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2. İLGİLİ YAYIN VE ARAŞTIRMALAR

3.4 Veri Çözümleme Teknikler

3.4.2 Kavram Testlerinin Veri Çözümleme Teknikler

A escravidão é considerada a forma mais antiga de apropriação dos meios de produção e, certamente, a menos digna, já que o escravo era considerado como uma coisa, sem sentimentos ou direitos.

Nesse sentido, Jean-Jacques Rosseau assevera que a renúncia à liberdade de um homem é o mesmo que a renúncia à sua qualidade de homem, aos seus direitos e deveres. Tal ato abdicatório não é compatível com a essência do homem e, por isso, não há nada que a compense. É contraditório permitir o poder absoluto por parte de um homem de um lado e, de outro, uma obediência ilimitada. “Que direito meu escravo teria contra mim, pois que me pertence tudo o que ele possui, e, sendo meu o seu direito, esse meu direito contra mim mesmo não é uma palavra sem qualquer sentido?”55

O trabalho, obviamente, era forçado e o escravo recebia apenas alimento, já que sua sobrevivência era necessária para o dono da terra.

Sérgio Pinto Martins56 faz interessante resumo da evolução histórica do trabalho nessa época, sustentando que, em primeiro lugar o trabalho desempenhado pelos escravos em Roma era tido como desonroso, e seu desenvolvimento culminou na lex conductio, a

54O escopo deste estudo é tratar da subordinação. Assim, no presente capítulo, será feita apenas uma análise

histórica do tema e sua relação com o direito do trabalho, sem adentrar, contudo, às especificidades históricas da matéria, em que pese o amplo trabalho de pesquisa realizado. Por isso, para aqueles que desejarem maior aprofundamento sobre o tema (sociedade pré-industrial, industrial e pós-industrial), recomenda-se a leitura das seguintes obras: ALONSO GARCÍA, Manuel. Curso del derecho del trabajo. Barcelona: Ariel, 1980; BARASSI, Ludovico. Il contrato di lavoro nel diritto positivo italiano. Milano: Societá Editrice Libraria, 1901; BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. 4. ed. São Paulo: LTr, 2008; COUTURIER, Gérard. op. cit.; GOMES, Orlando; GOTTSCHALCK, Elson. Curso de direito do trabalho. 14. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995; MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2005; MONTOYA MELGAR, Alfredo. Derecho del trabajo. 19. ed. Madrid: Tecnos, 1999; NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 25. ed. São Paulo: LTr, 1999; SÜSSEKIND, Arnaldo et al. Instituições de direito do trabalho. 19. ed. São Paulo: LTr, 2000. v. 1.

55ROSSEAU, Jean-Jacques. O contrato social. Trad. Vicente Sabino Júnior. São Paulo: José Bushatsky,

1978. p. 80.

qual “tinha por objetivo regular a atividade de quem se comprometia a locar suas energias ou resultado de trabalho em troca de pagamento”.

Irany Ferrari acrescenta que a passagem da escravidão para a servidão se deu de forma gradual e lenta, pela influência do cristianismo, fazendo com o que o servo passasse a ser visto com capacidade de ser sujeito de relações jurídicas57.

A partir de então, seguiu-se um processo de ruralização das “villas” camponesas, e o trabalho, posteriormente, “passou a ser objeto de locações de obras e serviços.”58

A locatio conductio se dividia em: locatio rei (quando se arrendava uma coisa em troca de retribuição), locatio conductio operarum (locação de serviços mediante remuneração), locatio conductio operis (entrega de uma obra ou resultado mediante pagamento).

Diferentemente da escravidão, no feudalismo, como pontua Alice Monteiro de Barros, o trabalho era confiado ao servo, o qual possui status de “pessoa” e não de “coisa”.59

Contudo, isso não significava que os trabalhadores gozassem de plena liberdade, pois, embora tivessem direito ao uso da terra, pagavam um alto custo para isso, sendo obrigados a trabalhar em pesadas jornadas e, ainda, poderiam sofrer maus tratos do senhor. Em contrapartida, contavam com a proteção dos senhores feudais perante terceiros.

O trabalho perde o caráter de não digno, porém, ainda era visto como castigo, já que os mais ricos não trabalhavam.

A partir do século X, os servos passaram a consumir mercadorias fora dos limites feudais, em feiras e mercados à margem de rios, lagos e mares, o que propiciou o desenvolvimento do trabalho artesanal, principalmente após a queda do Império Romano, em 410 D.C60.

57FERRARI, Irani et al. História do trabalho do direito do trabalho e da justiça do trabalho: homenagem a

Armando Casimiro Costa. 2. ed. São Paulo: LTr, 2002. p. 32.

58Id. Ibid., p. 33.

59BARROS, Alice Monteiro de. op. cit., p. 58. 60Id. Ibid., p. 59.

Os mestres e artesãos se uniram, culminando no surgimento das corporações de ofícios, que também eram compostas pelos aprendizes e, a partir do século XIV61, pelos companheiros, grau intermediário da corporação.

Além de conferir maior liberdade aos trabalhadores, as corporações tinham cunho nitidamente associativo de proteção aos que faziam parte delas (mas somente dentro das associações, o que implicava em limitação à liberdade de trabalho)62.

Havia uma escala hierárquica, estando os mestres no topo, como proprietários das oficinas. Logo abaixo, como mencionado, se encontravam os companheiros, que percebiam os salários dos mestres, mas só assumiam esta condição se fossem aprovados em exame de obra-mestra.

Na base da pirâmide estavam os aprendizes, jovens a partir de 12 a 14 anos, cujos pais pagavam taxas aos mestres, para que estes ensinassem os ofícios e, em decorrência, mantivessem os jovens sob sua custódia até o término do aprendizado, quando os aprendizes se tornavam companheiros.

Com efeito, a subordinação se faz presente nas as corporações de ofício, em razão da hierarquia entre aprendizes e mestres. Afinal, como demonstrado, nesse sistema, havia regras a serem obedecidas e os mestres exigiam dedicação dos aprendizes, os quais se tornariam futuros companheiros na corporação.

De se pontuar que na escravidão e no feudalismo a subordinação tinha feição diversa da de hoje. Isso porque no regime escravocrata a subordinação decorria do direito de propriedade do senhorio sobre os escravos, tidos como objetos. A servidão se dava em desde o nascimento, pois, os que não fizessem parte da aristocracia e fossem negros estavam predestinados ao regime.

No feudalismo, por sua vez, a subordinação era consequência da proteção oferecida pelos senhores feudais, em troca do uso da terra. Pode-se dizer que os vassalos serviam aos senhores em troca da própria sobrevivência.

Ou seja, na escravidão e no feudalismo o trabalho decorria de um estado de propriedade e posse, respectivamente, do trabalhador, o que justificaria a submissão deste.

61MARTINS, Sérgio Pinto. op. cit., p. 38. 62FERRARI, Irani et al. op. cit., p. 43.

A organização das corporações de oficio, inovadora se comparada os regimes de trabalho anteriores, implicou na adoção de regras em substituição ao mero ajuste contratual entre as partes.

Entretanto, em busca qualidade na prestação dos serviços, os mestres não se utilizam de operários de outras corporações, o que implicava em jornadas de aprendizado muito longas impostas aos aprendizes, segundo relata Sérgio Pinto Martins63. Em decorrência, na França, as corporações de ofício foram suprimidas em 1776 com o Edito de Turgot.