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İskân edilmiş köylüler

A- Beylik ve Ağalık (Aşiret):

1- İskân edilmiş köylüler

A Irlanda seguia por um caminho de relativa “prosperidade” ao comando de Brian Bórumha mac Cennétig, ou em inglês Brian Boru, que vinha se tornando um poderoso líder para o povo, podendo ser considerado algo próximo a um alto-rei. Por volta do século XII, os Normandos, que haviam dominado a Inglaterra, começaram a chegar à Irlanda. Martin (2001) diz que eles, sem dúvida, tinham a intenção de conquistar e transformar, mas tiveram que se adaptar ao país, como já havia acontecido

21 “The Irish scribes frequently create new situations or invented tales in which mythical personages were

na Inglaterra, por exemplo. Uma prova disso seria o tratamento respeitoso que eles tiveram para com os líderes gaélicos, inclusive casando as suas filhas com os príncipes irlandeses.

Ademais, de acordo com Martin (2001), com a chegada dos Normandos, ou Anglo-Normandos, o ciclo natural da história irlandesa mudou, já que eles abriram as portas irlandesas para colonização inglesa que perdurou por cerca de 700 anos. As mudanças não são apenas no campo político, mas em diversos aspectos culturais, como na literatura, na música, na religião, na arquitetura, etc. Nota-se que os Normandos que chegavam à Irlanda, mesmo tendo vindo da Inglaterra, eram na verdade franceses:

Esses Normandos eram franceses na fala e na origem, membros inquietos do melhor estoque de combate da Europa. Muitos tinham casado com a nobreza galesa, mas seus filhos estavam fora de qualquer aliança especial à Inglaterra, Gales ou França. Eles eram implacáveis e especialistas astutos como marinheiros e cavaleiros, construtores de castelo e igrejas, homens com um instinto para disciplina e ordem. Eles eram duros, inteligentes e famintos por terra (MARTIN, 2001, p. 98).22

Henry II23 (1133-1189), que, de acordo com Martin (2001, p. 97), “era francês mais que inglês” 24, viveu a maior parte de sua vida na França. Nesse período, de acordo com Martin (2001), a Inglaterra era apenas parte do Império Angevino25. Com menos de um ano no trono, Henry II começou a considerar uma invasão à Irlanda em 1155, pedindo inclusive permissão ao Papa Adriano IV26 para executar seu plano de “entrar na ilha da Irlanda a fim de submeter seu povo à lei e para extirpar deles as ervas daninhas do vício, para ampliar as fronteiras da Igreja e para proclamar as verdades da religião cristã a um povo rude e ignorante” 27.

22“These Normans were French in speech and origin, restless members of the finest fighting stock in

Europe. Many had intermarried with the Welsh nobility but their children were without any special allegiance to England, Wales or France. They were ruthless and cunning experts as sailors and horsemen, builders of castle and churches, men with an instinct for discipline and order. They were tough, intelligent and land-hungry” (MARTIN, 2001, p. 98)

23 Seu reinado durou cerca de 35 anos (1154-1189).

24 “was French rather than English” (MARTIN, 2001, p. 97)

25 O Império Angevino era composto por parte do que hoje é a França, a Inglaterra, a Escócia e depois a

Irlanda.

26 Adriano IV, 169° papa Católico, entre 1154 à 1159, sendo considerado o único Papa britânico até

hoje.

27 “ to enter the island of Ireland in order to subject its people to law and to root out from them the weeds

of vice, to enlarge the boundaries of the church and to proclaim the truths of Christian religion to a rude and ignorant people”

As “invasões” Normandas passaram por dois importantes momentos, um em 1169 e outro em 1171. No primeiro, o rei irlandês da província de Leinster, Dairmait Mac Murchada, foi expulso da Irlanda após perder poder para Rory O’Connor. Mac, em uma tentativa de recuperar o seu trono, viajou para a Inglaterra buscando auxílio político-militar junto a Henry II. O monarca inglês, de acordo com Martin (2001), enfrentava dificuldades profundas na manutenção do império, dando a permissão para que Mac pudesse convocar quem ele achasse necessário para sua investida. Até que o auxílio pudesse ser reunido, passaram-se dois anos. Nesse meio tempo, sozinho, Mac começou a tecer um plano militar que não chegou a ser concluído devido a sua morte.

