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Kaynak Metnin Kelimelerinin İncelenmesi

BÖLÜM 3: ŞERH-İ KASÎDETU'T-TÂʼİYYE'NİN İNCELENMESİ 35

3.5. Şerh Metodu

3.5.1. Şerhin Aşamaları

3.5.1.2. Kaynak Metnin Kelimelerinin İncelenmesi

¾ Avaliar cada tipo de disciplina- o que os pais estão ensinando ou

¾ Apostila contendo material teórico

corrigindo, o que muda na freqüência do comportamento inadequado

¾ Apresentação de tipos de disciplina adequados- time-out, consequenciação, retirada de privilégio

¾ Desencorajamento da agressividade

(Material baseado em Christophersen & Mortweet, 2003)

de disciplina adequados (Rompendo o Ciclo, s/d) ¾ Discussão em grupo

¾ Tarefa de casa: Checklist para técnicas de disciplina adequadas

8 Tema: Violência Doméstica Recursos Utilizados:

¾ Identificar tipos de violência doméstica

¾ Identificar conseqüências da violência doméstica para vítimas ¾ Reconhecer serviços disponíveis na comunidade

¾ Reconhecer importância da denúncia e de se proteger (Material baseado em Sinclair, 1985; Williams, 2001a)

¾ Apostila contendo material teórico

¾ Discussão sobre o caso de Gravelina (Williams, 2001b)

¾ Discussão em grupo 9 Tema: Monitoria parental positiva e desenvolvimento de

comportamento moral- Ensinando o que é importante

Recursos Utilizados: ¾ Demonstrar a importância do modelo e elogio para

desenvolvimento de comportamento moral

¾ Reconhecer como ensinar habilidades de linguagem ¾ Como ensinar habilidades de solucionar problemas ¾ Como estabelecer tarefas domésticas

¾ Diferenciar monitoria negativa/ estressante da monitoria positiva (Material baseado em Christophersen & Mortweet, 2003)

¾ Apostila contendo material teórico ¾ Discussão em grupo a partir de casos

¾ Distribuição de livros de histórias infantis (ex: chapeuzinho vermelho, cinderela, três porquinhos,...)

¾ Role- playing para treinar leitura de histórias 10 Tema: Avaliação do Programa e Fechamento Recursos Utilizados:

¾ Preenchimento de Questionário de Satisfação do Consumidor ¾ Entrega de Certificados

¾ Preenchimento dos seguintes instrumentos: Escala de Senso de Competência Parental, Questionário de avaliação do temperamento, Escala Parental e Inventário de Potencial para Abuso Infantil.

¾ Questionário de Satisfação do cliente, Escala de Senso de Competência Parental, Escala Parental, Inventário de Potencial para Abuso Infantil, Questionário de Avaliação do Temperamento

Questionário de Avaliação do Temperamento, Escala Parental e Inventário de Potencial para Abuso Infantil e Questionário de Satisfação do Cliente. Os instrumentos foram aplicados na ordem descrita acima.

As observações seqüenciais realizadas nas residências das duas famílias sorteadas tiveram fim na fase de coleta de dados pós-intervenção. Como a família do Grupo A começou a intervenção anteriormente à Família 5, aquela terminou a fase de observações cinco semanas antes desta.

Fase de Follow-up

Decorrido um mês do término da intervenção com cada grupo, foi realizado o Follow-up, com o intuito de verificar como estavam as medidas dos pais em relação ao senso de competência parental, potencial para abuso infantil, técnicas de disciplina, responsividade e padrões de comunicação. Foram reaplicados os seguintes instrumentos de coleta de dados: Escala de Senso de Competência Parental, Questionário de Avaliação do Temperamento, Escala Parental e Inventário de Potencial para Abuso Infantil.

Delineamento Experimental

O delineamento experimental do estudo subdividiu-se em dois. Para os dois pais sorteados para observação, o procedimento utilizado foi de Linha de Base Múltipla (Hall, 1973), sendo realizadas medidas simultâneas de linha de base e medidas seqüenciais ao longo do estudo que permitiram a obtenção de comparações entre os dois grupos para a variável em questão (interação pais-filho). Nesse delineamento a mãe do grupo A participou de uma sessão de Linha de Base, três sessões de intervenção e uma sessão de pós-intervenção. M5 participou de três sessões de Linha de Base, quatro sessões de intervenção e uma sessão de pós-intervenção.

