B- Kitabında yazılmayan vergiler
IV- Baskı
Influenciados pelo Medieval Revival, os dramaturgos românticos não buscaram apenas restaurar os valores e as lendas folclóricas oriundas do medievo. Eles foram além, buscaram no teatro da Idade Média a estética e os temas do período para moldarem suas peças.
Podemos dizer, de acordo com o que entendemos em Muir (1995), o teatro Romântico revive o caráter “épico” e grandioso do drama medieval, o mundo conflituoso, as dualidades, os antagonismos, a luta entre o profano e o sagrado, o bem contra o mal, o despertar dos pecados, o homem e as sociedades corrompidas.
Parte da inspiração estética teatral dos Românticos teve origem nas morality
plays, principalmente por uma espécie de “saudosismo” que o gênero medieval carregava consigo. As moralidades intentaram, dentre outras coisas, restaurarem a aura “pura” que havia se perdido em meios aos conflitos sociais.
As moralidades ficaram conhecidas por mostrarem, durante a Idade Média, o homem dividido entre os vícios e as virtudes em enredos que tomavam como fonte a Bíblia. Porém, por diversas vezes, as peças traziam outras inspirações como o folclore e crenças locais, além de histórias que os dramaturgos ouviam nas portas das igrejas, vilas, feiras, ou seja, temas do dia-a-dia. Segundo Muir (1995) as morality plays lidaram com uma narrativa simples mostrando o depreciar da inocência humana, e sua consequente redenção organizada, através de contornos pela batalha da alma.
Os vícios que corrompiam os homens nas morality plays, eram mimetizados nas peças através de mecanismos sociais que os tornavam atraentes, sedutores, com uma força quase irresistível, o que levava os homens a “naturalmente” a serem ludibriados pelos diabos, pecando. Segundo Wertz (1969), as virtudes, por outro lado, eram mostradas através de mecanismos que não chamavam atenção, praticamente sem atrativos. Ou seja, o homem era mais facilmente tentado a pecar do que a manter-se no caminho “ideacional” criado por Deus. Porém, para alcançarem a salvação junto ao reino do céu, era necessário que os homens prestassem culto às virtudes. Dessa forma, as moralidades mostravam aos homens que Deus permitia ao indivíduo levar uma vida
escura, vulgar, grotesca, dedicada aos vícios terreno e, se desejassem, poderiam fazer pacto com o próprio Satanás. Porém, isso teria consequências futuras graves, como uma espécie de crucificação eterna, e a morte no reino do inferno.
Contudo, as morality plays poderiam ser interpretadas a luz da alegoria. Pois, no mundo medieval, segundo Wertz (1969), a estética alegórica tornou-se um instrumento importante para leitura tanto da Bíblia como de outros textos não “sacros”, o que acabou respingando também no teatro.
Pode-se dizer que as peças passaram a refletir questões sociais, através de uma estética alegórica, articulando tópicos políticos e sociais. Tecendo críticas, de maneira refinada, às estruturas já estabelecidas, buscando, a seu jeito, mudanças na sociedade. Ou seja, as Moralidades nos permitem vislumbrar determinados tratamentos históricos, que podem ser lidos através das tramas alegóricas.
Através da alegoria houve, portanto, e de maneira não velada, um tratamento intelectual produzindo uma dupla dimensão nos enredos, que não se baseavam apenas em personagens bíblicos para suas encenações. Além disso, a alegoria, nas moralidades, seria uma maneira de mostrar, segundo Wertz (1969), através das ilustrações que os enredos permitiam, componentes que só seriam reconhecidos em um campo não verbal, sendo o herói o representante de toda a humanidade.
Com o Medieval Revival, os Românticos voltaram a utilizar a alegoria como ferramenta para criticar as estruturas sociais e abordar os temas políticos de seu tempo. Alguns dramaturgos e romancistas como Byron e Matthew Lewis, na Inglaterra, além do próprio Yeats, na Irlanda, fizeram largo usa das representações alegóricas. Nas peças alegóricas, geralmente, a sociedade está corrompida por dentro, os homens levam uma vida sem virtudes intentando apenas os vícios. Ou seja, o mal da sociedade é visto como originado no próprio homem.
