SOSYAL ÇEVRETeknoloji, Sektör, Bölge
1.2.6. Kariyer Yönetimi Uygulamaları
Enunciador Observador do Enunciador
Enunciatário
2º nível enunciativo (manifestado)
NÍVEL DIEGÉTICO Narrador
Observador do
Narrador Narratário
3º nível enunciativo (manifestado)
NÍVEL METADIEGÉTICO Interlocutor
Observador do
Interlocutor Interlocutário
As duas primeiras casas (“Quem fala?” e “Quem observa?”) podem ser ocupadas pelo mesmo sujeito, o que nesse caso provocaria um sincretismo entre a competência de voz e a de percepção. Mas, como veremos, essa tabela mostra-se útil principalmente quando o narrador e seu observador são sujeitos distintos.
Mas ainda se faz necessário problematizar um terceiro “quem” na análise enunciativa. Além de quem fala e de quem observa, é preciso delimitar quem age na narrativa, ou seja, quem realiza ou sofre o ato, “independentemente de qualquer outra determinação” (Greimas & Courtés, 1983, p. 12).
Quem atua na narrativa é chamado actante do enunciado ou, depois do revestimento semântico-discursivo, ator do enunciado. Todo interlocutor e todo
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interlocutário se constituem como um actante do enunciado. Enunciador e enunciatário nunca o são. O narrador pode sê-lo ou não. O narratário não costuma sê-lo12.
Nesse caso, somos tentados a usar o termo personagem para designar quem, de fato, “atua” nas narrativas. Há, porém, aí dois inconvenientes: o primeiro é que esse termo pressupõe uma humanização dos atores do enunciado, o que diminui sensivelmente seu alcance (Greimas & Courtés, 1983, p. 13); o segundo é que esse conceito, embora largamente empregado na narratologia, tanto não tem uma definição inequívoca que se costuma definir a personagem, de maneira pouco rigorosa, “como suporte da ação” ou “como lugar preferencial da afirmação ideológica” (Reis & Lopes, 2002, p. 318).
Dessa forma, quem age nas narrativas, quem participa dos programas narrativos será sempre considerado um actante do enunciado. Sendo assim, os interlocutores de um texto serão sempre actantes do enunciado (embora, quando o narrador lhes delega a voz, eles passem a ser também actantes da enunciação enunciada). Já enunciador, enunciatário, narrador e narratário são actantes da enunciação, na medida em que eles remetem à instância de produção dos enunciados, e não necessariamente aos conteúdos narrativos atualizados. O narrador e, eventualmente, o narratário podem estar sincretizados com um actante do enunciado, o que significa que um mesmo sujeito pode ser actante do enunciado e da enunciação. Já enunciador e enunciatário, sempre, e narratário, quase sempre, pertencem à instância de produção discursiva apenas, sem realizar ou sofrer as transformações dos programas narrativos explícitos nos enunciados.
A discursivização do actante – que passa a receber investimentos figurativos e papéis temáticos – transforma-o em ator, definido como o “portador de pelo menos um papel actancial e de no mínimo um papel temático” (Greimas & Courtés, 1983, p. 34). Nesse sentido, os interlocutores são sempre atores do enunciado, pois eles são actantes que inevitavelmente representam um “tema” ou um “percurso temático” (1983, p. 453). O narrador, quando está sincretizado com um actante do enunciado, torna-se simultaneamente ator do enunciado e da enunciação. Já o narratário, que já era actante da enunciação, quando vem debreado enunciativamente no texto e particularizado semanticamente, ganha o estatuto também de ator da enunciação. Quanto a enunciador e enunciatário, que são actantes da enunciação, até é possível imaginá-los como atores da enunciação, na medida em que eles, num conjunto de textos, podem assumir papéis
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temáticos. Greimas e Courtés até chegam a falar em ator da enunciação, exatamente para designar aquele ator, que na perspectiva da produção enunciativa, “se define pela totalidade de seus discursos” (1983, p. 35). Nesse caso, o sujeito da enunciação é que seria ator da enunciação13.
É preciso ainda que se diga que, em um mesmo ator, podem estar sincretizados vários actantes (1983, p. 13). Isso leva à tese de que um único o ator pode receber vários papéis actanciais, o que faz com que ele ultrapasse “os limites da frase” e se perpetue “ao longo do discurso” (1983, p. 34).
Também seria possível tomar o observador como actante da enunciação enunciada, na medida em que ele não realiza nem sofre as transformações narrativas, mas ele modaliza – sincretizado com outro actante do enunciado, o que significa que o observador está instalado no enunciado – a percepção da realidade, com seu fazer receptivo e interpretativo, o que é característico da enunciação.
