1.6. Neoliberal Politikalar ve Kamu Yönetiminde Reform
1.6.2. İdari Reformlar ve Paradigma Değişimi
1.6.2.8. Kamu Kesimi ve Örgütsel Öğrenme
Para além do noticiado pela mídia e das informações obtidas a partir de decretos, portarias e resoluções – que compõem o relato histórico descrito na seção 2.3 –, as entrevistas realizadas no âmbito desta pesquisa com parte dos atores envolvidos revelam aspectos interessantes sobre o processo de formulação do Sistema de Proteção Escolar e Cidadania.
Assim, quanto ao grupo de trabalho instituído no âmbito da Secretaria de Educação ainda no início de 2008, um dos entrevistados relatou que os participantes dessa iniciativa tinham a proposta de atuar de maneira prática, escolhendo escolas que apresentassem maior grau de vulnerabilidade para o desenho de uma ação piloto. Estas unidades foram selecionadas ao longo das discussões e, a partir deste momento, iniciou-se um trabalho de mobilização incluindo reuniões com diretores de escolas, presidentes de Consegs, comandantes de companhia da Polícia Militar, entre outros atores.
Ainda de acordo com este entrevistado, a criação do grupo de trabalho havia sido fruto de episódios pequenos e cotidianos que vinham ocorrendo em escolas da rede estadual, e não de uma explosão generalizada de violência. Assim, ele teria sido criado em um momento oportuno, em que – fora de uma situação de crise – o governo estadual voltara a reconhecer a existência do problema de violência nas escolas e passara a pensar nele. No entanto, na visão do entrevistado, a iniciativa ainda não consistia de fato em uma preocupação orgânica do governo, sendo “aquela típica coisa que o Governo que faz quando quer dar uma resposta para alguma coisa, uma resposta imediata para a preocupação sair do foco, não da agenda, mas do
foco. Vai um pouquinho lá para trás, outros problemas tomam precedência”.
Além disso, a ação tomada por este grupo não seria a ideal, pois havia muito pouca possibilidade de que a iniciativa piloto empreendida nessas escolas ganhasse escala e pudesse ser amplamente replicada nas demais unidades da rede. Ainda segundo o entrevistado, com a troca da pessoa responsável por esta ação no âmbito do gabinete da Secretaria da Educação, essa deficiência foi percebida e a iniciativa – bem como o próprio tema – perderam força e foram deixados de lado. No entanto, o incidente de violência na escola Amadeu Amaral, em novembro de 2008, recolocou a questão na agenda do governo estadual:
ninguém cobrou mais nada, a gente passou um carão – porque, afinal de contas, eu já tinha feito inclusive reuniões com diretor de escola, foi péssimo – e nunca mais falou-se nisso e, um ano depois, estoura o Amadeu Amaral e o assunto volta à tona. Daí, de uma maneira muito crítica.
Sobre este episódio, destaca-se que as vinculações feitas pela mídia entre o ocorrido e a criação do Sistema de Proteção Escolar encontram, de fato, eco na fala de todos os atores entrevistados. Nesse sentido, há uma aparente unanimidade de que este incidente exigiu um posicionamento do governo e acelerou o processo de discussão em curso. Apesar de parecer ter tido menor repercussão na mídia, o episódio na escola Firmino Proença também aparece na fala de parte dos entrevistados como um fato que contribuiu para a formulação da política. Nesse sentido, são interessantes alguns relatos sobre o impacto desses incidentes e sua interpretação, como destacado a seguir:
Esses dois eventos, na verdade foram eventos isolados, eles acabaram tendo repercussão por conta da intensidade com que eles ocorreram, né? Mas eles serviram na verdade para acabar, vamos dizer assim, colocando à mostra um problema que já existia, sempre existiu, que era gravíssimo [...].
