2.5. Fen Nedir?
2.5.2. Fen Bilimleri Öğretim Programının Özel Amaçları
No TJMG, há entendimento de que a resistência à prisão em flagrante obrigatório não é fato típico a título de resistência, mas sim mera indisciplina, por ausência de dolo específico. Confira-se a ementa do seguinte acórdão do citado tribunal na parte relativa ao crime de resistência:
APELAÇÃO - FURTO QUALIFICADO - RECONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - NÃO CABIMENTO - CONDUTA LESIVA AO PATRIMÔNIO - APLICAÇÃO DO PRIVILÉGIO - REDUÇÃO DA PENA - RESISTÊNCIA - CRIME NÃO CARACTERIZADO - INEXISTÊNCIA DE DOLO - REAÇÃO À PRISÃO - MERA INDISCIPLINA. O comportamento do réu, opondo-se ao cumprimento da ordem de prisão, não configura o delito de resistência, mas simples ato de indisciplina, em que não se detecta a existência do dolo específico, qual seja, a vontade deliberada de impedir a concretização do ato legal. [...] (MINAS GERAIS, 2016a).
No caso concreto, o acusado foi preso em flagrante por furto e opôs-se à execução da prisão pelos policiais mediante agressões. O uso de técnicas de imobilização pela polícia fez-se necessário. O juízo de primeiro grau condenou-o por furto e resistência.
O acusado apelou, pleiteando a absolvição quanto ao crime de resistência. A Procuradoria de Justiça manifestou-se pela absolvição quanto a este crime. A Câmara absolveu o réu do crime de resistência por unanimidade. Segundo o relator:
Entendo que a reação moderada à ordem de prisão, ainda que com força física, traduz um anseio natural de liberdade, natural ao ser humano, não tipificando o delito de resistência. Com efeito, o comportamento do réu, escondendo-se debaixo da cama e opondo-se ao cumprimento da ordem de prisão, configura simples ato de indisciplina, em que não se detecta a existência do dolo específico, qual seja, a vontade deliberada de impedir a concretização do ato legal. (MINAS GERAIS, 2016a).
A decisão estabeleceu que a oposição à prisão em flagrante obrigatório, ainda que mediante agressões, ou seja, com uso efetivo de força, de violência física, não configura fato típico, mas sim indisciplina simples e compreensível, pois movida pelo anseio inato de liberdade, além de ausente um dos elementos do fato típico, a saber o dolo específico de impedir a execução do ato legal. Embora o acórdão não esclareça precisamente os critérios de distinção entre indisciplina atípica e a resistência típica, foca- se no elemento subjetivo para determinar a absolvição quanto ao crime de resistência.
Outro acórdão proveniente do mesmo tribunal e absolutório do crime de resistência ostenta fundamento similar. Confira-se a ementa na parte relativa ao crime de resistência:
APELAÇÃO CRIMINAL - RESISTÊNCIA, DESACATO E AMEAÇA - SENTENÇA PARCIALMENTE PROCEDENTE - ABSOLVIÇÃO DA RESISTÊNCIA E DESACATO - IRRESIGNAÇÃO MINISTERIAL: PRETENSÃO CONDENATÓRIA - IMPOSSIBILIDADE - ABSOLVIÇÃO MANTIDA - RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Para a configuração do crime de resistência, exige-se o emprego de violência, a qual deve ser positiva, e, ao contrário, não apenas reativa, razão pela qual a oposição engendrada com o intuito de livrar-se do flagrante não constitui pressuposto para caracterizar a violência aludida no tipo penal. [...] (MINAS GERAIS, 2016b).
No caso concreto, o réu foi preso em flagrante pelo crime de ameaça e opôs- se à execução da prisão pela polícia mediante chutes e socos, inclusive causando escoriações no braço direito do policial condutor. O uso de técnicas de imobilização pela polícia fez-se necessário. O juízo de primeiro grau condenou-o pela ameaça e absolveu- o da resistência ao argumento de que o tipo penal de resistência exige violência ou ameaça ativa, positiva, e o réu apenas se recusou à prisão mediante uma reação passiva para garantir a liberdade.
