• Sonuç bulunamadı

1.8. Araştırmanın Anahtar Kavramları ve Tanımlar

2.1.3. Kavram

2.1.3.2. Kavram Öğrenme

2.1.3.2.4. Kavram Öğrenme Koşulları

Jorge é um professor que faz sua escolha pela docência durante a graduação.

Contrariamente ao que encontramos na literatura, ele foi estimulado por um elogio de um professor da graduação considerado muito autoritário e exigente para com seus alunos, mas que fez referências positivas à sua didática durante a apresentação de um trabalho acadêmico. Como explicar essa influência? É possível que tendo o elogio partido de um professor com essas características tenha revelado a ele de forma contundente o reconhecimento de uma habilidade importante para uma futura atuação profissional. Dessa forma, ele desiste do curso de bacharelado e inicia a licenciatura de forma consciente.

Portanto, observamos que a vivência na formação inicial foi mote para o desejo em tornar-se professor, resultado também encontrado por Clemente e Souza (2017). Baseado nos pressupostos teóricos da relação com o saber de Charlot, esses autores identificaram que durante a formação inicial, os estudantes das licenciaturas em Matemática, Ciências e Ciências Biológicas encontraram outros móbeis que suscitaram o despertar pela docência. Foram eles:

reconhecimento e importância dos conhecimentos teóricos e práticos para o bom desempenho profissional, afinidade do sujeito com a disciplina e a possibilidade de sucesso profissional no mercado de trabalho. Entendemos que o móbil encontrado por Jorge neste estudo para inserção na licenciatura e, consequentemente, na docência pode complementar estudos sobre as motivações dos professores para ingresso na profissão.

Jorge mostrou-se consciente dos desafios que estariam presentes no início da docência, em decorrência de sua mãe que é professora, familiares e amigos da universidade. Compreendemos que isso facilita sua entrada na docência, pois é capaz de amenizar e

atravessar as dificuldades da profissão de uma maneira mais compreensiva e serena.

É o que observamos na relação professor-aluno, pela qual ele estima e valoriza a realidade e os conhecimentos dos alunos em detrimento de estabelecer uma “relação fria”.

Dessa forma, Jorge percebe que as aulas funcionam bem e que alcança resultados planejados, sendo essa condição que o faz sentir-se satisfeito com a profissão. Nesse contexto, percebe também que a melhor parte de ser professor é na despedida do final do ano, pois sente o carinho dos alunos em decorrência da relação próxima que foi estabelecida durante o ano, o que na sua visão, ao longo do tempo, o vínculo tende a melhorar. Ao contrário do que Jorge diz, de que pouco importa ser “professor amigo”, compreendemos que a afetividade pretendida por ele nessa relação é fundamental tanto para o processo de aprendizagem através de sua mediação com o conteúdo para o aluno (TASSONI, 2000) quanto para sobrevivência na profissão, pois assim tem condições de romper com a violência presente nas escolas em que trabalha.

Ao mesmo tempo em que se sente motivado pelo contato com os alunos, isso também se mostra ser um desafio, pois com o ensino fundamental, Jorge destaca que a indisciplina é muito frequente. A manutenção da disciplina é umas das dificuldades “campeã” encontrada pelos professores no início da docência (LIMA et al., 2007, p. 148) e, consequentemente, atrapalha o processo de aprendizagem dos alunos. Para o professor, a dificuldade se apresenta quando os alunos se mostram com falta de atenção para assuntos que não são recorrentes no cotidiano deles, o que inclusive já o fez pensar em desistir do ensino fundamental.

