A. Genel Olarak Tefsîr Yöntemleri
5. İsrâiliyyat
Embora as discussões a respeito de uma educação inclusiva ocorram desde meados da década de 1990, foi somente a partir de 2008, com a Política
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva
(BRASIL, 2008) que houve menção do atendimento de pessoas com deficiência na educação superior. Embora traga discussões abrangentes a respeito da universidade, tal documento é um marco nas políticas que orientam a educação de pessoas com deficiência, uma vez que norteia ações que viabilizam oportunidades de acesso ao conhecimento de maneira equitativa, já
que se sabe que para essa inclusão serão necessários “investimentos em materiais pedagógicos, qualificação de professores, infraestrutura adequada para ingresso, acesso e permanência e estar atento a qualquer forma discriminatória.” (MOREIRA, 2005, p.6)
Essa normativa se mostra recente diante das incorporações políticas necessárias para o atendimento desse público na universidade. Para tanto, algumas orientações posteriores auxiliam na fundamentação desse paradigma ao legitimar os direitos das pessoas com deficiência, uma vez que
[...] essas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino, a pesquisa e a extensão. (BRASIL, 2008)
Tal fato demonstra o movimento tardio para o desenvolvimento de políticas que garantam os direitos à educação em etapas mais elevadas de ensino para pessoas com deficiência. Observa-se que, mesmo com a ampliação de vagas nas universidades, até meados da década de 1980 era singela a participação de pessoas com deficiência na educação superior no Brasil, visto que reflete o período de pouco acesso aos serviços de reabilitação e, inclusive, com indicativo de esgotamento da sua presença na educação básica. A título de exemplificação, Valdés (2006) destaca que as IES não estavam preocupadas em implementar medidas que possibilitassem a eliminação de barreiras arquitetônicas, atitudinais e de aprendizagem, visando à permanência e a conclusão da sua formação com êxito.
Em vista de acontecimentos internacionais e nacionais em prol da educação inclusiva, já mencionados no início deste capítulo, ações afirmativas começam a ser implementadas gradativamente e, junto a isso, surge o ingresso à educação superior, levantando discussões acerca do acesso, permanência e qualidade do atendimento oferecido aos estudantes com deficiência.
Pautado nessas premissas, em 2005, o Ministério da Educação - MEC, lança o Programa de Acessibilidade na Educação Superior - INCLUIR, que de
maneira geral, assinala o desenvolvimento de políticas institucionais de acessibilidade em IFES, que visem ao desenvolvimento acadêmico das pessoas com deficiência, com o objetivo de
[...] promover a acessibilidade nas instituições públicas de educação superior, garantindo condições de acesso e participação às pessoas com deficiência. O Programa apoia projetos apresentados pelas IES, para a eliminação de barreiras físicas, pedagógicas, nas comunicações e informações, nos diversos ambientes, instalações, equipamentos e materiais didáticos disponibilizados pelas instituições. (BRASIL, 2005, p. 21)
Dados explicitados no documento Orientações para Implementação da
Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL,
2015b) trazem que entre 2005 e 2012 foram criados 300 projetos de consolidação dos Núcleos de Acessibilidade em IFES, por meio do Programa INCLUIR, com o apoio do MEC. O documento orientador do programa traz ainda que, desde 2012, as universidades não necessitam concorrer a editais, sendo o repasse feito a todas as instituições que apresentem estudantes com deficiência matriculados em seus cursos superiores. (BRASIL, 2013)
Tais núcleos de acessibilidade visam à eliminação das barreiras físicas, comunicacionais e de informação que restringem a participação e o desenvolvimento acadêmico dos estudantes com deficiência. Sua organização está prevista no Decreto 7.611/2011 (BRASIL, 2011a), que dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências, sendo que tais determinações são direcionadas às IFES. De acordo com o Documento Orientador do Programa INCLUIR (BRASIL, 2013), a esses núcleos compete organizar ambiente, instalações, equipamentos e materiais didáticos, com o intuito de promover a participação dos estudantes nas atividades ofertadas pela instituição.