Para todos os participantes, incluindo o grupo de pais observados, o delineamento experimental foi pré e pós-teste, implicando em medidas de comparação entre a fase de pré-intervenção, pós-intervenção e Follow-up. (Tawney & Gast, 1984). M5 participou de duas coletas de dados de pré-intervenção. A primeira foi realizada juntamente com o grupo A que logo em seguida iniciou a fase de intervenção, ficando M5 sob medidas de controle até a quinta sessão de intervenção do grupo A; quando foram reaplicados os instrumentos de coleta de dados com M5 que em seguida iniciou a intervenção.

Abaixo, a Figura 1 apresenta um diagrama ilustrativo do Delineamento Experimental da pesquisa.

Delineamento Pré e Pós-Teste / Instrumentos

Pré Intervenção Pós Follow-up

Grupo A ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦

Pré 1 Pré 2 Intervenção Pós Follow-up

M5 ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦

Delineamento Linha de Base Múltipla / Observação

LB Intervenção Pós

Grupo A ◦ ◦ ◦ ◦ ◦

LB Intervenção Pós

M5 ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ = sessão

Resultados

Segue na Figura 1 o Ecograma (Genopro, 2006) de cada família que permite visualização das relações familiares e das relações com as redes de apoio disponíveis. É apresentada, para cada família, uma descrição de dados obtidos por meio da Entrevista, Observações da pesquisadora e anotações em Diário de Pesquisa.

Família 1

Mãe 1 (M1) era solteira, 21 anos, desempregada, primeiro grau incompleto, morava com a mãe e o padrasto em casa própria, com cinco cômodos, sendo dois quartos (um em fase final de construção), uma sala, uma cozinha e um banheiro. A casa encontrava-se em boa condição, o que significava que ela possuía piso, era rebocada e pintada, possuía áreas externas cimentadas, com delimitação de muro de alvenaria e portão de ferro. Era uma casa que estava acima da média das outras do bairro em que moravam. M1 era a terceira e última filha do casamento de seus pais, que estavam separados. Seu pai casara-se novamente, morando em outra cidade e nos dizeres de M1: “Casou, enriqueceu e me esqueceu”. A sua mãe também casara-se novamente e era dependente alcoólica, estando em tratamento para tal. Segundo M1, sua infância fora marcada por muita violência intrafamiliar, sendo que seu pai e sua mãe eram agressores e vítimas, bem como violência entre outros membros da família que moravam perto, como por exemplo a irmã de seu pai que matara o esposo. A família tendia a resolver seus conflitos utilizando-se constantemente de violência. M1 ficara grávida de um rapaz que namorara por quatro anos, vindo a descobrir posteriormente que esse possuía outra família. Quando engravidou, o rapaz começou a se distanciar até que não apareceu mais. A gravidez de M1 foi de risco: ela fez pré-natal, mas teve um início de aborto aos quatro meses, precisando de acompanhamento durante toda a gravidez por sofrer de pressão

Centro Comunitário Família Materna Igreja M1 21 F1 1

Figura 2: Ecograma Família 1

Legenda: Casamento Separação legal Separação união estável Indiferente/Apático Normal Amigável/ Próxima Hostil/ Conflituosa Distante/ Hostil Próxima/ Hostil Violência Família Paterna Pares Posto de Saúde

alta. M1 reclamava que o pai de seu filho não pagava pensão e, tampouco, vinha isita- lo. Em decorrência desse fato, M1 estava procurando ajuda especializada de advogados para garantir a pensão do filho. Filho 1 (F1) era do sexo masculino e tinha um ano de idade no início do estudo. Em muitos momentos durante a entrevista M1 expressara um estado de humor depressivo, demonstrado nessas suas frases: “Eu não tenho apoio de ninguém”, “Não durmo bem, fico acordada de madrugada para pensar na minha vida”, “Para passear, às vezes pego ônibus com meu filho e fico andando por aí com o ônibus, quando ele volta para o ponto final eu desço”, “Já tentei me matar, fiquei desacordada três dias no hospital”. M1 afirmava não ter amigos e não confiar em ninguém. M1 parecia enfrentar problemas com seu filho, expressos em muitos momentos durante a entrevista e em sessões de filmagens, como demonstrados nas seguintes falas: “Na hora do desespero me dá vontade de passar a guarda de... para minha mãe. Ele é bonzinho, mas tem dia que não dá, ele lembra muito o outro" (referindo-se ao pai da criança). M1 não se sentia uma mãe adequada, expressando durante a entrevista a existência de um conflito com sua mãe, que interferia muito na educação de F1 e que, freqüentemente, corrigia M1 no seu papel de mãe. Em relação à educação de seu filho, M1 afirmava demonstrar carinho em brincadeiras, permanecendo junto ao filho e assistindo TV em conjunto. Na hora da disciplina, M1 costumava ralhar, dar um tapa na fralda ou mostrava uma varinha para "ele pegar medo", estratégia ensinada por sua mãe.