Jorge percebe que seu papel profissional é o de “mostrar caminhos”, uma vez que observa que as realidades familiares dos alunos se apresentam em contextos complexos. Assim, tem o desejo de contribuir com a mudança de vida de seu aluno e acredita que a educação, por sua mediação, pode promover isso. Embora tenha consciência de que isso não seja possível para todos os alunos, ele considera que a motivação para estar na profissão docente é fruto de sua crença na transformação da realidade de seus alunos. Podemos interpretar esse

papel de duas formas. O primeiro refere-se a representação social da docência. Nesse caso, Jorge “aparece como um orientador, responsável por guiar os alunos para um futuro melhor, uma espécie de sacerdócio” (CAMPOS, 2008, p. 102). Portanto, a princípio, uma prática mais técnica e profissional fica em segundo plano, enquanto que o papel formativo, voltado para a preparação do indivíduo ganha relevância em sua ação docente. A segunda interpretação sobre seu papel profissional remete-nos à pedagogia da problematização (BORDENAVE, 1983) em que inserido num mundo de mudanças rápidas, Jorge deseja que o aluno seja participante e agente da transformação social através da capacidade em detectar os problemas reais do seu cotidiano e buscar soluções originais e criativas.

Jorge teve uma relação professor-professor diferente nas escolas em que trabalha, o que produziu emoções distintas de amizade e acolhimento e de indiferença e desamparo. Esses sentimentos vivenciados em escolas diferentes levam-no a julgar o perfil do professor em relação a sua atuação profissional de duas maneiras: aqueles que se importam e trabalham de forma colaborativa e aqueles que não se importam. Dessa forma, ele concebe que a integração dos professores no ambiente escolar é o que poderia permitir a realização de um trabalho diferenciado.

Já em relação a direção escolar, em todas as escolas que trabalha, sente-se apoiado para manter o controle da disciplina dos alunos. Destaca também nessa relação, a presença e a preocupação da direção com seu bem-estar, sentindo-se privilegiado por ser tratado dessa forma, pois tem consciência que isso não ocorre em todas as escolas da cidade. Contrariamente ao que encontramos no trabalho de Flores (1999) em que os participantes desse estudo solicitam apoio dos colegas da escola para solução de questões burocráticas e administrativas, Jorge pede ajuda da direção para estabelecer uma relação com os alunos do ensino fundamental até que consiga perceber-se com competência para administrar o problema sozinho em sala de aula.

Sobre essa questão, entendemos que quando a gestão é participativa nas tarefas escolares se gera maior confiança e oportunidade dos professores controlarem seu próprio trabalho e sentirem-se autores e responsáveis pelos resultados obtidos, sendo capazes de construir a sua própria autonomia. Outro destaque nessa relação, é que os professores também se sentem como “parte orgânica da realidade e não apenas um simples instrumento para realizar objetivos institucionais”. Com a prática participativa, “é possível superar o exercício do poder individual e de referência e promover a construção do poder da competência, centrado na unidade social escolar como um todo” (LÜCK, 2017, p. 1).

peças de uma engrenagem. Metaforicamente, é como se as relações existentes nas escolas fossem catracas dentadas. Assim, pelo contato e capacidade de transferirem energia, uma catraca gira a outra em perfeito sincronismo. Apesar do contato, elas estão também em atrito e, por isso, gera o movimento. Nesse contexto, se as catracas forem feitas de um bom material e estiverem em boas condições, por mais que envelheçam, elas não se desgastam facilmente. Se ainda as catracas dentadas estiverem mal encaixadas, elas não irão funcionar e mesmo que se movam, o desgaste será enorme. Nesse sentido, a escola torna-se um ambiente perfeito para o trabalho e sentimento de satisfação pessoal e profissional quando a relação entre as pessoas (alunos, professores e direção) estão engrenadas sincronicamente, favorecendo que isso ocorra. Para ele, é muito importante o trabalho integrado e mesmo que haja diferenças entre as pessoas, ele considera que através do diálogo e compreensão é possível entrarem em acordo coletivo e, portanto, o resultado final, será de crescimento e desenvolvimento. Já se for gerado incompreensão e desunião entre todos que estão na escola, o trabalho pode até ser realizado pelas partes individualizadas, porém de uma maneira deficiente, abaixo do potencial que poderiam realizar e que renderiam em colaboração.