O Ministério Público apelou, pleiteando a condenação quanto ao crime de resistência. A Procuradoria de Justiça manifestou-se pela condenação quanto ao crime de resistência. A relatora, seguida pelo revisor, manteve a absolvição ao concordar com o argumento do juízo de primeiro grau e ao considerar a violência perpetrada pelo preso apenas como decorrente da surpresa da prisão, previsível, reativa e não dirigida intencionalmente aos policiais.
Para absolver o réu do crime de resistência, a relatora referiu-se à ausência do dolo quando afirmou que a reação dele não se dirigiu intencionalmente à polícia e centrou-se na interpretação tanto do tipo penal de resistência, que exige uma conduta de oposição ativa, quanto da conduta do acusado, que foi passiva. A relatora, todavia, não se manifestou sobre a possibilidade de a conduta do réu enquadrar-se no tipo penal de desobediência, conforme Hungria (1959, p. 408), que considera a resistência passiva como sinônimo de desobediência.
O outro desembargador componente da Câmara divergiu dos demais, votando, pois, pela condenação, ao considerar que a oposição pelo acusado à execução da prisão pelos policiais mediante violência (causando, comprovadamente, escoriações em um deles) configurou plenamente o crime de resistência. O posicionamento do voto divergente aproxima-se ao do STJ (BRASIL, 2014a).
Há decisão com entendimento similar à posição dos citados acórdãos do TJMG no TRF-2. Confira-se a ementa na parte relativa ao crime de resistência:
PROCESSO PENAL. APELAÇÕES CRIMINAIS. ARTS. 14, LEI 10.826/03 E 52, LEI 9.605/98. AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. ERRO DE PROIBIÇÃO NÃO CONFIGURADO. CRIME DE RESISTÊNCIA NÃO CONFIGURADO. PENAS ADEQUADAMENTE APLICADAS. DESPROVIMENTO DOS RECURSOS. [...] IV- Não obstante tenha apontado a arma de fogo em direção aos policiais que o perseguiam para prendê-lo, o acusado o fez por reflexo, instinto, estando claro pelo conjunto probatório coligido, que a intenção não foi impedir a realização do ato por parte dos agentes públicos. Crime de resistência não configurado. [...] (BRASIL, 2013).
No caso concreto, o acusado foi preso em flagrante pelo crime ambiental tipificado no art. 52 da Lei nº 9.605/98 e por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, e opôs-se à execução da prisão ao apontar uma espingarda para equipe policial, ameaçando atirar para não ser preso. Depois, o acusado “caiu em si” e abaixou a arma. O juízo de primeiro grau condenou-o pelos dois primeiros delitos e absolveu-o do crime de
resistência. Ambas as partes apelaram. Em suas razões recursais e quanto ao crime de resistência, o Ministério Público Federal pleiteou a condenação. Entretanto, quanto a este crime, a Turma manteve a absolvição por unanimidade. Segundo o relator:
Quanto à condenação pelo crime de resistência, não merece prosperar a irresignação ministerial. Isto porque, não obstante tenha apontado a arma de fogo em direção aos policiais que o perseguiam para prendê-lo, o acusado o fez por reflexo, instinto, estando claro, pelo conjunto probatório coligido, que a intenção não foi impedir a realização do ato por parte dos agentes públicos. [...] Assim, verifica-se, claramente, que o acusado não teve o dolo de resistir à ação estatal, razão pela qual não deve ser condenado pela conduta descrita no art. 329, do CP. (BRASIL, 2013).
A decisão também se fundamenta na ausência de dolo, que não foi adjetivado como específico, para absolver do crime de resistência, pois a conduta do réu de apontar a arma de fogo para os policiais que tentavam prendê-lo foi movida por instinto.
Essas são algumas decisões absolutórias quanto ao crime de resistência, as quais, embora não utilizem o termo “autodefesa” para se referir ao instinto de liberdade, entendem que este, na resistência à prisão em flagrante obrigatório, afasta o dolo e, com base no conceito analítico de crime como fato típico, ilícito e culpável, estando ausente um dos elementos do primeiro, a saber o dolo, o crime de resistência não se configura. Em contrapartida, há decisões do STJ favoráveis à condenação.
4 CONDENAÇÃO CRIMINAL POR RESISTÊNCIA À PRISÃO EM