Foram dois eventos assim muito preocupantes e muito chocantes, né?! E aquilo causou um mal-estar geral na rede, no governo como um todo, na sociedade. E aí nós começamos a buscar mais acelerar o processo de organização da política de prevenção [...]. Quer dizer, a gente já tinha tido reunião com os promotores, tinha essa coisa da mediação do conflito escolar, tinha reunião do sindicato, mas aí quando veio (ess)a história [...] aí acendeu uma luz vermelha forte e nós começamos a procurar mais coisa, a desenhar melhor uma proposta de política pública.
Teve aquela crise no Amadeu Amaral, que detonou um processo bem crítico dentro do governo, de que [....] isso não pode acontecer. E eu lembro assim, de contarem, que uma das indignações maiores internamente era como que uma situação... quer dizer, como uma escola pode passar por uma situação dessas, que não eclode sem dar sinais, e ninguém captar esses sinais, ou esses sinais não chegarem até onde tem que chegar. E aí num momento, neste momento de crise, as pessoas que estavam na secretaria neste
momento, deram um desenho básico do que é o embrião das ações que formam o Sistema de Proteção Escolar.
Como apontado no relato dos entrevistados, a primeira reação da cúpula do governo durante o incidente na escola Amadeu Amaral foi a ida de gestores da Secretaria da Educação à escola, para acompanhar os desdobramentos do ocorrido e fazer o atendimento à mídia, que gerou uma demanda intensa. Já nos dias seguintes, uma reunião foi convocada pelo governador envolvendo um “núcleo duro” do governo, formado por representantes de diversas secretarias:
na segurança eram quatro pessoas, aqui na educação eram oito pessoas mais ou menos [...]. E nessa reunião estava também toda a cúpula de governo, o secretário de fazenda, de justiça, casa civil, secretário de comunicação e o próprio governador.
Para um dos entrevistados, essa postura do governador de incluir na discussão atores de diversas áreas representaria, já naquele momento, uma preocupação de adotar um olhar que não fosse somente da educação sobre a questão. Segundo outros atores, o envolvimento da segurança pública teria sido uma medida particularmente necessária devido à existência de uma “resistência velada” entre esta área e a da educação,79 sendo preciso haver essa
aproximação para encontrar caminhos que levassem a uma maior integração entre elas.
Ainda conforme os relatos, nessa reunião foram discutidas soluções pontuais para o problema daescola Amadeu Amaral, como a proposta de torná-la uma escola técnica. O governador José Serra também solicitou que este grupo começasse a pensar na criação de medidas mais gerais para o problema da violência nas escolas. Nesse sentido, o mote passou a ser de que aquele episódio deveria gerar uma postura de governo sobre a questão, e não apenas ações paliativas que fossem tomadas a cada caso.
A partir desta ideia de medidas de caráter geral, aplicáveis a todos os casos, algumas propostas começaram a ser levantadas, entre as quais se destaca a criação de um conjunto de regras que pautassem a forma como as escolas deveriam lidar com situações de violência ou
79 Sobre este ponto, foi destacado por um ator que, da parte das escolas, haveria a interpretação de que a atuação da polícia na escola seria uma intervenção do estado nas questões educacionais e de que representaria uma presença autoritária. Já do lado da Polícia Militar, os principais motivos de refração seriam: a) limitações de preparação e formação para lidar com as escolas; b) uma ideia vigente de que as questões escolares eram questões “menores”, em uma ordem de prioridades estabelecia a partir da gravidade das ocorrências; c) uma preocupação por parte da polícia de que as intervenções, por um motivo ou por outro, fossem tidas como inadequadas ou inconvenientes (intervenções nas escolas seriam potenciais “dores de cabeça” para os policiais envolvidos). Segundo outro ator, uma preocupação adicional da polícia seria a de que, ao se aproximar do tema, a instituição passasse a ser acionada a qualquer tempo e por qualquer motivo pelas escolas, como um serviço de segurança privado (nos termos do entrevistado, a Polícia Militar “não queria virar a Graber da história”).
de condutas inadequadas no ambiente escolar. Sobre este aspecto, como será detalhado nas próximas seções, diversos entrevistados indicaram que a ideia teria sido trazida pela Secretária de Educação, Maria Helena, a partir de uma experiência implementada na cidade de Nova Iorque. Além disso, começaram a ser discutidas propostas sobre formas de aumentar o mapeamento das situações de violência nas escolas, como maneira de melhorar ações de prevenção; sobre a criação de equipes especializadas, que pudessem atender as escolas em casos críticos; sobre a aproximação com as instituições policiais, entre outras ideias.