Com essas considerações, nossa tabela fica assim:
Quem fala? Quem observa? Quem ouve?
1º nível enunciativo (pressuposto) NÍVEL EXTRADIEGÉTICO Enunciador (actante / ator da enunciação) Observador do Enunciador (actante da enunciação enunciada) Enunciatário (actante / ator da enunciação) 2º nível enunciativo (manifestado) NÍVEL DIEGÉTICO Narrador (actante / ator da enunciação e/ou do enunciado) Observador do Narrador (actante da enunciação enunciada) Narratário (actante / ator da enunciação e/ou do enunciado) 3º nível enunciativo (manifestado) NÍVEL METADIEGÉTICO Interlocutor (actante / ator do enunciado e da enunciação enunciada) Observador do Interlocutor (actante da enunciação enunciada) Interlocutário (actante / ator do enunciado e da enunciação enunciada)
Desde já, para evitar equívocos, vejam-se três observações sobre essas categorias:
1. Quem fala nos textos é sempre o narrador, cuja voz lhe delegou o enunciador. Ele pressupõe um observador e pode estar sincretizado com um ator do enunciado. Eventualmente, o narrador delega voz a um interlocutor, que também fala. Esse interlocutor, que sempre é ator do enunciado, também pressupõe um observador e pode ser considerado, quando o narrador lhe delega voz, ator da enunciação enunciada.
2. Quem observa nos textos é sempre o observador, que está instalado no enunciado e cujo papel pode ser exercido pelo narrador ou por qualquer outro actante. Trata-se de uma categoria da enunciação que vai projetar-se sobre uma instância do enunciado.
3. Quem age nos textos é sempre um actante do enunciado, que passa a ser mais relevante para a análise enunciativa quando se transforma em ator. O narrador e o observador podem estar sincretizados com atores do enunciado ou não. Os interlocutores sempre estão.
Voltando ao problema dos três níveis enunciativos, uma das grandes dificuldades que surge é justamente perceber como esses níveis se articulam, principalmente na coluna dos destinadores. Isso porque há textos em que enunciador e narrador estão sincretizados e há outros em que narrador e interlocutor se sobrepõem.
Na realidade, todos os narradores podem ser simplificadamente divididos em dois grupos: aqueles que assumem o papel de atores do enunciado e aqueles que se mantêm apenas como atores da enunciação. É a distinção que a Teoria Literária faz entre narrador-personagem e narrador-não personagem.
Quando se toma contato com um enunciado, a voz que está no comando é sempre a do narrador. Só identificamos o enunciador por meio de suas projeções indiretas no enunciado, pois se trata de uma instância pressuposta. Quando o enunciador instala no texto um narrador que conta uma história sem participar dela ou, semioticamente falando, quando o narrador se mantém apenas como ator da enunciação, há menos pistas para reconhecer os traços que definem o enunciador, pois nem sempre
há marcas textuais claras para notar distinções semânticas entre o primeiro e o segundo nível enunciativo14.
Em compensação, quando o narrador instalado no texto pelo enunciador é também ator do enunciado, é possível, em alguns casos, encontrar uma dissonância entre o primeiro e o segundo nível enunciativo, pois se percebe mais facilmente que há uma instância enunciativa que subjaz à voz do narrador.
É claro que o narrador não possui, nunca, autonomia discursiva, pois ele é sintáxica e semanticamente dependente do enunciador. Mas o fato é que, quando o narrador não é ator do enunciado, por não haver papéis temáticos atribuídos narrativamente a ele, produz-se um efeito de objetividade, como se ele – e não o enunciador – estivesse no comando do texto. Dessa forma, o enunciador, ao esconder a subjetividade do narrador, oculta as pistas que poderiam mapear com mais clareza as diferenças semânticas entre os dois primeiros níveis enunciativos. Nessas situações, é como se os fatos se narrassem a si mesmos. Em contrapartida, quando o narrador assume também a posição de ator do enunciado, nota-se mais claramente que há uma instância anterior à sua voz, que marca, com precisão, a falta de autonomia daquele discurso. O efeito produzido nesse caso é de subjetividade, pois há uma dissociação semântica entre o primeiro e o segundo nível enunciativo. Esquematicamente, temos:
NARRADOR = ATOR DO ENUNCIADO! efeito de sentido de subjetividade NARRADOR ≠ ATOR DO ENUNCIADO ! efeito de sentido de objetividade
Um caminho para começar a analisar se um enunciado produz efeito de subjetividade ou de objetividade é exatamente perceber se o narrador é ator do enunciado também ou apenas da enunciação. Quando ele se torna ator do enunciado – o que, na maior parte das vezes, faz com que ele assuma o papel de interlocutor na narrativa –, o narrador-personagem costuma disjungir-se semanticamente do enunciador, particularizando-se, individualizando-se, o que permite identificar algumas diferenças de valores entre o primeiro nível enunciativo e o segundo. Nesses casos, o narrador está, muitas vezes, mais na posição de objeto de análise do sujeito da enunciação, do que de sujeito produtor do discurso, pois sua voz se subordina
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claramente a uma instância superior, que lhe delega a palavra e a sanciona. Quando o narrador não se torna ator do enunciado, mantendo-se no plano da enunciação, não há essa disjunção semântica tão patente entre os dois primeiros níveis enunciativos, de maneira que o narrador está sendo apresentado como produtor do discurso, sem que se transmita a impressão de que há um sujeito da enunciação que gerou essa instância discursiva.
