 74.
127 ALESSI, Renato. Principi di Diritto Amministrativo, vol. I, p. 204; BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Discricionariedade e controle jurisdicional, pp. 22 e 23.
128 A respeito, o ensinamento de Genaro Carrió: “Todo cuanto podemos decir es que hay casos centrales o típicos, frente a los cuales nadie vacilaría en aplicar la palabra, y casos claros de exclusión respecto de los cuales nadie dudaría en no usarla. Pero en el medio hay una zona más o menos extendida de casos posibles frente a los cuales, cuando se presentan, no sabemos qué hacer” (Notas sobre derecho y lenguaje, pp. 31 e 32).
subsistência de um campo de “alternativas igualmente justas, entre indiferentes jurídicos”129, é dizer, de discricionariedade.130
A estas considerações cabe agregar que, à luz da bimembridade constitutiva das normas jurídicas, traduzida no pressuposto de fato ao qual se liga uma conseqüência jurídica, é possível identificar, na regra de competência, as modalidades de discricionariedade administrativa.131
Assim, emergirá discricionariedade quando a norma jurídica, em sua
hipótese normativa, ostentar conceitos indeterminados ou simplesmente não
descrever a situação fática apta a deflagrar a conseqüência jurídica. No tocante ao
conseqüente normativo, a discricionariedade será derivada de eventual faculdade
atribuída ao agente público para a prática do ato administrativo; de autorização para que o agente escolha o momento oportuno para a edição do ato administrativo; de outorga ao agente da eleição da forma jurídica de que se revestirá o ato administrativo; de concessão ao agente da escolha da providência considerada idônea ao cumprimento da finalidade legal132.
De resto, a discricionariedade não é um campo insondável ao Poder Judiciário, ao qual sempre cumprirá o dever de averiguar se, no caso concreto, foram respeitados os seus limites.