Souza (2010) aponta que essa iniciativa é a única proposta voltada única e direcionalmente ao público com deficiência na educação superior. Embora ainda precise de ajustes no que se refere à adequação do atendimento para a permanência da demanda em algumas universidades, a autora sublinha que, de acordo com os editais do programa, os núcleos de acessibilidade melhoram as condições de acesso dos estudantes com deficiência a todos os espaços,
ambientes e processos na instituição, uma vez que busca articular a inclusão social e educacional dessas pessoas. Para Chahini (2010), as ações afirmativas se constituem como alternativas primordiais para que a sociedade se adapte à realidade e modifique suas atitudes, diante do acesso dessa parcela da população em níveis elevados de ensino. Para a autora, “as ações afirmativas não combatem o preconceito, especificamente em relação às pessoas com deficiência, mas visam ao desenvolvimento de estruturas para a inclusão destas, no meio social.” (CHAHINI, 2010, p.93)
Embora seja possível observar movimentos e ações pontuais que superam concepções e convergem com conquistas em favor dos direitos das pessoas com deficiência, ainda é comum encontrar resquícios do embate histórico, que norteiam práticas e reforçam os limites desses sujeitos como incapazes de cursarem etapas educacionais mais elevadas. Então, pensar em uma educação inclusiva que seja realidade no contexto universitário, há de se considerar que, para além do oferecimento de apoio, é preciso que haja um trabalho eficaz na mudança de como concebemos a educação. Zago assinala que
[...] uma efetiva democratização da educação requer certamente políticas para a ampliação do acesso e fortalecimento do ensino público, em todos os níveis, mas requer também políticas voltadas para a permanência dos estudantes no sistema educacional de ensino.(2006, p. 228)
Assim, acolher as diferenças nos espaços de formação universitária remeterá a pensar que é preciso abandonar aquilo “que chamamos de educação especial ‘tradicional’, de seus modelos teóricos, de suas práticas e de seus discursos educacionais” (SKLIAR, 2006, p.16). Com efeito, cabe a reflexão sobre a presença de estudantes com deficiência nos cursos universitários e ampliam-se as possibilidades educacionais para um público que pouco alcançava esse nível de ensino. Rosseto (2008) sinaliza que essa abertura implica o rompimento de “[...] certos paradigmas historicamente estabelecidos e certas mudanças na concepção de quem é a pessoa com deficiência”. (p.54)
Desse modo, ao direcionar novos olhares para a valorização da diversidade, há que se pensar no
[...] acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior. (BRASIL, 2008, p. 14)
Portanto, a educação inclusiva de modo geral, que abrange o contexto universitário, pauta-se na reorganização da estrutura como está posta, para que atenda à realidade da população que acessa a educação nos dias atuais. Isso demonstra que “a função da Universidade articulada à educação do ser humano, como sujeito histórico, social, cultural, e sua constituição, independentemente das condições desse ser humano, torna-se cada vez mais necessária e ganha força no cenário das políticas públicas de inclusão.” (ROSSETO, 2009, p.3)
Seguindo tais caminhos, para que haja a modificação de determinados paradigmas que circulam no contexto universitário, torna-se de suma importância a criação de condições de permanência a esse público na universidade. Sendo assim, o próximo capítulo abarcará o levantamento das normativas que visam garantir para além do acesso, mas também a permanência e participação na universidade. Junto disso, trará notas sobre pesquisas que apontam a aplicabilidade de tais ordenamentos políticos a pessoas com deficiência.
CAPÍTULO 3
ACESSIBILIDADE: CONDIÇÕES DE PERMANÊNCIA E
PARTICIPAÇÃO NA UNIVERSIDADE
“Tolerar a existência do outro, e permitir que ele seja diferente, ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas, da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância.” José Saramago
A acessibilidade é umas das mais antigas reivindicações das pessoas com deficiência. Nunes e Sobrinho (2010) afirmam que no século passado o conceito de acessibilidade tinha relação estreita com os serviços de reabilitação profissional, designando o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho e comunidade. Naquela época, o conceito circulava em torno de questões estruturais, limitando-se a assuntos que tratavam de barreiras físicas e arquitetônicas.
Na medida em que a sociedade se abre para as diferenças, surgem novas demandas de estruturação; então o conceito de acessibilidade toma o contorno de promover a remoção de quaisquer barreiras que impeçam as pessoas com deficiência de participarem de atividades do cotidiano, sendo então,
[...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida. (BRASIL, 2015c)
Mazzoni et al. (2001) aponta que a acessibilidade deve ser compreendida como um processo dinâmico, que se associa não somente ao desenvolvimento tecnológico, mas apresenta relação próxima com o desenvolvimento da sociedade, já que um grupo que se preocupa com o direito do outro (neste caso, as pessoas com deficiência) em participar da produção e disseminação do conhecimento, poderá contar com estes em todos os setores da sociedade. A esse respeito, Mazzota (2011) enfatiza que a acessibilidade pode ser entendida em duas faces, sendo estas: face interna que se referencia ao respeito às especificidades de cada indivíduo e a pluralidade dos determinantes que se relacionam com a diversidade, e outra referente à face
externa, que diz respeito ao espaço social, ligados ao espaço físico, material,
de participação ativa.
Junto dessas discussões, no fim da década de 1990, acrescenta-se o conceito de desenho universal, o que coloca em destaque a diversidade humana, sendo compreendido como a “concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade
de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva.” (BRASIL, 2015)
Esse pressuposto enfatiza o respeito das diferenças entre as pessoas, independentemente de apresentarem deficiência ou não, possibilitando pensar que “na concepção de desenho universal, está embutida a ideia de não somente eliminar barreiras, mas essencialmente de garantir acesso” (Nunes; Sobrinho, 2010, p. 270). Assim, prover a acessibilidade indica a remoção de barreiras que limitam a participação das pessoas, que independem de suas condições físicas, intelectuais e sensoriais, a participarem de atividades do cotidiano.
