• Sonuç bulunamadı

Çeşitli Boyutlarıyla Küreselleşme Kavramı

KÜRESELLEŞME VE ULUS DEVLET

2.1. Çeşitli Boyutlarıyla Küreselleşme Kavramı

Em latim, liberdade é expressada pela palavra libertas a qual traz duas ideias a de "liberdade de" e "liberdade para". A princípio correspondia à condição de liber, ou seja, aquele que não é escravo, compreendendo tanto a negação das limitações impostas pela escravidão quanto a afirmação das vantagens decorrentes da liberdade.47 O oposto da libertas romana é a escravidão, que era uma condição

jurídico-legal pela qual uma pessoa era submetida ao domínio de outra pessoa. Assim, o homem livre é aquele que é sujeito de direitos por si só e não está submetido ao domínio de outrem.

Nem a época da República de Roma, tampouco a época da expansão imperial, a liberdade externa foi um fator determinante. Durante o início da república, quando o conceito de liberdade começou a se desenhar, Roma frequentemente lutava pela sobrevivência, ou ainda pelo predomínio e expansão do seu território, mas dificilmente para preservar a sua liberdade. Libertas, portanto, assumiu significado e uma função política exclusivamente na esfera da política interna.

A República Romana tardia conheceu o conceito aristocrático de liberdade,48 pois era voltado principalmente para a aristocracia, notadamente para a proteção da supremacia do Senado, que começava a ser enfrentada de um lado pelos populares (políticos populares) que rejeitavam os privilégios aristocráticos e defendiam a

libertas populi (liberdade do povo), e de outro lado pela ambição de alguns

poderosos, que questionavam as regras da igualdade aristocrática.49

O que constituía a liberdade do povo romano não era a sua capacidade de governar e participar no debate público, mas a sua soberania para tomar decisões na assembleia. Nesse sentido, as libertas populi consistiam em uma série de direitos e proteções legais que tinham como fim evitar a acumulação individual excessiva de poder; por outro lado a liberdade implicava na aequa libertas (igualdade perante a

47 WIRSZUBSKI, C. Libertas as a Political Idea at Rome During the Late Republic and Early Principate. Cambridge: Cambridge University Press, 1950. p.1.

48 final do século II a.C. e começo do I a.C.

49 "porque em toda cidade se encontram essas duas tendências opostas: de uma parte, o povo não quer ser comandado nem oprimido pelos poderosos, de outra, os poderosos os poderosos querem comandar e oprimir o povo" Maquiavel, N. O Príncipe. Tradução de Maurício Santana Dias. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010. p. 77

lei), muito embora essa igualdade fosse limitada pela aceitação das desigualdades sociais, e por fim liberdade também consistia na proteção contra eventuais abusos cometidos pelos magistrados

Desta feita, podem-se diferenciar duas liberdades, a dos nobres e a do povo, sendo que a primeira é liberdade aristocrática que consistia na predominância coletiva dos aristocratas, na igualdade de direitos políticos e participação. A segunda era a liberdade do povo, que se consubstanciava na proteção individual face ao poder aristocrático, a arbitrariedade e a opressão.

A liberdade do povo tinha uma orientação negativa, isto é, defensiva da libertas, isso por conta das estruturas sociais e políticas do início da Roma republicana, na qual a aristocracia desenvolveu um grau excepcional de solidariedade, disciplina e espírito comunitário; o que resultou em um Senado forte e uma magistratura independente, que tinha poder para lidar com crises e conflitos sociais. Em resposta, o povo não pertencente à elite tentou concentrar seus esforços principalmente em proteger-se dos abusos dos poderosos. É neste contexto que o conceito de liberdade ganhou importância política em Roma, e não, como na Grécia, em que houve a defesa da comunidade contra a dominação estrangeira e a tirania.

A questão da proteção da liberdade individual permaneceu durante décadas no centro dos conflitos e dos debates políticos da república romana, e é muito provável que este fato tenha elevado a consciência da liberdade para um nível tal que foi suficiente para que se criasse o conceito de liberdade e o slogan político correspondente. Já em Atenas, pelo contrário, esses mesmos problemas, quando causaram um conflito significativo, foram resolvidos de uma vez por todas, nas reformas de Sólon, freando a evolução da consciência da liberdade no âmbito político. Na Grécia a liberdade não ganhou importância política em relação à questão da liberdade individual, e sim muito mais tarde com a da liberdade coletiva, quando a comunidade sofrera uma opressão exterior.

O conceito de libertas no âmbito político foi alterado bastante no período que compreendeu os governos de Caio Graco e Trajano, esse desenvolvimento se traduziu em leis e instituições, as quais foram incorporadas posteriormente pelo Imperador Justiniano no conjunto legislativo romano denominado corpus juris

civilis50; a partir de uma brevíssima leitura deste nota-se que a ideia de liberdade

fora colocada como natural, sendo o ser humano naturalmente livre.51 A extensão da

libertas seria determinada tanto pela natureza quanto pela forma da constituição

romana, porque os romanos identificavam a ideia de liberdade, da época, como, ainda vinculada com o fim da monarquia e com a constituição da República Romana; essa identificação permanecia ainda um slogan.52

Muito embora fosse nobre, este conceito de liberdade era estranho ao direito romano da República e do início do principado. A teoria sobre a liberdade e escravidão que prevaleceu naquele período pode ser recolhida a partir da prática jurídica, talvez mais claramente da instituição peculiar, pela qual, a cidadania romana, e não só a liberdade, foi concedida a escravos alforriados na forma devida.53 (WIRSZUBSKI, 1950:2)

Não obstante, a libertas romana não pode ser considerada como sendo inata ou como um direito natural, mas sim a soma dos direitos civis que eram garantidos pelas leis romanas. E como todo direito tem sua moderação e limitações, o que é absolutamente necessário para não cair em licenciosidade ou arbitrariedade. A liberdade romana tem como conditio sine qua non a renúncia de ações arbitrárias ou da licenciosidade, devendo estar sob a égide da lei e só dela.