No segundo momento, em 1171, Strongbow, que vinha ajudando Mac, passou a tecer planos para uma conquista completa da Irlanda, visando inclusive se tornar rei do país. Sua atitude chama a atenção de Henry II, e marca, dessa maneira, outra “invasão” Normanda na Irlanda, dessa vez com a presença física do soberano inglês. Como resultado, a Irlanda passou a ter um governo central controlando toda a vida política da nação.

A costa leste irlandesa foi o primeiro reduto Normando no país, instaurando a cidade de Dublin como sede na nova terra. A tomada do poder pelos conquistadores, diz Boyce (1995), não foi tumultuada ou sofreu grande resistência, sendo bem aceita, inclusive, pelo clero romano. Na época, como dito acima, a Irlanda era regida por um “alto-rei”, Rory O’Connor, que servia mais como representante do país, pois não tinha o poder monárquico em suas mãos.

Rory O’Connor, após um período de negociação com Henry II, foi nomeado Alto Rei da Irlanda (High King of Ireland), mas era um título apenas artificial. O tratado não criava uma tradição monárquica na Irlanda, pelo contrário. Com o avanço da Idade Média, há uma escalada do poder inglês no país, implementando mudanças significativas na vida da comunidade. De acordo com Martin (2001), todos os gauleses que tivessem qualquer liderança diante da comunidade foram destituídos do poder.

No século XIII, a Irlanda começaria a operar politicamente através de um parlamento constituído por esferas legislativas e judiciárias, composto, de acordo com Martin (2001, p. 113) por “os grandes senhorios laicos e eclesiásticos” 28. Boyce (1995) diz que a “Irlanda Gaélica”, constituída pelos senhores rurais e pelos pobres, chamados

de peasants, que não tinham ligação sanguínea (ou mesmo cultural) com os ingleses, foi excluída da vida política do país. No mesmo período, porém, surgem os focos iniciais de resistência ao poder monárquico da Inglaterra. Sir Ralph d’Ufford foi um dos primeiros a tentar tomar das mãos inglesas o direito de governar o país. Ele tinha como plano entregar a governabilidade aos Anglo-Irlandeses (Anglo-Irish). Boyce aponta que “Os senhorios Anglo-Irlandeses eram uma mistura de costumes, instituições, língua, maneiras, modos, comportamento gaélicos e ingleses, escassamente distinguíveis em sua aparência mestiça de sua vizinhança gaélica.” 29, (BOYCE, 1995, p. 40). Ou seja, foram os primeiros ingleses a desembarcarem na Irlanda, e se achavam no direito de controlar politicamente o país. Os Anglo-Irlandeses tentaram deter, durante muito tempo, todo o poder que os ingleses exerciam nos níveis cultural, econômico e político da Irlanda.

Os planos de um governo irlandês independente falharam. A coroa inglesa temendo novas investidas, acabou ampliando o seu poder militar e político no país ainda no século XIII, decretando que todo e qualquer ato, lei ou decreto de qualquer espécie, que fosse tomado pelo parlamento irlandês, deveria passar por aprovação dos governantes ingleses. Logo em seguida, Edward the Bruce, da Escócia, também tentou invadir a Irlanda. Seu projeto era unir as lideranças irlandesas buscando a restauração da liberdade perdida. Este plano também não deu certo, mas serviu de alerta aos ingleses para as forças políticas ainda existentes em áreas não anglicanizadas do país. Essas regiões representavam um perigo aos propósitos da Inglaterra.

A Inglaterra, na verdade, tinha um poder geograficamente limitado na Irlanda. O raio de atuação do governo inglês se restringia a áreas determinadas, como Dublin, Meath, Kildare e Louth. A Irlanda Gaélica, áreas mais a oeste do país, estava sob a influência do clero católico. Os ingleses, que enfrentavam problemas políticos internos, viam o declínio da sua força em várias partes do território irlandês. O parlamento inglês, desta maneira, ainda no século XIII, se viu obrigado a passar parte da sua autoridade para as famílias Anglo-irlandesas.