Família 2

A família 2 era composta por M2, pai 2 (P2) e F2 (ver Figura 3). M2 tinha 20 anos, segundo grau incompleto. P2 tinha 28 anos, primeiro grau incompleto. P2 e M2 viviam em regime de União Estável. M2 e P2 trabalhavam como catadores de sucata.

Família Paterna Pares M2 20 P2 28 F2 1 ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?

Figura 3: Ecograma Família 2

Legenda: Casamento

Separação união estável Indiferente/Apático Amigável/ Próxima Distante/ Hostil Próxima/ Hostil Abuso Emocional Violência Centro Comunitário Posto de Saúde Família Materna Igreja

P2 já tivera outras uniões, tendo cinco outros filhos com cinco mulheres distintas. F2 era do sexo feminino, tendo um ano e um mês no inicio do estudo. A Família 2 morava em uma casa cedida, de alvenaria contendo cinco cômodos. A casa encontrava-se em condição regular, estando ainda em fase de construção, seu piso apenas cimentado, as paredes só rebocadas e água existente em apenas uma torneira da casa. Era a única família que não possuía chuveiro elétrico, mas tinha vários eletrodomésticos resgatados como sucata. A gravidez de F2 não fora planejada e era de alto risco, porque M2 descobriu durante a mesma ser portadora do vírus HIV1. Fora infectada por seu parceiro que também tinha vírus e não lhe contara tal fato. M2 contava com apoio de sua família que morava em bairro vizinho, enquanto P2 possuía um contato mais distante com sua família, que morava em uma cidade vizinha. M2 afirmava ter colegas e amigos no bairro, mas dizia “não confiar muito em ninguém”. M2 e P2 tinham um relacionamento de quatro anos, mas viviam juntos apenas há dois anos. M2 conhecera P2 na prisão, enquanto visitava um irmão detento. M2 reclamava de P2 dizendo que ele mudara muito e que estava muito infeliz com ele. Segundo M2, P2 passou a beber muito e a agredira fisicamente três vezes durante o estudo, sendo que P2 a ameaçava quase que diariamente que iria matá-la. M2 procurou ajuda da Delegacia da Mulher todas as vezes que ocorreram as agressões físicas para fazer Boletim de Ocorrência. Durante pesquisa, M2 precisou asilar-se em casa de parentes por duas semanas, voltando para sua casa apenas quando seu marido (P2) resolveu sair de casa e ir morar com sua mãe em uma cidade vizinha. Apesar dessas dificuldades, P2 e M2 demonstraram cuidar e ter muito carinho por F2, reclamando apenas que ela estava ficando “teimosa e é muito geniosa”.

1

Tanto M2 quanto P2 recebiam tratamento específico para o HIV fornecido pelo Sistema de Saúde Público. P2 julgava-se curado do HIV por um milagre e M2 estava abandonando o tratamento visto que achava que não adiantaria nada se cuidar. Em relação a esse fato a pesquisadora procurou ajuda-la a ver a importância de se cuidar para ficar bem e poder educar sua filha, fato que a motivou a recomeçar o uso dos medicamentos.

M2 reclamava que P2 acusava-a frequentemente de não ser uma mãe adequada. Ao serem questionados sobre como era demonstrado carinho pela filha, M2 disse que tentava demonstrar carinho “entendendo sua filha” e P2 afirmou que a “fazia dormir e brincar”. Para corrigir e disciplinar, P2 afirmava que costumava dizer “não” ou tentava distrair sua filha com outras coisas; M2 afirmou dizer “não pode” e “dar uns tapinhas”. M2 era a segunda filha de cinco filhos e P2 era o terceiro filho de oito filhos. M2 afirmou que sua infância fora “muito ruim” porque fora marcada por violência e droga, visto que seu pai era usuário de crack: “Minha infância foi muito triste, hein. Meu pai era irresponsável, minha mãe ficava arcando com tudo e ele ainda batia nela e brigavam muito. Era muita droga e muita briga”. M2 afirmou que o relacionamento com sua família melhorou somente depois do nascimento de F2. Em relação a sua infância, P2 afirmou: “Até os sete anos foi tudo maravilha, depois vi meu pai brigando com minha mãe porque ele bebia, aí nos meus nove anos ele morreu, depois só veio tribulação, viver na rua, passar fome, roubar, isso até os 17 anos”. Em relação ao ambiente familiar, P2 afirmou que tinha “briga e alegria”, que brigava muito com um irmão e que sua mãe sempre tinha que intervir nas brigas e discussões, chegando até mesmo a colocar P2 na FEBEM. P2 demonstrou um discurso incoerente durante a entrevista, gerando a hipótese de ter um problema psiquiátrico. No início da entrevista, mantinha uma voz calma e todas suas verbalizações continham um discurso religioso, como demonstrado a seguir: “Ela foi uma vitória na minha vida, vejo como uma benção de Deus”, “Tive uma revelação que fui curado de minha doença, por isso não uso mais remédio, porque Deus me curou”, “A gente tem que ver os caminhos de Deus, seguir o que ele manda”. Depois ao ser questionado por M2 sobre seu comportamento agressivo em relação a ela, P2 mudou o discurso, passando a expressar uma tonalidade agressiva, fazendo gestos agressivos em direção a M2 e a pesquisadora e usando um linguajar com

