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Doğrudan tedhişle [terörle] imha

B- Kitabında yazılmayan vergiler

III- İmha Siyaseti

2- Doğrudan tedhişle [terörle] imha

Segundo Gillespie (1993), durante o Romantismo, os palcos dos teatros da Europa, principalmente no que diz respeito à Inglaterra, França, Alemanha, e principalmente na Irlanda, foram tomados pelo folclore, como parte do processo de “descoberta cultural” do seu passado. O movimento, que começou por volta do século XVIII, solidificou-se apenas no século seguinte.

O Romantismo, que se colocava como antítropo do Enlightenment, viu no teatro uma maneira de representar a realidade sem tender para o realismo, usando como arma, principalmente, a alegoria. Além disso, o “drama folclórico”, se assim podemos chamar, alinhou-se às questões políticas intentadas por alguns Românticos, que buscavam germinar os valores culturais através de um movimento que intentava resgatar a autoconsciência das nações, por via dos valores medievais, tais como: o heroísmo, o amor, a luta com dignidade, etc.

Os mitos, que foram garimpados, no século XVIII, pelos medievalistas, vão ser usados nos palco, conforme Gillespie (1993), como o regaste virtuoso dos “primitivos”. A valorização das origens da própria história serviria como fonte da criatividade artística do povo. Assim, os Românticos, que vieram a se tornar dramaturgos, acreditavam na filosofia/pensamento de que o passado poderia/deveria ser ensinado através da cultura.

Dessa maneira, durante o Romantismo, imagens oriundas do folclore foram metamorfoseadas em enredos alegóricos, com fundos medievais históricos e religiosos.

Importante salientar que os poetas viam no folclore um mundo sem lei, pois, para eles, o passado não conhecia regras estéticas rígidas, e isso dava-lhes liberdades na hora da criação.

Ora, eles acreditavam que não precisariam mais ficarem presos à estética rígida herdada do Neoclassicismo, poderiam ir além das regras. O folclore torna-se um mundo à parte, uma terra idealizada em sonhos, onde (quase) tudo era possível.

O tratamento dado ao folclore, nos palcos da Irlanda, foi, portanto, oriundo da estética medievalista e de gêneros herdades da Idade Média. As peças foram inspiradas nas baladas românticas entoadas pelos bardos. Gillespie (1993) diz que, no teatro, as baladas foram manufaturadas em forma de material que auxiliasse nos interesses nacionais, utilizando para isso as histórias oriundas folclore.

O teatro folclórico, no Romantismo, não foi um movimento que visava romper, ou causar um cataclismo na história do teatro. Pelo contrário, chegou de mansinho, trabalhou com elementos já conhecidos das artes cênicas como os mitos, por exemplo. O que diferenciava essa estética do que vinha sendo feito nos palcos era o conteúdo, pois os dramaturgos Românticos debandaram atrás dos mitos Celtas, deixando para trás a mitologia Grega ou Romana.

Esse teatro ainda foi ainda em busca dos elementos que constituíram esteticamente o medievo, coletando lendas bíblicas, vestindo-as com outros adereços, como as mitologias nacionais, por exemplo, e transformando-as em drama. Eles, os Românticos irlandeses, tinham “interesse na história”, “[...] no culto ao sentimento”, “[...] místico na fé da providência”, “[...] e a busca pelo costume e a experiência religiosa” 95 (GILLESPIE, 1993, p.130).

Foi, portanto, um movimento que rompeu, com as fronteiras literárias estéticas fixas e rígidas, que haviam se fixado no Neoclassicismo. O “novo teatro” fundia em seus enredos a lírica, a épica, a música, elementos oriundos da pintura, dos contos de

95 “an interest in history (...) a Cult a feeling in a mystic faith of providence (…) a quest for the usual and the experience of religion” (GILLESPIE, 1993, p.130).

fadas, das lendas, da história, dos mitos. Foi, segundo Gillespie (2013), a reunião de elementos populares do homem simples, que havia sido cantado por Wordsworth, por exemplo.

O Neoclassicismo, para os Românticos, não acordava o passado, não despertava a paixão nacional, era um estética artificial e fria que se traçava através de limitações. Ainda segundo Gillespie (1993), toda uma leva de dramaturgos pós-napoleônicos tentaram recriar, nos palcos, um gosto pelas questões sociais, procuraram arrancar as amarras que prendiam as línguas nacionais.

Considerando-se, entretanto, nesse contexto do drama, o lugar ocupado pela tragédia. A tragédia sempre conduz para um mundo do qual o herói não pode escapar, um lugar onde a escolha e o destino têm a mesma face. O Romantismo trouxe, à sua maneira, de volta ao mundo, através de elementos típicos de sua estética, a tragédia, em enredos que buscam, dentre outras coisas, a valorização do passado.

A tragédia Romântica Irlandesa surge em um momento de transição entre a velha ordem e a alvorada de outra, em que poetas e filósofos acreditavam que seria mais humana, e com valores morais mais profundos, com a valorização da simplicidade. Segundo Gillespie (1993), a tragédia Romântica revelava os pesadelos que assombravam os sonhos individuais, sugerindo que o homem busque o passado para se reerguer.

No Romantismo, o teatro trágico buscava entender o que levava o homem a cair, mostrando o ser humano sendo apontado pela isca do próprio “eu”, pelas suas virtudes, ou melhor, pela falta delas (em algumas vezes). Deus ainda não estava morto, como diria Nietzsche96 mais à frente, de forma que era comum que os enredos mostrassem a

disputa divina entre humanos e divindades. Porém, o herói não estava totalmente preso

96Estamos fazendo referência ao livro “A Gaia Ciência” onde Nietzsche (2012) diz “Deus está morto!

Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!” (p.125)

às garras da vontade divina, ele precisaria enfrentar um mundo de caos, que, se não confrontado, e destruído, entraria em colapso e o destruiria. Uma citação que nos parece pertinente é vinda do poema The Second Coming, de Yeats, que descreve bem a situação, “Things fall apart; the centre cannot hold” mostrando um homem diante do caos, da incerteza. (YEATS, 1996, p.86). Os protagonistas das tragédias modernas, segundo Gillespie (1993), lutavam para se tornarem heróicos, para criar o mundo a sua maneira, através de uma nova ordem.

Segundo Gillespie (1993), o mundo entre o final do século XVIII e o início do século XIX carecia de heróis e deuses. No Romantismo, o herói estava isolado do mundo da ordem, as pessoas apareciam corrompidas, ele, o herói, estava sozinho, tentando restaurar o mundo e a ordem através de suas crenças e ações.

Dessa maneira, o herói buscava em suas memórias perdidas, personificadas em uma terra que lembra um lugar inocente e pastoril, o aprendizado que pudesse fazê-lo suportar o mundo. O eu-externo do herói não revelava seu eu-interno. É como se o personagem usasse uma máscara, da mesma forma que não há ligação entre seu passado (que precisa ser restaurado) e o presente (que precisa de restauração).

Conforme Gillespie (1993), o herói Romântico não pode ganhar ou voltar ao passado, ele está preso no presente, e o futuro está dentro de si. O homem, que era o pilar da sociedade, foi corrompido, traído e destruído por suas próprias crenças. Dentro de um mundo rebelde, ele só poderá cumprir sua tarefa quando restaurar a ordem. Ao se voltar para o mundo para enfrentá-lo, o herói se acha isolado, a violência e a ganância já comprometeu a todos.