Instituiu-se assim um grupo de discussão que, segundo um entrevistado, em cerca de 15 dias após o ocorrido teria apresentado ao governador um primeiro esboço do que seria a ideia destes atores para uma política. Aprovadas as linhas gerais, nos meses que se seguiram houve um intenso trabalho de discussão e desenho das medidas. Nesse momento, uma extensa rede de atores teria sido mobilizada para contribuir com propostas, sendo articulados contatos com a Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJSP (sob responsabilidade do desembargador Antônio Carlos Malheiros), com a Fundação Casa (cuja ouvidora era Adriana Nunes Martorelli, esposa de Marco Aurélio Martorelli), com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (com participação de pesquisadores como Nancy Cardia, Sérgio Adorno, Paulo Sérgio Pinheiro e Paulo Mesquita), entre outras instituições e organizações. Ainda de acordo com o entrevistado, durante estes meses que se seguiram, os atores que estavam mais diretamente envolvidos com o desenho da política tiveram que lidar com a tarefa de “apagar incêndios”, pois diversas situações particulares de violência que aconteciam em todo o Estado começaram a ser encaminhadas ao grupo pelo governador.
Com o avanço do desenho da política, foi criada na estrutura da FDE a Supervisão de Proteção Escolar e Cidadania, encarregada de conduzir a implementação das medidas que estavam sendo discutidas. Sobre este ponto, a interpretação dos entrevistados quanto ao porquê de a política ter sido criada diretamente no âmbito da FDE revelou-se bastante diversa. Para parte dos atores, a função da FDE, determinada em seu estatuto, seria apenas a de auxiliar à Secretaria da Educação na execução dos projetos determinados por esta.
Veja bem. Hoje, como que é a FDE? A FDE é uma fundação de desenvolvimento da educação, que foi criada pra dar suporte à Secretaria da Educação. Suporte. Então tá lá no seu estatuto, na sua missão, etc. Qual é o orçamento da FDE? É a verba QSE, quota do salário-educação. [...] Bom, essa quota do salário-educação que fica lá não é pra FDE dizer: eu defino o que que eu vou fazer com esse dinheiro. Não. Como é que é? A Secretaria da Educação define quais são seus projetos. Quais são suas prioridades. Quando a secretaria diz: “olha, eu quero construir três escolas”, (ou) “eu preciso é”, sei lá, “contratar um serviço de informática para o projeto segurança
escolar”, qualquer coisa que o valha, a secretaria ordena a FDE. A secretaria diz assim: “FDE, esse projeto está autorizado por nós”. Daí a FDE vai licitar uma obra, vai licitar um contrato de informática, etc. E a secretaria é o órgão que vai acompanhar essa execução e vai dar um atestado no final dizendo se o serviço foi bom ou não, pra FDE pagar ou não.
Assim, essa vinculação da nova política à estrutura da FDE não apresentaria “nada de extraordinário”, uma vez que seguiria a lógica de uma decisão da Secretaria da Educação, que seria apenas implementada de modo subordinado pela fundação. No entanto, para outros entrevistados, as relações entre a FDE e a SEE não seriam tão evidentes, e haveria disputas entre as instituições para verificar – a cada momento – qual delas ficaria responsável por determinados assuntos.
Na visão deste grupo de atores, a alocação do Sistema de Proteção Escolar e Cidadania à FDE teria se dado por uma vontade expressa do governador José Serra – já no início das discussões – de que a política ficasse no âmbito da FDE e de que fosse tocada diretamente por Fábio Bonini, devido a sua trajetória profissional. Desse modo, muito mais do que uma decisão técnica, esta teria sido uma determinação política e também conjuntural, uma vez que Fábio Bonini e Marco Aurélio Martorelli já se encontravam na FDE e apresentavam experiências pertinentes à proposta que se desenhava.