gírias que davam a impressão de ser um vocabulário utilizado por presidiários, visto que citou várias vezes diálogos realizados enquanto esteve na cadeia e situações que já vivera, como por exemplo: “ser esfaquiado, esfaquiar alguém, bater em alguém....” P2 demonstrou ser um pai abusivo mesmo quando procurava ser carinhoso, como pode ser visto na resposta dada à pergunta como era o relacionamento com sua filha: “Agora ela tá aprendendo, ela fala o que a gente ensina. Nossa! Eu amo minha filha. Eu até sou calmante para ela. Eu faço ela chorar só para ela ficar mais grudada em mim”.

Família 3

M3 tinha 17 anos, era solteira, com primeiro grau incompleto e desempregada (ver Figura 4). Morava com sua mãe e F3 em casa própria. M3 e sua mãe não trabalhavam, sendo sustentadas por um irmão de M3 que pagava as contas e comprava alimentos. M3 morava em uma casa de alvenaria com quatro cômodos, sendo um quarto, uma sala, uma cozinha e um banheiro. A casa estava em bom estado de conservação, havendo um piso de cimento encerado, paredes rebocadas e precariamente pintadas e área externa cimentada. M3 não teve uma gravidez planejada, engravidara de um namorado e quando soube que estava grávida decidiu romper o relacionamento, mesmo porque seu namorado sempre desconfiara se o filho era dele. M3 não recebia ajuda financeira do pai de F3. Quem a ajudava com as despesas de sua filha era seu atual namorado, com quem dizia estar “ajuntada”, mas moravam em casas separadas, apesar de M3 assumir algumas responsabilidades pelo seu namorado, como por exemplo lavar e passar suas roupas. M3 teve uma gravidez tranqüila, mas só começou a fazer pré-natal aos cinco meses, porque tentou manter a gravidez escondida de sua família o máximo que pode, só contando que estava grávida porque seu atual namorado a incentivou. M3 afirmou que possuía muito contato com seus irmãos que moravam no mesmo bairro ou em bairros vizinhos. Em relação ao seu relacionamento com o parceiro

Família Paterna Pares M3 17 F3 1

Figura 4: Ecograma Família 3

Legenda: Separação legal Separação união estável Normal Indiferente/Apático Amigável/ Próxima Família Materna Igreja Centro Comunitário Posto de Saúde

atual, M3 afirmava que o relacionamento existia há um ano e meio. Ela afirmou que o relacionamento era “normal”, não havendo brigas, que seu namorado era “bonzinho” e que não tinha reclamações a fazer sobre seu relacionamento. F3 era do sexo feminino, tendo um ano no início do estudo. Segundo M3, F3 era muito nervosa e a tirava do sério: “Ela é muito arteira, ela até que é boazinha, mas não pára, vou ver de até dar calmante para ela”. M3 sugeriu que seu parceiro atual não interferia na educação de F3 e quem mais ajudava e participava da criação de F3 era sua avó. M3 afirmou que demonstrava carinho para a filha, mas essa por sua vez não retribuía. Quando questionada sobre formas de disciplina, M3 afirmou: “Não bato não, ela leva só uns tapinhas”. Indagada sobre sua infância, M3 diz ser a caçula de quatro irmãos e que seu pai era falecido. M3 disse que sua infância foi “trabalhar, brincar e que se divertiu muito”. Afirmou que seu ambiente familiar sempre foi bom e que só apanhou de seus irmão mais velhos, que assumiram o papel da paternidade. Segundo M3 não houve episódios de violência na família e que excluindo seu irmão mais velho que era muito nervoso com ela, ninguém brigava na família.

