KÜRESELLEŞME VE ULUS DEVLET
2.2. Küreselleşme Sürecinin Ulus Devlet Üzerindeki Etkisi
50 Justiniano foi imperador bizantino de agosto de 527 a novembro de 565 e logo após assumir o poder, nomeou uma comissão de dez membros para compilar as leis vigentes essa compilação foi publicada entre 529 e 534. É dividido em 4 partes: Codex: legislação romana revisada desde o séc. II; Digesta ou Pandectas: jurisprudência romana; Institutas: princípios de direito; Autênticas ou novelas: leis elaboradas por Justiniano. O Corpus Juris Civilis é a base do Direito Civil moderno.
51 "libertas est naturalis facultas eius quod cuique facere libet, nisi si quid vi aut iure prohibetur. Servitus est constitutio iuris gentium qua quis dominio alieno contra naturam subicitur" (Digesto: Corpus Juris Civilis)
52 WIRSZUBSKI, C. Libertas as a Political Idea at Rome During the Late Republic and Early Principate. p.1
53 "but noble though it is, this concept of freedom was foreign to Roman law under the Republic and the Early principate. The theory concerning freedom and slavery prevalent in that period may be gathered from the legal practice, most clearly perhaps from the peculiar institution whereby roman citizenship and not freedom only, was bestowed on slaves manumitted in due form"
No momento em que Roma e seu império, entrou em contato com a cultura do mundo helênico pela primeira vez, havia prevalecido a tendência entre os filósofos gregos de buscar a independência interior, através do estudo tranquilo realizado na intimidade de uma existência longe das preocupações públicas. Algumas gerações mais tarde, nos tempos de Cícero, entre os desenganos e a confusão semeada pelas guerras civis, muitos em Roma estavam ansiosos para aprender da filosofia grega, que poderia haver outro tipo de vida mais valioso, do que a vida levada pelo cidadão ativo politicamente. Um dos objetivos da obra literária de Cícero foi o de contrariar esta tendência. Sua ética chamava os cidadãos para voltar à vita activa política e impôs a si mesmo a tarefa de adaptar o espírito grego de investigação filosófica para as necessidades dos cidadãos romanos, para os quais determinou para que não evitassem as suas responsabilidades para com a comunidade.54 (BARON, 1993:86-87)
As culturas grega e romana, muito embora diferentes, se tocam. Sendo que estas características serão somadas e retomadas posteriormente, como se verificará. Baron (1993:89) demonstra que Cícero possuía adaptações latinas de modelos gregos, bem como a influência grega em suas obras, no tocante às virtudes da vita activa.55
Deve-se, portanto, ressaltar alguns dos pontos de ambas culturas, os quais serão retomados a partir do Quattrocento.
Nota-se que nem na Grécia, tampouco em Roma a liberdade no sentido político foi útil para a elite. Em Roma, com seus conflitos sociais, o povo tinha a liberdade como um verdadeiro slogan, liberdade essa que possibilitaria a proteção contra a opressão da elite, que, apesar de todo seu poder e superioridade social, dependia dos cidadãos para a defesa da comunidade. Na Grécia, a manutenção da independência externa da polis se tornou um problema somente quando a
54 En la época en que Roma y su imperio entraron por vez primera en contacto con la cultura del mundo helénico, había prevalecido la tendencia entre los filósofos griegos de buscar la independencia interior a través del estudio tranquilo efectuado en la intimidad de una existencia alejada de las preocupaciones públicas. Una cuantas generaciones después, en los días de Cicerón, entre los desengaños y la confusión sembrado por las guerras civiles, muchos en Roma estaban ansiosos por aprender de la filosofía griega que podía existir otro tipo de vida más valioso aparte del llevado por el ciudadano activo políticamente. Uno de los objetivos del trabajo literario de Cicerón fue el de contrarrestar esta tendencia. Su ética llamaba a los ciudadanos a volver a la vita activa politica y se autoimpuso la tarea de adaptar el espíritu griego de la investigación filosófica a las necesidades de los ciudadanos romanos, a los que se ordenó no eludir sus responsabilidades con la comunidad. In: BARON, H. En busca del humanismo cívico Florentino: ensayos sobre el cambio del pensamiento medieval al moderno, México, Fondo de Cultura Económica, 1993, pp. 86-87. 55 Idem. p. 89
participação política já havia se tornado uma preocupação fundamental para o povo, que era indispensável no âmbito militar e também interessado em estabilizar a polis. Foi somente quando a maioria da população percebeu que a perda dessa participação, para um tirano ou para uma elite, seria a transformação da liberdade em servidão política é que se tornou crítica o suficiente para motivar a ação e envolvimento políticos.56