Esse também é um dos argumentos apresentados por parte dos entrevistados para se entender por que o Sistema de Proteção Escolar e Cidadania – dentro do organograma da FDE – foi alocado em nível superior ao dos demais projetos de prevenção em curso à época, os quais eram desenvolvidos pela Diretoria de Projetos Especiais.80 Assim, conforme parte dos
entrevistados, essa alocação seria uma forma de colocar a política em um plano mais estratégico, atrelando-a diretamente à figura do presidente da FDE, conforme orientação do governador.
Além desta explicação, outras também foram mencionadas pelos entrevistados, como: a) a criação de uma nova diretoria na FDE precisaria ser feita por meio de lei aprovada na Alesp, ao passo que havia uma brecha legal para a criação de uma supervisão; b) a percepção de que não faria sentido alocar o Sistema de Proteção em apenas uma diretoria da FDE, uma vez que – por ser transversal – ele dialogaria com diversas áreas da fundação; c) a existência de um sentimento negativo da rede estadual em relação às ações empreendidas pela FDE, ao qual o presidente da fundação poderia responder ao assumir para si a responsabilidade pela política; d) a preocupação de que também os processos licitatórios envolvidos na política, que
seriam vultuosos, ficassem sob responsabilidade do presidente da fundação.
Como parte dessa discussão sobre a alocação da política na estrutura do governo, é também interessante o fato de que a supervisão foi inicialmente instalada no prédio da FDE, para ser transferida para a sede da Secretaria da Educação após abril de 2009, quando se iniciou a gestão de Paulo Renato Souza à frente dessa pasta. Reiterando o argumento da existência de uma tensão política entre os dois órgãos, houve também certo acordo entre os entrevistados sobre o fato de que essa medida refletia a postura do novo secretário, para quem a política que vinha sendo criada estaria muito centralizada na FDE, devendo a SEE assumir maior protagonismo. Na fala de um dos atores,
[...] ele viu que o negócio estava lá na FDE, quer dizer... a secretaria não tinha absolutamente nenhuma, nenhuma ingerência, influência... aquilo lá era um projeto da FDE. Ele falou: “isso aqui não pode ser projeto da FDE, isso aqui tem que ser um projeto da secretaria. A FDE pode até operacionalizar, mas ela não pode ser a coordenadora do negócio”.
De acordo com um dos entrevistados, no entanto, a permanência da alocação da supervisão na FDE teria sido mais coerente e benéfica para a própria política, uma vez que
Número 1: os funcionários que gerenciavam esses outros programas que eram transversais, eles fisicamente ficavam na FDE. Número 2: o ordenamento de despesa saía da mesma unidade de despesa, unidade orçamentária, no caso, a FDE. Número 3: as pessoas almoçam juntas, tomam cafezinho, então a fluência de informações, independente de existir um sistema, mas haverá uma troca de figurinhas. [...] Quando eles pensaram e falaram assim: “não, supervisão de segurança tem que ser feita pela secretaria, e portanto eu quero que fique aqui dentro”, na minha opinião perdeu um pouquinho de musculatura essa, essa... perdeu fluência, não musculatura, mas perdeu essa fluência.