A filosofia que permeia o desenho universal aponta como perspectiva de ampliação dos conceitos que se referem à acessibilidade, e embora tenha surgido com o objetivo de contemplar a criação de ambientes e produtos acessíveis, que não necessitem de adaptações para um público específico, avança no conceito e contribui para a formação de uma sociedade mais inclusiva no que tange à equiparação nas possibilidades de uso e manuseio, flexibilidade, uso simples e intuitivo, captação de informações, dimensões e espaços para uso e interação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015), sendo que tais medidas são globais para padronização de ambientes e produtos e não se dirige somente a pessoas com limitações. Nessa medida, o foco deixa de ser a diferença como especificidade limitante para tornarem-se variações individuais entre pessoas.
Dessa forma, nota-se que é preciso a criação de uma atitude social favorável para a aceitação das diferenças e o convívio de modo harmonioso, sem denotar valores e atribuir significados negativos para determinadas situações que exijam tratamento diferenciado a determinado público, uma vez que tais medidas são necessárias para a equiparação de oportunidades de acesso e participação nas mais diversas esferas da sociedade.
Com este entendimento, Guerreiro (2011) sugere que há ampliação de visões nos documentos legais ao referir-se às condições de utilização dos espaços de forma total ou assistida, pois assim tornam-se reais as possibilidades de uso. Dessa maneira, observa-se que a acessibilidade é entendida como um processo fundamental para atender aos direitos individuais e promover a cidadania. A partir disso, o conceito de acessibilidade ultrapassa
as barreiras concretas para dar ênfase ao direito de ingresso, permanência e utilização de todos os bens e serviços por toda a população.
Entende-se que tornar o ambiente universitário acessível abre possibilidades e cria condições de escolha para o uso de quaisquer esferas, sem impedimentos. Masini e Bazon (2006) reiteram que acessibilidade é um processo de reestruturação de ambiente, da organização físico-espacial, do atendimento, das atitudes, do comportamento, além de transformar as ações que possam diminuir a sequela determinada pela deficiência.
De modo mais abrangente, o Decreto nº 6.949/2009, que regulamenta a
Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,
estabelece que “[...] os Estados Partes deverão tomar as medidas apropriadas para assegurar-lhes o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas” (BRASIL, 2009b). Tais medidas, de acordo com o documento, incluirão a identificação e eliminação de barreiras de acessibilidade que vão além da eliminação de obstáculos físicos, assegurando também ferramentas que promovam a produção e disseminação de tecnologias de informação e comunicação. Assim, tem-se que a acessibilidade vai além dos aspectos físicos e propõe que são direitos às oportunidades de acesso a quaisquer espaços e formas de recursos de organização social – quer seja, no trabalho, no lazer, na educação, entre outros espaços.
Uma das diversas dimensões que podem contribuir com a promoção da cidadania, é a remoção das barreiras de acesso aos espaços e recursos anteriormente mencionados. Normativas nacionais atuais buscam se adequar e constituir conceitos, e definem barreiras como sendo
[...] qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros. (BRASIL, 2015c)
O documento que resgata o trecho acima, traz ainda que tais barreiras podem ser classificadas em barreiras urbanísticas, arquitetônicas, nos transportes, nas comunicações e na informação, atitudinais e tecnológicas. Para tanto, a acessibilidade extrapola os conceitos e propõe medidas pontuais
para o traçar ações que efetivem o acesso aos bens comuns, garantindo o acesso nas diferentes esferas de participação das pessoas em sociedade . Assim, evidencia-se o caráter dinâmico deste termo, associado não somente ao desenvolvimento tecnológico, mas também ao movimento da sociedade, já que expande a compreensão do termo para além de questões físicas, contemplando a subjetividade do conceito, permitindo o entendimento de uma sociedade onde as barreiras sejam dissolvidas no cotidiano e todos possam transitar nos diferentes ambientes que julgarem pertinentes.
Com esse delineamento, é possível perceber que a promoção de acessibilidade requer a identificação e eliminação de barreiras que possam impedir quaisquer pessoas de desempenhar suas funções sociais. Embora a sociedade se demonstre gradativamente mais consciente, a exequibilidade da acessibilidade vai além de mudanças legais; fundamenta-se ainda em reorganização social que possibilite mudanças de atitudes.
Partindo dessa conjectura o desenvolvimento de uma política institucional que estreite laços com diversos setores da sociedade, torna-se o meio para se discutir os direitos sociais de pessoas com deficiência, para que as leis sejam efetivamente cumpridas e permitam a reflexão da comunidade geral, diante das condições oferecidas a população que se encontram em situação de vulnerabilidade.
Conforme já apontado neste texto, ao se colocar a inclusão em pauta, faz-se indispensável a reestruturação dos espaços e implementação de recursos que atendam às respostas educativas diante da apropriação do saber historicamente acumulado. Mesmo porque, para que haja inclusão educacional de pessoas com deficiência, faz-se necessária a revisão de paradigmas, superando conceitos e priorizando o respeito às diferenças e ao atendimento das necessidades especiais desses estudantes.
Espera-se que na medida em que os ambientes se tornem mais acessíveis, as pessoas passem a conviver com a diversidade de maneira mais harmoniosa. Desse modo, o uso do espaço social não será de uso específico de uma ou outra parcela da população, mas poderá ser ocupado por todos, a partir do momento em que estiver adequado.