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Kışlık Hazırlanan Yiyecekler

2. Araştırma Alanı ile ilgili Genel Bilgiler

1.2. Kışlık Hazırlanan Yiyecekler

1712) e o título de seis sonatas atribuídas a Vivaldi (ordinariamente editadas como seu op. 13) mas de autoria de Nicolas de Chédeville (publicadas em 1737). Se considerarmos, porém, os personagens pastorais típicos (como Dáfnis) e, sobretudo, as histórias ambientadas no décor pastoral, os exemplos vão ao infinito: a pastoral heroica (“A type of Ballet-héroïque whose plot often turns on the loves of nobles or gods (or goddesses), usually in disguise, for shepherdesses (or shepherds) in Arcadian settings”, Cf. Grove) de Lully (Acis et Galatée, 1683, libreto de Jean Galbert de Campistron extraído das Metamorfoses de Ovídio) e de Rameau (Zaïs, 1748, Naïs, 1749, libretos de Louis de Cahusac), para citar apenas três exemplos de um gênero altamente disseminado na França. A ópera pastoral inglesa, inaugurada por Haendel, com sua

Na pintura, a tradição é também extremamente rica, sobretudo por conta do texto singularmente imagético da Arcadia de Sannazaro, cheio de descrições e atmosferas pictóricas latentes, o qual serviu de base e inspiração a dezenas e dezenas de artistas63. Um dos exemplos pastorais mais antigos do Renascimento – lembrando

que a pintura mural helenística já produzia situações pastorais – é A Festa

Campestre (também conhecida como Concerto Pastoral), realizada entre 1501-

1510, quadro ora atribuído a Giorgione ora a Ticiano. Porém, as mais famosas

versão de Acis e Galatea (1718). Para uma abordagem sintética da pastoral inglesa do final do barroco, ver Tim NEUFELDT, “Italian Pastoral Opera and Pastoral Politics in England, 1705- 1712” in Discourses in Music, Vol. 5 n° 2 (Fall 2004) [http://www.discourses.ca/v5n2a2.html]. Mozart encenou seu Il re pastore (KV 208) em 1775 (libreto de Metastasio baseado na Amynta de Tasso). Haydn fez intenso uso do espaço pastoral no seu oratório A Criação (1798). O organista alemão Justin Heinrich Knecht publicara, já em 1749, uma sinfonia pastoral, Le portrait musical de la nature (onde mimetizava uma tempestade ao órgão). Mas a mais famosa manifestação sinfônica a evocar o décor pastoral é, claro, a sinfonia n° 6, op. 68, de Beethoven (publicada em 1808): intitulada Sinfonia Pastoral pelo próprio compositor, marca um momento importante dessa tradição bucólica no mundo musical, transcrita através de uma orquestração largamente sugestiva e impressionista, e influenciada pelo Empfindsamer Stil. Ecos dessa tradição pastoral no Prélude à l’après-midi d’un faune (1894) de Debussy (o tema do prelúdio foi retomado numa jazz ballad de Gordon Burdge & J. Russel Robinson, A Portrait of Jennie, tema do filme homônimo de 1948 e que ouvi pela primeira vez numa gravação live do trompetista Donald Byrd no Half Note Cafe em 1961). Mas evocações pastorais também estão presentes no Sacre du Printemps (1913) de Stravinsky, e nas composições ornitológicas de Olivier Messiaen (como o Catalogue des Oiseaux, 1956-58). Em 2011, a compositora americana Ann Callaway (*1949) estreou sua ópera de câmara Vladimir in Butterfly Country, enredo pastoral construído a partir dos interesses de Vladimir Nabokov pela entomologia. Entre tantos outros exemplos.

63 “A Arcadia [de Sannazaro] está cheia de descrições e pinturas. Por exemplo, na entrada do

templo de Pales está uma das famosas composições [quer dizer, descrições textuais] com que Giorgione e Ticiano iriam decorar as paredes dos palácios de Veneza cinquenta anos mais tarde. ‘Encontramos’, diz Sannazaro, ‘pintados sobre a porta de entrada, bosques e colinas da mais deliciosa beleza, cheios de árvores frondosas e de uma centena de espécies de flores, entre os quais se veem muitos rebanhos a pastar, andando à vontade pelos campos verdejantes, com cerca de dez cães para os guardar, e cujas pegadas se viam no pó, representadas com muita naturalidade. Alguns dos pastores estão a ordenhar, outros tosquiam, outros tocam flauta, e há outros que parecem estar a cantar, tentando acompanhá-los. Mas o que mais me agradou observar com mais atenção foram algumas ninfas nuas, semiescondidas atrás de um tronco de castanheiro, rindo de um carneiro, que na sua ânsia de procurar roer um ramo de castanheiro suspenso sobre seus olhos, se esquece de comer a erva que o rodeia. Ao mesmo tempo aproxima-se quatro sátiros com cornos e pés de cabra, deslocando-se furtivamente através de um maciço de aroeira, suavemente, para apanharem as donzelas de surpresa.’ É este o tipo de tema que iria fazer as delícias dos pintores de Veneza durante os cinquenta anos seguintes. Sannazaro profetiza o próprio colorido da pintura veneziana: ‘Era a hora em que o crepúsculo bordava em todo o ocidente centenas de variedades de nuvens, algumas violetas, outras azuis escuras, outras carmesins; outras entre o amarelo e o verde e algumas tão rubras de fogo que pareciam a imagem do mais fino ouro polido.’” (Kenneth CLARK, Paisagem na Arte, p. 81).

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representações da Arcádia pastoral são as duas telas de Nicolas Poussin, Les

Bergers de l’Arcadie, em especial a segunda, também intitulada Et in Arcadia ego

(1638)64. Posteriormente, a Arcádia serviu de inspiração plástica a diversos artistas

europeus, sendo retomada com interesse inclusive pelos cultores do simbolismo do fim do século XIX: seja como antídoto à forte mecanização industrial do período, seja como ressignificação sentimental das colônias imperiais na esteira das antigas visões do Paraíso. O quadro As Hespérides (1884-1885), de Hans von Marées, e, sobretudo, as famosas pinturas murais de Puis de Chavannes (Inter artes et naturam foi terminado em 1890) são alguns de seus exemplares mais conhecidos65.

Voltando ao Renascimento europeu, essa valorização dos temas e personagens ditos pagãos no teatro, bem como nas demais manifestações artísticas e plásticas, estava, como se sabe, na ordem do dia do humanismo, e o universo pastoral é apenas um aspecto – importante, mas complementar – desse movimento. Temos, portanto, uma linhagem de mais de cem anos ininterruptos de valorização da temática bucólica nas Artes – do começo do século XVI ao começo do século XVII –, quando surgem as primeiras críticas ao seu predomínio maciço66. A partir daí, a pastoral deixa de ser