29“The Anglo-Irish lordships were a mixture of Gaelic and English customs, institutions, language and

manners, scarcely distinguishable in their mongrel appearance from their Gaelic neighborhoods.” (BOYCE, 1995, p. 40)

Figura 2 - Divisão do poder na Irlanda em 1450. Fonte:

http://www.irishhistorylinks.net/History_Links/Fourteenth_Century.html

Movimentos político-militares começaram a ser tecidos em vários pontos da Irlanda. O intuito principal era a retomada do seu passado, de suas heranças “ancestrais”. O conjunto destes movimentos foi chamado de Restauração Gaélica (Gaelic Revival) por Martin (2001, p. 121). Dentre as propostas intencionadas por esse grupo, estava a independência do país e a busca por um rei irlandês. “Por toda a Irlanda havia enclaves de irlandeses gaélicos independentes, cujos ataques poderiam ser arquitetados na colônia [...] Um dos aspectos mais espetaculares dessa Restauração Gaélica foi a tentativa de reviver a antiga alta realeza.”30 (MARTIN, 2001, p. 121). Os planos, entretanto, falharam. Não se conseguiu costurar a volta de um líder irlandês, muito menos a independência. Com isso, não houve mais nenhuma tentativa que vislumbrasse uma unificação da Irlanda Gaélica. Ademais, mesmo que o sonho por um país unido em torno de uma causa parecesse distante, a Inglaterra não conseguiu controlar tão facilmente a situação na Irlanda.

A Restauração Gaélica representava um problema mais sério para o governo em termos militares. No século XV, em particular, revelou-se impossível

30 “All over Ireland there were enclaves of independent Gaelic Irish, from which attacks could be

mounted on the colony […] One of the most spectacular aspects of this Gaelic revival was the attempt to revive the old high-kingship.” (MARTIN, 2001, p. 121)

manter uma defesa suficiente contra os chefes gaélicos ressurgentes, mesmo em regiões perigosamente perto de Dublin, como Wicklow. Com a ajuda dos gallowglasses, que eram soldados mercenários da Escócia, e os seus próprios exércitos e armas inovadores, os líderes gaélicos foram capazes de anular as vantagens militares das quais os colonizados haviam desfrutado nos primeiros dias da colônia (Martin, 2001, p. 123, [itálico nosso]).31

Crescia um forte sentimento de preconceito e revolta com as áreas irlandesas que estavam sob o domínio inglês. É importante lembrar que, quando fazemos referência à “restauração do passado irlandês”, estamos falando especificamente da ancestralidade Celta. A população que existia em um período que chamamos de pré-Celta, concordam os autores em geral, não tem influência cultural ou histórica para os projetos nacionalistas do país. Os celtas eram vistos como “bons”, os únicos que deram alguma contribuição real e significativa ao país.

O reflexo desse clamor popular se refletiu na literatura que tomava forma nesse período através de uma poesia alinhada a questões políticas. Segundo Kelleher (2008), os poetas aproveitaram para prover, de maneira significativa, a cultura Gaélica, buscando no passado a força para enfrentar o grande inimigo. A Irlanda ganhava, dessa maneira, na literatura, a sua mais famosa caracterização, passando a ser representada como uma mulher com o nome de Éire, a Mãe-Terra ou Grande-Mãe. Alguns poetas, porém, não seguiram essa visão “romantizada”, representando o país como uma prostituta que havia se vendido aos ingleses.

Ainda na Idade Média, ficaram comuns as baladas poéticas com viés épico que serviam como alegoria política rememorando as figuras de heróis como Fionn, representado como um guerreiro que viveu uma longa vida lutando contra aqueles que massacraram sua terra. Este tipo de narrativa era comum entre os falantes do galês, mas chegava até classes sociais mais altas, sendo transmitida geralmente pela oralidade. Ademais, o herói preferido, especialmente durante a Restauração Gaélica, era Cuchulain, do Ciclo mitológico de Ulster. Boyce (1995) aponta como a grande contribuição do período medieval para o projeto de nacionalismo irlandês a tomada de

31 “The Gaelic revival posed a more serious problem to the government in military terms. In the fifteenth

century in particular, it proved impossible to maintain a sufficient defence against the resurgent Gaelic chieftains, even in regions dangerously close to Dublin, like Wicklow. With the help of the gallowglasses, who were mercenary soldiers from Scotland, and their own new-style armies and weapons, the Gaelic leaders were able to cancel out the military advantages which the settlers had enjoyed in the early days of the colony” (MARTIN, 2001, p. 123).

um senso de unidade racial-cultural em torno da “Irlanda Gaélica” e o surgimento do mito de uma Irlanda que vai enfrentar o inimigo opressor com ajuda de seus filhos.