É possível comprovar isso com exemplos:
No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, você vai ver. Era um pouco mais nova que eu, e não sabia dela fazia tantos anos que podia muito bem estar morta (Márquez, 2005, p. 7).
Nessa passagem, extraída da abertura de Memórias de minhas putas tristes, o narrador, que não tem nome e é protagonista da narrativa, demonstra como ele gostaria de comemorar seus noventa anos. Trata-se de um narrador – digamos – complexo psicologicamente, pois, ao mesmo tempo em que ele demonstra a vontade de ter “noite de amor louco com uma adolescente virgem”, ele alega nunca ter sucumbido “a nenhuma de suas [de Rosa Cabarcas] muitas tentações obscenas” em nome de uma estranha “pureza” de “princípios”, que o impedia de aceitar “alguma novidade disponível” sugerida pela rufiona.
(...) fizeram um amor tranqüilo e são, de serenos avós, que se fixaria em sua memória como a melhor lembrança daquela viagem lunática. Não se sentiam mais como noivos recentes (...) e menos ainda como amantes tardios. Era como se tivessem saltado o árduo caminho da vida conjugal, e tivessem ido sem rodeios ao grão do amor. Deixavam passar o tempo como dois velhos esposos escaldados pela vida, para lá das armadilhas da paixão, para lá das troças brutais das ilusões e das miragens dos
desenganos: para lá do amor. Pois tinham vivido o suficiente para perceber que o amor era o amor em qualquer momento e em qualquer parte, mas tanto mais denso ficava quanto mais perto da morte (Márquez, 1997, p. 425).
Nessa outra passagem, extraída do final de O amor nos tempos do cólera, após encontros e desencontros que duraram mais de cinqüenta anos, o narrador mostra uma viagem de navio feita por Florentino Ariza, com setenta e seis anos de idade, e Fermina Daza, com setenta dois. Nesse momento, eles acabam tendo essa tranqüila e serena “noite de amor”.
No primeiro exemplo, a conduta do narrador torna-se rapidamente objeto de avaliação do sujeito da enunciação. No entanto essa avaliação não é exatamente discursiva, mas narrativa, na medida em que ele será sancionado como ator do enunciado, e não como ator da enunciação. Mas o fato de o narrador apresentar-se como protagonista da narrativa faz com que seja difícil distinguir essas duas dimensões, o que apenas reitera que sua competência de condução da narrativa está francamente subordinada a uma instância superior. Há, portanto, uma dissensão de vozes marcada no enunciado, o que leva ao efeito de sentido de subjetividade de que se falou.
No segundo exemplo, a conduta do narrador não está sendo posta à prova de um modo tão evidente, pois o narrador se mantém na instância da enunciação, deixando as transformações narrativas para os atores do enunciado: Florentino e Fermina. Não há a necessidade premente, no momento de interpretar essa passagem, de recorrer à instância discursiva pressuposta, até porque as pistas textuais apontam para uma compatibilidade semântica entre o primeiro e o segundo nível enunciativo, de modo que não se percebe uma dissensão entre as vozes de narrador e enunciador. O efeito de sentido aqui produzido é de objetividade.
Pode-se concluir daí que a percepção do narrador como ator do enunciado ou como simples ator da enunciação é uma maneira de perceber que tipo de relação há entre os níveis enunciativos:
1º nível enunciativo (pressuposto) NÍVEL EXTRADIEGÉTICO 2º nível enunciativo (manifestado)