Na Grécia, a liberdade assumiu caráter predominantemente externo, a vitória nas guerras da liberdade vieram por conta da união entre os atenienses, assim o regime mais adequado foi o democrático que igualava os cidadãos a partir do direito ao discurso. Essa igualdade foi, de certa forma, denunciada por Maquiavel, no Capítulo 2 do Livro Primeiro dos Discorsi, como sendo problemática, haja vista que quando surgia algum conflito este era freado de pronto, como foi o caso da reforma de Sólon que pôs fim à tensão social existente entre os grandes proprietários de terras e os pequenos agricultores. Roma pelo contrário, por conta do constante conflito entre o senado e o povo, se desenvolveu a partir de uma liberdade interna. Os romanos também possuíam a igualdade como um valor fundamental, contudo essa igualdade não era político-social e sim perante a lei, sob a fórmula aequa
omnibus libertas. Para Wirszubski (1950:8) a libertas não se trata de uma faculdade
inata ou de um direito natural, mas resultado da soma dos direitos cívicos garantidos pelas leis romanas, as quais devem conter um elemento coercitivo, impedindo, assim, a licenciosidade. Ademais a libertas não decorre da autonomia da vontade, mas a partir de relações sociais.57 O comentador (1950:13-15) demonstra que
Cícero revela uma diferença entre a eleutheria ateniense e a libertas romana. Nos séculos V a.C. e IV a.C. eleutheria era equivalente à democracia, o que significa que o governo do povo era fundado na completa igualdade dos direitos políticos (isonomia e parresia) e desta forma essa igualdade absoluta se tornava incompatível com o respeito à lei, sendo que por outro lado em Roma, a consumação da libertas foi a res publica que pode, mas não precisa necessariamente, ser uma democracia. De fato, a República Romana nunca foi, nem, era para ser uma democracia do tipo ateniense; a eleutheria em suas expressões principais: isonomia e parresia eram para os romanos muito mais licenciosidade do que libertas. Aequa libertas é
56 RAAFLAUB, K. The Discovery of Freedom in ancient Greece. pp. 265-270
57 WIRSZUBSKI, C. Libertas as a Political Idea at Rome During the Late Republic and Early Principate p. 8.
completamente diferente da isonomia ateniense, pois na aequitas o sentido é de equidade, justiça e imparcialidade. Na isonomia a igualdade de direitos decorre de uma condição sociopolítica paritária em uma democracia extrema, enquanto que
aequum ius ou aequae leges significa acima de tudo a igualdade perante a lei, mas
não a igualdade de direitos políticos desfrutados por todos os cidadãos.
Os plebeus romanos sabiam por experiência própria que poderiam ser livres e ainda discriminados, e, portanto, atribuíam grande importância à igualdade perante a lei e aos direitos fundamentais da cidadania, no entanto o direito de governar não era considerada um direito cívico universal. Os atenienses procuraram estabelecer a igualdade em relação ao direito de governar, ao passo que os romanos tentaram salvaguardar os seus direitos contra o poder do governo. É interessante notar que, enquanto Cícero declarou que a composição do governo determinaria o caráter da Constituição, Aristóteles deduziu os vários tipos de constituições a partir de várias bases possíveis e extensões da igualdade.
A noção de res publica postula para cada cidadão uma justa parcela no bem comum, assim como, a participação do povo nos assuntos de estado, sendo que o governo deve ser para o povo, mas isso não implica necessariamente no princípio de um governo pelo povo. A libertas consiste principalmente naqueles direitos que a) afetam os status de cidadão e, b) garantem que o estado seja uma verdadeira res
publica. O direito nominal de governar está incluído entre eles, mas o seu exercício
está sujeito à posse de auctoritas e dignitas (duas qualidades que desempenharam um papel notável na vida romana, tanto privados como públicos). Libertas e dignitas não são essencialmente incompatíveis, como são, na visão de Aristóteles, eleutheria e axia, porque libertas, no que diz respeito ao indivíduo, é apenas o limite inferior de direitos políticos. Ademais, a igualdade da libertas se dá em um plano diverso da
eleutheria, uma vez que indica um repúdio a discriminação da lei entre os cidadãos.
Contudo a igualdade da libertas não impede uma diferenciação além da esfera político-legal, como por exemplo o privilégio concedido aos senadores que possuiam, reservados, os bancos da frente no teatro.58 No tocante ao acesso aos cargos públicos nota-se também um grande diferença entre a democracia ateniense e república romana, sendo que em Atenas o acesso aos principais cargos se dava
58 WIRSZUBSKI, C. Libertas as a Political Idea at Rome During the Late Republic and Early Principate. pp.13-15.
por sorteio, e quando assim não era havia uma possibilidade de participação extremamente ampla; raríssimas eras as exceções, como por exemplo o strategôi,59
o porteiro60 e os 'encarregados da expiação'61 que eram escolhidos por sorteio,
assim o governo era 'do' povo, 'pelo' povo e 'para' o povo.62 Já em Roma havia um
sistema eletivo que garantia a igualdade perante a lei, e apenas sob um regime eletivo, os cidadãos se tornam aptos a viver de maneira livre e a salvo de alguma dependência injusta ou da servidão. Assim estabelecido por Cícero63, o regime eletivo passou a ser descrito como 'governos livres', sendo a única forma de garantir que cada cidadão vivesse em um estado livre.64