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2.4. Irak Eğitim Sistemi

2.4.3. Irak'ta Türkçe Eğitiminin Durumu

Nesse ponto da integridade física do preso e na relação entre a resistência e a prisão em flagrante, o art. 284 do CPP dispõe que: “Não será permitido o emprego de força, salvo a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso.”. Se o flagrante for obrigatório, a ação do agente público está acobertada pelo estrito cumprimento do dever legal; se facultativo, a ação do particular está acobertada pelo exercício regular de um direito (LIMA, 2016, p. 1177).

Cumpre salientar que, na situação apontada, é possível a configuração da hipótese de legítima defesa:

Obviamente, na hipótese de resistência ativa por parte do preso, com a prática de agressão injusta em face do responsável pela prisão, pode este agir amparado pela legítima defesa, desde que se socorra dos meios necessários de maneira moderada e proporcional (CP, art. 25). (LIMA, 2016, p. 1177).

Portanto, o autor menciona três causas excludentes de ilicitude que podem amparar a ação do responsável pela prisão em face da resistência do preso: estrito cumprimento do dever legal, exercício regular de um direito e legítima defesa, as quais devem ser utilizadas no limite do necessário e moderado, sob pena de responsabilidade pelo excesso (art. 23, parágrafo único do CP). Um exemplo dessa responsabilidade pode decorrer da prática de “abuso de autoridade, lesões corporais, homicídio etc.” (TÁVORA e ALENCAR, 2013, p. 555). No caso do excesso, a legítima defesa passa a acobertar a resistência (desde que sem excesso, repita-se) do destinatário da prisão (HUNGRIA, 1959, p. 415).

Ainda tendo em vista o bem jurídico da integridade física, agora não só do preso, mas também do policial, a Lei nº 13.060/2014, em seu art. 2º, determina que a Segurança Pública priorize o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo (não- letais) ao empregarem a força desde que não ponha em risco a integridade física e psíquica dos policiais e obedeça a determinados princípios (BRASIL, 2014d). Exemplos dos aludidos instrumentos são armas de choque, spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha (LIMA, 2016, p. 1178).

No mesmo sentido do art. 284, o art. 292 do CPP dispõe que:

Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou vencer a resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito também por duas testemunhas.

Os eventuais terceiros resistentes à prisão em flagrante podem ser familiares do preso, como exposto no capítulo anterior. Como foi mencionado ao tratar do art. 284, o executor da prisão deve usar dos recursos necessários tanto para vencer a resistência sob o manto do estrito cumprimento do dever legal, quanto pode usá-los para se defender, com o escudo da legítima defesa.

O auto referido no art. 292 do CPP é chamado auto de resistência (LIMA, 2016, p. 1186), tendo a subscrição por duas testemunhas como uma das formalidades.

Sem especificar o momento histórico, Greco (2015, p. 525) alerta que, através do citado auto, os policiais justificavam que a morte ou lesão corporal do preso decorriam da legítima defesa contra a resistência praticada pelo próprio capturado. Devido ao aumento desses autos, o autor explica que foi editada a Resolução nº 8, de 20 de dezembro de 2012, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, para regulamentar tais hipóteses, inclusive recomendando que as autoridades policiais usem, em vez de termos genéricos como “autos de resistência”, o nome técnico de “lesão corporal ou homicídio decorrente de intervenção policial”.

Reforçando essa ideia de maior conscientização e de reconhecimento da necessária e extrema responsabilidade e cautela dos agentes públicos no emprego da força ao proceder à prisão em flagrante, o Projeto de Lei do Senado nº 239 de 2016 (BRASIL, 2016) visa alterar artigos do CPP, dentre eles o art. 292, dando nova disciplina à hipótese de resistência à prisão em flagrante, determinando, por exemplo, a instauração de inquérito para apuração de eventual excesso no uso da força.

Mais uma relação entre a prisão em flagrante e a resistência remete à Súmula Vinculante nº 11 do Supremo Tribunal Federal (STF), que dispõe:

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. (BRASIL, 2008).

A resistência do preso é uma das justificativas para o uso de algemas23. A

questão de evitar a fuga ou ofensa à integridade física do preso constituem tanto funções da prisão em flagrante, como foi exposto, quanto hipóteses que autorizam a utilização de algemas. E, além da integridade física do preso, a súmula visa resguardar a integridade

23 Acerca de procedimentos específicos, a excepcionalidade do uso das algemas no caso de resistência

também é prevista no parágrafo 3º do art. 474 do CPP, relativo ao júri, e no art. 234 do Código de Processo Penal Militar (LIMA, 2016, p. 1204-1205).

de outrem, como os policiais ao efetuarem a prisão ou outros agentes públicos durante o interrogatório policial ou judicial.

Ao discorrer sobre o direito fundamental do preso à integridade física e moral, LIMA (2016, p. 1206) trata do uso de algemas, que deve ser excepcional nos termos da súmula, e afirma que um auto de utilização de algemas pela autoridade competente deve ser lavrado.

Como o objeto do trabalho trata da oposição à execução do ato legal de prisão em flagrante obrigatório, cumpre esclarecer que deve haver a estrita observância dos balizamentos constitucionais e infraconstitucionais para a legalidade da prisão tendo em vista que se trata de medida coercitiva da liberdade de locomoção (LIMA, 2016, p. 1214) e que já há dispensa de prévia autorização judicial para sua efetuação (LIMA, 2016, p. 1239). Portanto, a prisão em flagrante é ilegal (e o fato é atípico à título de resistência) quando: a prisão decorre de flagrante preparado24 ou forjado25 (LIMA, 2016, p. 1214) ou

de situação não prevista no art. 302 do CPP, o auto é lavrado sem observância das formalidades determinadas pelo CPP (LIMA, 2016, p. 1216) ou o uso de algemas não for operacionalizado nos termos da Súmula Vinculante nº 11 (LIMA, 2016, p. 1248). Esses são alguns pontos sobre a prisão em flagrante mais relacionados ao objeto do trabalho.