Em relação à integração da nova política com os demais programas já existentes na SEE/FDE – aspecto indicado no início da fala do entrevistado –, ressalta-se que as opiniões dos envolvidos são também divergentes. Enquanto alguns mencionam ter havido um processo de negociação com as equipes dos demais projetos, de modo a associá-los ao Sistema de Proteção Escolar e “evitar ciúmes”, outros apontam que essa integração não teria existido concretamente, uma vez que a formulação do Sistema de Proteção Escolar deu-se às pressas e sem a devida articulação. A fala a seguir, de um gestor da FDE, representa de modo significativo essa segunda interpretação, além de reforçar as afirmações de que a política não teria sido desenvolvida de modo alinhado entre este órgão e a SEE:
esse era um programa que tinha que ser assim ó, rápido, uma resposta que o governador precisava. Então o pessoal de lá até falava: “Poxa, ninguém
procurou a gente”, mas também ninguém procurou a gente. Eu ficava sozinha lá o dia inteiro, lendo, procurando, buscando ajuda. Até aconteceu uma coisa engraçada, eu fui numa reunião e levantaram sobre a violência nas escolas, aí uma senhora levantou e falou “É realmente nós não temos esse projeto, não, ainda não temos esse trabalho na secretaria, isso vai ser muito demorado, não existe”. [...] Aí eu levantei, fui lá e falei: ‘Me desculpa, mas isso existe sim, eu sou da supervisão de proteção escolar e eu estou aqui representando a secretaria’, ela falou: ‘Mas eu estou representando a secretaria!’.
Por fim, para parte dos entrevistados, a mudança na Secretaria da Educação, em abril de 2009, marcou uma reorientação no escopo da política que estava sendo elaborada. Embora diversas das medidas tenham sido mantidas, como a criação de um código de condutas, de um sistema de ocorrências, entre outras, ao tomar conhecimento do andamento dessas ações, Paulo Renato teria solicitado à equipe responsável uma mudança no “tom” da política. Segundo os relatos, a política estaria ainda com um caráter “policialesco” que, se em alguma medida era justificável pelo contexto em que tinha surgido, não seria adequada para resolver o problema e afastaria a adesão da rede. Como afirma um dos entrevistados,
Não é que todo mundo tivesse completamente equivocado [...] A gravidade do problema era realmente profunda, a gente precisava fazer alguma coisa. [...] Então assim, eu entendo, eu entendo que assim, na primeira percepção, naquele primeiro momento, a reação fosse essa, como um problema de polícia, que muitas vezes é mesmo, de polícia mesmo, não tô tirando esse enfoque não, mas assim... no micro, assim, no varejo, não é.
Porque que eu acho que isso seria uma coisa realmente frustrante, eles perceberem que isso era só uma política de intervenção de segurança pública, então não ia realmente resolver o problema, ia criar todo esse conflito entre educação e segurança pública, que é uma coisa muito sensível e, enfim, eles iam ter que continuar administrando as coisas.
Para parte dos atores, portanto, a gestão de Paulo Renato entre 2009 e 2010 teria sido responsável por focar a política em aspectos mais pedagógicos e em uma concepção mais sistêmica do problema. Todavia, como apresentado na fala, as medidas com caráter mais próximo da segurança pública não foram deixadas de lado, sendo mantidas como “acessórios” do programa, uma vez que se compreendia que eram de fato necessárias em alguns momentos e situações.
A partir destes relatos foi possível perceber, por um lado, que todos os entrevistados apresentaram entendimento similar quanto à ideia de serem necessárias medidas educativas e repressivas para lidar com a violência nas escolas, sem qualquer defesa consistente de apenas uma das abordagens. Por outro lado, todos os gestores – independentemente do período em que atuaram – afirmaram que as medidas pelas quais foram responsáveis tinham um caráter
essencialmente preventivo e pedagógico, sendo feitas todas as adaptações necessárias para que não se transplantasse simplesmente a lógica da segurança pública para a educação. Ou seja, todos teriam tentado retirar o caráter “policialesco” de suas iniciativas repressivas e normativas, embora haja discordâncias entre eles sobre até que ponto esses ajustes teriam sido feitos da forma necessária.
Sobressai assim da fala dos entrevistados a inexistência de um conflito explícito entre grupos com abordagens distintas sobre a questão da violência nas escolas, ou mesmo sobre o fato de a política integrar, ao mesmo tempo, órgãos e atores advindos da educação e da segurança pública. Para os atores, as principais tensões no momento da formulação decorreram – como já apresentado – da relação entre a FDE e a SEE (“a relação da FDE com