Em relação ao seu desenvolvimento, Jorge apresenta saberes experienciais e

considera que seus saberes curriculares são suficientes para dar aulas. Percebe que ao longo do tempo melhorou o domínio que tinha sobre os seus saberes profissionais, principalmente depois que entrou no Estado. Portanto, consideramos que no início da carreira, prevalecem os saberes experienciais oriundos do contexto familiar e educacional em que viveu, sendo que no exercício da profissão, esses saberes vão sendo modelado pelo e no trabalho e pelos quais Jorge aprende a dominar e a construir os saberes necessários à sua prática docente (TARDIF, 2012).

No seu trabalho, ao contrário de rejeitar saberes de outros professores, o professor demonstra valorização aos métodos de ensino que foram aplicados por eles e, assim, costuma repeti-los em sala de aula. Há também uma percepção da necessidade de aprender mais com esses professores visto que eles conseguem trabalhar com salas difíceis, pois percebe bons resultados. Compreendemos que isso vai ao encontro do desejo que Jorge tem em relação a integração dos professores e, portanto, na condução de um trabalho baseado na colaboração e que se torna efetivo para o desenvolvimento na profissão docente.

Ainda enquanto estudante, deparou-se com condições difíceis enfrentadas no estágio e que, em geral, de acordo com Lippe e Bastos (2008, p. 8), pode interferir na pretensão profissional dos licenciandos. Nesse estudo, os autores afirmaram que os alunos possuíam familiares docentes e, mesmo assim, não encontraram estímulos para ingressarem na profissão, inclusive por terem noção próxima da realidade escolar “como os baixos salários, as precárias

condições de infraestrutura das escolas etc., fazendo com que os licenciandos elaborassem visões negativas da realidade [e] que os afastavam das salas de aula”. Contrariamente a isso, apesar de Jorge também ter essa percepção negativa da profissão através dos familiares e amigos, ele decide-se pela docência. De acordo com Tardif e Raymond (2000, p. 222), uma possível explicação para isso seria a “tradição oral” dessa ocupação docente e da socialização antecipada, isto é, o ofício da profissão estaria relacionado para além de uma experiência pessoal da escola, mas “aos efeitos induzidos da observação em casa, do habitus familiar e de um dos pais concentrado em tarefas ligadas ao ensino”.

Jorge considera que a condição e a valorização do trabalho docente não são atraentes para o ingresso na profissão. De acordo com Marcelo García (2010, p. 20), “ao longo de sua história, a profissão docente foi arrastando um déficit de consideração social derivado [...] das características específicas de suas condições de trabalho, que fazem com que se pareça mais com ocupações do que com ‘verdadeiras’ profissões”. Nesse sentido, Lengert (2011, p. 12) considera que a profissionalização17 dos professores, a afirmação da identidade e o prestígio

da profissão têm “andado por caminhos difíceis. Nascida como escrava, enraizada na tradição do servir, desenvolvida no bojo das congregações religiosas, espalhada pelo liberalismo, a profissão docente procura, na atualidade, descobrir para o que foi criada [...]”. Assim, durante o desenvolvimento profissional, sob condições contraditórias, os professores buscam tanto de forma individual quanto coletivamente o reconhecimento que a profissão exige, a reconstrução própria e social da imagem do que é ser professor, a importância da profissão para a sociedade, o prestígio e, portanto, a profissionalização.

Embora se sinta cansado na profissão e perceber a desvalorização dos pais, do corpo docente, da política salarial e das exigências da Diretoria de Ensino, compreendemos que o seu desejo em permanecer na profissão está na relação estabelecida professor-aluno e na importância do seu trabalho para os alunos, o que resgata inclusive, a importância do seu papel profissional na transformação da realidade deles (FREITAS, 2014). Adicionalmente, outro motivo de permanência na docência é gerado pelo reconhecimento, principalmente, dos alunos voltados a sua atuação docente, o que promove a satisfação profissional. Portanto, consideramos que motivos como esses são preponderantes no enfrentamento das dificuldades e favorecem o desenvolvimento e a identidade profissional docente.

17 A profissionalização é aqui entendida como o estatuto da profissão, no qual um indivíduo ou grupo social, por