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1.7. İdarenin Neo-Liberal Yeniden Yapılanması ve Deneyimler

1.7.5. Endonezya Örneği

A ideia de criação de sistema de registro de ocorrências começou a ser discutida logo após o episódio na escola Amadeu Amaral, pelo grupo formado pelo governador Serra. Segundo um entrevistado, a proposta partia do diagnóstico de que a SEE dispunha de pouca informação sobre os incidentes de violência que aconteciam nas escolas. Por receio ou por falta de canais de comunicação, situações muitas vezes graves não chegavam aos níveis mais altos da rede estadual de educação e, na falta de apoio e orientações, também não eram resolvidas pelas próprias escolas, sendo descobertas apenas quando geravam uma crise maior. Aparece assim a ideia de ampliar os mecanismos para relato e encaminhamento dessas situações, criando – juntamente com outras medidas – “uma porta na qual os servidores possam bater”, segundo um dos entrevistados.

No entanto, ao mesmo tempo em que se discutia a necessidade de aumento dos registros, havia a preocupação de que a comunicação de situações mais graves, como presença de crime organizado ou tráfico, acabasse gerando problemas para os professores e diretores, que poderiam se tornar vítimas caso identificados como autores dos registros. Na fala de um entrevistado, a proposta teria portanto caminhado para o desenho de um sistema que garantisse o sigilo das informações, não expondo os servidores, mas que ao mesmo tempo tivesse consequências práticas:

Tem o traficante que tá lá, dentro da escola, o traficante tem fama de violento, os professores se pelam e ele faz ameaça para os professores, etc. e tal, como não expor aquelas pessoas? Agora, o que não dá é pra ficar na omissão do assunto, então fingir que não viu, ficar com medo, não tem intervenção nenhuma e o sujeito fica dominando o espaço público, ameaçando os outros. Então, teria que ter um mecanismo que garantisse o sigilo das informações nesses casos mais graves, que propiciasse então uma intervenção, que a polícia fosse investigar e prendesse esse sujeito em flagrante na rua... não necessariamente lá, fizesse uma intervenção e assim: “não, o sujeito caiu porque abusou e foi pego”, tá certo?

Assim, surgiu a proposta de criação de um sistema de registro de ocorrências centralizado na Secretaria da Educação, que fosse sigiloso (embora não anônimo) e que gerasse orientações quanto ao enquadramento ou encaminhamento a ser dado – o que poderia ser uma ação da própria escola ou dos órgãos de segurança pública. Para o segundo caso, deveria haver interlocução direta com a polícia, garantindo também que os casos mais graves

seriam encaminhados de modo célere e apropriado.102

O documento de preparação que apresenta o Programa Escola da Gente, elaborado no início de 2009, revela que um sistema eletrônico já estava sendo desenvolvido, levando em conta as discussões mencionadas anteriormente:

O Programa Escola da Gente prevê o acompanhamento das ocorrências escolares próximo ao tempo real, de modo a identificar situações que, pela sua gravidade, intensidade ou recorrência, podem propiciar o surgimento de conflitos que perturbem o ambiente escolar, atuando de modo intensivo para evitá-los ou reprimi-los. Para isso, foi desenvolvido um sistema eletrônico que permitirá aos diretores registrarem as ocorrências de modo seguro e prático, identificando os envolvidos quando possível, o tipo de situação, as providências tomadas e os encaminhamentos (FUNDAÇÃO, 2009c).

No modelo proposto, as informações recebidas por meio desse sistema seriam analisadas pela SPEC e cruzadas com outras informações obtidas, por exemplo, por meio dos órgãos de segurança pública, do poder judiciário e das varas de proteção à infância e juventude. Esse conjunto de informações serviria para o mapeamento da incidência de situações de conflito e constituiria assim subsídio para aumentar a eficiência do trabalho de proteção.103

De acordo com um dos entrevistados, a proposta e o desenvolvimento deste sistema teriam sido encabeçados principalmente por Fábio Bonini, presidente da FDE, devido a sua experiência prévia de implantação da Delegacia Eletrônica durante o período em que trabalhou na Secretaria de Segurança Pública. O Diretor de Informática do FDE à época, João Thiago do Poço, também havia trabalhado nesse projeto da SSP e, assim, teria sido igualmente envolvido no desenvolvimento do sistema.

Notícias publicadas nos primeiros meses de 2009 afirmavam que uma ferramenta desta natureza já havia sido desenvolvida e estaria em fase de testes. De acordo com um entrevistado, a proposta era de que o sistema fosse usado para registro de situações de média e

102 A proposta de um sistema de ocorrências escolares nasceu, portanto, interligada à proposta de incluir profissionais qualificados da Polícia Militar e Civil diretamente na SPEC, que será apresentada mais adiante. 103 Segundo esse documento, o processo de recebimento e análise de informações deveria ser acompanhado pelos

Conselhos Consultivo e Gestor, “para garantir a integridade do sistema”, bem como que essas atividades fossem realizadas “em parceria com instituições de reconhecida competência na análise de dados estratégicos e de inegável compromisso com a proteção social”. Com o enfraquecimento das medidas de instâncias

participativas e da atuação em rede, no entanto, o sistema criado acabou ficando sob responsabilidade e domínio apenas da SEE/FDE. Como será demonstrado mais adiante, a partir de um diagnóstico realizado pela Fundap, a baixa ou má utilização utilização do sistema pelas escolas no período inicial de implementação não permitia que ele fosse usado como um instrumento de inteligência e orientação de ações, como também previsto.

alta gravidade, que não pudessem ser resolvidas por uma simples “chamada do professor”.104

Segundo notícias, as informações seriam monitoradas pela Secretaria da Educação em parceria com a da Segurança Pública; já a análise do ocorrido e a determinação das providências seriam feitas por profissionais a serem capacitados (REHDER, 2009).

No entanto, entre os meses de abril e maio – após as mudanças ocorridas na Secretaria da Educação –, diversas alterações foram ainda feitas no sistema, retardando sua entrada em operação. Segundo um dos atores, essas mudanças partiram da percepção de que também este instrumento apresentava ainda um caráter relacionado à linguagem da segurança pública e, assim, tiveram o intuito de tornar o sistema mais pedagógico:

Uma coisa interessante que já estava também em processo adiantado era o tal do ROE, que era uma coisa importantíssima e a gente também tentou dar um caráter diferente pra ele, criamos... na verdade era quase um boletim de ocorrência e a gente tentou criar um “livro de registro eletrônico”.

O Registro de Ocorrências Escolares (ROE) foi finalmente anunciado durante o lançamento público do Sistema de Proteção Escolar, em maio de 2009, sendo efetivamente disponibilizado para toda a rede pública estadual em junho do mesmo ano (POLÍCIA..., 2006). Conforme um entrevistado, nesse momento foi feita uma comunicação da SEE de que o sistema estava entrando no ar e de que o registro de ocorrências era obrigatório; no entanto, como será demonstrado a seguir, a regulamentação dessa obrigatoriedade, das situações que deveriam ser registradas e de quem seria a responsabilidade de fazê-lo ocorreu apenas em fevereiro de 2010, com a publicação da Resolução SE nº 19.105