Família 4

A família 4 era composta por M4, P4 e F4. M4 tinha 24 anos, segundo grau incompleto e estava empregada no início do estudo (ver Figura 5). Trabalhava para a Prefeitura, durante dez horas por dia, ocupando o cargo de agente comunitária de saúde do bairro onde morava, sendo a única mãe com registro em carteira de trabalho. Durante o estudo, M4 pediu demissão do seu serviço, alegando incompatibilidade de pensamento entre ela e a gerência do posto de saúde o que a estava deixando “muito nervosa e estressada”. P4 tinha 35 anos, segundo grau incompleto e estava desempregado. F4 era do sexo

feminino e tinha três anos e cinco meses no início do estudo. Família 4 morava em casa própria, contendo três cômodos, sendo um quarto, uma sala/cozinha e um banheiro. A casa estava em condições regulares, ainda em fase de finalização da construção; o piso era apenas cimentado, as paredes rebocadas, a parte externa da casa cimentada, tendo um pequeno jardim e o quintal ainda estava para ser finalizado. A gravidez de F4 não fora planejada. M4 fez o pré-natal e teve complicações na fase pré-natal devido a pressão arterial alta e deslocamento de placenta. Adicionalmente, F4 teve que ser operada para remoção de cisto com 20 dias de vida. Ambos os pais tinham contato com suas famílias, sendo esse contato mais direcionado para a família de M4. A família 4 conhecia muitas pessoas no bairro, tendo uma ampla rede social. M4 e P4 vivam em regime de União Estável há seis anos. Ambos afirmaram que o casamento estava em crise; M4 dizia que o marido ficava muito tempo no “bar bebendo” e não procurava emprego e P4 dizia que o temperamento de M4 era “muito forte”. No decorrer do estudo, M4 sofreu seu primeiro episódio de agressão física por parte de P4. Nessa ocasião, M4 procurou por iniciativa própria a Delegacia da Mulher e apresentou queixa contra o marido. Com relação à F4, M4 afirmou: “O P4 deixa ela fazer tudo, é muito mole, eu sou mais dura”. Em resposta à afirmação de M4, P4 disse: “Eu sou mais calmo, acho que é pela diferença de temperamento”. M4 afirmou que se sentia uma mãe adequada, mas que às vezes ao corrigir a filha, P4 entrava no meio, deixando-a se questionar se era de fato uma boa mãe. Tanto M4 e P4 afirmaram que F4 era “bem geniosa” e que não aceitava um “não”. Acreditavam que a principal dificuldade na educação de F4 era lidar com seu temperamento. P4 disse que costumam dar muito carinho e que até mimavam F4 demais. Com relação às formas de disciplina, M4 informou que batia, já P4 disse que era “mais de falar”, que era difícil ele bater e que geralmente colocava F4 dentro de casa, quando ela fazia algo errado. M4 afirmou que

M4 24 P4 35 F4 3

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Família Paterna Pares

Figura 5: Ecograma Família 4

Legenda: Casamento Separação legal União estável Normal Amigável/ Próxima Muito Íntimo Violência Abuso Físico Família Materna Centro Comunitário Posto de Saúde

era a mais nova de três irmãs. Seus pais separaram-se quando ela tinha três anos de idade. Sua mãe casara-se novamente e ela tinha duas irmãs da união de sua mãe com o padrasto. M4 disse que teve que trabalhar muito na sua infância, teve que parar de estudar cedo e que apanhou muito. Informou que seus pais não brincavam com ela, eram pouco carinhosos e que seu pai batia nela quando bebia. P4 afirmou que na sua infância engraxava sapatos. P4 disse ter mais oito irmãos e seus pais eram casados. P4 afirmou que sua infância consistiu em trabalhar desde os sete anos de idade, que tinha que ajudar na roça. Segundo ele, sua mãe sempre foi muito amorosa com os filhos, já seu pai era alcoolista e agredia fisicamente sua mãe na frente dos filhos. M4 afirmou que quando fazia algo errado seus pais a corrigiam batendo nela, já P4 disse que recebia castigos e que era “difícil apanhar”.

Família 5

M5 tinha 21 anos, primeiro grau completo, estava desempregada (ver Figura 6). Era viúva do primeiro marido, morto há três meses, sendo esse pai de F5. F5 era do sexo feminino e tinha um ano e 11 meses no início do estudo. M3 vivia em regime de União Estável com outro rapaz, morando em uma casa juntamente com seus sogros, seu parceiro e sua filha, (um total de cinco pessoas). Quando a entrevista foi realizada, M5 e