Alguns poetas e dramaturgos Românticos viraram seus olhos para uma das figuras bíblicas mais importantes da literatura medieval, o diabo. Com a Medieval
Revival, este personagem passou a ser lido aos moldes alegóricos, tal como acontecia
Nas Moralidades, o diabo era figura constante nas peças, representando os vícios, o estrago social que conseguia tirar os homens do caminho correto, quando eles buscavam seguir pela estrada do bem e das virtudes. Os demônios, segundo Wertz (1969), muitas vezes, eram a mimetização das coisas boas da vida, do saboroso, do divertido, mas que no fundo não era agradável à vida moral do homem. Travestidos de várias maneiras, principalmente de palhaços, ou personagens cômicos, os demônios mostravam que a comicidade degenerava o indivíduo e suas crenças, fazendo com que ele se desviasse da boa trilha traçada por Deus.
No Romantismo, porém, o personagem diabólico perde essa áurea de “brincalhão” das peças medievais e se torna a representação de tudo que há de ruim e obscuro, pecaminoso na sociedade. Faz-se agora uma entidade sedutora, que favorece caminhos de acesso aos prazeres da vida material e terrena.
Nas morality plays, os demônios, mesmo não sendo os protagonistas das peças, eram personagens importantes, carregando falas indispensáveis nas encenações, além de serem, na grande maioria das vezes, segundo Murakami (2011), a catapulta da ação. Ou seja, eram personagens relevantes e fundamentais para o teatro medieval por serem mais atrativos que os heróis e conseguirem transmitir suas mensagens por gestos, ações mais fáceis de entendimento. Somente a aparição do mal, mostrando seu poder real e aniquilador diante dos homens, poderia fazer os indivíduos comuns, de todas as classes, lembrarem dos ensinamentos de Cristo, e suscitarem a aparição do bem naqueles que nunca tinha atentado a isso. O mal era a semente primordial para o bem germinar.
Por sua vez, Deus era, obviamente, representado de maneira totalmente diferente do diabo, sendo uma figura que emana sentimentos e valores positivos, envolto em novelo interminável de virtudes e dignidades. Um exemplo a se seguir. Porém, nas peças medievais, o homem se mostrava esquecido do poder do Criador, de quem ele era, e o que o seu poder representava. Sendo assim, a sociedade se mostrava fragilizada, caída em pecados, sem ter a quem recorrer.
Sabe-se que os primeiros dramas bíblicos combinavam em si elementos que tinha origem nas artes, na literatura, e nas tradições populares. De acordo com Muir (1995), o gênero não falhou ao influenciar as crenças religiosas e ao entusiasmar a
própria Igreja Católica, além de ascender às paixões espirituais nos indivíduos. O drama medieval meditava sobre o “Ser” Deus, e como essa figura tão subjetiva deveria ser representada.
A morte era o último estágio para o homem redimir-se de seus pecados e largar os sabores mundanos. Ele poderia, então, voltar sua face para as virtudes e abandonar os vícios carnais, pois o mal que o indivíduo conhecera nessa vida não era nada parecido com o que ele vivenciaria de maneira mais profunda no pós-morte. O homem iria sofrer profundamente, se não voltasse sua face para Deus.
As peças ainda mostravam que o sofrimento, por uma vida, sem vícios, seria recompensado amanhã. A Morte personificada no palco era uma maneira alegórica de levar o homem a se confrontar com algo desconhecido e assim ganhar alguma vantagem sobre o futuro.
A Morte sempre se apresentava ao público com uma mensageira de Deus. Nas peças, seria uma forma de dizer que a morte não era a fronteira final, pois, ela estava agindo através de uma vontade impetrada pelo Criador, e os atos da Morte perpetuavam a vontade Dele.
Para Wertz (1969), o teatro medieval ainda tratou de maneira tímida dos mitos oriundos dos folclores nacionais. As peças que traziam enredos míticos serviam para explicar aos homens o que estava além racionalidade. Era uma forma poética de desvendar a cortina que separava o mundo real de um lugar ideacional, que não poderíamos tocar. Os elementos medievais convergem para o teatro nacionalista irlandês, no entanto, extrapolam em suas formas o antigo legado do folclore Celta e convidam-nos a uma reflexão profunda sobre temas e estruturas associadas ao universo folclórico.